Porque se deve RECOLAR EVT NO CURRÍCULO do Ensino Básico?
A Educação Visual e Tecnológica – uma utopia adiada?
Vivemos numa época aberta a múltiplas experiências, no campo da Arte, da Tecnologia e da Ciência. A época moderna, sendo poli-estilística, manifesta-se através das mais diversas tendências estéticas. Tal circunstância predispõe-nos para a descoberta de diversificadas formas de expressão.
A EVT é o último elo de uma evolução histórica das Artes e dos Ofícios como disciplinas curriculares e o ponto de encontro com as tendências do ensino artístico das ultimas décadas.
A EVT proposta na reorganização curricular dos ano 90 com pressupostos na psicologia sobre a percepção, no Gestaltismo e nos estudos de Piaget, consubstanciada numa didáctica focada em aprendizagens significantes para os alunos, surgia com um carácter ideológico de estruturação curricular de tendência científica da educação no campo da arte e da tecnologia e fez o seu caminho durante 20 anos.
Com cRATO desbaratou-se a ideia integradora de EVT e ao fazê-lo perdeu-se a exploração sensorial e as práticas experimentais das possibilidades físicas do material e sua transformação: o que é resistente e o que é frágil; o que é redondo e o que é anguloso; o que é flexível e o que é rígido; o que é estático e é ou pode ser dinâmico.
Ao percepcionar a consistência, o peso, a forma, a cor, o movimento do objecto, a criança adquire um conhecimento global que motiva e enriquece a expressão pessoal, que se revela em tudo o que faz e experimenta.
Ao manipular objectos, a criança não só explora relações lógicas de causa e efeito, e de forma e função, como põe em prática as explorações plásticas que utilizam intencionalmente os elementos visuais em articulação com os instrumentos específicos do mundo técnico e da acção sobre ele.
A EVT deve portanto ser equacionada num novo currículo e no Tempo Novo que se perspectiva!
CG




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Uma sociedade que reconhece a Educação Visual como essencial na educação integral das crianças/jovens, é uma sociedade evoluída, moderna que procura fomentar a criatividade na medida que incentiva o pensamento crítico., o saber observar, o aprender fazendo….Por isso o ministério deverá investir nestas áreas e não contribuir para o desaparecimento desta disciplina. O que não faz sentido e incompreensível é o facto de um profissional com mestrado em EVT no Ensino Básico estar impedido de concorrer a estas disciplinas no Ensino Básico apesar de estar habilitado, fica apenas confinado ao 2º ciclo e o Ensino Básico do 7º ao 9º ano ser da exclusividade dos licenciados em Artes Visuais e estes ainda têm a possibilidade de concorrer ao Secundário, daí ser desigual o leque de opções de concurso logo de empregabilidade….realmente não faz sentido. Talvez seja adequado criar um novo grupo de recrutamento para concurso nesta disciplina EV apenas no Ensino Básico/3º ciclo e ambos terem legitimidade para concorrer.
Só mentes profundamente limitadas é que não tiveram a capacidade de percecionar a importância desta interdependência entre a vertente visual/artística e a vertente tecnológica/científica.
Pessoalmente, embora tendo como formação de base académica essencialmente direcionada para a parte tecnológica não invalidou que descobrisse gradualmente a vertente artística que muito admiro, implemento e valorizo nos meus alunos.
Sinto pena desse tipo de gentinha que não conseguiu atingir a dimensão artística.
Esse tipo de gentinha tentou acabar com a disciplina de EVT por razões unicamente economicistas. Fracionou a disciplina em EV e ET, limitou a partilha de saberes entre pares pedagógicos que era uma mais valia e condicionou a aplicação do Método de Resolução de Problemas que era a base estruturante da disciplina de EVT.
Mas, na minha opinião, por mais que esse tipo de gentilha nos queira desvalorizar e destruir existirão sempre professores conscientes que lutarão em prol de uma educação visual, artística e tecnológica para os seus alunos.
Não é só no ensino básico que verificam esses cortes cegos. Desde há uns anos para cá, deixou de ser possível formar turmas mistas onde alguns alunos de Artes escolhiam História e Cultura das Artes como uma das específicas e outros escolhiam Matemática B. Ou seja, uma disciplina de opção só pode abrir com um mínimo de 20 alunos. Ora se uma turma tem entre 26 a 30 alunos só pode funcionar uma delas, ou HCA ou Matemática. Na prática há dezenas de alunos de ARTES que NUNCA tiveram História e Cultura das Artes, foram obrigados a ter Matemática B onde têm bastantes dificuldades e vão para o ensino superior em grande desvantagem em relação a outros que tiveram a sorte de poder frequentar a História da Arte.
Realmente o problema do 2º ciclo pode ser preocupante, e o
que fizeram no 3º ciclo ao ensino da Educação tecnológica? É de gritar aos
quatro ventos, que formação poderemos esperar para os nossos alunos? Falamos
tanto em Empreendedorismo e depois temos uma Educação tecnológica de opção e só
aparece em meia dúzia de escolas por todo o país por carolice de alguns
Diretores que lá vão apostando no capital humano que ainda lhe resta. Mas
depois juntam-se umas horas de projeto noutras disciplinas cujos projetos só
poderão ser de caráter escolar. Que futuro?
…a vida,Costa! já disse que queria dizer que não!
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