Resolvi fazer este artigo para prestar algumas informações sobre o processo de construção de horários no “meu” Agrupamento.
Esta é uma tarefa mecânica que cada escola adapta ao seu universo de alunos e professores.
Muitas escolas nesta altura ainda não iniciaram o processo de construção de horários e outras já o fizeram ou estão em vias de a concluirem.
Algumas escolas constituem equipas para elaboração de horários de alunos e professores e juntam vários docentes para esta tarefa. Costumo dizer que muita gente nesta tarefa atrapalha mais do que ajuda.
No meu caso a tarefa está mecanizada há alguns anos e só tem 4 pessoas para a distribuição de serviço e elaboração de horários.
- Eu e o meu subdiretor procedemos à elaboração daquilo que chamamos M1 com a distribuição de todo o serviço pelos professores. Em meados de julho isto está pronto e nunca mudamos nada da ICL1 para a ICL2 porque tudo está devidamente consolidado e quando pedimos horários não há alterações nas fases seguintes. Este ano acontece para a RR1 porque a MPD tardia retirou 3 professores.
- No caso dos horários do 1.º ciclo e da Educação Pré-Escolar esta é uma tarefa que a adjunta responsável por esta área faz junto comigo ainda em julho. Talvez esta seja a parte mais fácil da construção de horários, apesar de termos aqui alguma flexibilização devido às AEC. Se eu gostava de ter todas as atividades letivas a terminar às 15:30 não digo que não gostava, mas tal impedia que houvesse AEC a funcionar normalmente ao longo do ano (já começa a haver soluços mais para o final do 1.º período). O meu princípio aqui é que as AEC sejam sempre após as atividades letivas, mas pode acontecer que a atividade letiva termine um dia às 12:30 ou às 14:30 para haver esta flexibilidade.
- Geralmente na última semana de julho os horários de professores e alunos começam a ser feitos, mesmo antes de conhecer as colocações da Mobilidade Interna e MPD. Aqui tenho uma grande vantagem sobre muitas escolas. Praticamente consigo antecipar quem sai e quem entra, porque 20 anos de estudos sobre colocações fazem com que saiba quase antecipadamente o resultado dos concursos e também não existem tantas mudanças.
- Aqui os horários ainda são feitos à mão em lençóis de papel por alguém que quase toda a vida fez horários e é a sua paixão, alguém que foi professora de quase todos os professores da escola e que aos 70 anos mantém o mesmo gosto de sempre por fazer horários. Conhece os pormenores de todos os docentes e sabe quem não pode entrar às 8:30 à segunda-feira porque a noite de domingo costuma ser de viagem ou de quem precisa de 2 horas para almoçar porque tem de ir a casa a pé fazer o almoço para alguém.
- Até meados de agosto os horários estão todos feitos e resta passá-los para o programa que usamos no Agrupamento, o DCS que importa a maior parte dos dados do ano letivo anterior. Procedemos depois a alguns ajustes, mas muito poucos, porque quem os elaborou pensou em tudo antes de qualquer necessidade de ajuste.
Amanhã os horários dos professores, alunos e salas serão todos assinados e guardados até à reunião de Conselho Pedagógico de dia 3 que serão entregues a cada Coordenador de Departamento.
Se é uma tarefa fácil?
Talvez não seja, mas é mais difícil quando não é feita de forma humanizada, como aqui se faz.




25 comentários
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Top!
Gostava imenso de trabalhar neste agrupamento onde se verifica uma sensibilidade humana na feitura dos
horários . Já passei por dez agrupamentos e só dois se assemelham ao agrupamento descrito acima. Uma raridade!!! Recordo que estive num em que as segundas e sextas eram para os elementos da direção, os colegas que viviam a 200km eram os mais prejudicados.
Que imagem tão edulcorada, idílica, romantizada, cor de rosa… dos horários escolares. A mim, parece-me, há décadas, que os horários são meticulosos e muito agradáveis e leves para os amigos e os protegidos que dizem amen ao diretor/ae que coleccionam bons horários, “boas” turmas, cargos levezinhos, MB e EX ou facas afiadas espetadas conscientemente nas costas dos professores que querem humilhar ou afastar. Infelizmente, éo que tenho experenciado nos últimos tempos.
Escola e valores degradados e podres.
E os horários da educação especial?
Esses são feitos no início do ano pela EMAEI.
Então, o meu amigo não faz os horários de um dia para o outro, como ontem dizia.
Cá bem me parecia…
Se for preciso faz-se.
Mas a professora dos 70 anos ainda está na escola a trabalhar?
Só se for por bondade, porque tem de ir para a aposentaçao aos 70. Calculo que os vai fazer em breve, claro.
Pena que já não vai apanhar os 750€ ilíquido.
Que maravilha, elogiar a frescura, motivação e conhecimento da Colega que, aos 70 anos, continua a elaborar horários em ” lençóis de papel”. Bofetada de luva branca para os colegas ” anti idade”.
Se tivesse 6 turmas não estava na escola!
Arlindo, gostava de ver a colega a fazer horários para um agrupamento com 3 escolas, com deslocação de professores entre escolas e com salas específicas em número reduzido. Não é fácil, mesmo com o DCS, que é otimo.
No meu agrupamento somos 4 com férias de agosto reduzidas. Mas a sensibilidade do Diretor compensa-nos com avaliação mínima de MB,. Confesso que nos vale a experiência do João Faria, excelente!
Então com o DCS e trabalham em lençóis de papel?
Boa noite, colega. Obrigado pela sugestão e partilha.
Só falta mesmo ao Arlindo propor-se a organizar e ministrar uma formação de 100 horas aos seus colegas diretores sobre horários e afins!
Alguns andam necessitados!
“O meu subdiretor”!!!
Os tiques generalizam-se…
Complexo de inferioridade a vir ao de cima.
É impressionante alguns comentários aqui por parte de colegas… desvalorizarem o trabalho do Arlindo e dos seus… não merecemos colegas assim no ensino… sempre na crítica!!!! Com certeza devem ser colegas problemáticos como já tive em muitas escolas por onde passei!!!
Sim. Sim. Quando têm opinião diferente chamam-lhes problemáticos. E que tal deportá-los para um qualquer Gulag?
Assim vão as escolas…
Tiro o chapéu ao senhor director Arlindo (Sem ironia! De todo!) porque, a preciosista descrição que faz sobre a elaboração de horários é quase terapêutica, mesmo para quem abandonou o Sistema. Dou-lhe os parabéns por ser em papel, à mão, os “lençóis”. Estive 3 anos seguidos a completar horário em Alfena, Valongo. As boas memórias que guardo e a gratidão que guardo eternamente para com a Direcção (humana, sobretudo para com um professor que, como eu, no ano lectivo de 2015-16,acumulou 5 escolas em 4 localidades diferentes, sem carro) passam pela visão, de um lençol enorme de papel, estendido sob uma mesa redonda e, à sua volta, os membros da direcção, a tratarem de não prejudicar ninguém. Na Secundária de Penafiel, posso, até por aquilo que aqui se lê, afirmar com propriedade que não havia enteados nem filhos. Os horários eram estupendos e o director, tido como Ivan, o Terrível era, na verdade, um Homem probo. Quanto à colega de 70 anos, é louvável. Mas espero que goze a sua merecida reforma.
Se perguntar aos diretores, são TODOS arlindos…
Se perguntar aos professores, de forma confidencial (por que será?), tem aqui a resposta:
https://capasjornais.pt/Capa-Jornal-Publico-dia-12-Agosto-2018-9909.html
Quê? Quem fica com os restos? – Lisboa e Algarve?
Parabéns, Arlindovsky!
Nevermind the bollocks.
Belo panegírico da diretora… Gostava de a ver fazer horários numa escola com dois cursos de ensino integrado, 1100 alunos e duzentos professores…
O uso do DCS apenas para “passar a limpo” é que me parte todo!!!
Ninguém reparou na insistência da primeira pessoa do singular, eu, eu eu, o meu, a minha. Também ninguém notou que os horários deveriam ser feitos em função das aprendizagens dos alunos – ter educação física ou ev/t ao primeiro bloco e matemática ou ciências ou português ou história ou fisica ou… ao último é um mimo.