E não mobilidade social, entenda-se. Isto apesar de o Reino Unido precisar de licenciados como de pão para boca desde enfermeiros a médicos, passando por engenheiros e assistentes sociais, sem esquecer professores, investigadores entre tantos outros.
Se a falta destes profissionais era colmatada pelo fomento à imigração, a saída do Reino Unido da União Europeia veio diminuir drasticamente o número de profissionais, aos quais apenas é permitida a entrada caso o emprego esteja garantido à partida.
Ou seja, a entrada em terras de Sua Majestade passa a estar condicionada pelas necessidades da mesma Majestade e respectivos súbditos.
Desenganem-se, no entanto, se pensam ser esta uma oportunidade de mobilidade social para os súbditos de Sua Majestade se a raiz feudal da sociedade é a mesma de sempre.
Isto porque o valor das propinas universitárias no Reino Unido mantém-se proibitivo e na casa das 9000 libras anuais num total de mais de 27000 libras ao fim de um curso de três anos.
Acrescentemos a isto as costumeiras despesas de alojamento, alimentação, transportes, livros e material académico e facilmente um estudante despende outras 12000 libras anuais.
Façamos as contas de somar e o resultado são 60000 libras, contas redondas, de dívida para quem ainda nem começou a vida e anda à procura de emprego uma vez terminado o curso superior.
Apesar de tudo, os bancos procuram ser “generosos”, promovendo o ensino universitário através de empréstimos com juros a rondar os 3%.
O reembolso não começa de imediato. Os licenciados só começam a pagar quando o rendimento anual ultrapassa as 27.295 libras. A partir desse patamar, o graduado devolve 9% de todo o rendimento acima desse valor.
Por exemplo: um jovem com um salário de 30000 libras por ano terá de devolver cerca de 243 libras anuais (30.000-27.295=2.705; 9% de 2.705=243). Se o salário for de 40000 libras, o reembolso anual sobe para cerca de 1.143 libras. Assim, a progressão na carreira é em si perniciosa se a contribuição ao banco está indexada ao aumento salarial. E na prática a dívida raramente diminui de forma significativa quando os juros comem grande parte do pagamento, factor responsável por levar um sem número de estudantes a passar 20 a 30 anos até finalmente saldar a dívida na meia-idade, vivendo um encargo constante mais o condicionar de escolhas de vida como comprar casa, constituir família ou investir num negócio próprio.
Dirão vocês ser esta uma verdadeira pescadinha de rabo na boca quando um país carente de licenciados não facilita a formação dos mesmos.
E têm razão diante deste contra-senso, um verdadeiro tiro no pé de uma sociedade incapaz de ver o outro como uma mais valia e ao invés uma ameaça à minoria detentora de mais de 70% da terra e pouco ou nada interessada em partilhar.
Ergo, o filho de pedreiro continuará a ser pedreiro enquanto as classes média e alta de maior capital económico não só financiam os cursos superiores sem recurso a empréstimos como garantem aos descendentes o início de uma vida profissional sem dívidas e com a capacidade de poupar e investir desde cedo, alargando o fosso social uma geração após a outra.
E isto quando os filhos das ditas classes média e alta não têm outra solução senão trabalhar num mundo onde os verdadeiramente afortunados não conhecem o sabor do trabalho, vivendo dos rendimentos da terra e das propriedades na terra inseridas.
E não obstante a quantidade obscena de dinheiro em certas e determinadas contas bancárias a certeza da não gratuitidade do ensino superior num país suficientemente rico para permitir a existência deste elevador social.
Se o Brexit foi um clamor por melhores condições de vida, tais anseios e sonhos conseguem estar hoje ainda mais distantes e inalcançáveis num país onde a habitação, saúde e educação são presa fácil de uma privatização crescente e apenas acessível aos mesmos e poucos de sempre.
Sim, em parte por culpa de quem decidiu votar pela saída da União, sendo a restante culpa de classes tão dirigentes como nobiliárquicas e portanto atreitas à própria causa e nem por isso à causa das populações.
O egoísmo prevalece e é inversamente proporcional à capacidade do comum dos mortais para continuar a estudar.
O resultado é uma sociedade iletrada, frustrada e facilmente manipulável, incapaz de questionar e apresentar espírito crítico e por conseguinte presa fácil da extrema-direita em ascensão no Reino Unido.
Já vi este filme e conheço-lhe o fim.
João André Costa




29 comentários
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É isto que o ministro, o governo e muitos empresários de sucesso defendem. Basta ver aquela “fundação” Ilídio Pinho que sempre fez lobby para isso (chegou a “oferecer” empréstimos em que cobrava mais juros em cima dos juros dos bancos) e desistiu na altura do PS, mas que deve estar a despertar outra vez.
Para esta gente, o ensino superior é só para alguns (é um privilégio diz o sonso), não gostam da concorrência dos filhos dos pobres e dos remediados (que nesta altura, será uma grande parte da mítica classe média). O pequeno aumento das propinas não é o problema, o problema é o descongelamento e o que lá vem. Se juntarmos a isto o valor pornográfico das rendas e o aumento de residências particulares caríssimas (obrigado Moedinhas) temos a receita para a catástrofe que aí vem.
Como já disse antes, o ministro foi lá posto para uma “reforma” ultra-neoliberal do ensino superior (o básico e o secundário são do Cristo) e para destruição do sistema que foi um verdadeiro elevador social.
Tens toda a razão. E o Reino Unido não era nada disto. Conheci-o ainda bem diferente. E não foi há muito tempo.
A Índia e a China têm estudantes que estudam!
Enquanto não se valorizar o trabalho honesto estamos condenados. As modas de sonhar com fortunas de futebolistas, estrelas e CEOs que não pagam impostos tem esteagado os jovens ocidentais e o neoliberalismo tem estourado com o sistema de ensino ocidental.
O mal do neoliberalismo de oportunistas está à vista na tragédia do elevador da Glória.
O neoliberalismo é que apoia o globalismo e a competição selvagem. Se a manutenção fosse feita sem outsourcings não teria ocorrido a tragédia. Mas os pseudoliberais só o sabem ser pendurados na mama do Estado. O Estado por sua vez tem sido pasto para delapidar o que é de todos em benefício dos amigos liberais dos políticos globalistas/liberais!
Os ditos liberais só o querem ser à custa daquilo que é de todos . Aqui como no ensino na propinização e na privatização. A isso chama-se roubo com assacamento de culpas ao Estado. A saúde, a segurança e a educação têm de ser garantidas gratuitamente pelos cidadãos. São demasiado sérias para serem alvo de competição selvage. O lucro não pode comandar estes sectores. Têm que ser norteados pelo princípio do bem que fazem a todos!
O Estado somos todos nós e o que é de todos. Faz falta para o bem de todos regulando e fiscalizando. O Governo é outra coisa bem diferente de Estado e o problema está nos governos sucessivos que veem o Estado como algo a servir interesses e a privatizar para obter benefícios pessoais, mas quando a porca torce o rabo o vão buscar dinheiro ao Estado/Cidadãos. A isto chama-se desgoverno/má fé/ oportunismo de cariz liberal. Se os Governos sucessivos não andassem a querer municipalizar à força para servir os amigos e se não tivessem feito a entrega da manutenção a uma empresa, provavelmente o Know How do estado que até ali fazia a manutenção teria garantido o bom funcionamento do elevador e da educação por mais 100 anos!
Os liberalóides são essencialmente os CEOs da indústria da guerra, da informática para drones israelitas.
O pai do liberalismo, Adam Smith, era um defensor do sentido moral (ou simpatia, como ele lhe chamava e que identificava com a capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros). Considerava-o como um pilar fundamental para o funcionamento do liberalismo económico. Acreditava que o mercado livre, embora impulsionado pelo interesse próprio, não podia funcionar de forma isolada de um quadro de virtudes morais. Ora, o que acontece hoje em dia é o culto do Eu e do dinheiro enviando para o demo os princípios morais e a atenção aos outros, portanto a lei do xico esperto e da animalidade feroz é a que impera (a guerra e a desumanidade).
Por cá é igual só pode estudar quem é rico. Propinas que o ministro ainda quer subir mais, rendas astronómicas, livros, transportes…
continuem a trabalhar e a pagar impostos para pagar o estado social falido e a educação da escvmalha e dos macacos que não querem fazer nada… enquanto os vosso filhos ficam de fora… deixem de ser os idiotas uteis com a ladainha do esquerdalh0… CHEGA
vê-se as defesas do CHEGA ao trabalhador … tudo falso
vai aprovar as novas leis do trabalho propostas pelo PSD , so disfarça quando diz que nao aprova a cena da amamentação
vão atrás desta ladainha do esquerdalh0 acabam com um pais cheio de lix0s com o reino Unido e a república islâmica da frança… abram os olhos antes que seja tarde…!!!! Limpar Portugal! CHEGA
imbecil, falas da esquerdalhada mas a direitada governou 28 dos 51 anos…calado és poeta
O Zé das couves diz que o que está para trás é ladainha de esquerda. Demonstra a sua ignorância. O que ali está é humanismo, democracia cristã ou verdadeira social democracia (que nem o PS, nem o PSD ou UE praticam). A esquerda radical é ditadura e ninguém defendeu ditaduras, apenas princípios. Só podia ser um chegano a fazer estas deduções à zé das couves! Que pobreza esse chega de fraldas e descabelado que se comporta como
um bando de malfeitores!
A confusão e o baixo nível do chega é de tal ordem que nem sabe que a sua matriz ideológica é antiloberal e corporativa!
No entretanto os nossos jovens continuam a acreditar que os bebés quando nascem quem os traz são as cegonhas, e ignoram que o pai natal foi uma invenção de um refrigerante qualquer norte-americano, agradeçam ao nosso “grande senhor” ministro da educação. Pelo menos antes da troika podíamos brincar uns com os outros alegremente. Talvez os macacos no jardim zoológico também tenham algo importante a dizer sobre esta problemática da nossa sociedade capitalista. Não tenho nada contra os chimpanzés, muito pelo contrário, mas podiam fazer um pouco menos de barulho de vez em quando, estes e os gorilas que são extremamente agressivos e adoram bananas. Mas as bananas são de todos nesta república das bananas.
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As propinas estão muito baixas….
O ensino superior tem um custo astronomico….
Os alunos as vezes para sacar a bolso e nao aprovam a nenhuma disciplina, depois saem…
Precisamos de poucos mas bons….
A. AI vai tirar muito trabalho…
Nao se enganem os alunos con licenciaturas..
Não deviam existir propinas. Quanto mais gente qualificada, maior o nível de desenvolvimento do país. É um dado comprovado. Ou quereremos continuar a mandar cérebros lá para fora e a receber rascas e turistas pé de chinelo?
Os alunos tem que contribuir para o pais!!!
Todos tem que contribuir…
Chama-se solidariedade.
O tuga gosta de tudo de graça…
Metade da população não paga impostos e querem tudo de graça…
Isenções, bairros sociais, subsidios e não fazem um caralho!!
A raça portuguesa está obesa…. há que trabalhar, mexer.
O tuguilheu ou tuga sabe é palrar e ladrar… isso sabe…
És um palhaço
É o que é meu menino!
Olha, meu ganda bastardo, ficaste sentido…
Deves ser faquiles wue também chupas valente à pala do estado, caralho!!!
Os estudantes tem os pais a contribuir há décadas ou o bebé quando nasce já tráz notas na fralda? Os estudantes não têm rendimentos.
Mamar à custa de todos mamam os políticos, os rsi. Todos os que trabalham honestamente pagam os seus impostos!
Asneira. O custo atribui valor ao bem.
A maioria dos tugas foge aos impostos: nos mecânicos, cabeleireios, obras, pagar sem fatura, etc
As propinas compensam isso…
Isenção para quem é bom e tem aproveitamento….
Não é preciso tanto universitario…
Cursos profissionais são bons para o que vão acabar por fazer….
Os que menos pagam impodtos e que mais privilégios têm são as grandes multinacionais e tecnológicas: Bezzos, Zuckerberg, Musk black rock, monsanto, bayer. Isso tem de acabar!
Não sei como o povo inglês atura esse sistema feudal da monarquia, dos principes e das terras!!!!
Acho que é porque vivem numa ilha, retirados, e têm pouco contacto com o mundo.
Quando saem é para resorts isolados e para beber. Alienam se.
E também porque revelam ser ignorantes, estudam pouco . Pudera com esse sistema de propinas só mesmo a grande burguesia pode estudar! E como o André diz, autor do texto, o sistema do ensino superior perpetua as desigualdades.
Não sei é se , como o sistema educativo alemão, dão profissionalização aos que não podem estudar no superior…
Há muito que não vou a Inglaterra, mas a “civilização” inglesa parece me cada vez mais
decadente.
A exportação do Império terminou. Não são modelo para ninguém .
Estão decadentes. Precisam de uma revolução que derrube a monarquia .
Se os Britânicos não se importam de sustentar uma família real (que faz o papel do nosso PR), é problema deles. Se lhes atribuem bens e propriedades é porque gostam de manter essa tradição. Isso é problema deles, são eles que pagam os impostos. Enquanto estavam na UE fartaram-se de financiar receitas para a UE sustentar os maus vícios dos paises mais pobres (PIGS) e fartaram-se. Sairam. Cada um deve preocupar-se com o seu país e olha que Portugal precisa muito que os portugueses se preocupem.
Cada um manda no seu país. Os portugueses preocupam-se com Portugal e os Britânicos com o RU. Eles estabelecem as leis que querem, no seu próprio país. Se têm mão-de-obra ou não, é problema deles. Que cortem os subsídios que já arranjam mão-de-obra.
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Interessante análise sobre como as universidades britânicas, apesar do prestígio, acabam reforçando a desigualdade social. A questão do acesso e a formação de elites é crucial.