Já tinha previsto ontem esta hecatombe nos resultados de Matemática de 9.º ano.
E não vale a pena responsabilizar os professores e as greves deste ano, porque os resultados no ensino privado foram muito semelhantes.
Agora é tirar ilações comparando os maus resultados das provas em papel com os péssimos resultados das mesmas provas em formato digital, realizadas nas escolas piloto.
Provas finais. Alunos do 9.º ano ficam-se por 43% de média a Matemática

Provas finais. Alunos do 9.º ano ficam-se por 43% de média a Matemática
É um dos piores resultados obtidos pelos alunos do 9.º ano a Matemática. Na prova final da disciplina, realizada no mês passado por 94.509 alunos, a média desceu para 43% numa escala que vai 0 a 100%. No primeiro exame pós-pandemia, realizado no ano passado, a média tinha sido de 45%.
Quase 60% dos alunos tiveram nota negativa no exame de Matemática do 9.º ano e média nacional foi de 43%
No ano em que as provas finais do 9.º ano voltaram a contar para nota, depois da suspensão determinada pela pandemia, os resultados baixaram de forma significativa a Matemática. Há dez anos que a média nacional não era tão baixa. A Português, melhoraram face a 2019

Mau a Matemática, melhor a Português. Assim se pode resumir o desempenho dos alunos do 9.º ano nas provas finais a estas duas disciplinas e que voltaram a contar para a classificação final, depois da suspensão decretada durante os anos da pandemia.
A Matemática e segundo os dados revelados pelo Ministério da Educação, a média nacional caiu para 43% e a percentagem de alunos que não chegaram à positiva na prova foi de 58%.
É preciso recuar a 2011 e a 2013 para encontrar uma média nacional tão baixa na prova final do ensino básico de Matemática. Nesses dois anos, também ficou nos 43%.
Desagregando por intervalos de classificação, os números revelam bem as dificuldades que milhares de alunos sentiram neste exame: um em cada dez não chegou sequer aos 10%. Num total de 94.500 provas realizadas a Matemática em todo o território continental, 9527 obtiveram notas entre 0 e 10%.
Já a Português, os números são significativamente diferentes. A média nacional subiu até aos 61% e a percentagem de classificações negativas caiu para os 22%.
Depois de terem sido suspensas em 2020 e em 2021, no passado ano letivo estes exames voltaram a realizar-se, mas apenas para efeitos de aferição das aprendizagens e sem interferência nas contas às notas finais dos alunos. E em 2022/2023 voltam a contar 30% para o cálculo da classificação final a Português e Matemática, como sempre aconteceu,
Comparando então com 2019 (antes da pandemia), verifica-se uma queda na média de Matemática de 55% para os 43% do ano letivo que agora terminou. Em 2022, ano em que não contaram para a nota, a média nacional foi de 45%. Quanto à percentagem de classificações negativas, a percentagem (58%) manteve-se praticamente idêntica em 2022 e em 2023.
No caso da disciplina de Português, as médias nacionais foram de 60% em 2019, 55% em 2022 e 61% em 2023. E houve este ano bastantes mais alunos a conseguir positiva na prova: 78,2%, quando no ano passado tinham sido 62%.
O Ministério da Educação informa ainda que em 57 escolas, as provas finais do 9.º ano foram realizadas exclusivamente em computador, envolvendo cerca de três mil alunos em cada uma das disciplinas.
A forma como decorreram e os resultados serão agora analisados para perceber se há condições para avançar com a generalização dos exames do 9º em formato digital no próximo ano letivo, tal como aconteceu este ano com as provas de aferição.
O objetivo é chegar a 2025 com todas as provas nacionais feitas em computador e não em papel.




7 comentários
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Isto não é bem comparável. A prova deste ano foi muito mais difícil. Cheia de geometria que os alunos detestam.
O aborto desta provas é a de Português…. O pior efeito dos malditos confinamentos foi, todos sabem, nas competências escritas. Acabei a minha carreira de 28 anos com duas turmas de 10°ano. Nunca vi tantos alunos que nem conseguem interpretar um enunciado, nem verbos como “Comenta”, “Analisa”, “Relaciona”, entre outras pérolas bem mais graves, para já não falar na expressão oral…. Estas provas, um logro permanente, uma mentira grotesca, com a qual os professores de Português (?) colaboram (basta ouvir o senhor presidente da associação dos professores de Português, em entrevista à Antena 2, quase num delírio orgásmico com as cruzes e os espacinhos para completar!), são a prova mais que evidente da sangria que está a ser levada a cabo no ensino nacional…..interessante é quando chegam ao 10°ano e descobrem que, afinal, o Português não é um caramelo que se chupa, sobretudo se apanharem professores de Português que, realmente, gostam de leccionar Português a sério e à séria! Que interessa a Matemática se um país não sabe escrever, não lê, não interpreta e tem nojo de quem o faz?!….. Tenham paciência com a Matemática. A mesma conversa há décadas num país de faz de conta!
Com tanta facilidade para ser professor, aí tem sr. ministro o resultado das suas leis e circulares. Quslquer um pode ser professor quase sem créditos. Força Portugal que estás no caminho certo. Ze toi
Sou completamente contra os exames de papel e lápis.
Não significam quase nada e consomem papel/ árvores. Deixam uma pegada enorme para o benefício que colhemos com eles.
Ainda bem que vão ser todos digitalizados.
Concordo que o digital seja utilizado no 9o a e nos 11 e 12 anos . Para os pequenitos até ao 6o ano ainda não. O digital pode baralha los pois ainda não estão familiarizados. Distraem se com as tecnologias.
Agora concordo com os colegas em relação ao tipo de exame que se faz no Iavé.🙏 Cruzes cruzes.
Perguntas inúteis , opções tolas que baralham o raciocínio sobre um texto.
Escrita quase nenhuma. Os alunos quase que não sabem escrever. E nas aulas como sabem que os exames são deste gênero não querem escrever.
Nos 10 apanho alguns que já não sabem escrever 3 linhas. Uma tristeza.
O Iavé 🙏 é um instituto tolo. Dispensável num país pobre. Consome muitos recursos. Físicos e humanos.
Há muitas crianças que não aprenderam a escrever sem olhar para o teclado. Estão em grande desvantagem perante as demais.
Falso!!!!
A pegada ecológica associada à produção, manutenção e fim de vida do equipamento das IT é MONSTRUOSA quando comparada com a pegada ecológica do lápis/papel.
Eu acho um causo inaudito uma das provas ter tido resultados/confrangedores devido à pandemia/greves, enquanto que na outra ocorre uma situação diametralmente oposta.
Ora vamos lá ver, ouçam-me, parece-me que haverá ilações a obter de tais factos….
Português – ensino à distância e com menos carga horária semanal potencia o desempenho dos alunos. As aulas de apoio também deverão totalmente descartadas.