Todos os anos, quando se inicia um novo ano letivo, regressa também um tema que há demasiado tempo marca a agenda educativa: a falta de professores. O problema repete-se, agrava-se e parece não encontrar resposta estrutural. Não se trata de uma surpresa ou de uma realidade súbita. Há mais de duas décadas que a FNE alerta para os riscos de uma profissão desvalorizada, marcada pela estagnação salarial, pela ausência de perspetivas de carreira e pela falta de atratividade para os mais jovens.
Set 08 2025
Valorizar a profissão docente é a melhor forma de combater a falta de professores.
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5 comentários
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Pois, mas os problemas do Ensino português especificamente no que vem à possibilidade de futuro investimento neste ramo é estutural, crónica e de natureza política. Já estou mais do que certo que este investimento que se refletiria na valorização da carreira docente não vai acontecer de boa vontade, mas apenas quando chegarmos a um estado crítico em que a viabilidade do Ensino Público se econtre em risco extremo.
É por isso que vou emigrar para o estrangeiro – a ganhar mais do que o dobro do que ganho, mas a gastar o mesmo – apesar de com um coração pesado, pois gostava de continuar a lecionar. Contudo, perder metade do meu salário num quarto de um apartamento partilhado num bairro social vai para além da minha compreensão e tolerância pelo estado de degredo em que a vida, como um todo, se tornou para alguém na casa dos 30 em Lisboa. Ao menos se pudesse ter começada a lecionar há anos atrás, se calhar o IRS Jovem e os centos e poucos euros extra derivados de estar noutro escalão talvez ajudassem…
Talvez volte daqui a 10 ou 15 anos quando isto ou melhorar, ou falir por completo.
Talvez nessa altura já tenha a vida estabilizada para poder dar aulas.
É assim em todas as frentes. O Estado paga mal (e dá o exemplo) e os privados seguem-no fielmente, incompetentes e miserabilistas como sempre. Mas vou dar-te uma novidade: não há grandes oportunidades, atualmente, para ninguém, em lado nenhum. É possível que a maioria das empresas em todo lado se encolha (e favoreça os nacionais) face ao perigo fantamagórico da crise que, se não houver, se vai atraindo com essas atitudes. Numa palavra: está difícil e não é só por cá. Claro que se ganha mais e se tem melhor nível de vida a servir às mesas no Luxemburgo do que a trabalhar honestamente em Portugal.
Mainada, sei que provavelmente não me conheces de lado nenhum, mas estou estupefacto como é que adivinhaste o país para onde vou! Há um mês atrás submeti o meu currículo no EURES e fui chamado para trabalhar no gabinete de recursos humanos de uma multinacional apesar de não ter experiência na área. Pelos vistos somos mais apreciados lá fora do que cá dentro. Até ofereceram um quarto numa casa partilhada a custo zero e já parto daqui a duas semanas.
Votos de muito boa sorte nessa jornada.
Paga mal, também é mal servido, um gajo torna-se javardo sem dar conta…