Passaria pela cabeça de alguém transformar a correcção dos Exames Nacionais numa parafernália logística, num conjunto emaranhado de procedimentos complexos, potencialmente passíveis de falhas, sem razão e sem justificação?
À partida, não passaria… Não passaria, mas passou, com certeza, pela cabeça de alguém com responsabilidades governativas na Área da Educação e a prova é esta:
“Os alunos continuam a escrever em papel, mas as suas respostas seguirão para um centro de digitalização, nas instalações da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), em Mem Martins, onde serão processadas e disponibilizadas numa plataforma digital para correção.
Conforme avançado, a operação prolongar-se-á por cerca de 35 dias e envolverá mais de 300.000 provas, 166.000 alunos, milhares de professores classificadores e mais de 5000 elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) e Guarda Nacional Republicana (GNR). O objetivo desta operação histórica é garantir o transporte e a segurança de todo o processo.” (SAPO Notícias, em 15 de Junho de 2026).
Com toda a frontalidade, apetece afirmar que se tratará de uma operação historicamente disparatada, tantas são as variáveis de difícil controlo, agora introduzidas no processo de correcção dos Exames Nacionais…
Convirá referir que em cada uma das fases deste processo, várias coisas poderão correr mal… Restará saber a gravidade do que poderá sair gorado…
Não há como contornar este facto: a probabilidade deste processo correr mal é elevada, só alguém insensato ou algum optimista panglossiano não o antecipará ou não o receará…
Pode ser que me engane, mas a julgar pela incapacidade de coordenação organizativa e operacional que o MECI (AGSE) tem vindo a evidenciar num processo teoricamente muitíssimo mais simples como o Concurso de Técnicos Superiores, é impossível augurar bons resultados, no que se refere à correcção dos Exames Nacionais…
A pretensão do MECI, alegadamente assente num “novo paradigma” administrativo, em modernizar, simplificar e incrementar a eficiência e agilidade administrativas, neste momento mais parece uma miragem, uma absoluta quimera…
Nada disto bate certo, a teoria e a prática não são congruentes e tudo isto poderá correr muito mal, plausivelmente inquinado por expectáveis trapalhadas práticas…
A não ser que, propositadamente, se confunda caos com “está tudo a correr muito bem”, o que, e pelo que já se viu, também não seria de espantar… De resto, a propaganda e a manipulação da opinião pública já estiveram mais longe de se tornarem no “pensamento oficial”…
O fantasma de Murphy paira no ar: “Se alguma coisa pode correr mal, correrá mal”…
Se Murphy tiver razão, daqui a algum tempo, poderemos estar perante um disparate histórico que, em concomitância, terá sido ridiculamente dispendioso para o erário público…
Em vez da implementação de medidas simples e pragmáticas, sem floreados, adornos ou aparatos, tem-se optado por prioridades dominadas por um certo “show off” que, ainda por cima, em primeiro lugar, se poderão virar contra quem as concebeu, dada a entropia introduzida pelos próprios…
Sem rodeios, a decisão relativa à correcção dos Exames Nacionais, que começou agora a ser implementada, carece de inteligência e de sensatez…
Paula Dias




