Se há algo que nunca gostei de fazer é criticar colegas pelo trabalho que desempenham, sem ter passado pelo cargo ou por algum semelhante. Talvez por isso (não para criticar, mas para aprender, ter conhecimento), ao longo destes quase 30 anos de professor, tenha feito questão de assumir todos os cargos que pude e que acreditava ter competências para os assumir. Desde diretor de turma, de grupo disciplinar, coordenador do desporto escolar, diretor de instalações, coordenador de CAD, responsável por grupo-equipa de desporto escolar, até à equipa de horários, conselho pedagógico (cargo inerente), conselho geral e, agora, direção. Julgo que não me faltou nada. Com isso, não estou a dizer que as pessoas tenham a obrigação de fazer o mesmo ou que não tenham o direito de criticar, de forma alguma. Mas, admito que, talvez seja um defeito meu, gosto de passar pelas experiências para delas e de quem por elas passou, poder falar com substância e conhecimento.
O motivo pelo qual agora escrevo estas linhas poderá parecer estranho: o recente acordo entre o Ministério da Educação e alguns sindicatos de professores sobre a recuperação do tempo de serviço. Este acordo, que deveria ser um motivo de celebração, após quase seis anos de uma difícil luta, gerou diferentes visões e até algum descontentamento, por parte de alguns. Isso porque, embora tenha sido benéfico para a maioria dos professores em exercício, não contemplou todos os que, no activo ou não, estiveram congelados durante os 9 anos, 4 meses e 2 dias.
Ora, entender a complexidade de negociações desta natureza exige reconhecer algo fundamental: que nem todas as decisões podem agradar a todos. Na “arte” da negociação, especialmente em contextos institucionais, é vital compreender que a perfeição é rara. Daí a importância de buscarmos o equilíbrio, o meio-termo onde a maioria encontra benefício, mesmo que alguns, infelizmente, fiquem de fora. É uma lição difícil, mas essencial: saber ceder, entender que um bom acordo é aquele que, mesmo que imperfeito, beneficia a muitos mais do que aqueles que prejudica.
Por isso, julgo que criticar quem está no “comando”, seja ele qual for, sem compreender a totalidade do cenário em causa (realço), é injusto e revela uma certa inaptidão para o exercício de cargos de decisão. Assumir cargos desta natureza exige mais do que tempo e dedicação; requer também a coragem de tomar decisões difíceis e a resiliência para enfrentar as respectivas críticas. Isso para não falar no sacrifício de momentos de lazer e prazer pessoal, como a leitura, a prática de exercícios físicos e outros passatempos/hábitos, em prol do bem comum.
Portanto, antes de julgarmos os resultados de tais negociações, é importante considerar o esforço e o sacrifício envolvidos. Reconhecer o valor de um acordo que favorece a maioria é uma demonstração de maturidade e empatia. A verdadeira liderança não está em agradar a todos, mas em tomar decisões que beneficiem o coletivo, mesmo que isso signifique enfrentar a desaprovação de alguns.
Em resumo, a negociação eficaz exige equilíbrio, disposição para ceder e a sabedoria de reconhecer que um bom acordo é aquele que, embora não sendo perfeito, atende à maioria. E ocupar um cargo de decisão é uma tarefa que demanda não apenas trabalho árduo e dedicação, mas também a habilidade de lidar com críticas, frequentemente sacrificando o tempo que poderia ser dedicado a prazeres pessoais. A verdadeira liderança encontra-se na capacidade de servir o coletivo, buscando sempre o melhor para todos, mesmo sabendo que as decisões, raramente, são unanimemente aceitas.
Ah, e convém não esquecer: exercer cargos de responsabilidade é também saber que eles não devem ser perpetuados, dando lugar a outros, com visões diferentes e novas formas de actuar.

31 comentários
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Falar é muito bom usando uma prosa cuidada e de paz, quando não se calças os sapatos dos que estão a ser prejudicados e vão ficar prejudicados na reforma.
Tenho 64 anos. Pedi reforma por incapacidade, pois já não aguento mais. Mandaram-me trabalhar mesmo sem poder.
Não tenciono dar mais de mim a quem me está a roubar. Não há cá horas extraordinárias para ninguém, nem sequer meter-me em projectos que já não tenho condições físicas e mentais. E não estou a “roubar” ninguém. Quando eu estava a trabalhar e podia estiveram os escalões congelados. Agora, não tenho culpa de já não aguentar. Se podem fazer tantas “piruetas” , que dão lugar a ultrapassar colegas mais antigos, deixem os outros terem todo o tempo recuperado.
Sou a favor de uma postura deontológica, do que utilitarista, do dever ser, no quadro de um Estado de Direito democrático.
A exclusão da contagem do tempo de serviço para alguns professores nomeadamente o que estão no topo ou perto dele, na minha opinião não foi correta, mas posso deixar passar. Mas agora eu pergunto qual foi a luta dos sindicatos pelo artigo 79 que só se aplica aos que têm mais de 50 anos e não aos que agora vão descongelar? E nós que descontamos anos e anos para o sindicato e por nós nada fazem. Termos de trabalhar sem redução da componente letiva.. E o lindo serviço dos senhores diretores que continuam a ler a lei conforme lhes dá jeito.
Por isso estou descontente com as negociações sim,sim.
Para que escalão vai subir quem está no 10º escalão com o rts?
Não vai subir mais, mas tem direito a usufruir do artigo 79, redução da componente letiva. Ou não?
O que que a rts tem a ver com o art 79º?
Não sabe que a rts só serve para a progressão, para tudo o resto nunca houve congelamento?
Ir para a reforma mais cedo.
Sabe que a rts só serve para a progressão da carreira?
Para que escalão vai progredir quem está no 10º escalão?
Todos os professores que estiveram congelados vão ter uma reforma mais pequena.
Se não progrediam, o salário era o mesmo, logo continuavam a descontar o mesmo para a SS ou CGA. Logo, como o cálculo da reforma tem em conta toda a carreira contributiva, a reforma irá ser menor para TODOS.
Basta pensar que quem congelou no 8.º, 9.º ou 10.º tinha um salário superior do que quem estava no 5.º, 6.º ou no 7.º, isto para não referir os que estavam congelados em escalões mais baixos e os que ficaram retidos devido à obrigatoriedade da terem Muito bom ou Excelente na avaliação.
No fundo, tiveram “sorte” pois estiveram mais anos a descontar mais, logo as suas reformas serão mais vantajosas do que a de quem esteve congelado em escalões inferiores.
Daí que não entenda esta questão de haver quem considere que quem está no 9.º ou 10.º escalão está a ser prejudicado em relação aos docentes dos escalões inferiores.
Completamente de acordo.
Pela lógica, para o 11º. Não sendo dessa tão valorosa profissão, e pelo que ouvi., li e julgo ter compreendido, os professores que estão no topo da carreira (10º escalão) não estiveram impedidos, como os outros, de progredir sempre, logo Terão muitos mais descontos e a sua reforma será por natureza muito superior à dos restantes. Pergunto: por qual razão deveriam também fruir do tempo que recuperam, e bem, os outros? No meu entender, grosso modo, fazem o mesmo trabalho, ou menos, pois as turmas não são tantas.
Fartinha da ladainha de quem está no 10.º escalão. Vamos lá ser séri@s, são os MENOS prejudicados. Quem agora se está a aposentar, salvo raras exceções, chegou ao topo da carreira, em tempo minimamente oportuno, e vai ter reflexos altamente positivos na reforma. Os GRANDES prejudicados são aqueles que chegam ao topo com a RTS, mas no fim da carreira.
Vocês são uns ingratos. Uns mal formados.
Andámos lado a lado convosco nas manifs. Na mesma luta. Alguns de nós até fizemos ouvir a nossa voz porque temos + práticas de lutas. Estivemos em todas desde há 50 anos.
E agora vêm morder os velhos do 10o escalão?
Vocês não têm valores. São capazes de
matar os vossos pais e avós por
dinheiro. Ou por um lugar ao sol.
Ainda não ouviram dizer nos que o que vocês ganharam com o acordo de rts
está mal. Ou foi errado.
Não. Pelo contrário. Está certo. Ainda bem que conseguiram. Que conseguimos.
Calem se para sempre. Não mordam mais nos velhos dos últimos escalões.
Voces não são dignos de formar novas gerações.
Não têm valores.
Leiam o Pacheco Pereira no Público: as gerações com + competências mas com ausência de valores.
Concordo inteiramente. Esqueceram o artigo 79 e anda a faixa dos 40 em diante desgastada. Sempre com mais alunos e turmas numerosas. Sempre numa roda viva.
https://www.publico.pt/2024/07/27/opiniao/opiniao/geracao-preparada-ignorancia-cresce-2099005
Olha, Maurício, ou lá quem és, autor do texto!
És + 1 do mainstream. Surfas a onda!
Aproveitaste o que pudeste sem ter competências específicas para isso. E provavelmente sem perfil, tornaste te diretor. Espero que não faças mal às pessoas que diriges.
Vai dar uma volta ao bilhar grande com os teus textos certinhos, cheios de razões certinhas.
O mundo não é feito assim. Há que lutar, camarada, contra as injustiças. E se for necessário fazer barricadas.
As revoluções não se fizeram com gajos certinhos. Do mainstream. Salgueiro Maia não era certinho.
Gajos como tu consolidam os poderes pôdres e as ditaduras.
É preciso saber desobedecer!
É preciso saber dizer não!
Maurício, diretor, Veronesi, diretor, Arlindo, diretor, Cardoso , diretor….!!!!
Se exceptuarmos o Guinote, já viram qual o objetivo deles nos últimos anos…
Só mais uma nota, democracia, eleições nas escolas, gestão democrática, conhecem algum texto, pelo menos depois de ascenderem aos tachos, deles a defendê-las ?
É isso camarada!
O que ouvimos e lemos nas redes sociais nas televisões são a voz dos galos diretores.
Promovem se e consolidam se no cargo.
Uns são rosa, outros laranja. Outros não mostram a cor. São situacionistas. São como os polvos e os camaleões. Mudam a cor conforme o meio em que caçam.
Resta o chato do Guinote. A voz discordante. Que não é galo diretor.
E também não lhe conheço a cor…
É preciso saber dizer não. Só que algumas vezes também é demasiado velhinho do Restelo.
Por incrível que pareça não há vozes femininas diretoras na praça pública…
É preciso quotas para que apareçam?
Mas que qurem os professores que estão no 10º escalão?
Estão há anos a usufruir de um ordenado de topo de carreira, a fazer o mesmo trabalho ou até menos que os colegas que estão em escalões inferiores.
Se progrediram para o 10º foi porque tiveram MB ou Excelente na avaliação e todos sabemos que estas vão para os amigos, não necessariamente para os mais capazes e assim escaparam ás quotas.
Falam da aposentação?
Todos estiveram congelados e todos vão ser prejudicados.
Deviam de ter vergonha e deixar de atirar areia para os olhos dos outros.
Nunca ouvi tantos disparates!
Nunca fui favorecida nem tive qualquer cargo por pequenos que fosse. Trabalhei 43 anos e ainda trabalho como professora.
Não sei se lá chegarás!
Até parece que ter cargos é coisa boa…
Todos os professores que estiveram congelados vão ter uma reforma mais pequena.
Se não progrediam, o salário era o mesmo, logo continuavam a descontar o mesmo para a SS ou CGA. Logo, como o cálculo da reforma tem em conta toda a carreira contributiva, a reforma irá ser menor para TODOS.
Basta pensar que quem congelou no 8.º, 9.º ou 10.º tinha um salário superior do que quem estava no 5.º, 6.º ou no 7.º, isto para não referir os que estavam congelados em escalões mais baixos e os que ficaram retidos devido à obrigatoriedade da terem Muito bom ou Excelente na avaliação.
No fundo, tiveram “sorte” pois estiveram mais anos a descontar mais, logo as suas reformas serão mais vantajosas do que a de quem esteve congelado em escalões inferiores.
Daí que não entenda esta questão de haver quem considere que quem está no 9.º ou 10.º escalão está a ser prejudicado em relação aos docentes dos escalões inferiores.
Já agora, em 43 nos nunca foi sequer DT?
Eu sei a quem respondi, não confunda mais.
Acrescento mais uma coisa
Todos os que não estão no 10º escalão continuam e vão continuar até o RTS estar completamente devolvido, a receber menos do que deviam, sendo não só prejudicados como vão ser penalizados no futuro nas pensões.
Quem atingiu o 10º escalão deixou de ter qualquer perda salarial no momento em que atingiu o 10º escalão.
O objetivo é esclarecer e não confundir.
Pois estranho que existam professores que desconhecem o processo do cálculo da reforma, e que o mesmo tem em conta toda a carreira contributiva. Pelo que quem está no 10.º escalão não está a ser prejudicado com o processo de RTS e no período de congelamento acabou por estar numa situação menos má que os colegas dos escalões mais baixos.
Ana, sábias palavras em tudo o que disse!
Muito bem. Os ditos “colegas” só olham para o respetivo umbigo. Querem lá saber se fizeram menos, pior, ou nada. Essa classe de trabalhadores tem muita gente que de solidária nunca teve nada. Por isso é que uma classe tão nobre, necessária e importante, mexmo imprescindível, está como está.
Em 28 anos como professor, sempre disse, publicamente, que os stores de saltos, vulgo ginástica, vulgo educação física, são parte da degradação a que chegou o Ensino em Portugal. Ora, aqui está! Já agora, doutor Maurício, o seu nome leva acento.
É só sotôres de ginástica nas xafaricas!
Doutor Maurício falta um cargo a sério no Secretariado de Exames a tempo inteiro.