BATOTAS NO CONCURSO NA EDUCAÇÃO ESPECIAL… – Luis Sottomaior Braga

 

(Os políticos é que são todos aldrabões e adeptos de esquemas, os outros portugueses são todos uns puros e incorruptos, a não ser que consigam ser outra coisa). Nota: texto longo, que batotas com milhares, exigem esforço para as desmontar.

IDEIA 1. FACTO.

Somos OPOSITORES ao concurso docente porque este é “todos CONTRA todos” para as vagas que existirem.

Estar no concurso é estar numa posição jurídica contra a dos outros concorrentes….

Se alguém for ao concurso com batota, para ter vantagem, está sempre a prejudicar alguém. Essa vantagem não é inocente e pura, há sempre alguém prejudicado, porque alguém é ultrapassado.

Se forem muitos com batota, prejudicam muitos e inquinam tudo.

E isso não pode passar em claro.

IDEIA 2. MEMÓRIA.

Há muitos anos, estive envolvido numa luta para que o desempate da graduação do concurso docente fosse feito à milésima (o que resultava em não haver quase empates).

Até aí, eram muito frequentes, o que resultava em que o concurso não fosse já, na prática, por graduação, mas só por tempo de serviço.

Ordenados só à décima, os concorrentes empatavam muito e o critério para desempatar era ter mais tempo de serviço.

Isso resultava em que os que tivessem melhor nota fossem sempre os últimos nos grupos de empatados.

Porque lembro isso? Porque, então, numa coisa que não suscita hoje dúvidas a ninguém, e de que já quase ninguém se lembra, me tentavam calar com o argumento de que estava a “por professores contra professores”.

Ora isso é a definição do que é um concurso. TODOS CONTRA TODOS para chegar às vagas disponíveis.

Todos contra todos, com regras.

Na busca da justiça comparativa e não na lei da selva e da imposição pela “força de sermos muitos”.

A minha solução (desempate à milésima) não me “punha em primeiro”, mas era justa.

A outra, além da batota de violar regras legais, com um despacho feito então à medida, era injusta porque beneficiava um dos termos da equação da graduação contra outro: aumentava o peso do tempo de serviço, quando a fórmula dizia que era 1 valor de nota por cada valor de nota e 1 valor por cada ano e não mais.

Só que os batoteiros eram muitos e diziam que justa, justa era a sua batota…

O problema, agora, é o mesmo nos grupos 910, 920 e 930: os batoteiros são muitos e o desleixo das escolas, que validam de tudo, agrava o caso.

IDEIA 3. O QUE É SER ESPECIALISTA?

A lei e a lógica dizem que para se ser especializado em alguma profissão se tem de ter experiência dela, antes de obter a especialização certificada.

Um médico especialista tem de ter alguma experiência de médico. O mesmo para os enfermeiros. Um jornalista especializado fez jornalismo generalista antes de se especializar. Etc, etc.

Um professor especialista convém que, antes de lhe darem o título de especializado em alguma coisa, tenha tido alguma prática de professor.

Por exemplo, eu sou especializado em Administração Escolar. Para tirar o curso sujeitei-me, em 2003, a uma avaliação à entrada em que se exigia 5 anos de experiência docente e, na Lei, diz-se para se ser dirigente, é preciso 5 anos de experiência.

Se os diretores são, em média, fracos (até validam batotas….) imaginem se tivessem zero dias de escola a trabalhar….

IDEIA 4. BATOTAS NA EDUCAÇÃO ESPECIAL.

O que vale para a Administração Escolar vale também para a Educação Especial.

A lei exige que, para se tirar (para se frequentar) o curso de Educação Especial, se tenha uma experiência mínima de escola (5 anos) e profissionalização noutro grupo.

Como se vai ser especialista de uma área especial com zero dias de trabalho na profissão?

O Ministério ignora, torpedeia a lei e anda a aceitar isso. Mal. E todos os que concorrem contra os batoteiros deviam tomar medidas para proteger os seus direitos. Queixar-se. Estão a defender o concurso e seus princípios.

Aqueles que cumpriram os 5 anos antes do curso (às vezes, reunidos em contratos parciais para depois poderem entrar) veem agora gente que, com zero dias de esforço, atinge o mesmo resultado e até pode contender com os seus direitos.

E os outros, que estão nos seus grupos de origem, sem ir “dar perninhas” à EE, podem ver gente, que não tem realmente condições para se especializar, acabar por ficar à sua frente e em vagas de escolas “a que são opositores”, mesmo que noutro grupo.

Um dia mais tarde, ainda vos ultrapassam mais ainda. Mas como toleraram a batota no princípio, com receio de que queixarem-se “podia parecer mal….”

Muita gente berra muito por isto e para defender a batota, quando alguém se queixa. Porque a batota vale muito e dá fruto.

Mas a barragem de argumentos só mostra a falta de razão.

IDEIA 5. CORRUPÇÃO? “SÓ OS OUTROS…”

Ouço muitos discursos sobre a corrupção e luta contra ela.

A luta começa em não procurarmos vantagens ilegítimas com violações de regras claras.

Não fazer batotas. Os batoteiros acham sempre que não o são e ainda se ofendem quando se diz.

Para se poder concorrer aos grupos 910, 920 e 930 é preciso ter, pelo menos, 5 anos de tempo de serviço noutro grupo (porque só assim se tem o requisito de tempo de serviço para tirar o curso de especialização).

Como explicam então que na lista desses grupos verifique o seguinte:

– no 910, no concurso interno, temos 3374 candidatos, destes, 1030 têm menos que 1825 dias antes do curso (os tais 5 anos) e, destes, 76 candidatos têm 0 dias (nunca deram aulas, mas são validados como especialistas);

– no grupo 920, no externo, temos 1969 candidatos, dos quais, 1120 têm menos de 1825 dias antes do curso e 187 têm 0 dias antes do curso;

– no grupo 930, no concurso interno temos 43 candidatos e destes 17 têm menos que 1825 dias antes. No externo temos 59 candidatos dos quais 9 têm menos de 1825 dias antes.

Temos, assim, mais de 2000 candidatos cuja candidatura aos grupos 910, 920 e 930 nunca deveria ter sido validada, porque não preenchem os requisitos para tirar o curso e para concorrer num grupo especializado.

Uns 250 nunca deram um dia de aulas….

A esta irregularidade, respondem os beneficiados disto, apontando outras, alegadas, de quem se queixa. Isso não interessa nada.

Demonstração pelo absurdo: um homicídio não tem de ser perdoado por ter havido outros homicídios na mesma rua….

Se são muitos os homicidas devem ser ainda mais punidos, para não haver tantos….

A mim não tem nada que apontar: não sou deste grupo e não tenho parentes ou sequer amigos afetados por isto.

Só falo porque é injusto que, violando regras, se possa chegar a ficar melhor colocado, ou até entrar no quadro, contra a justiça e os direitos de outros que as cumprem.

O ministro, homem de bem, que não duvido que tenha preocupação ética, mesmo se discordo dele politicamente, devia ver isto e tomar medidas drásticas. Para exemplo.

Como nos influencers, na associação dos “cursos à força para extorquir dinheiro a pais”, a causa do problema, é a falta de tino de alguns diretores (a quem o MECI se prepara para criar carreira para asneirarem mais um pouco….)

Afinal a IGEC já esclareceu bem o assunto e concorda com a posição que expliquei.

Esperam porquê para tirar consequências? (Para quem tem dúvidas é ver a notícia de há meses)

Quem não tem os 5 anos nos grupos novecentos, não devia ter possibilidade de fazer valer este atropelo, contra a lisura do concurso e ganhar vantagem com essa batota.

E ganhar vantagem injusta CONTRA os seus colegas a quem isso prejudica GRAVEMENTE fora da lei.

Luis Sottomaior Braga

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2 comentários

  1. E além dos batoteiros, é ver os que tiram pós graduações a concorrerem com os que tiram mestrados. Cabem todos no mesmo “saco”. E quem tirou mestrados em instituições publicas, tem pela frente, muitos “especialistas” que obtem medias acima de 18 , em instituições privadas. E ser “especialista” não é para todos! Principalmente para quem cada vez vê mais a educação especial como uma fuga para não ter turmas. E na prática, não sabem trabalhar com problemáticas e nem conhecem o DL/54! Muitos são meros “explicadores” junto dos alunos. E assim, vai o grupo 910…

      • Just me on 5 de Maio de 2026 at 12:33
      • Responder

      Mas isso não é igual nos outros grupos? o mestrado apenas dava vantagem na permanência no escalão. não nos concursos. Porque a EE devia ser diferente? Tanto a pós- graduação como o mestrado habilitam para o mesmo grupo.

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