Mais Uma Carta Aberta

… desta vez questionando a impossibilidade de um docente do quadro não poder ser opositor a outro grupo de recrutamento na fase da mobilidade. De memória lembro-me que este assunto já foi resolvido mas apenas para a “requalificação”. Já abordei também por diversas vezes este assunto aqui no blog.

 

Eu, Tânia de Jesus Aparas, professora do QZP-03, portadora do CC nº 10877281, afeta ao Agrupamento de Escolas da Murtosa, no grupo de recrutamento 110, venho por este meio expor e questionar o motivo das seguintes situações:

Situação:

Possuo uma licenciatura em Professores do 1.º CEB e dois cursos de formação especializada em Educação Especial, respetivamente no domínio cognitivo e motor (grupo 910) e no domínio da visão (grupo 930).

Neste último concurso, tal como nos antecedentes, apresentei a minha candidatura a Quadro de Agrupamento ao grupo de recrutamento 110 (de forma obrigatória) e ao grupo 910 (domínio cognitivo e motor).

Questão 1:

Questiono em primeiro lugar o motivo pelo qual sou impedida de concorrer a todos os grupos de recrutamento para os quais tenho formação adequada e experiência profissional.

Situação:

Caso de repita o que ocorreu no ano de concurso nacional, em 2009, os docentes que não ficaram colocados em Quadro de Agrupamento, são obrigados no concurso de afetação a concorrer exclusivamente ao grupo de recrutamento ao qual já pertencem. No meu caso, e no caso de milhares de professores que se encontravam na mesma situação, ficámos impedidos de aceder às vagas para a Educação Especial que posteriormente surgiram e que foram ocupadas por professores contratados, muitos deles com zero dias de serviço.

Questão 2:

Por que motivo  nos é negada a possibilidade de concorrer, no período de afetação, às vagas para a Educação Especial, antes destas serem ocupadas por professores contratados, como tem sido feito nos últimos anos?

Questão 3:

Por que motivo não se segue a lista de graduação do concurso à Educação Especial, uma vez que manifestámos preferências nessa área?

Questão 4:

Por que motivo se deixam professores do quadro de zona pedagógica sem atividade letiva, podendo estes, tal como no meu caso, se pudessem concorrer a afetação no grupo da Educação Especial, ocupar essas  vagas? (Vagas estas que são posteriormente ocupadas por professores contratados.) Esta medida permitiria, ainda, que muitos docentes sem componente letiva (como é caso dos QZP) não passassem à Mobilidade Especial.

Nestes últimos 13 anos, a par da minha atividade letiva, realizei formação diversificada, participei em congressos como proponente e redigi artigos científicos, que foram publicados em revistas da especialidade. Indico de seguida, alguma da formação que efetuei:

Parte Curricular do Mestrado em Educação em Ciências no 1º Ciclo do Ensino Básico, Universidade de Aveiro

Curso de Formação Especializada em Educação Especial – domínio cognitivomotor, Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração de Aveiro

Mestrado em Activação do Desenvolvimento Psicológico, Universidade de Aveiro

Curso de Educação Especial  – domínio da visão, Universidade Católica Portuguesa.

Toda a minha formação complementar  foi paga por mim, sem qualquer contributo do estado. Além dos valores monetários, devo contabilizar o tempo retirado à minha vida pessoal, que obrigatoriamente canalizai para as viagens de deslocação às universidades, ao estudo e à produção de pesquisas e trabalhos académicos.

Sempre me esforcei para conseguir os melhores resultados, acreditando que a qualidade do meu trabalho enquanto docente, seria incrementada e aprimorada, com os contributos e os saberes resultantes de uma formação atualizada e diversificada, onde primou sempre o extremo rigor cientifico

Tenho experiencia profissional na área da Educação Especial, e mérito reconhecido por pais, alunos, colegas e diretores de escolas onde trabalhei com alunos com Necessidades Educativas Especiais.

Ser professor deste tipo de alunos, deve ser algo realizado por vocação, com o máximo respeito e profissionalismo. Lamento profundamente que em virtude de injustiças burocráticas (não sei como melhor as qualificar), me veja impedida de realizar um trabalho que gosto de fazer. Não se trata de não haver vagas, simplesmente não é dada a devida atenção e o devido respeito ao perfil dos candidatos que manifestam as suas preferências para a Educação Especial.

Continuo na esperança que muito mude no âmbito da gestão da educação no nosso país, que o princípio da graduação profissional seja cumprido e que as questões colocadas possam obter uma resposta plausível.

Espero que as situações expostas, que considero profundamente injustas, sirvam de base para reflexão séria e responsável.

Atenciosamente

Tânia Aparas

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27 comentários

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  1. Muitos parabéns! O rabinho lavado com água das malvas. Os contratados são tantos professores como QE / QA / QZP muitos destes são uma cambada de incompetentes e que se refugiam na educação especial como escape e aproximação da porta de casa sem importar de facto com os alunos NEE, Tenho dito!

      • FELBOL on 6 de Agosto de 2013 at 9:08
      • Responder

      Também por essa ordem de ideias se pode dizer que muitos contratados o são, porque nunca se deram ao trabalho de sair da porta de casa.
      Mais. Também posso fazer como tu e especular que esses contratados que ocupam as vagas de EE apenas viram mais uma hipótese de ter trabalho sem a mínima aptidão.
      O que está aqui em questão é que os direitos não iguais para todos.
      QZP, não pode concorrer para 2 habilitações, não pode fazer permutas… são carne para canhão.

        • Anonin on 6 de Agosto de 2013 at 9:15
        • Responder

        É fácil: desvincula-te e passas a ser um contratado cheio de privilégios. (tanta hipocrisia..)

          • FELBOL on 6 de Agosto de 2013 at 14:08

          Por falar em hipocrisia, essa foi a resposta que me deram na dgrhe em 2009, quando decidiram mudar as regras e cortar aos qzp.

    1. gente invejosa! Não farei greve nem manifestação nenhuma por esta gente!

  2. estou na mesma situação da colega e tenho 16 anos de serviço e no último ano estive a 100kms de casa, tal como ela existem muitos casos pelo país fora, com a agravante de muitos de nós termos filhos pequeninos, como é o meu caso que tive que deixar o meu com 8 meses…conheço a colega em questão, pensa assim colega pelo menos não tens filhos que choram quando os deixas … não querendo ser egoísta, e dando-te muita razão, mas cara amiga somos milhares na tua situação….eu por exemplo dos 16 anos de serviço que possuo, 12 foram em educação especial…desculpem o desabafo, mas não quero deixar de dizer que temos que deixar de lado as designações de QA/QZP e contratados e falar em professores…boa sorte a todos

    1. Deviam pensar pelo menos 2 vezes quando se referem aos contratados. Porquê ? Porque têm filhos como os do quadro e muitos deles (cerca de QUINZE MIL) ficaram sem ordenado nos 2 últimos anos!!! Imagina-se a ficar, um dia, sem o salário ? Penso que não. Qualquer cortezito é o fim do mundo para vocês. HAJA RESPEITO !

    • Anonin on 6 de Agosto de 2013 at 8:48
    • Responder

    Mais outra do ISCIA…Aguarda pela requalificação…

    1. Colega, as especializações deste universidade ñ são legais. Ñ têm regsito de acreditação como formação especializada e ñ dá habilitação para concorrer.Esta malta do ISCIA têm que ser denunciada. Denunciem!

    • FELBOL on 6 de Agosto de 2013 at 9:03
    • Responder

    Em 2009 quando fui à DGRHE protestar com esta situação tiveram o desplante de me dizer para eu requerer a minha desvinculação e concorrer no concurso externo. Isto diz tudo das intenções desta gente.

    • Sónia Barbas on 6 de Agosto de 2013 at 11:55
    • Responder

    Não se trata de situações de vida familiar, ter filhos ou não, ter idosos a cargo ou não, ou ainda problemas de competência, facto que nem se deve referir… Tão pouco se trata de prejudicar contratados ou não. Nessa perpetiva, todos os profissionais em exercício prejudicam os contratados por ocuparem vagas! Trata-se sim de permitir ser opositor a um concurso para o qual se tem habilitações, e, ainda manter as regras de graduação profissional, são essas as regras que devem sempre ser respeitadas.

      • Carla Lopes on 6 de Agosto de 2013 at 14:44
      • Responder

      Concordo e subscrevo. Não me parece ser nada contraos docentes contratados. Eu também o fui durante 12 anos, sem qualquer benefício, mas por questões de graduação, nunca me foi permitido passar à frente de ninguém. É um questão de justiça, no que se refere às regras da graduação profissional, sendo este o critério respeitado em todos os concursos e porque é que para os grupos de Educação Especial é diferente? Quanto a alguns comentários anteriores, como docentes deveriamos ter algumas regras de educação quando debatemos certos assuntos mesmo que estes nos afetam diretamente, porque para o leitor significam de imediato perda de razão e é vergonhoso, para quem tem com função formar futuros cidadãos, com ética e valores, que no momento são tão escassos

      1. Carla, acho que tem toda a razão nas suas palavras, sobretudo no que respeita ao exercício da boa educação. Eu também fui contratado durante mais de uma década. Estas picardias apenas diminuem quem as alimenta.
        Quanto à situação em causa, deixem-me começar por dizer com toda a sinceridade: NÃO HÁ ENSINO ESPECIAL EM PORTUGAL!. Há apenas um faz-de-conta alimentado pelo MEC, que não me parece proporcionar respostas verdadeiramente eficazes. Contudo, também é verdade que há colegas que se têm dedicado a sério ao Ensino Especial (EE), empenhando-se seriamente, sem grandes condições materiais na ajuda dessas crianças, muitas delas com graves problemas. E o que se tem conseguido com o EE, de há muitos anos a esta parte, tem sido muito à conta desses colegas.
        E para esses colegas deveria o MEC ter criado um mecanismo de distinção dos restantes, bonificando o tempo dedicado ao EE, permitindo-lhes concorrer a esse grupo, etc.
        Dir-me-ão que injustiças surgiriam, mas parece-me que seriam bem menos do que as atuais, pois com a atual diminuição de horários, há muita gente que apenas quer um lugar (um qualquer), mesmo que não tenha outro interesse senão aproximar-se de casa ou um horário. Conseguindo-o, com certeza reclamarão ainda da sua infelicidade, blá, blá, blá…

    • Pedro P. on 7 de Agosto de 2013 at 11:57
    • Responder

    Alguém diga à colega que é “canalizei”, por favor.

  3. Malandros dos contratados….

      • FELBOL on 7 de Agosto de 2013 at 16:50
      • Responder

      Não Carlos… malandros da DGRHE.

    • ginbras on 7 de Agosto de 2013 at 18:40
    • Responder

    Não..malandros dos colegas dos quadros, que tudo fazem para manter o seu posto de trabalho, estando-se a marimbar para os restantes colegas, tentando atropelá-los de todas e mais algumas formas…quem fez força para surgir o tão aclamado despacho 866 quem foi????? qual a razão de ter surgido este despacho quer que lhe faça um desenho???

      • FELBOL on 9 de Agosto de 2013 at 18:47
      • Responder

      Se calhar é melhor que eu continuo a nãop perceber onde quer chegar.

    • Black Jack on 7 de Agosto de 2013 at 21:29
    • Responder

    concordo com a colega Tânia, mas acho que essa possibilidade tb devia ser dada aos QA sem componente letiva e aos QA que quisessem concorrer à EE na 2ª prioridade

    • Adolf on 8 de Agosto de 2013 at 12:08
    • Responder

    Pois é Tânia… tiveste uma vida fácil no 110 com os teus 15 valores e pensas que os teus 17 valores da EE te fazem maior do que os contratados? Há contratados com mais tempo de serviço e mais habilitações que continuam… contratados!
    Este é o reflexo do tipo de profissionais que existem no ensino… atacam-se ferozmente uns aos outros e não direcionam a sua raiva ao cerno do problema (político)… Não se esqueçam de votar nos mesmos do costume e depois venham para aqui reclamar da vida…

    • FELBOL on 9 de Agosto de 2013 at 18:42
    • Responder

    Quando alguém me explicar onde está a justiça de um professor do Quadro não poder concorrer para as 2 habilitações eu calo-me para sempre!
    Onde é que isto é atropelar os colegas contratados?
    Por exemplo… eu vou ter lugar na escola onde estive no ano passado e irei ser retirado na icl2…
    Se eu saísse do 110 para o 910, não ficaria uma vaga disponível, eventualmente para um colega contratado?

    1. Cara colega Tânia, antes de falar, esteja caladinha e pense…
      Sabia que a sua especialização do ISCIA vale ZERO??????? Ñ tem registo de acreditação válido para concorrer, sabia? O registo de acreditação que tem ñ é como formação especializada (condição essencial imposta pela DGRHE para conferir habilitação profissional para concorrer).
      Pois é, os contratados têm ser abatidos, ñ é? Já faltou mais…. A colega quer ir para a Ed. Especial, ñ é? E então eu com 5 anos de serviço de Ed. Especial, já ñ faz mal ficar em casa desempregado e ser ultrapassado por gente novata na Ed. Especial e sem praticamente tempo de serviço nenhum nesse grupo?!
      Por isso colegas a malta que tirou no ISCIA tem que ser denunciada! Isto ñ pode continuar. Se souberem de pessoas que tirar lá GRANDES especializações, denunciem!

        • FELBOL on 11 de Agosto de 2013 at 18:06
        • Responder

        Eu não sou nenhuma Tânia e as minhas habilitações são de acordo com a lei… por isso mantenho a questão anterior.

          • FELBOL on 11 de Agosto de 2013 at 18:12

          Não estou a personalizar. Apenas gostava que alguém respondesse à pergunta que coloquei…
          Mas para que não tenham dúvidas…
          Tanto a minha licenciatura como a a minha especialização estão de acordo com a lei vigente.
          Já estive 3 anos destacado numa CERCI (foi a única forma que tive para trabalhar na área que sempre quis).
          Porque raio não posso concorrer para o 910?

    • Sininho on 12 de Agosto de 2013 at 13:43
    • Responder

    Não existe educação especial no grupo 910. Os professores ditos especializados apenas o são porque as privadas se enchem à custa de quem quer trabalhar à porta de casa e sem responsabilidades. Os profs não especializados são tão ou mais competentes que os outros, até porque SÃO OS TITULARES, ESPECIALIZADOS OU NÃO , OS RESPONSÁVEIS POR TODOS OS ALUNOS. A maioria dos especializados são parasitas que se maribam para os NEEs. Os contratados são professores como os outros, não há hierarquias.
    O curso de educação especial devia ser apenas de formação inicial para evitar estas situações.
    Quanto ao egoísmo sobre os contratados, pensem. Quando o sol nasce é para todos. Eu até sou Q.A.

      • FELBOL on 12 de Agosto de 2013 at 19:44
      • Responder

      Concordo com o que diz, nunca ataquei nenhum contratado, aliás eu já fui contratado e não me esqueço das angústias sempre que o final do ano lectivo se aproximava.
      Eu que eu apenas questiono é porque não posso concorrer para os 2 grupos de recrutamento, nada mais.

    • Ice tea on 12 de Agosto de 2013 at 13:48
    • Responder

    Ó Tânia, não seja sínica! Ambos sabemos que não é bem assim…

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