REGIME ESPECIAL DE APOSENTAÇÃO PARA OS DOCENTES DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E DO PRIMEIRO CICLO DO ENSINO BÁSICO

REGIME ESPECIAL DE APOSENTAÇÃO – PELA IGUALDADE

Para: Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República

Sua Excelência
Presidente da Assembleia da República

ASSUNTO: PETIÇÃO – “PELA IGUALDADE” – PELO RESTABELECIMENTO DE UM REGIME ESPECIAL DE APOSENTAÇÃO PARA OS DOCENTES DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E DO PRIMEIRO CICLO DO ENSINO BÁSICO

A presente Petição resulta da enorme discrepância que subsiste nas condições de trabalho dos docentes da Educação Pré-Escolar (EPE) e do Primeiro Ciclo do Ensino Básico (1.ºC) comparativamente aos docentes dos restantes ciclos de ensino.

Com vista a corroborar um panorama deveras promotor da desigualdade laboral e de favorecer uma análise factual desta evidência, esta petição baseia-se numa análise comparativa do tempo de serviço prestado pelos docentes dos vários níveis de ensino, alicerçada num estudo  que demonstra, de forma real, objetiva e tendo em conta uma perspetiva longitudinal da carreira, uma enorme desigualdade, no que diz respeito à duração semanal de trabalho, às componentes letiva e não letiva e respetivas reduções, que urge corrigir.

Os cálculos apresentados comprovam que, se considerarmos o definido no ECD atual (total de 26 horas de 60 minutos para a EPE/1.º Ciclo e de 26 tempos de 45 minutos para os restantes níveis de ensino), ao fim de 40 anos de serviço, os docentes da EPE e do 1.º C cumprem o equivalente a mais 13,3 anos letivos do que os restantes docentes; em termos de tempo letivo, a diferença sobe para o equivalente a 15,5 anos letivos. Se considerarmos a prática atual (total de 26 horas para a EPE/1.º Ciclo e de 24 tempos para os restantes níveis de ensino), a diferença traduz-se no equivalente a mais 17,7 ou 20,6 anos letivos.

A enorme diferença verificada advém do facto de o número de horas da componente letiva não ser o mesmo (25h para a EPE e 1.ºC; 22h para os restantes setores de ensino) e, essencialmente, da definição de hora letiva (60 minutos para a EPE e 1.ºC; 45 minutos para os restantes níveis).

De salientar que a comparação é estabelecida com base em horários completos, ou seja, não são tidas em conta as reduções letivas previstas para os 2.º, 3.º Ciclos e Secundário (por desempenho de funções e pela idade). Considerando estes dados, assistiríamos a um acréscimo dos resultados obtidos.

Desta análise, torna-se evidente que os docentes da EPE e do 1.º Ciclo não beneficiam das mesmas condições de trabalho dos restantes docentes e que os dados expostos justificam o restabelecimento de um regime especial de aposentação que permita a anulação das diferenças apresentadas.

Considerando que:

1 – A igualdade de condições de trabalho entre todos os docentes, nomeadamente quanto à duração semanal de trabalho e às reduções da componente letiva, independentemente do nível que lecionam, é uma causa de elementar justiça;

2 – No quadro atual, os docentes situam-se em dois patamares completamente distintos, resultantes da enorme disparidade que se verifica entre o horário semanal de trabalho dos docentes da Educação Pré-escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico relativamente aos restantes;

3 – Aquando da uniformização da idade de aposentação, era imperioso que essa medida tivesse sido acompanhada pela igualdade do horário de trabalho, uma vez que a aposentação diferenciada dos docentes da Educação Pré-escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico alicerçava-se, de forma justa, no acréscimo de tempo de trabalho prestado ao longo da carreira, no não usufruto de benefícios resultantes da redução da componente letiva e no inevitável desgaste físico e psicológico adveniente do exercício da profissão;

4 – A prática docente, nestes dois níveis de ensino, apresenta características específicas e diferenciadas;

5 – O regime de monodocência não pode continuar a servir para justificar uma situação de extrema injustiça, na medida em que, no quadro atual, o mesmo já não se verifica, atendendo à lecionação das aulas de Educação Física e de Inglês por docentes dos respetivos grupos.

Pelo exposto, os signatários solicitam a Vossa Excelência a análise desta questão e o respetivo encaminhamento com vista à correção urgente de uma realidade deveras desigual. Neste entendimento, como forma de repor alguma justiça numa carreira que é única e regulamentada pelo mesmo Estatuto, propõem o restabelecimento de um regime especial de aposentação para os docentes da Educação Pré-escolar e do Primeiro Ciclo do Ensino Básico que: (1) possibilite a anulação das diferenças apresentadas, considerando, para o efeito, como requisito necessário a prestação de 32 anos de serviço, independentemente da idade e (2) permita o acesso imediato à aposentação dos docentes que reúnam esta condição, aquando da entrada em vigor da correspondente legislação.

Agradecendo toda a atenção dispensada ao assunto, subscrevemo-nos, apresentando os nossos respeitosos cumprimentos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2016/01/regime-especial-de-aposentacao-para-os-docentes-da-educacao-pre-escolar-e-do-primeiro-ciclo-do-ensino-basico/

24 comentários

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    • João Bonifácio on 11 de Janeiro de 2016 at 15:03
    • Responder

    Face a esta petição impõe-se uma pergunta muito simples.

    Esta petição é apenas para as antigas “amas” (ou como se designavam de bábás”) e para os “professores primários” e/ou “regentes escolares”?

    E a pergunta impõe-se pela simples razão de que alguns, de facto, começavam a trabalhar cedo e entravam na profissão apenas com antiga 4ª classe e outros com o que equivale agora ao 9º ano de escolaridade e depois faziam o Magistério Primário. De facto esta gente fez um grande esforço intelectual e por isso merece a reforma mais cedo por limpar o cú a meninos.

      • José Afonso on 11 de Janeiro de 2016 at 15:45
      • Responder

      Sim, é para essas… que te limparam o cú, porque os teus pais não te ensinaram a fazê-lo, tal como não te ensinaram nada sobre educação e respeito… e elas não foram capazes de te incutir esses valores.

        • Para quem ainda n percebeu! on 11 de Janeiro de 2016 at 16:07
        • Responder

        Será falta de educação ou realismo?

          • José Afonso on 11 de Janeiro de 2016 at 16:50

          Há formas e formas de se ser realista. Pode-se discordar com muita coisa, mas argumenta-se de forma séria e com respeito pela opinião dos outros.
          Não será esse o exemplo que quero dar aos meus alunos? Ou vou pela máxima: “Olha para aquilo que eu digo, não olhes para aquilo que eu faço”?
          Não se dão exemplos só dentro das paredes das escolas…

      • Mércia Fonseca on 11 de Janeiro de 2016 at 20:42
      • Responder

      Já não há professores desses: As regentes já morreram; os do 9.º ano com 2 anos de magistério já não se encontram no ativo. Os professores a quem chama “primários” são licenciados que trabalham muito, têm um horário muito sobrecarregado, turmas com vários níveis de aprendizagem para ensinar todos ao mesmo tempo e muito trabalho burocrático para fazer depois das aulas e aos fins de semana. Alguns desses professores possuem mestrado e doutoramento. É mais do que justo diferenciar a idade da reforma. Foi o Sócrates e a Maria de Lurdes que meteu tudo no mesmo saco e os sindicatos nunca disseram nada.

        • marisela on 12 de Janeiro de 2016 at 21:44
        • Responder

        E as educadoras de infancia todas licenciadas, muitas com mestrado e algumas com doutoramentos são docentes que promovem os alicerces de uma vida, a base de toda a pedagogia começa na 1ª infância, penso que estas docentes fazem um trabalho excelente, como podem dizer que o trabalho de uma educadora é mudar fraldas!!!!Bem há gentinha ignorante neste país

        • Corvo Mon on 12 de Janeiro de 2016 at 22:45
        • Responder

        O colega(????) João Bonifácio é daqueles que pensa que os que lecionam no Superior é que são professores, depois existem os outros que têm menos capacidades e competências, consoante o ano que lecionam!

      • noquinhas on 12 de Janeiro de 2016 at 20:21
      • Responder

      De facto, também deve ter feito um grande esforço intelectual para dizer o que disse, mas não conseguiu ser brilhante…todos esses que refere ou já foram enterrados ou há muito que gozam da sua aposentação!!! Não sei se chore se ria!!! Santa Ignorância!!!

      • marisela on 12 de Janeiro de 2016 at 21:46
      • Responder

      o sr. Bonifácio está noutro planeta que não o nosso

    • Ângela Mateus on 11 de Janeiro de 2016 at 17:03
    • Responder

    Mas há alguma proposta concreta e realista elaborada? Gostava de saber mais detalhes sobre números. Anos de serviço, idade e número de docentes potencialmente envolvidos. Consequente número de lugares de quadro vacantes. Obrigada 🙂

    • Nanda on 11 de Janeiro de 2016 at 19:32
    • Responder

    https://www.facebook.com/quemsepreocupacomosprofessoresd1ciclo/

      • Rui Pereira on 11 de Janeiro de 2016 at 19:43
      • Responder

      Essa página do FACEBOOK devia dar pelo titulo “QUEM SE PREOCUPA COM AS E COM OS .

      Sobre este assunto seria bom ver o que se passa na generalidade dos Países Europeus em que o equivalente às e aos possuem tabelas salariais completamente distintas dos Professores do Ensino Secundário e, como é lógico, dos Professores do Ensino Superior. São valências, competências e trabalho completamente distinto.

        • Corvo Mon on 12 de Janeiro de 2016 at 22:51
        • Responder

        Tive como colegas, alguns desses distintos, atualmente colegas do Secundário. Eles não conseguiram entrar no ensino público e nem no curso que queriam…foram para o privado e é vê-los doutores no secundário!!!Haja paciência para tanta tolice e ignorância…

    • maria on 11 de Janeiro de 2016 at 20:05
    • Responder

    Lamentável o comentário do sr. Bonifácio. Os professores primários,como todos os professores de outros graus de ensino, merecem todo o respeito.
    Há anos que já não existem regentes no 1º ciclo. Ainda lecionam professores que acabaram o curso em 79/80 no Magistério Primário. São professores e educadoras que, na sua maioria, estão perto dos 60 anos de idade e contam com 35 e mais anos de serviço.

      • Rui Pereira on 11 de Janeiro de 2016 at 20:23
      • Responder

      Minha cara e boa amiga

      O Sr. Bonifácio colocou o dedo na ferida. Em boa verdade, no espaço europeu as tabelas salariais são completamente distintas. Os professores primários tem uma carreira, os docentes do ensino secundário tem outra e os Professores do Ensino Superior outra. Isto não acontece por acaso.

      Em Portugal é uma bandalheira completa. Qualquer dia vamos ter uma carreira única: Professores do 1º ciclo do ensino básico (antigos “regentes escolares e professores primários); Professores do 2º e 3º ciclo do ensino básico e secundário; e, porque não, Professores do 4º ciclo do ensino básico (atuais professores do ensino superior).

      A bandalheira tem os dias contados porque o país está falido e como tal é apenas aguardar mais um pouco para acabar com o (des)governo atual.

      Haja pachorra…

        • maria on 11 de Janeiro de 2016 at 22:33
        • Responder

        Caro Rui Pereira, as regentes já não existem e os primários, como lhes chama(penso que com um tom de desprezo) tiraram uma licenciatura e, como bem disse a Mércia, muitos deles são mestres e doutores.Por que razão salários diferentes? Os primários não trabalham? Não ensinam? Não passam horas na escola? Há profs do secundário a trabalhar no 1ºciclo que mudaram completamente de opinião sobre os primários.
        Não admira que sejamos uns fracos nas mãos dos governantes pois se somos os primeiros a denegrirmo-nos.
        Desejo-lhe um 2016 muito positivo.

        • Corvo Mon on 12 de Janeiro de 2016 at 22:55
        • Responder

        Pois as tabelas salariais são distintas mas a bandalheira dos doutores formados nas privadas também não existe. Não esqueça que existem muitos ( no ensino secundário por exemplo)que nem estavam habilitados para a docência e que para aqui vieram(ensino), portanto nem docentes são e então não deveriam ganhar como tal, isto no seguimento do seu brilhante pensamento!

        • Ferradura on 13 de Janeiro de 2016 at 0:15
        • Responder

        Olhe se nos outros paiíses europeus, sul americanos, africanos existem carreiras distintas para os diversos patamares de ensino é porque os seus governantes e professores demonstram inteligência.Os burros da festa são apenas os professores do 2º, 3º e secundário.São burros mesmos e verdadeiros, só não zurram e não andam em 4 patas.Se eles aceitam ser nivelados por baixo é porque são burros.Tam vários níveis para lecionar , tem números múltiplos de alunos em relação a um professor de uma turma ou educador(só com uma turma).
        Os professores acima do 1º ciclo sabem que tem mais reuniões, mais testes a corrigir que os colegas de níveis de ensino iniciais.SE os burros do 2º/3º ciclos e secundário aceitam a patranha de que o trabalho é igual são uns autênticos burros.Se aceitam o mesmo ordenado é porque são autenticas cavalgaduras.
        Quanto à historia dos professores do 1º ciclo e pré-escolar terem mais mestrados e doutoramentos não é verdade.As estatísticas do ministério apontam para os professores dos ciclos terminais terem maiores qualificações académicas.
        Não culpem as educadoras e os professores do 1º ciclo pela carreira única.Deram.-lhe essa oportunidade eles aceitaram.SE os burros dos professores do secundário nunca protestaram é porque são como atrás disse autênticas cavalgaduras sem respeito próprio por os seus conhecimentos científicos adquiridos nas universidades.Se aceitam a primazia das Eses, agora é arde…tivessem lutado.

    • Nanda on 11 de Janeiro de 2016 at 21:36
    • Responder

    Se vamos por esse caminho senhores doutos professores, apenas uma ou duas questões: Quantos Regentes Agrícolas, peço desculpa engenheiros agrários e outros bacharéis de engenharias são docentes de Matemática nos segundo terceiro ciclo e até no secundário???? Um olhar pelas avaliações externas (exames) e tirem as conclusões que entenderem…

      • Rui Pereira on 11 de Janeiro de 2016 at 22:15
      • Responder

      Eu acrescentaria! Quantas “bábás” (digo educadoras de infância) e “professoras primárias” (digo professoras do 1º ciclo) que não sabem fazer operações aritméticas básicas nem escrever, formadas por PIAJÉS, ESES e QUEJANDOS, andam por aí?????

        • AC on 11 de Janeiro de 2016 at 22:48
        • Responder

        Há pessoas que, a coberto do direito de opinião, debitam disparates a uma velocidade que faz inveja à própria luz. O mais grave é que, na sua verborreia, vociferam procurando agredir. Gratuitamente, como é óbvio. Quem assim procede não é boa pessoa, pela certa. E, não sendo boa pessoa, é impossível ser um bom professor.

        • Oriana on 12 de Janeiro de 2016 at 15:56
        • Responder

        Piaget!! Piaget!!

        • Corvo Mon on 12 de Janeiro de 2016 at 22:57
        • Responder

        Mais um recalcado com pretensões a Júlio César!!!

    • Esmeralda Ferreira on 14 de Janeiro de 2016 at 14:56
    • Responder

    Queiram-me desculpar os
    ilustríssimos colegas por quem tenho muito respeito e admiração, mas
    permitam-me discordar inteiramente desta petição. Fui professora do ensino
    secundário ao longo de mais de 38 anos e rescindi amigavelmente em Agosto do
    ano transacto para me livrar de uma enorme depressão. Durante a minha carreira,
    lecionei mais de 30 disciplinas, que me exigiram muitas horas de estudo e de
    preparação de textos de apoio e restantes materiais. Alguma vez me foram
    contabilizadas estas horas. Não! Além disso fui nomeada muitas vezes para o
    exercício de cargos que exigiam muitas horas de trabalho não letivo, horas
    essas que não eram refletidas nessa mesma componente. Contaram para alguma
    coisa? Não! Muitos anos se passaram sem tempo para dispensar à família, bem
    como, a qualquer atividade de lazer. Todo o trabalho que me era exigido, era
    para “ontem”. E qual a recompensa? Nenhuma! Por muito trabalho que tenha um
    professor do EPE ou do Primeiro Ciclo jamais terá que estudar o que é exigido a
    um professor do ensino Secundário. Além disso, em tempos idos os professores do
    EPE e do 1º ciclo aposentavam-se com 32 anos de serviço e os restantes com 36. Não se pode comparar o incomparável. Por
    favor, utilizem outros argumentos.

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