Category: Rui Cardoso

Querem mais professores?

 

Resolvam 10 coisas e talvez melhore…

1. Acabem com o NEO-FEUDALISMO DOS DIRETORES. Dar-lhes mais poder e deixà-los durar a mais pela via de “estatuto” só vai fazer fugir gente da profissão.

2. Melhorem a CARREIRA e tornem-na estável. Em 1995 escolhi a carreira entre as alternativas de empreendorismo, direito ou jornalismo. Veio a crise e tiraram-ma. O que digo aos jovens? Não se metam nisso: as promessas não são de fiar….

3. PAGUEM acima da média. Ninguém vai para professor para ser rico. Mas para atrairem melhores profissionais têm de fazer um bom cocktail de estabilidade, segurança e rendimento.

4. Tornem a GEOFRAFIA da carreira previsível com um concurso justo e com critério e não com cunhas de diretor. Os professores historicamente sempre “foram para longe” e até vão, mas isso tem de ser previsível e compensado (e com regras claras e justas). No início até se vai mas isso precisa de regras e limites e até se faz por uma carreira em condições.

5. O Estatuto da Carreira tem de estar escrito na pedra e nâo pode ser revogado em baixa por despachos gerados em apetites conjunturais. Quem escolhe ser professor não pode ser a primeira vítima das crises e quem a paga, mas tem de haver CONSENSO SOCIAL de preservar o setor que faz a “construção de um futuro com menos crises” quando as crises surgem.

6. Acabem com a AVALIAÇÃO estúpida da Maria de Lurdes Rodrigues. O seu mito do “escolher os melhores” já mostrou a balela que é e deu nisto…..
Esqueçam as “excelências” e tentem ter quem faça o serviço decentemente…. vai correr melhor.

7. Lutem contra a INDISCIPLINA com energia e prioridade. Alguém escolhe uma profissão onde corre o risco de lhe atacarem a dignidade ou de ser agredido e insultado por fedelhos a quem nada acontece e ainda se ficam a rir?

8. Moderem os EXCESSOS DOS PAIS, que pisam e achincalham a pessoa e o papel dos professores, quer ao nível individual, quer ao nível da escola, quer ao nível da política geral (Ai! Albino Almeida, quantos profs não o são por tua culpa e de outras artistas da CONFAP?)

9. Foquem a profissão na relação pedagógica e não em plataformas, planos, projetos e papelada inútil. DESBUROCRATIZEM a sério, com gestão profissional e não dirigentes boys amadores que nem arranham a superfície das coisas.

10. Deem CONDIÇÕES DE TRABALHO materiais e sociais (já pensaram porque é que a maioria dos pais professores não querem ter filhos professores?).
Os especialistas em educação são os professores das escolas que trabalham nelas e não cronistas de jornal, por muitos gráficos e contas que façam.

Acima de tudo, façam com que os professores achem que a sua opinião conta na escola e na gestão da Educação. O contrário de ser desconsiderado é participar e sermos ouvidos.

Para o governo PSD/CDS talvez o melhor seja voltar atrās e ao espírito da reforma educativa dos anos 80, que foi destruída passo a passo e nunca chegou a ser tudo o que podia ter sido.

A educação não se gere ao trimestre e nas sondagens, mas a pensar em 30 anos de distância.

De há 25/ 30 anos para cá andaram a pensar mal ou o resultado nâo seria este….

Que tal pensar diferente?

Luís Sottomaior Braga

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/querem-mais-professores/

Coitados dos Alunos!

Depois de, nos últimos dias, se terem ouvido e lido inúmeros juízos acerca da mais recente polémica que envolve o MECI, relativa ao desaparecimento da Educação Sexual da Disciplinade Cidadania e Desenvolvimento, parece legítimo afirmar:

– Coitados dos Alunos!

Coitados dos Alunos, pois são eles os derradeiros destinatáriosde todo este burburinho, são eles os principais visados por todas estas altercações…

Em nome dos Alunos, em nome do seu alegado “superior interesse”, extremam-se posições, mas, no fundo, no fundo, esquecem-se os Alunos…

Em nome dos Alunos, com uma gritante desfaçatez, tem-se assistido a um confronto extremado de posições, tanto da Esquerda como da Direita…

Na verdade, essas posições extremadas não visam garantir o bem-estar e o desenvolvimento saudável das crianças e jovens, pretenderão, sim, utilizar as crianças e os jovens como “armas de arremesso”, quase como instrumentos de Poder, através dos quais se tentam impor as respectivas ideologias…

Não é legítimo que as crianças e os jovens possam ser utilizados como meros instrumentos ideológicos, de Esquerda ou de Direita…

A salvaguarda do Superior Interesse da criança ou jovem, frequentemente alegado em muitos discursos, não raras vezes, levianos e inconsequentes, impõe que se alcancem soluções que promovam um efectivo desenvolvimento físico, emocional, intelectual e moral…

Ora, soluções, neste momento, não parece que existam… E, provavelmente, não existirão enquanto continuar este enredo,sem fim à vista:

– Por um lado, por parte da Esquerda, a ânsia de impor toda e qualquer discriminação, alegadamente, sempre positiva, muito tolerante, muito “cool” e democrática, mas que incorre muitas vezes na “ditadura do politicamente correcto”, resvalando para a defesa de certos absurdos, de que é exemplo paradigmático a terminologia “pessoas que menstruam”;

Outro exemplo inequívoco dos efeitos perversos de uma discriminação, supostamente, positiva, defendida pela Esquerda, foi a apresentação do Projeto de Lei nº 332/XV, que previa a “autodeterminação da identidade de género em contexto escolar”… Felizmente, esse Projecto de Lei acabou vetado pelo Presidente da República, caso contrário estar-se-ia hoje perante uma aberrante realidade em contexto escolar: a obrigatoriedade de expressar determinadas sexualidades, imposta em termos legais, eventualmente, até, contra a vontadedas próprias crianças e jovens;

Além do mais, o respeito pela orientação sexual e pela identidade de género encontra-se legalmente salvaguardado, há já muito tempo, no Estatuto do Aluno e Ética Escolar, em particular no seu Artigo 7.º, bastando, para esse efeito, que as escolas cumpram a legislação em vigor…

 

 – Por outro, a histeria da Direita empedernida, que parece acreditar que os bebés nascem por geração espontânea, que a sexualidade não é parte intrínseca de qualquer ser humano, que as crianças e os jovens são “castíssimos” seres, “inocentes” e “puros”, ou que a biologia é uma verdade inquestionável, pelo menos quando se trata de orientação sexual ou de identidade de género;

Também a visão redutora do conceito de família defendida por essa Direita se apresenta como profundamente retrógrada nos tempos que correm: o que conta é a “família tradicional”, excluindo-se dessa concepção todas as formas de parentalidadeque não resultem da união entre um homem e uma mulher, legitimada pelo matrimónio…

 

Existem, enfim, absurdos para todos os gostos, subscritos tanto pela Esquerda como pela Direita e, no meio de tanta insanidade, encontram-se os Alunos, crianças e jovens, dependentes de decisões tomadas por pretensos adultos

Adultos que, ao invés de, efectivamente, zelarem pelosinteresses das crianças e dos jovens, se digladiam em guerrasfúteis, dominadas pela vaidade, pelo egocentrismo das partes envolvidas e pela superioridade intelectual reclamada por ambas as facções

Temos um MECI que, em vez de pensar por si próprio, acabou por ceder às pressões das ditas “famílias portuguesas,porventura muito “tradicionais” e naturais”, compostas pela mãe, pelo pai (unidos pelo matrimónio) e por um ou mais filhos biológicos

E, quanto mais não seja de forma implícita, o MECI acabou por tolerar este género de crenças e de pretensões:

A família portuguesa é para nós a prioridade política porque é a única capaz de manter viva a chama das nossas tradições, cultura e desígnios nacionais.” (Programa Eleitoral Chega 2025, página 8)…

Assegurar aos encarregados de educação a sua participação em todo o processo educativo, garantindo que os filhos não são expostos a conteúdos e atividades que extrapolam os fins escolares, como é o caso de materiais de propaganda à ideologia de género e que a participação em qualquer atividadeextracurricular carece da sua autorização formal.” (Programa Eleitoral Chega 2025, página 12)…

À família o que é da família, à escola o que é da escola… Claro que sim, cada uma dessas entidades tem funções e responsabilidades específicas, das quais não é aceitáveldemitirem-seA escola não pode substituir a família, nem ocupar o seu lugar, mas quando se trata de Educação Sexual, esse princípio pode não ser assim tão linear

Aparentemente, esqueceu-se o MECI que, transversal a todos os estratos sociais, existem muitas famílias onde raramente ocorrem interacções significativas entre os elementos que a compõem… No final de cada dia, depois de todos terem regressado a casa, cada um fica refém do seu próprio mundo, quase sempre entregue à dependência das redes de comunicação virtual, sem verdadeiramente interagir com os presentes… Nesse contexto, não há espaço para qualquer diálogo construtivo, muito menos para a abordagem de eventuais aspectos relacionados com Educação Sexual das crianças e dos jovens… Esse é, aliás, um tema, muitas vezes, encarado como “assunto tabu”, tal é a relutância em se falar acerca dele no seio de muitas famílias… Sim, em pleno Século XXI ainda acontece isso e com uma frequência verdadeiramente assustadora… Conviria que o MECI tivesse consciência do grau de desinformação sobre essa temática apresentado por muitos adolescentes, ainda que isso não impeça muitos deles de ter uma vida sexual activa, frequentemente “às escondidas” dos respectivos progenitores… As consequências do anterior fazem-se sentir, por vezes, de forma dramática…

Aparentemente, esqueceu-se o MECI que, amiúde, os comportamentos de muitos pais e mães, não correspondem à representação, “romantizada e idílica”, da família como “um ninho de amor, de moral e de bons costumes”; que nem sempre existe a competência necessária para criar os respectivos filhos; que o exercício da parentalidade é muitas vezes desvirtuadopela irresponsabilidade e pela negligência; que muitas famílias vetam os seus filhos ao abandono físico e/ou psicológico, deixando-os entregues a si próprios; que o caos está instalado na vida familiar de muitas crianças e jovens, cujas figuras parentais não se mostram capazes de ser apaziguadores, nem organizadores, nem construtivos; e que existem famílias que infligem aos seus filhos maus-tratos físicos e/ou psicológicos, algumas vezes pautados por uma violência atroz, ilustrada por agressões físicas, psicológicas e/ou sexuais…

Aparentemente, esqueceu-se o MECI que, por exemplo, a homossexualidade ou a gravidez na adolescência não se pegam”, ao contrário das doenças sexualmente transmissíveisAparentemente, também se esqueceu que não é por se falar sobre homossexualidade ou gravidez na adolescência que uma ou outra aparece E, ainda, parece ter esquecido que existem famílias e figuras parentais, cujos valores defendidos são absolutamente castradores e redutores, sempre que esteja em causa, ou em discussão, qualquer assunto de natureza sexual,respeitante a crianças e jovens, sobretudo se forem seus filhos

Aparentemente, esqueceu-se o também o MECI que, aberto o precedente da cedência já referida, qualquer Encarregado de Educação poderá arrogar-se o direito de exigir, por exemplo, a eliminação de certos conteúdos programáticos de determinadas Disciplinas, com os quais não concorde, sejam elas quais forem

Por outro lado, a Nota Explicativa sobre a “Educação Sexual na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e no currículo do Ensino Básico e Secundário”, emitida pelo MECI em 23 de Julho passado, acabou, na verdade, por confirmar que a componente da Educação Sexual ficou reduzida à Dimensão “Saúde”, nomeadamente a alguns aspectos fisiológicos do corpo humano

Superior Interesse de Menores não é um construto meramente teórico, abstracto ou vazio de significado prático, antes pelo contrário…

Torna-se premente que prevaleça o bom senso entre todos os agentes educativos, dando prioridade à efectiva promoção do desenvolvimento integral de todos os menores envolvidos em mais uma trapalhada, promovida por adultos…

Os extremismos nunca são bons conselheiros, convirá ter a consciência de que se têm estado a defender os maiores disparates, tanto à Esquerda como à Direita, pasme-se, precisamente em nome das crianças e dos jovens…

Metaforicamente, será, talvez, caso para afirmar, sem rodeios, alto e bom som:

– “Há algum Adulto na sala?”

Dificilmente a identidade e a independência da Escola Pública resistirão a tantos absurdos, ora defendidos pela Esquerda, ora pela Direita, ambas reféns de infrutíferas discussões ideológicas

Com adultos deste calibre: Coitados dos Alunos! Coitados das crianças e dos jovens, dependentes dos actuais maiores de idade!

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/coitados-dos-alunos/

Não aderiram. Há que perceber o porquê.

O número de vagas pretendidas pelos colégios fica muito aquém dos objetivos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, que tinha posto a concurso 12.475 vagas, em 65 concelhos.

Privados concorrem a financiamento para apenas 1.200 das 12 mil vagas em pré-escolar

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/nao-aderiram-ha-que-perceber-o-porque/

Nota informativa – MEDICINA DO TRABALHO

 

Nota informativa – MEDICINA DO TRABALHO

 

Orientações para aplicação durante o período de transição até contratação de serviços externos

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/nota-informativa-medicina-do-trabalho-2/

EFEITOS REMUNERATÓRIOS DA SEGUNDA PARCELA DA RITS, (OCORRIDA A 1 DE JULHO DE 2025)

 

Nota Informativa n.º 08/IGeFE/2025

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/efeitos-remuneratorios-da-segunda-parcela-da-rits-ocorrida-a-1-de-julho-de-2025/

Cidadania: Regressar aos Fundamentos Essenciais

A recente decisão do Governo de rever a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento representa uma enorme oportunidade para recentrar o ensino nos valores fundamentais que verdadeiramente preparam os jovens para a vida em sociedade. Esta revisão, que reduz os domínios obrigatórios de 17 para 8, sugere uma abordagem mais focada e menos dispersa. Um passo que merece reconhecimento.

Não acredito que haja alguém que não encare a educação para a cidadania como sendo um pilar fundamental de qualquer sistema educativo moderno, sendo ou não lecionada numa disciplina específica. Se tiverem definidos os temas que sejam consensuais, científicos e estruturais de uma sociedade moderna, é fundamental que seja apreendida na escola, pois com certeza poderá oferecer ferramentas essenciais aos alunos/estudantes. A compreensão do Estado de Direito, o funcionamento das instituições democráticas, os direitos e deveres fundamentais, e os princípios do desenvolvimento sustentável. Estes conhecimentos são indispensáveis para formar cidadãos informados, críticos e participativos.

Esta opinião é baseada na experiência de outros países europeus onde é possível verificar que uma educação cívica sólida correlaciona-se positivamente com maior participação democrática, maior coesão social e melhor compreensão dos direitos fundamentais. Em França, por exemplo, o ensino moral e cívico centra-se em valores republicanos consensuais, evitando divisões ideológicas desnecessárias.

Como é sabido esta revisão deve-se ao facto de que nos últimos anos, assistimos a uma deriva preocupante na disciplina de Cidadania. Tentaram transformar esta disciplina num Cavalo de Troia para agendas particulares, não científicas, não consensuais socialmente, que dividem a sociedade em vez de a unir. A introdução de conteúdos, não só controversos, como ideológicos, relacionados com a identidade de género, acabou por gerar um clima de polarização que prejudica o ambiente escolar, perturbando alunos e professores. Porque a instrumentalização da disciplina manifesta-se de várias formas, desde a Imposição de narrativas específicas como a apresentação de teorias como factos científicos estabelecidos, quando na realidade permanecem objeto de intenso debate académico e social, seja através da ausência de pluralismo, com a crescente tendência para apresentar apenas uma perspetiva sobre questões complexas, negando aos estudantes a possibilidade de conhecer diferentes pontos de vista, seja através da Desvalorização do papel parental, com a tentativa de marginalização do direito fundamental dos pais de orientar a educação dos filhos em matérias sensíveis, conforme consagrado na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, como foi o caso da família Mesquita Guimarães.

Vamos ser sinceros, a educação sexual sempre teve lugar no currículo português, desde os tempos da Formação Pessoal e Social. Ninguém pretende, com esta revisão, deixar de abordar o tema da sexualidade, pois ninguém questiona a importância de abordar estas matérias de forma adequada à idade e baseada no conhecimento científico estabelecido. O único propósito deste Governo, e bem, foi questionar, e retirar do programa, os conceitos ideológicos que negam realidades biológicas básicas ou que promovem uma visão particular sobre questões ainda em debate na comunidade científica. A educação sexual continuará, como sempre foi, nos currículos das diferentes disciplinas, desde o estudo do meio no 1.º ciclo, passando pelas ciências e biologia no 2.º, 3.º e secundário.

Aquilo que deve orientar o ensino é a ciência e não as ideologias. Os alunos/estudantes merecem informação factual, científica, comprovadamente consensual e não construções teóricas apresentadas como verdades absolutas. Cada um de nós pode ter a sua opinião ou crença sobre determinado tema, mas quando a escola abdica do rigor científico em favor de agendas políticas, está a falhar no seu propósito educativo fundamental.

Então qual o caminho para uma disciplina de Cidadania Eficaz?

Uma disciplina de Cidadania verdadeiramente eficaz deve, sobretudo, centrar-se no consenso democrático, focar-se em valores e princípios que unem a sociedade portuguesa, como os consagrados na Constituição da República, deve promover o pensamento crítico, Ensinando os estudantes a analisar informação, a questionar fontes e a formar opiniões fundamentadas, em vez de aceitar passivamente narrativas impostas, ensinar a distinguir ciência de ideologia. Deve respeitar a diversidade de perspetivas, apresentando diferentes pontos de vista sobre questões controversas, permitindo aos jovens desenvolver as suas próprias convicções de forma informada, deve envolver as famílias, reconhecendo o papel central que dos pais devem ter na educação moral e ética dos filhos, estabelecendo pontes de diálogo em vez de confrontação. Deve basear-se em evidência, fundamentando os conteúdos em conhecimento científico sólido e consensual, distinguindo claramente entre factos estabelecidos e teorias.

É precisamente nesse sentido que a revisão em curso oferece a possibilidade de devolver à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento o seu propósito original: formar cidadãos preparados para participar construtivamente na vida democrática. Este passo em frente, significa abandonar experiências sociais controversas e regressar aos fundamentos que verdadeiramente importam.

Os nossos estudantes enfrentam desafios reais nas suas vidas, poucas perspetivas de emprego, desinformação digital, polarização social, mudanças no tecido social devido à imigração, por isso, a escola deve prepará-los para estes desafios concretos, não para debates ideológicos que os dividem e confundem.

A educação para a cidadania pode e deve ser um fator de união nacional, não de divisão. Congratulo o Governo por ter promovido esta revisão que privilegia o essencial sobre o acessório, o consensual sobre o controverso, o científico sobre o ideológico.

É tempo de regressar ao essencial e devolver à escola a sua função primordial, educar, não doutrinar.

Alberto Veronesi

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/cidadania-regressar-aos-fundamentos-essenciais/

Cidadania à força? Entre a escola que ensina e os pais que (não) educam

A grande polémica do momento, o currículo da disciplina de Cidadania, tem servido de campo de batalha para duas tentações simétricas: a de alguns pais que querem terceirizar integralmente a educação dos filhos para a escola, e a de uma escola que, por vezes, se imagina mandatada para substituir a família na transmissão de valores. No meio, a pergunta essencial continua sem resposta: onde está a obrigação, não a opção, a obrigação, dos pais e encarregados de educação de educar os seus petizes para viverem em sociedade?

Quando o debate se acende, multiplicam‑se as posições de trincheira. Uns dizem: “A escola tem de ensinar tudo, porque há famílias que não ensinam nada.” Outros ripostam: “A escola está a invadir o espaço íntimo da família, impondo valores que não são os nossos.” O problema é que ambas as posições partem do mesmo equívoco: a escola não pode substituir a família, e a família não pode declinar o seu dever educativo. Não é uma questão de gosto; é uma questão de responsabilidade.

A disciplina de Cidadania, com as suas unidades sobre direitos humanos, igualdade de género, literacia financeira, saúde, sexualidade, ambiente ou mediação de conflitos, pode, e deve, fornecer ferramentas para a vida comum. Mas ferramentas não são convicções. A escola é lugar de literacia democrática, não de catequese moral. Ensina o quadro normativo que sustenta a vida em comum; não prescreve o “como deve ser” do foro íntimo. Esse pertence, em primeira linha, à família, que, note‑se, não está acima da lei, mas também não é propriedade do Estado.

Como fica, então, a responsabilização parental? Em muitos discursos inflamados, simplesmente… não fica. Desaparece. Os mesmos que exigem liberdade total para retirar os filhos de aulas de Cidadania invariavelmente pedem à escola que resolva o bullying, a violência, a indisciplina, a falta de respeito pelo outro, a incapacidade de viver em comunidade. Querem autonomia sem consequência, escolha sem prestação de contas. Mas educação não é um cardápio onde se escolhe o que agrada e se devolve o resto à cozinha.

É aqui que entra o ponto mais incómodo do debate: há valores mínimos de convivência que não dependem da vontade de cada família. Não se negoceia a dignidade humana, não se relativiza o Estado de direito, não se rebaixa a igualdade entre homens e mulheres a uma questão cultural “lá de casa”. A escola tem o dever, jurídico, pedagógico e cívico, de garantir que todas as crianças, independentemente do código postal ou do código moral dos pais, conhecem esses fundamentos. Não para lhes mudar a fé, a tradição ou a filosofia de vida, mas para lhes assegurar o vocabulário comum do espaço público.

Do outro lado, a escola faria bem em recordar um princípio de humildade institucional: não é mãe, não é pai, não é substituto afetivo nem tutor moral. O que a escola tem de fazer, e nem sempre faz, é definir claramente o que é curricular (direitos, deveres, regras do jogo democrático) e o que é opinativo (visões do bem, interpretações morais particulares). O primeiro é transmissível, avaliável, universal. O segundo é discutível, contextual, plural. Confundir estas dimensões é incendiar o debate e abrir espaço a excessos — tanto de imposição estatal como de objeção parental.

E se os pais falham? Existem instâncias, dos serviços sociais aos tribunais, para os responsabilizar. Não é à escola que compete punir, corrigir ou substituir o que a lei prevê que seja garantido por outros mecanismos. Se uma família viola os deveres que a sociedade lhe impõe — proteção, cuidado, educação básica para a convivência — o problema não se resolve com mais uma ficha de avaliação em Cidadania. Resolve‑se exigindo ao Estado que faça o que tem de fazer: responsabilizar, acompanhar, intervir quando necessário.

No fim do dia, talvez a nossa grande confusão seja esta: achamos que “Cidadania” é uma disciplina. Não é. Cidadania é uma prática e uma responsabilidade partilhada. A escola pode ensinar os alicerces; os pais têm de construir a casa. E quando nenhum dos dois quer assumir a sua parte, ficamos com o pior de ambos os mundos: pais que pedem liberdade sem responsabilidade e escolas que respondem com paternalismo sem limite.

É por isso que este debate precisa de menos gritos e mais fronteiras claras: a escola ensina o quadro comum; a família educa para o particular. Se a família abdica, o Estado intervém, não pedagogicamente por decreto, mas juridicamente por dever. E se a escola ultrapassa o seu mandato, os pais não gritam apenas “liberdade!”: apontam a lei, exigem transparência, pedem delimitação.

Porque, afinal, “és livre de fazer as tuas escolhas, mas és prisioneiro das consequências.” Pablo Neruda.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/cidadania-a-forca-entre-a-escola-que-ensina-e-os-pais-que-nao-educam/

Excesso de trabalho, carga burocrática e remuneração preocupam docentes

 

A FNE apresentou publicamente os resultados da Consulta Nacional “Sobre a Carreira Docente e as condições de exercício profissional, no termo do ano letivo 2024/2025”, realizada entre os dias 13 e 27 de junho de 2025, constituindo-se uma amostra de 4 638 docentes que no presente ano letivo  lecionaram nos níveis de ensino Educação Pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico, Ensino Secundário, Educação Especial e Ensino Profissional, em Portugal Continental, Regiões Autónomas e Estrangeiro.

Resultados da Consulta Nacional: Excesso de trabalho, carga burocrática e remuneração preocupam docentes

Consulte aqui o Relatório com os resultados completos da Consulta Nacional de junho de 2025

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/excesso-de-trabalho-carga-burocratica-e-remuneracao-preocupam-docentes/

Escolas precisam de mais quase 5 mil professores em setembro

Estudo da Nova SBE sobre necessidades docentes revela que, para o próximo ano letivo, as escolas precisam de recrutar, pelo menos, 4.691 novos professores.

Escolas precisam de mais quase 5 mil professores em setembro

No próximo ano letivo, as escolas precisam de recrutar 4.691 novos professores para garantir aulas para todos os alunos. (fora os atestados médicos e serviços moderados, tal como mobilidades)

A estimativa resulta de um estudo de diagnóstico de necessidades docentes, realizado pela Universidade Nova de Lisboa, e que aponta que até ao ano letivo 2029/2030 fazem falta 20 mil novos professores.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/escolas-precisam-de-mais-quase-5-mil-professores-em-setembro/

Contraproposta: Alterações a Dois Decretos-Leis enviada ao MECI – FAPECI

 

Contraproposta: Alterações a Dois Decretos-Leis

 Medidas excecionais e temporárias para Docentes e Técnicos Especializados como garantia do “Direito à Aprendizagem”; e alterações ao concurso externo extraordinário de Docentes e apoio extraordinário temporário à deslocação.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/contraproposta-alteracoes-a-dois-decretos-leis-enviada-ao-meci-fapeci/

Duas opiniões sobre a disciplina de Cidadania que esvaziam certos discursos inflamados

 

A cidadania não saiu da sala de aula, voltou com propósito

A disciplina de Cidadania não desapareceu, apenas perdeu o monopólio da ideologia. Uma escola que não ensina as crianças a serem activistas, mas a serem cidadãos. E isso, mais do que nunca, faz falta.

 

Eu tive Cidadania

Há um ano era aluna do ensino básico. Sei bem como funcionam (ou não) as aulas de Cidadania. Está na hora de contar a verdade.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/duas-opinioes-sobre-a-disciplina-de-cidadania-que-esvaziam-certos-discursos-inflamados/

O grave equívoco dos que sabiam como se aprende. – Paulo Prudêncio

 

Fica agora muito mais claro o que levou a classificar como neoliberais e extractivos os que diziam que se sabia como se aprende. Pois bem: se sabemos como se aprende, também temos que aceitar que se sabe como se aprende mais e mais depressa. E é bom que se saiba que é neste espaço que renascem as discriminatórias (e assustadoras) teses neoliberais que associam a inteligência – medida em testes de quociente de inteligência – à herança genética e às linhas raciais.

De facto, é fundamental repetir os categorias essencial das políticas inclusivas.

E antes do mais e salvo melhor opinião, a desvalorização do professor foi um erro histórico participado por pedagogos. Advogou-se, como inclusivo, o radicalismo da escola centrada na aprendizagem, em oposição à escola centrada no professor. Foram extremos que se tocaram.

Verdade seja dita que se ignorou os avisos (década de 1980) de que a democracia exigia dos professores a selecção dos conteúdos (com conhecimentos, destrezas, valores e atitudes), e das formas de avaliação, que ultrapassaria a relação contraditória com os alunos. Desconstruíram-se três teses que ainda hoje se confrontam: a da harmonia, do psicoterapeuta Carl Rogers, baseada em relações individualizadas e empáticas, mas inaplicável em turmas; e duas de desequilíbrio: magistercentrismo (o professor rei de Alain, Dewey e Durkheim) e pedocentrismo (o aluno rei de Freinet, Montessori e Summerhill).

Além de tudo, e é hoje cientificamente mais claro, há diversos estilos para ensinar, mas é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento no que se refere ao modo como cada um aprende. Se na investigação é imperativa a busca desse conhecimento, nas políticas educativas requer-se equilíbrio e prudência. Confundiu-se ciência com o valor moral positivo dado ao estímulo para aprender, agravado com a hierarquização de estilos de aprendizagem.

A partir de dado momento, não era inclusivo treinar as memórias de médio e longo prazos nem estimular a repetição, o estudo em casa, a atenção nas aulas e até o respeito pelos professores. Nem sequer se valorizava o número de alunos por turma e perdeu-se também a articulação com a sociedade em áreas fundamentais como a saúde mental, as emoções e o sono. Aliás, o ensino superior, que “desapareceu” da formação contínua, impôs, na formação inicial, um vazio no treino de professores que aumentou o desconhecimento sobre estilos de ensino.

Por outro lado, acentuou-se o erro com a generalização nos serviços centrais do Ministério da Educação (foram anos a fio de uma mistura desastrosa de prateleiras douradas com emprego partidário) da cultura anti-professor e anti-sala de aula. Alargou-se a escolas e sindicatos e abriu portas a modelos autocráticos. Resultou ainda na infernal burocracia que eliminou o que restava da “confiança nos professores” (meto o link da “confiança nos professores” nos comentários).

Nota: já usei estes argumentos noutros textos.

https://correntes.blogs.sapo.pt/se-sabemos-como-se-aprende-4662944

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/o-grave-equivoco-dos-que-sabiam-como-se-aprende-paulo-prudencio/

Até 2033, escolas vão perder 4 mil docentes por ano para a reforma

Cerca de 4.000 professores vão aposentar-se anualmente durante a próxima década, segundo uma estimativa divulgada hoje pelo Governo, que anunciou que vai financiar os custos de formação de novos docentes e incentivar o aumento de vagas nas universidades.

Até 2033, escolas vão perder 4 mil docentes por ano para a reforma

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/ate-2033-escolas-vao-perder-4-mil-docentes-por-ano-para-a-reforma/

Manifestação de preferências para contratação inicial e reserva de recrutamento

Encontra-se disponível a aplicação que permite ao docente a manifestação de preferências para contratação inicial e reserva de recrutamento, do dia 22 de julho até às 18:00 horas do dia 28 de julho de 2025 (hora de Portugal continental).

Disponibilizamos os códigos dos AE/ENA, e os códigos das Escolas de Hotelaria e Turismo / Estabelecimentos Militares de Ensino / Casa Pia de Lisboa. Pode igualmente consultar os protocolos entre o Ministério da Educação, Ciência e Inovação e o Ministério da Economia e da Coesão Territorial , Ministério da Defesa Nacional e Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Consulte a nota informativa e o manual de instruções da aplicação.

SIGRHE – Manifestação de preferências para CI/RR 2025/2026

Nota Informativa n.º 22 – Manifestação de preferências para CI/RR 2025/2026

Manual – Manifestação de preferências para CI/RR 2025/2026

Códigos AE/ENA

Códigos das escolas de hotelaria e turismo, dos estabelecimentos militares de ensino e da Casa Pia com horários disponíveis

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação Ministério da Educação, Ciência e inovação e o Ministério da Economia e da Coesão Territorial

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação, Ciência e inovação e o Ministério da Defesa Nacional

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação, Ciência e inovação e o Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social (Casa Pia)

Regulamento do Protocolo de Cooperação DGAE-IHRU

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/manifestacao-de-preferencias-para-contratacao-inicial-e-reserva-de-recrutamento-8/

Apoio à deslocação de professores

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/apoio-a-deslocacao-de-professores/

Líder da ​FNE recusou participar em reunião com Ministério da Educação

Líder da ​FNE recusou participar em reunião com Ministério da Educação

O líder da Federação Nacional de Educação (FNE), Pedro Barreiros, ficou à porta e recusou participar, esta segunda-feira, na reunião entre a equipa do Ministério da Educação e as estruturas sindicais.

Em cima da mesa para a reunião estão dois decretos-lei: um relativo ao apoio extraordinário à deslocação de professores e outro sobre as medidas extraordinárias para garantir o direito dos alunos à aprendizagem.

Em declarações à Renascença, Pedro Barreiros diz que não recebeu a proposta ministerial sobre as alterações a introduzir naqueles diplomas, como seria de esperar.

Por isso, o secretário-geral da FNE entende que esta reunião é só um ritual, sem consequências práticas e decidiu não marcar presença.

“Já manifestamos ao senhor ministro da Educação que privilegiamos reuniões com mesas próprias, por consideramos que dessa forma conseguimos avanços mais significativos”, sublinha.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/lider-da-fne-recusou-participar-em-reuniao-com-ministerio-da-educacao/

PROFESSORES DESLOCADOS EM ZONAS CARENCIADAS VÃO RECEBER APOIO COM MAJORAÇÃO

Para a generalidade dos professores beneficiários, os valores mantêm-se inalterados: 150 euros para aqueles entre 70 e 200 quilómetros de casa, 300 euros para os docentes que estão entre 200 e 300 quilómetros e 450 euros para os que dão aulas a mais de 300 quilómetros da residência.

No entanto, e ao contrário do que previa o diploma aprovado pelo parlamento em março, o Governo introduz agora uma majoração para os professores que estejam a lecionar em escolas inseridas nas áreas geográficas de quadros de zona pedagógica considerados deficitários.

Nesses casos, os docentes vão receber mais 15 a 50 euros, dependendo da distância: 165 euros mensais se estiverem a menos de 200 quilómetros, 335 euros entre 200 e 300 quilómetros e 450 euros se a distância for superior a 300 quilómetros.

PROFESSORES DESLOCADOS EM ZONAS CARENCIADAS VÃO RECEBER APOIO COM MAJORAÇÃO

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/professores-deslocados-em-zonas-carenciadas-vao-receber-apoio-com-majoracao/

Acréscimo remuneratório 2025/2026

 

Aplicação disponível para os docentes que se enquadram no disposto no artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto e que, no ano letivo de 2025/2026, pretendem continuar a lecionar.

SIGRHE

Nota Informativa – Acréscimo remuneratório 2025/2026

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/acrescimo-remuneratorio-2025-2026/

“Governo Desvalorizou a negociação” – Pedro Barreiros

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/governo-desvalorizou-a-negociacao-pedro-barreiros/

Apenas mais 204 vagas para cursos de Educação Básica

As vagas para cursos de Educação Básica, para formação de professores, são fixadas 1197 vagas, mais 204 face a 2024.

Um número ainda insuficiente para as necessidades presentes e futuras.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/apenas-mais-204-vagas-para-cursos-de-educacao-basica/

Professores esquecidos: justiça, sim; valorização, nem vê-la! – Manuel Alho

Professores esquecidos: justiça, sim; valorização, nem vê-la!

Recuperação do tempo de serviço não basta

Já abordei este assunto AQUI pelo que volto a alertar que a devolução (muito) faseada  do tempo de serviço (1 de setembro de 2024: 599 dias. 1 de julho de 2025: 598 dias. 1 de julho de 2026: 598 dias. 1 de julho de 2027: 598 dias.) apenas devolve um direito roubado, mas não resolve o essencial. É um importante ato de justiça, não de valorização. A carreira docente está estagnada há mais de 15 anos (!),sem atualização dos valores dos escalões. Enquanto outras carreiras da função pública viram os seus salários revistos e ajustados, os professores continuam com índices que não refletem nem a inflação acumulada, nem a exigência crescente da profissão. Esta ausência de revisão tem um efeito duplo: empurra docentes experientes para a desmotivação e falha em atrair jovens para uma carreira que já nem prestígio social consegue oferecer.

Todos os escalões contam, todos os professores contam

É urgente recordar que a valorização salarial não pode centrar-se apenas nos primeiros escalões, como se bastasse atrair novos professores, nem apenas no topo, como se a experiência não fosse já um bem escasso. Todos os níveis da carreira carecem de atualização, sob pena de se perpetuar uma classe desmoralizada e sobrecarregada, incapaz de dar resposta aos desafios da Escola Pública. E, enquanto isto se arrasta, os sindicatos pouco pressionam nesta frente. Este silêncio é perigoso, pois a opinião pública pode assumir que, com o tempo de serviço devolvido, tudo ficou resolvido. Não ficou. Sem um plano sério de valorização dos escalões, a Escola Pública continuará a perder forças, qualidade e profissionais. A Educação não pode ser o parente pobre da função pública.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/professores-esquecidos-justica-sim-valorizacao-nem-ve-la-manuel-alho/

Consulta pública: Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e Aprendizagens Essenciais de Cidadania e Desenvolvimento

A Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania e as Aprendizagens Essenciais de Cidadania e Desenvolvimento estão entre 21 de julho e 1 de agosto de 2025 em consulta pública.

O documento Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania (ENEC) adota uma abordagem integrada e articulada, centrando-se na interdependência entre “Direitos Humanos”, “Democracia e Instituições Políticas”, “Desenvolvimento Sustentável”, e “Literacia Financeira e Empreendedorismo”, enquanto dimensões fulcrais para uma cidadania ativa e participativa num Estado de Direito e em sociedades justas e sustentáveis. A ENEC integra, ainda, temáticas prioritárias, tais como a “Saúde”, o “Risco e Segurança Rodoviária”, os “Media” e o “Pluralismo e Diversidade Cultural”, de forma a adotar uma visão mais abrangente e completa do exercício pleno de cidadania.

Por seu turno, as Aprendizagens Essenciais de Cidadania e Desenvolvimento, no que se refere a “Conhecimentos, Capacidades, Atitudes e Valores”, bem como às “Ações Estratégicas”, estão organizadas em oito dimensões de Educação para a Cidadania, as quais se dividem em dois grupos. O primeiro grupo, obrigatório em todos os anos de escolaridade do Ensino Básico e do Ensino Secundário, é constituído pelas dimensões “Direitos Humanos”, “Democracia e Instituições Políticas”, “Desenvolvimento Sustentável” e “Literacia Financeira e Empreendedorismo”. O segundo grupo, obrigatório no 1.º ciclo do Ensino Básico, no conjunto dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico, e no Ensino Secundário, é composto pelas dimensões “Pluralismo e Diversidade Cultural”, “Media”, “Saúde”, e “Risco e Segurança Rodoviária”, cabendo à escola escolher o(s) ano(s) de escolaridade em que cada uma das dimensões vai ser desenvolvida, em conformidade com a respetiva Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania.

Participe e envie os seus contributos relativos à Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, a partir de 21 de julho, através do formulário disponível em https://area.dge.mec.pt/cstpubENEC  

Participe e envie os seus contributos relativos à Aprendizagens Essenciais de Cidadania e Desenvolvimento, a partir de 21 de julho, através do formulário disponível em https://area.dge.mec.pt/cstpubAECD 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/consulta-publica-estrategia-nacional-de-educacao-para-a-cidadania-e-aprendizagens-essenciais-de-cidadania-e-desenvolvimento/

Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança – Candidatura

 

Aplicação disponível entre os dias 18 e 22 de julho de 2025 (18:00 horas de Portugal continental) para efetuar a candidatura aos concursos interno e externo do ensino artístico especializado da música e da dança.

SIGRHE

Nota Informativa – Concurso do ensino artístico especializado – Candidatura 2025/2026

Manual de Instruções – Concurso do ensino artístico especializado – Candidatura 2025/2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/concurso-de-docentes-do-ensino-artistico-especializado-da-musica-e-da-danca-candidatura/

Meia jornada – Nota Informativa – Ano Escolar 2025/2026

 

Encontra-se disponível a aplicação para a Meia Jornada no  SIGRHE.

Nota Informativa – Meia jornada 2025/2026

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/meia-jornada-nota-informativa-ano-escolar-2025-2026/

Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança – Avisos de abertura 2025/2026

Consulte os avisos de abertura para os concursos interno e externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança.

 Avisos de abertura do concurso interno e externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/concurso-de-docentes-do-ensino-artistico-especializado-da-musica-e-da-danca-avisos-de-abertura-2025-2026/

Tudo está mal, quando começa e acaba mal…

O Ministério da Educação não valorizou os muitos avisos ealertas que foram sendo veiculados desde a realização das Provas ModA em formato digital, acabando por persistir num erro que se revelou como desastroso e constrangedor

O Ministério da Educação é o único responsável pela escolha do Modelo adoptado nas Provas Finais do 9º Ano de Escolaridade… A intransigência relativa à escolha do formato digital para a realização dessas Provas foi da sua inteira e exclusiva responsabilidade…

Depois das monumentais trapalhadas e do consequente caos, observados em muitas escolas, tanto no decurso das referidas Provas como na publicação dos respectivos resultados, chega-se, inevitavelmente, a esta conclusão:

É impossível reconhecer a este Modelo de Provas a transparência, o rigor e a confiança, imprescindíveis à sua credibilidade;

– Ao invés da desejada confiabilidade, acabaram por se instalar a incerteza e muitas suspeitas, quanto à equidade, justiça e validade destas Provas

Este processo, inquinado desde o início por variados constrangimentos de ordem técnica existentes em muitas escolas do país e pela divulgação pública do enunciado da Prova de Matemática, acabou por se transformar, e culminar,numa potencial bizarria, quase numa “excêntrica extravagância”

Desde a alegada anulação da Prova de Matemática em algumas escolas, passando por missivas dirigidas aos Encarregados de Educação, colocando-os perante o dilema de, “às escuras”, aceitar os resultados obtidos ou, em alternativa, obrigar à repetição da Prova na 2.ª Fase, até aos atrasos significativos na divulgação de resultados, um pouco de tudoparece ter acontecido…

E no fim de tudo isto fica-se com a sensação de que se está perante algo profundamente obtuso, absurdo e obscuro…

Nas actuais condições de apetrechamento tecnológico, deficitárias em grande parte das escolas públicas, o Modelo de Provas imposto pelo Ministério da Educação não dá mostras de ser viável e, muito dificilmente, conseguirá ser bem-sucedido…

Portanto, racionalmente, a única decisão aceitável seria esta:

– Abandonar o presente Modelo e procurar uma alternativa que fosse exequível e fiável…

Metaforicamente, alguém tem que avisar o Rei de que a sua nudez é real e pública…

Espera-se que o Ministério da Educação demonstre a honestidade e a seriedade necessárias para avaliar, de forma objectiva, tudo o que se passou ao longo da realização destas Provas e que, de resto, envolveu, directamente, milhares de Alunos e de Professores…

O Ministério da Educação deve a esses Alunos, aosProfessores e aos Encarregados de Educação explicações cabais sobre tudo o que se passou, em particular sobre o que correu mal ao longo de todo o processo

Se as “averiguações internas”, entretanto abertas pelo Ministério da Educação, se cingirem ao atraso na divulgação dos resultados das referidas Provas, então estaremos, muito provavelmente, perante uma tentativa de escamotear e de dissimular os muitos problemas ocorridos, procurando reduzi-los a uma única ocorrência

Sabendo que a escolha do Modelo adoptado foi da inteira e exclusiva responsabilidade do Ministério da Educação e que, no mínimo, deveriam ter sido salvaguardadas, por si, todas as condições necessárias para a realização das Provas nos moldes pretendidos, espera-se que não se assista agora a alguma transferência de culpa ou de responsabilidade para terceiros…

Até porque transferir a culpa ou a responsabilidade para terceiros significará que não se tem a menor intenção de assumir os próprios erros, nem de os corrigir

Com consequências futuras, isso será, de resto, o mais grave e o pior que poderá acontecer à actuação do actual Ministério da Educação…

Se assim for, começará a esvanecer-se, irremediavelmente, a “aura” de competência, de honestidade e de confiabilidadeque parecia envolver o Ministro Fernando Alexandre…

Nesta “fotografia” também não ficam bem a CONFAP, pelo seu inusitado e incompreensível silêncio face a tantos “inconseguimentos” ocorridos, com plausíveis prejuízos para muitos Alunos; nem a Associação Nacional de Directores Escolares que, pelo menos, no início deste processo, anuiu incondicionalmente com a pretensão do Ministério da Educação, conforme declarações do seu Presidente:

“Não estamos a contar com percalços. A máquina está montada. Estamos em condições de avançar com segurança para que as provas do 9.º ano sejam realizadas em suporte digital”, disse, na altura, Filinto Lima em declarações à agência Lusa.” (Revista Sábado, em 20 de Junho de 2025)

“O Presidente da Associação de Diretores Escolares está confiante com o modelo digital que é hoje estreado no exame de Matemática do 9º ano. Filinto Lima diz que o modelo podeser alargado ao secundário.” (Jornal Observador, em 20 de Junho de 2025)

E os resultados, propriamente ditos, das Provas como foram?

Os resultados das Provas foram fantásticos, como aliás se pretendia, uma vez que, e apesar de inúmeros níveis negativosconstantes em muitas pautas, tanto a Português como a Matemática, as reprovações foram praticamente residuais…

E foram praticamente residuais porque a ponderação entre a CIF e o nível obtido na Prova assim o possibilitou…

Há “milagres” que não são milagres, são apenas aritmética…

Mas o que suporta essa aritmética não pode deixar de ser analisado e debatido, até porque as suas repercussões já se encontram bem visíveis no Ensino Secundário, onde cada vez mais Alunos apresentam dificuldades acentuadas em tarefas básicas como “saber ler, escrever e contar”…

Na realidade, a Escola continua a enganar os Alunos e isso não é um pormenor sem relevância…

Tudo está mal, quando começa e acaba mal… Talvez se possa resumir assim o que se passou com as Provas Finais do 9º Ano de Escolaridade, no presente ano lectivo

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/tudo-esta-mal-quando-comeca-e-acaba-mal/

APOIO À DESLOCAÇÃO SERÁ ALARGADO A TODOS OS DOCENTES A PARTIR DE SETEMBRO

O primeiro-ministro anunciou hoje que o Governo irá alargar o apoio à deslocação a todos os docentes da escola pública a partir de setembro, depois de esta medida ter sido implementada nos territórios com carência de professores.

APOIO À DESLOCAÇÃO SERÁ ALARGADO A TODOS OS DOCENTES A PARTIR DE SETEMBRO

“Depois de termos implementado nos territórios sinalizados com carência de professores a medida de apoio à deslocação, que beneficiou mais de 2.800 docentes, estou em condições de anunciar aqui o seu alargamento a partir de 01 de setembro a todos os professores da escola pública”, afirmou Luís Montenegro, na abertura do debate do estado da nação

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/apoio-a-deslocacao-sera-alargado-a-todos-os-docentes-a-partir-de-setembro/

MECI e Sindicatos volta à negociação da Vinculação Extraordinária

 

Ainda este mês teremos negociação sobre a alteração do projeto de Decreto-Lei que altera os Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto, e Decreto-Lei n.º 57-A/2024, de 13 de setembro.

Os sindicatos já foram convocados para reunir na próxima semana.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/meci-e-sindicatos-volta-a-negociacao-da-vinculacao-extraordinaria/

Atraso na saída de notas devido a dificuldades técnicas

O atraso na afixação das pautas deve-se a dificuldades técnicas, decorrentes dos novos processos de classificação das Provas Finais do Ensino Básico.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/atraso-na-saida-de-notas-devido-a-dificuldades-tecnicas/

Classificações das provas finais do 9.º ano serão enviadas amanhã às escolas

Os outros prazos também serão adiados?

 

Exmo.(a) Sr.(a)

Diretor(a)/Presidente da CAP/Diretor(a) Pedagógico(a)

O Júri Nacional de Exames (JNE) informa que as classificações das provas finais do 9.º ano serão enviadas amanhã às escolas, de modo a serem produzidas e afixadas as pautas com os resultados assim que possível.

Com os melhores cumprimentos,

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/classificacoes-das-provas-finais-do-9-o-ano-serao-enviadas-amanha-as-escolas/

Comunicado – Exames Nacionais do Ensino Secundário 2025 – resultados da 1.ª fase

Os Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário foram realizados em 735 escolas em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, bem como nas escolas no estrangeiro com currículo português.
Foram registadas 346 541 inscrições na 1.ª fase dos Exames Finais Nacionais, tendo sido realizadas 307 270 provas, o que corresponde a 88,7% das inscrições.
Entre as 25 disciplinas sujeitas a exame final nacional, a que registou um maior número de provas realizadas foi a de Português (639), com 76 939 provas, seguida de Biologia e Geologia (702), com 37 703 provas, Matemática A (635), com 35 651 provas, e Física e Química A (715), com 34 589 provas.
No processo de classificação das provas estiveram envolvidos 11 045 docentes do Ensino Secundário, dos quais 810 realizaram a classificação digital do exame final nacional de Filosofia (714).
Na totalidade das provas dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário estiveram ainda envolvidos cerca de 10 100 docentes vigilantes e pertencentes aos secretariados de exames das escolas, cujo papel e desempenho foi determinante para a realização desta 1.ª fase.
A avaliação da componente de produção e interação orais dos exames nacionais de línguas estrangeiras envolveu 16.871 avaliações da componente oral, nos seis exames nacionais de línguas estrangeiras, das quais 12 745 a Inglês (550), 2 591 a Espanhol (547), 629 a Espanhol (847), 532 a Francês (517), 330 na disciplina de Alemão (501), 24 a Mandarim (848) e 20 a Italiano (849).
Na avaliação da componente oral estiveram envolvidos nos júris de classificação cerca de 4 600 professores de línguas estrangeiras, cujo profissionalismo permitiu levar a cabo um processo de grande complexidade logística.
No ano letivo 2024/2025, os alunos realizaram os exames finais nacionais para aprovação e conclusão das disciplinas. As médias das classificações dos vários exames são todas superiores a 100 pontos, à exceção dos exames finais nacionais de Matemática Aplicada às Ciências Sociais (835) e de Geometria Descritiva A (708), cujas médias foram de 92 pontos e 89 pontos, respetivamente.
Tendo em consideração os exames finais nacionais com um número de alunos superior a 2 500, aqueles que apresentaram uma classificação média mais elevada foram: Inglês (550), com 141 pontos; Desenho A (706), com 136 pontos; Espanhol (547), com 131 pontos, Português (639) e História da Cultura e das Artes (724), ambos com 126 pontos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/comunicado-exames-nacionais-do-ensino-secundario-2025-resultados-da-1-a-fase/

Mobilidade por doença: professores doentes que não conseguiram atestado podem candidatar-se

 

Mobilidade por doença: professores doentes que não conseguiram atestado podem candidatar-se
Professores devem avançar com o processo de mobilidade por doença até às 18h de hoje e podem juntar atestado mais tarde.

Mobilidade por doença: professores doentes que não conseguiram atestado podem candidatar-se

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/mobilidade-por-doenca-professores-doentes-que-nao-conseguiram-atestado-podem-candidatar-se/

Concursos Interno e Externo de vinculação de docentes às EPERP – Notificação da decisão da reclamação

Encontra-se disponível para consulta a notificação da decisão da reclamação da Candidatura ao Concurso Interno e Concurso Externo das EPERP 2025/2026.

Nota informativa – Concursos Interno e Externo de vinculação de docentes às EPERP 2025/2026 – Notificação da decisão da reclamação

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/concursos-interno-e-externo-de-vinculacao-de-docentes-as-eperp-notificacao-da-decisao-da-reclamacao/

Para quando a recolha da Proposta de Orçamento 2025?

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/para-quando-a-recolha-da-proposta-de-orcamento-2025/

“Muitas escolas no próximo ano não vão ter manuais digitais”. E isso “é positivo”

Filinto Lima, presidente da ANDAEP, defende que “é positivo” o facto de muitas escolas no próximo ano não terem manuais digitais, pois, através de testes piloto, “perceberam que esse poderia não ser o caminho”.

Muitas escolas no próximo ano não vão ter manuais digitais”. E isso “é positivo”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/muitas-escolas-no-proximo-ano-nao-vao-ter-manuais-digitais-e-isso-e-positivo/

Todos contra todos…

Não é preciso muito para se conseguir colocar Professores contra Professores…

Na verdade, e ao longo dos últimos anos, tem sido, até, muito fácil colocar Professores contra Professores

Como se não bastassem as muitas tentativas de “envenenamento” da opinião pública contra os Professores,regularmente realizadas por algumas “eminências pardas”, a propósito das mais variadas temáticas (salário, férias…), eis que, entre os próprios Professores, se criou o hábito de entoarcríticas, muitas delas em tom delatório, dirigidas aos seus pares

Fazem-se muitas críticas, levantam-se muitas suspeitas, proferem-se muitas acusações, mas quase sempre vagas e indeterminadas… De resto, entre Professores, a delação é quase sempre genérica e raramente se concretiza ou oficializa

Em muitas situações, em que prevalecem as acusações não fundamentadas, genéricas e imprecisas, o principal resultado acaba por ser, inevitavelmente, um contributo significativo para o denegrimento, para a difamação e para o descréditogeral da própria Classe Docente…

Dir-se-ia que para isso bastaria a acção de terceiros, mas afinal parece que não basta:

– Uma parte significativa dos próprios Professores cai muito facilmente na armadilha da denúncia, sem ser verdadeira denúncia…

– Quantas “denúncias oficiosas” acabam por ser formalizadas?

E existirão prevaricadores dentro da Classe Docente? Provavelmente, existirão… De resto, como em todas as profissões

Mas se alguém tem conhecimento factual disso, que o denuncie pelos canais formais, apresentando queixas devidamente fundamentadas

Enquanto se continuarem a “atirar acusações genéricas para o ar”, enquanto não se materializarem denúncias, nenhuma delas será para levar a sério, nem para ser tida em consequente consideração…

Mas, no final, o que transparece é, inevitavelmente, isto:

– Os Professores acabam por ser, muitas vezes, os seus próprios “carrascos”…

Os Professores acabam por ser, muitas vezes, os seus próprios “carrascos” porque muito facilmente se deixam enredar em guerras fratricidas, cujo resultado mais óbvio acaba por ser a divisão insanável e permanente da Classe Docente

– Entre os Professores, haverá sempre quem rejubile com a “desgraça alheia”, de forma expressa ou encapotada “Se eu estou bem, os outros que lutem”…

– Entre os Professores, corre-se quase sempre atrás dos prejuízos, sobretudo porque, em momentos decisivos, alguém acabará por inevitavelmente resignar e aceitar eventuaisimposições, mesmo as mais delirantes, acabando por alinhar com as mesmas…

Sem rodeios, é mesmo muito fácil colocar Professores contra Professores

Às vezes, o lema que parece dominar é este:

– Todos contra todos…

Todos contra todos e, no fim, ninguém se entende, instala-se a confusão, ora se censura uns ou outros ou aqueloutros e, sobretudo, nunca se perde a oportunidade de pelejar contra alguma parte do grupo de pares…

 

É muito mais fácil canalizar e dirigir a frustração e a insatisfação para o grupo de pares do que lutar em uníssono por resolver os principais problemas que afectam a Classe Docente…

E lá se vão adiando as lutas difíceis…

Pelo caminho, vão-se aceitando algumas “migalhas”

Pelo caminho, vão-se aceitando alguns “pratos de lentilhas”, por vezes, até, servidos com certos requintes de malvadez…

A maior fragilidade da Classe Docente parece ser uma gritante ausência de coesão

Espera-se sempre que outros façam aquilo que a maioria dos Professores não é capaz de fazer: defender os seus interesses e lutar afincadamente por eles…

Outros que façam, outros que acabem com aquilo que a maioria dos Professores não é capaz de fazer…

Outros, outros, outros… Sempre outros…

A Classe Docente parece acreditar que os resultados desejados por si aparecerão sem custos e sem sacrifícios dos próprios, atribuindo a outros a responsabilidade por uma “solução mágica” dos seus problemas, esperando pela vinda de um qualquer “Redentor”, uma espécie de “D. Sebastião” ou de um “Mahdi” que a salve…

Obviamente, também há dentro da Classe Docente muitos Professores que não cedem à resignação e que todos os dias, pela sua voz, vão lutando por melhores condições de trabalho, muitas vezes com custos pessoais, mas em momentos decisivos até esses correm o risco sério de acabar por ficar sozinhos…

Quando a luta “aquece”, costuma dar-se o estranho“fenómeno” da deserção…

Que contributo efectivo tem dado a maioria dos professores para acabar com os males de que recorrentemente se queixa?

Quem não luta pelo futuro que quer, tem que aceitar o futuro que vier”…

(Roubado da Internet, de autor desconhecido).

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/todos-contra-todos/

Porque é que os smartphones vão ser proibidos nas escolas?

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/porque-e-que-os-smartphones-vao-ser-proibidos-nas-escolas/

A desordem natural das coisas

 

Ainda está o Luís a escovar os dentes antes de sair de casa e a notificação no grupo do WhatsApp da escola bem visível para o Luís ver: faltaram quatro professores e à falta de voluntários vai o Luís fazer as vezes de todos mais as suas aulas e graças a Deus existe o refeitório para colocar duas ou mais turmas lá dentro caso os períodos lectivos sejam ao mesmo tempo.
E como o Luís dá aulas numa escola internacional não dá nem para faltar nem para dizer não quando a alternativa é o desemprego imediato ou, na melhor das hipóteses, o salário base numa escola pública a trezentos quilómetros de casa ou, pior, nos subúrbios.
Quanto aos professores ausentes, os mesmos são nativos da língua e, por conseguinte, ouro aos olhos da Direcção, e o ouro é para tratar nas palminhas.
O Luís vai a sair de casa e outro alerta, desta vez no e-mail, de um pai cujos filhos desentenderam-se no dia anterior enquanto jogavam on-line e como o Luís é o Director de turma faça o favor de ligar ao respectivo progenitor em plena crise de ansiedade.
Enquanto o Luís dá os bons-dias ao porteiro, mais uma solicitação no telemóvel: um dos miúdos do sexto ano ameaçou um colega no Snap e aqui está a captura de ecrã com um par de tesouras na mão e cabe ao Luís revistar o petiz uma vez na escola.
E como o Luís tem vinte minutos para se preparar para dar aulas de ciências a sessenta alunos no refeitório e tudo por preparar, é naturalíssimo estar a cabeça do Luís a dois mil à hora, desde logo por saber estarem os professores ausentes no Estoril Open e não a tratar da falta de água em casa ou do problema nas costas, e ai do Luís se disser alguma coisa.
Uma das Auxiliares de Sala vem ter com o Luís enquanto lhe grita pelo nome em vez do título e a culpa é da tenra idade do Luís e não da falta de educação de quem se lhe dirige, não obstante o alarme pois um dos alunos fugiu de casa da mãe e acabou de chegar à escola e cabe ao Luís averiguar e assegurar a devolução do cachopo à procedência.
Juntemos a isto o facto de um dos alunos do décimo ano denotar um odor óbvio a estupefacientes e lá vai o Luís apagar mais um fogo ao mesmo tempo do sinal para o primeiro tempo e sessenta alunos à solta no campo de futebol.
Ao menos o Luís sabe onde os encontrar.
Até porque entre tesouras, substâncias ilícitas e miúdos foragidos é preciso escrever os devidos relatórios e notificar as respectivas autoridades mais os excelsos elementos directivos enquanto se referencia cada aluno para os mais diversos apoios e portanto mais papelada.
E vá lá saber-se como, ou não estivesse a direção numa das suas mil ações de formação, não tarda a chamada de um dos vices para o WhatsApp do Luís a admoestá-lo ou não estivessem os miúdos todos a jogar à bola.
E de pouco vale ao Luís sublinhar a importância da brincadeira quando ainda se pode brincar e quem não teve um furo na sua juventude pois isto são contas de outro rosário, é segunda-feira de manhã e a semana ainda agora a começar.

 

João André Costa

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/a-desordem-natural-das-coisas/

Contratação de Docentes – Casa Pia de Lisboa

Contratação de educadores de infância e de professores dos ensinos básico e secundário, da Casa Pia de Lisboa, IP, para o ano escolar de 2025-2026.

Aviso n.º 17091-B/2025/2, de 10 de julho

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/contratacao-de-docentes-casa-pia-de-lisboa/

Governo acusa professores de usarem a Mobilidade Estatutária para ficarem perto de casa

Ministério detetou “muitas” situações de “aproximação à residência” e quer reduzir em 700 os docentes destacados.

Governo acusa professores de usarem a Mobilidade Estatutária para ficarem perto de casa

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/07/governo-acusa-professores-de-usarem-a-mobilidade-estatutaria-para-ficarem-perto-de-casa/

Load more