O que aprendi no Agrupamento de Escolas Cego do Maio – Alfredo Leite

O QUE APRENDI NO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS CEGO DO MAIO

Fomos convidados a dinamizar uma curta formação para docentes intitulada: O trabalho de equipa e a promoção do sucesso educativo. O objetivo que nos foi transmitido, passava por abordarmos algumas técnicas, além de incentivarmos os docentes a inovarem (ainda mais), criando mais e melhores projetos.

Estas formações geralmente são no fim de um dia de trabalho intenso destes professores. Reuniões, planificações e tantas outras questões burocráticas que passam despercebidas ao comum dos mortais que não conhece a realidade das escolas de hoje.

A maioria dos professores (e eram mais de 100!), demonstrou uma determinação fantástica, com atenção, dando o benefício da dúvida, querendo melhorar e tentado centrar-se nos pontos fortes da sessão.

Mesmo que o trabalho de equipa e a inovação pareçam não ser uma prioridade, num momento em que a indisciplina e as famílias colocam tantos entraves ao trabalho dos professores, souberam e conseguiram entregar-se. Obrigado!

O facto de termos pouco tempo para a formação, para nós é mesmo uma grande vantagem. Sabemos que o tempo é um bem precioso, principalmente para os docentes. Ainda mais nos dias que correm, com tanta instabilidade. Por isso, estudamos muito, para tentar passar ideias e técnicas importantes, sem perdas de tempo. Tantas formações e colóquios a que assistimos (porque queremos estar atualizados) e que são perdas de tempo, com Palestrantes que passam mais tempo a falar de si e dos seus projetos, do que de técnicas concretas, com Palestrantes com letras miudinhas no famoso PPT, demonstrando falta de empatia, com Palestrantes que, não sendo profissionais, vão apenas “quebrar um galho”.

Respeitar o tempo dos professores é tentar dizer o mais importante, da forma mais impactante. Este método traz riscos, claro. Cada professor tem a sua sensibilidade, a sua motivação para estar presente na formação. A linha entre “cairmos em graça” e “sermos engraçado” é ténue. Mas arriscamos pisar essa linha, porque acreditamos que agitar leva à transformação.

Aprendemos a ser corajosos exatamente com os melhores professores. Porque arriscam, estes também são muitas vezes mal compreendidos. Costumamos seguir o rasto dos que elogiam as nossas sessões. Os que elogiam, participam em projetos, têm dinâmica e são bem vistos pelos alunos (até onde podemos avaliar). Queremos ajudar todos, mas principalmente os que desejam melhorar.

No geral, os docentes sabem trabalhar em equipa, no entanto, todos precisamos de momentos para refletir, para vermos as coisas noutras perspectivas.

Depois, quem trabalha na educação, sabendo que existe neuroplasticidade (“capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo do desenvolvimento e quando sujeito a novas experiências”), tem que estar sempre preparado para melhorar. Mesmo no meio do furacão.

Diz-se que em  tempos de guerra não se limpam armas, mas não foi isso que vi neste Agrupamento de Escolas.

Vi grupo. Vi trabalho. Vi coragem.  Vi entrega. Vi preparação. Parabéns.

O QUE APRENDI NO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS CEGO DO MAIO…E QUE PODE SER ÚTIL PARA QUEM QUISER ORGANIZAR UMA FORMAÇÃO PARA DOCENTES

1 -Escolha um tema que ache pertinente. Siga a sua intuição, decida. Alguém tem que decidir. Decida;
2- Mesmo que já estejam bem, exija ainda mais. Suba os padrões;
3- Não espere marcar para um dia de pouco trabalho. Nas escolas, esse dia não existe;
4- Não há formações perfeitas, peça para os Docentes se centrarem nos aspetos positivos;
5- Informe que não é por existirem outros problemas (como as indisciplinas) que agora não se vai abordar novas temáticas;
6- Exija que o Palestrante (ou Formador) cumpra o horário.

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