Há “coisas” pelas quais vale a pena lutar… falta é quem lute.

Opinião- Ilda Pereira Silva

Estados de alma a propósito da Nota à comunicação social da Fenprof
A Fenprof veio agora a terreiro colocar na agenda sindical (e política) do dia, alguns problemas que afetam negativamente os docentes do 1º ciclo, através de uma nota à comunicação social. Este despertar de um longo torpor que remonta, pelo menos, à revisão do estatuto da carreira docente (ECD) ocorrida em 1989, em que os docentes daquele nível de ensino passaram de uma componente letiva de 22h30m semanais para as atuais 25h, impõe algumas reflexões sobre este acordar serôdio.
O acréscimo do aumento da carga letiva foi justificado, na altura, com o argumento de que seria por compensação de uma antecipada aposentação. Esclareçamos o caso para que não fiquem dúvidas, os professores do 1º ciclo aposentavam-se, à data, nas mesmas condições dos outros professores dos restantes níveis de ensino. Com a alteração do ECD passaram a aposentar-se com 32 anos de serviço e 52 de idade para os que perfaziam 13 ou mais anos de serviço em 1989 (já estão todos reformados) e os restantes, que não cumpriam tais condições, com 55 anos de idade e 30 anos de serviço continuam ao serviço. E são estes últimos que foram onerados com o aumento da carga letiva durante estes anos todos, para além de, relativamente aos outros níveis de ensino, não terem qualquer redução da carga letiva semanal por idade e tempo de serviço, condição que se mantém para todos os outros docentes.
Fruto de grande discussão esta alteração vingou, apesar da tese daqueles que anteviram os resultados atuais. Esta desigualdade mantém-se e agravou-se desde 2006, com a introdução das atividades de enriquecimento curricular e recentemente com a não contagem do intervalo na componente letiva. Estes 400 minutos que semanalmente se trabalha a mais, comparativamente com os outros níveis de ensino, sobretudo do básico, geram grande desconforto e insatisfação na classe.
A razão da continuidade deste horário é que agora, tal como em 1989, os docentes deste nível de ensino são oferecidos de bandeja, pelos sindicatos, qual cabeça de S. João Batista, ao Governo, em troca de benesses para os outros níveis de ensino, assim como é à sua custa que neste momento se proporciona escola a tempo inteiro, dado que o prolongamento de horário se efetua com a sobrecarga e a dilatação do horário dos professores do 1º ciclo, restando ao dirigente máximo da Fenprof, Mário Nogueira, o papel de Salomé, nesta verdade histórica/sindical.
Se não vejamos o tipo de horários que se estão a generalizar. O regime normal que sempre terminou às 15h, contemplando as diferentes realidades pedagógicas, está a ser artificialmente prolongado até às 16h, para que as escolas só disponibilizem uma AEC e não duas como deveria ser. Mas o que importa realçar neste ponto é que são os alunos os principais prejudicados com o estado a que isto chegou, sacrificando-se tempo de brincar, tão importante nesta fase da vida, bem como tempo para cimentar hábitos de estudo e de trabalho. Importa, igualmente, que a comunidade científica e a classe docente debatam vantagens e inconvenientes deste tipo de horários no desenvolvimento psicológico dos alunos, por comparação com outros sistemas educativos europeus.

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19 comentários

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    • já chega on 12 de Junho de 2016 at 20:57
    • Responder

    Em Espanha também trabalham mais horas, no restantes países não sei.
    Na maioria dos países recebem menos que os restantes ciclo (assim como a educação de infância), coisa que não acontece em Portugal pois recebem o mesmo.
    Não se percebe este ruído à volta do 1º ciclo, se é para diminuir as horas que seja para todos equitativamente (os restantes ciclos passam para 21 e estes para 24 por exemplo) e não para equiparar o que não é equiparável.

      • Corvo Mon on 12 de Junho de 2016 at 22:08
      • Responder

      A formação não é a mesma! Não venha falar de outros países, pois demonstra que não conhece a realidade…Contrariamente ao que acontecia antigamente não se esqueça que existem docentes no 1º ciclo com mais e melhor formação superior que muitos docentes no secundário.

        • bazófia on 13 de Junho de 2016 at 14:58
        • Responder

        É de uma ignorância atroz…. tenho pena que não conheça a realidade. Só para lhe dar um pequeno exemplo: no meu agrupamento em 52 professores do primeiro ciclo só uma tem bacharelato, os restantes têm licenciatura, mestrado e alguns são doutorandos. Todos com habilitação própria por isso não seja atrasado mental
        E tu será que és engenheiro a dar matemática, advogado a dar história ou militar a dar atividade fisica

      • Nuno Costa on 12 de Junho de 2016 at 23:03
      • Responder

      Quando não se sabe do que se fala arranjam-se argumentos de treta.

    • Ricardo Pereira on 12 de Junho de 2016 at 20:57
    • Responder

    Ola! e como meter todas as disciplinas, com Inglês e EMR__ nesse horário?

    • coeh on 12 de Junho de 2016 at 21:04
    • Responder

    O Mário ainda esperava alguma ação e daí uma enorme desilusão. Já dos restantes sindicados, para ser sincero, nada.

    • coeh on 12 de Junho de 2016 at 21:13
    • Responder

    Do Mário ainda esperava alguma ação e daí uma enorme desilusão. Já dos restantes sindicados, para ser sincero, nada.

    • boamoite on 12 de Junho de 2016 at 23:38
    • Responder

    Atrevo-me a mandar os professores primários e os outros para balalau, isto é para ser educado.Desde 1974 que este semi-analfabetos tem reformas chorudas idênticas às de um médico, magistrado ou qualquer outro cargo de importância , como o fazem superior.Ensinar 23 crianças a ler não é tão transcendente omo o fazem ver.Para professoras primárias e educadoras de infância iam as raparigas mais burrinhas e pobretonas, que neste diploma casamenteirotinham alguma probabilidade de ascender socialmente.Os mancebos que iam para o magistério eram mesmo destituídos de capacidade de um curso médio de engenharia ou um curso de letras.Se os professores de liceu ganham o mesmo que esta gajada badamerda a todos.

      • duarte on 12 de Junho de 2016 at 23:41
      • Responder

      claro e direto…. concordo… estão cansados , mudem de profissão… só sabem reclamar…

      • Bazófias on 13 de Junho de 2016 at 10:24
      • Responder

      É de uma ignorância atroz…. tenho pena que não conheça a realidade. Só para lhe dar um pequeno exemplo: no meu agrupamento em 52 professores do primeiro ciclo só uma tem bacharelato, os restantes têm licenciatura, mestrado e alguns são doutorandos. Todos com habilitação própria por isso não seja atrasado mental

        • bomamoite on 13 de Junho de 2016 at 21:29
        • Responder

        Não sou de bazófias mas se for a ler as taisdissertações e teses vo ficar atrasado mental.Há vários assuntos mas o preferido é “As representações das professoras do 1º ciclo na dimensão …etc”; “A antropologia das professoras noEstado Novo…””A identidade das professoras”.Lá há uma ou outra mais séria que pesquisa sobre a didática de uma área curricular.Com tanta identidade, representação ao menos dessem alguma educação dramática aos miúdos.Muitas delas nunca puseram um pé a assistir a uma representação de um autor nacional clássico.

      • Maria Augusta Marques on 15 de Junho de 2016 at 19:23
      • Responder

      Quando fui para o magistério primário tinha notas para entrar em qualquer faculdade, das públicas que nas outras qualquer um entra… Depois fui para a faculdade, dez anos mais tarde, tirei o curso, sempre a trabalhar e conclui com a melhor nota desse ano. Mas continuei e continuo no primeiro ciclo com todo o gosto. Não me queixo de por cá andar…mas chateia-me francamente a mania de doutores de alguns colegas!!!

    • Agnelo Figueiredo on 13 de Junho de 2016 at 2:35
    • Responder

    Eu não gosto nada da Fenprof nem nada que se pareça, muito antes pelo contrário, e acho que tem prejudicado fortemente os professores.
    Todavia, neste particular do 1.º Ciclo, tenho de lhe fazer justiça.
    É que foi a Fenprof, a par da FNE da Manuela Teixeira, que conseguiu fazer aprovar a “carreira única”.
    Não fosse isso e ainda hoje os colegas do 1.º Ciclo e do Pré-escolar teriam escalões de vencimento abaixo dos outros.

      • Bazófias on 13 de Junho de 2016 at 10:30
      • Responder

      Diga lá senhor diretor quantos dias livres, têm por semana, os colegas do primeiro ciclo , eu respondo zeroooo e quantos dias têm ilegalmente os dos outros ciclos, no seu agrupamento chegam a ter um dia e meio. Saudações desde Coimbra.

        • Agnelo Figueiredo on 14 de Junho de 2016 at 3:05
        • Responder

        Dias livres… não podem ter. Tardes livres, uma por semana, já lhes proporcionei até ser denunciado à IGEC. Mas não foi disto que falei. Foi da equiparação salarial.

    • nanda on 13 de Junho de 2016 at 15:31
    • Responder

    Não consigo entender a “chuva de ódio ao 1º ciclo” por parte de colegas de profissão, sou licenciada e fiz mestrado pré-Bolonha, trabalho há 20 anos no 1º ciclo e até já trabalhei no 2º ciclo .Acho justa a luta por melhores condições de trabalho. Olhando para os comentários que por aqui aparecem,tenho alguma dificuldade em perceber a falta de apoio, por parte de alguns colegas de outros ciclos relativamente a esta questão .Todos temos especificidades de acordo com a faixa etária que lecionamos, pelo que se a carreira é única, as condições que sejam iguais para todos, se o salário é igual que a componente letiva também o seja(já que a CNL passa a ser igual). Afinal qual é o problema? Por que razão o 1º deve ser discriminado?

      • médica on 14 de Junho de 2016 at 0:20
      • Responder

      Eu só não percebo é porque é não temos todos a carreira a que acedem os médicos?! Temos licenciaturas, mestrados e doutoramentos, logo devíamos ter a mesma carreira. Mas porque é a fenprof não se lembrou disto, diria a nanda

      • Enginheiro on 14 de Junho de 2016 at 8:01
      • Responder

      Tenha juízo. Vamos todos lutar pela separação das carreiras.
      Uma para as educadoras ( amas ) outras para o 1º ciclo, outra para o 2° ciclo, outra para o 3° ciclo e secundário e outra para o superior. Faça-se justiça

        • médica2 on 14 de Junho de 2016 at 13:23
        • Responder

        O superior já tem uma carreira muito diferente, nove horas de aulas semana (o resto é preparação e investigação… ou não). Os salários são muito, muito diferentes. Em nenhum país europeu existe uma tão grande diferença salarial entre os efetivos do ensino secundário e do universitário em termos salariais (claro que têm muitos precários nas universidades em Portugal mas falo dos efetivos)

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