29 de Junho de 2026 archive

Comunicado dos Diretores dos AE/ENA

Os Diretores de Lisboa manifestam a sua estranheza e profundo descontentamento relativamente ao comunicado divulgado pelo Júri Nacional de Exames/EduQA sobre o processo de classificação das provas dos exames nacionais.
Importa recordar que os problemas agora verificados não surgem sem antecedentes. Já nas provas-piloto de ensaio à classificação digital, e de forma ainda mais evidente no exame nacional de Filosofia do ano anterior, foram identificadas fragilidades graves na plataforma, provas que simplesmente não apareciam disponíveis para os professores classificadores, atrasos na sincronização de dados e falhas no acesso ao sistema. Esses episódios constituíram avisos claros de que a infraestrutura tecnológica não estava preparada para uma implementação em larga escala.
Depois de o próprio JNE/EduQA ter reconhecido os constrangimentos técnicos que marcaram o arranque do processo de classificação digital das provas e que determinaram atrasos na disponibilização das respostas aos professores classificadores, causa-nos perplexidade que uma parte significativa do comunicado hoje divulgado seja dedicada a enfatizar as responsabilidades das escolas na atualização da informação relativa aos docentes.
O problema central é inequívoco. A plataforma de classificação digital falhou. As provas não aparecem. Os professores classificadores ficam à espera, sem conseguir aceder ao trabalho que lhes compete realizar. Esta é a questão que deve estar no centro de qualquer comunicação institucional, não o trabalho administrativo das escolas, que foi, como sempre, cumprido.
As direções dos agrupamentos de escolas cumprem, todos os anos, com rigor e elevado sentido de responsabilidade os procedimentos que lhes são solicitados no âmbito do programa ENES, ENEB e MODEB, assegurando a atualização da informação relativa aos docentes, a comunicação das situações de impedimento e a permanente articulação com os agrupamentos do Júri Nacional de Exames.
Por esse motivo, consideramos desadequado que, num momento em que os constrangimentos reconhecidos resultam de dificuldades técnicas e operacionais do novo modelo de classificação digital, o comunicado possa ser interpretado como estabelecendo uma relação entre esses problemas e o trabalho desenvolvido pelas escolas.
As escolas não estiveram na origem dos atrasos verificados. Pelo contrário, têm demonstrado, uma vez mais, uma enorme capacidade de adaptação, reorganizando procedimentos, apoiando os professores classificadores e assegurando, em simultâneo, o encerramento do ano letivo e a preparação do próximo, apesar das sucessivas alterações introduzidas neste processo.
Os Diretores dos Agrupamentos de Escolas de Lisboa defendem que cada instituição deve assumir, com transparência e sentido de responsabilidade, as competências que lhe cabem, preservando uma relação de confiança e de respeito institucional entre todos os intervenientes.
Reiteramos a total disponibilidade das escolas para continuar a colaborar com o Júri Nacional de Exames e com o EduQA, mas entendemos que essa colaboração deve assentar no reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas direções escolares e pelos seus profissionais, evitando comunicações que possam suscitar interpretações injustas quanto ao papel das escolas neste processo.
Num momento particularmente exigente para toda a comunidade educativa, apelamos a que a comunicação institucional seja clara, equilibrada e contribua para reforçar a confiança no sistema de avaliação externa, valorizando o empenho e o profissionalismo de todos aqueles que, diariamente, asseguram o seu funcionamento. Esse reforço de confiança passa, necessariamente, por assumir com clareza onde residem as responsabilidades e, neste caso, residem na plataforma que falhou, não nas escolas que a tentaram utilizar.
Os subscritores,
Adriana Guerreiro, Alberto Veronesi, Amílcar Albuquerque, Ana Lisa Vaz, Ana Noronha, Ana Noronha, Anelia Gurova, Artur Ferreira, Belandina Vaz, Carla Baptista, Carla Monereo, Cristina Maurício, Cristina Sério, Dina Paulino, Fátima Cardoso, João Lourenço, João Paulo Leonardo, José Robalo, José Sendão, Lília Aguiar, Luís Mocho, Maria Caldeira, Nuno Baião, Ricardo Frias, Rosária Alves, Susana Santos, Vasco Gonçalves.

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FNE exige esclarecimentos urgentes do EduQA e garantias de credibilidade dos processos de avaliação

A Federação Nacional da Educação (FNE) manifesta a sua profunda preocupação perante as sucessivas notícias que têm vindo a público relativamente a anomalias identificadas em processos da responsabilidade do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação – EduQA, I.P.

As situações tornadas públicas, amplamente divulgadas pelos órgãos de comunicação social e que envolvem dúvidas quanto ao rigor, à transparência e à fiabilidade de procedimentos da responsabilidade daquele Instituto, não podem continuar sem um esclarecimento célere, completo e credível.

A FNE exige que o EduQA esclareça, com carácter de urgência, todas as situações que têm vindo a ser identificadas, prestando informação clara sobre:
1 – a natureza e a dimensão dos problemas detetados;
2 – as causas que estiveram na sua origem;
3 – as medidas já adotadas para a sua correção;
4 – a garantia de que os direitos dos alunos e dos docentes serão salvaguardados;
5 – os mecanismos que impedirão a repetição de situações semelhantes no futuro.

A confiança nas instituições públicas constrói-se através da transparência, do rigor e da responsabilização. Quando estão em causa processos de avaliação com impacto direto na vida académica e profissional de milhares de alunos e docentes, qualquer falha assume uma gravidade acrescida e exige uma resposta proporcional.

Não basta reconhecer que ocorreram problemas. É indispensável que o EduQA demonstre publicamente que possui capacidade técnica, organizacional e de gestão para os resolver de forma rápida, justa e definitiva.

Caso não sejam dadas essas garantias, ou caso se confirme a incapacidade de assegurar a normal condução destes processos, a FNE considera que deverão ser assumidas as respetivas responsabilidades políticas e de gestão, incluindo a substituição dos responsáveis pela condução do Instituto, por forma a restabelecer a confiança dos cidadãos e das comunidades educativas.

A FNE continuará a acompanhar atentamente esta situação, exigindo que sejam protegidos os direitos de todos os envolvidos e que seja preservada a credibilidade dos processos de avaliação, condição essencial para a confiança no sistema educativo português.

Porto, 29 de junho de 2026
Federação Nacional da Educação (FNE)

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Directores das escolas respondem ao Eduqa e recusam responsabilidades por falhas na classificação de exames

 

Dirigentes não gostaram de ser responsabilizados por alguns dos problemas que estão a afectar a operação de classificação digital dos exames nacionais.

Directores das escolas respondem ao Eduqa e recusam responsabilidades por falhas na classificação de exames

 

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