Perguntas e respostas para perceber porque é perigoso o amianto nas escolas (e não só)

Expresso | Perguntas e respostas para perceber porque é perigoso o amianto nas escolas (e não só)

“Pela remoção total do amianto nas escolas portuguesas”: este é o motivo da petição pública lançada esta quinta-feira pelo Movimento Escola Sem Amianto (MESA), a associação ambientalista ZERO e pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF). Há 15 anos que a utilização desta fibra está proibida pela União Europeia, no entanto continua presente em alguns espaços públicos, incluindo escolas – o Governo não revela quantas.

Já esta semana foi lançada uma plataforma online para a denúncia de locais em que o amianto esteja presente. Garante os organizadores da petição que em poucos dias já lhes chegaram mais de 40 queixas, acreditam que vá aumentar.

O que é o amianto?

É uma fibra natural que suporta a altas temperaturas sem arder, durável e flexível. Tem ainda boas propriedades isolantes e muita resistência a ácidos e bactérias, refere a Quercus. A tudo isto junta-se ainda outro aspeto positivo: o baixo preço.

Há seis tipos de fibras de amianto: crisótilo (amianto branco), crocidolite (amianto azul), amosite (amianto castanho), antofilite, actinolite e tremolite.

Desde 2005, a União Europeia proibiu o uso de amianto. A diretiva 1999/77/CE que define “as disposições legislativas, regulamentares e administrativas dos Estados-Membros respeitantes à limitação da colocação no mercado e da utilização de algumas substâncias e preparações perigosas”.

“Considerando que a utilização de amianto e de produtos que o contenham pode, pela libertação de fibras, causar asbestose, mesotelioma e cancro do pulmão; que a sua colocação no mercado e utilização devem, pois, ser sujeitas às mais severas restrições possíveis”, pode ler-se na primeira das 15 considerações do documento.

Quais os riscos para a saúde?

Estima-se que entre 4 a 12% de cancros de pulmão se devam à exposição ao amianto. De acordo com DECO , em Portugal entre 2007 e 2012, morreram “218 pessoas vítimas de mesotelioma, um cancro provocado pela exposição ao amianto”. “O amianto tornou-se uma ameaça à saúde pública, pelo que a sua remoção deve seguir regras de segurança apertadas”, informa a associação de defesa dos consumidores.

Existem três formas de uma pessoa ser exposta ao amianto: por via cutânea, ingestão e inalação. A última é a mais perigosa (a ingestão, segundo a Organização Mundial de Saúde, não constitui perigo para a saúde), sobretudo quando os materiais se encontram em locais fechados e a ventilação do espaço é pior.

“Regra geral, a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde, desde que o material esteja em bom estado de conservação, não seja friável e não esteja sujeito a agressões diretas”, diz a Direção Geral de Saúde (DGS). No entanto, basta uma quebra, um corte ou uma perfuração do material para que “aumente substancialmente o risco de libertação de fibras para o ar ambiente”.

Há uma série de doenças associadas, uma vez que as diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos e, por isso mesmo, a exposição a qualquer tipo de fibra de amianto deve ser a menor possível.

“As fibras microscópicas de amianto podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde. Podem causar as seguintes doenças: asbestose, mesotelioma, cancro do pulmão (o fumo do tabaco poderá ser uma variável de confundimento, agravando a evolução da doença) e ainda cancro gastrointestinal”, pode ler-se na página da DGS.

Em que materiais está presente?

As fibras de amianto estão entre as mais utilizadas na produção de equipamentos para utilizações domésticas, industriais e no fabrico de materiais de construção, refere a Quercus.

De todas as utilizações possíveis, possivelmente, a mais conhecida de todas será nas telhas. Mas além disso na indústria da construção civil, segundo a DGS, está presente em pavimentos, placas de tecto falso, produtos e materiais de revestimento e enchimento, portas corta-fogo, portas de courettes, paredes divisórias pré-fabricadas, elementos pré-fabricados de fibrocimento, tijolos refratários, pintura texturizada, caldeiras e impermeabilização de coberturas e caleiras.

Já ao nível doméstico pode ser encontrado em isolamento de tubagens de água quente, de antigos aquecedores, fogões e ainda nos tectos. A Quercus acrescenta ainda alguns eletrodomésticos como torradeiras, fogões, aquecedores e secadores de cabelo anteriores a 2005, revestimentos de tábuas de passar a ferro, aventais, toalhas de mesa e têxteis.

Quando vai ser retirado?

O uso de amianto está proibido há quase 15 anos. Há casas e vários edifícios que ainda o têm e devem continuar a ter, uma vez que representa perigo quando é de alguma forma destruído. Esta fibra só deve ser retirada por profissionais.

Em 2016, o Governo comprometeu-se a retirar completamente os materiais com amianto das escolas. De acordo com uma lista inicial, cerca de 200 escolas em todo os país seriam alvo de obras e esses materiais retirados. Em janeiro deste ano, o ministro da Educação dava conta que 42 estabelecimentos de ensino ainda tinham amianto.

Esta semana, numa parceria entre a associação ambientalista ZERO, o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA) e a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), foi lançada uma petição pública para a remoção total de amianto das escolas e, numa semana, garantem, já receberam mais de 40 denúncias. O Governo admite que o processo ainda não está terminado mas não avança com números.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2019/11/perguntas-e-respostas-para-perceber-porque-e-perigoso-o-amianto-nas-escolas-e-nao-so/

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading