27 de Junho de 2026 archive

Sou contra isto….e acho asneira – Luis Sottomaior Braga

 

Àqueles que me chamam nomes, entre eles burro (que é, aliás, dos mais suaves… tenho trolls empenhados)…vou dar mais um argumento.

Há quem meça a sabedoria pela defesa da vantagem própria. A ganância passa por ideia inteligente.

O ÂNGULO PESSOAL….

Como comecei com habilitação própria, em 1995, e só fiquei profissionalizado em 2004, esta proposta, metida à socapa, fazia-me hoje subir mais de 4 valores na graduação atual.

Isso destruía os equilíbrios relativos entre mim e todos aqueles com quem concorri no passado para os mesmos lugares.

E, mesmo sendo de Quadro de Agrupamento sempre poderei concorrer outra vez um dia. E a graduação é como o dinheiro: os gananciosos querem sempre mais.

Mas a ganância não é inteligente em sistemas complexos que precisam de manter equilíbrios.

NÃO DESEQUILIBREM O ECOSSISTEMA DOS CONCURSOS….

Anda na moda usarem por tudo e nada a palavra “ecossistema”….. os concursos são um. E com uma forte vertente predatória…

Não desequilibrem o ecossistema.

A proposta não é justa. Principalmente se tiver efeitos retroativos. Isto é se vigorar para quem já tenha concorrido….

Destroi uma regra que, durante décadas, sustentou colocações e construiu carreiras.

Imaginem que, a meio dos 4ºs de final do Mundial, se trocava a largura das balizas. 2 jogos feitos com uma largura e outros 2 com outra….era justo?

E, mesmo sendo-me muito vantajoso, (estou no quadro e subiria para os 20 primeiros do meu grupo instantaneamente) chamo a atenção para a injustiça, diria mesmo para os efeitos batoteiros.

A MEDIDA DESINCENTIVA A PROFISSIONALIZAÇÃO….

Não me profissionalizei em 1993 porque não quis. Escolhi o meu caminho, com regras claras.

Reverti a opção porque quis mudar de ideias. Se, agora, o tempo que fiz não profissionalizado não for contado da mesma maneira e dobrar, é injusto para quem fez a escolha desde sempre.

Além de o efeito ter retroatividade na prática. E a retroatividade a criar prejuízo para alguém é sempre injusta.

E, por isso, é que, também do meu lado, posso dizer que a medida não é muito inteligente: até para os novos tem efeitos negativos porque desincentiva a escolha precoce da docência, tirando a vantagem da profissionalização aos que escolhem mais cedo.

E, para haver mais professores, é preciso que a profissionalização seja abraçada como escolha inicial o mais cedo possível.

Queremos profissionais ou tarefeiros?

Não me choca que se facilite o acesso à profissionalização em serviço (não demorar 10 anos como foi comigo, uns 3, mas também não menos e posso explicar).

Os alunos que escolhem cursos de ensino, com esta medida na graduação, perderiam um dos seus incentivos.

TEMOS DE ESTAR MAIS ATENTOS À NEGOCIAÇÃO….

O desespero é mau conselheiro e a falta de professores está a desesperar e esta ideia mostra isso.

Ao ver esta ideia peregrina, talvez motivada pelo preconceito contra a ideia de profissionalização dos professores, até mais que com a boataria que tem havido sobre a negociação, começo a achar que é preciso estar mais atento à negociação dos concursos.

Se sai um disparate destes contra equilíbrios estabilizados e justificados, que mais não poderá surgir….?

Luís Sottomaior Braga

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Quando ensinar se transforma numa prova de resistência – Alfredo Leite

 

Há salas de aula onde, nos dias de maior calor, ensinar deixa de ser apenas uma tarefa pedagógica e passa a ser uma prova de resistência física. A atenção diminui, a irritabilidade aumenta e professores e alunos gastam energia a suportar o ambiente antes de a poderem investir na aprendizagem.

Não se trata de conforto ou luxo. Trata-se de condições mínimas para ensinar, aprender e regular comportamentos. Apesar disso, em 2026, a Assembleia da República ainda recomendava um levantamento nacional sobre o conforto térmico, a qualidade do ar e o estado de conservação das escolas!

Quando as condições falham, pede-se às pessoas que compensem o sistema. Pede-se ao professor criatividade, paciência e resiliência (conceito tão mal tratado!), como se a vocação baixasse a temperatura ou substituísse recursos.

A mesma lógica aparece na saúde mental escolar. Penso que a lei estabelece como referência um psicólogo por cada 500 alunos. Contudo, considerando apenas os psicólogos vinculados aos quadros do Ministério da Educação, o rácio era de um por cada 1 656 alunos (deverá melhorar para um por cada 796 após os concursos anunciados).

É uma melhoria importante, mas continua longe do necessário. Um psicólogo não trabalha apenas quando surge uma crise.

Previne, orienta, avalia, apoia famílias, aconselha professores e acompanha comunidades inteiras.

Quando responde por centenas de alunos, a prevenção cede inevitavelmente lugar à urgência.

É neste ponto que a comparação com o poder se torna legítima.

À data da consulta oficial, o gabinete do primeiro-ministro integrava 10 assessores, nove adjuntos e sete técnicos especialistas: 26 profissionais apenas nestas três categorias. O gabinete do ministro da Educação tinha cinco adjuntos e cinco técnicos especialistas, além da chefe de gabinete e de vários profissionais de apoio.

Não considero que estes profissionais estejam a mais. Governar é complexo e exige equipas competentes.

Precisamente por isso, devemos perguntar: se a complexidade do poder justifica especialistas, estruturas e recursos, por que razão a complexidade da escola continua tantas vezes entregue ao sacrifício individual?

Isto não é demagogia. Demagogia seria afirmar que despedir assessores resolveria os problemas da Educação. Não resolveria.

O argumento é outro: quando a complexidade chega aos centros de decisão, o Estado cria equipas. Quando chega às escolas, continua demasiadas vezes a pedir…resiliência…

Alfredo Leite

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É mau, mau demais…

A primeira fase dos exames nacionais do Ensino Secundário terminou, esta sexta-feira, em sobressalto para os professores classificadores convocados para fazer a correção das provas. Segundo a porta-voz da Missão Escola Pública, “algumas convocatórias estão a surgir com erro”, dando como exemplo o caso de docentes “reformados há mais de um ano” que foram convocados para corrigir exames e outros chamados a avaliar disciplinas que não são as suas.

Professores reformados estão a ser convocados para corrigir exames nacionais

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