O elevador fora de serviço – Maurício Brito

 

“O elevador fora de serviço.

Não é da Escola Pública – dos professores – a responsabilidade pela falha no seu papel de elevador social, como muitos indivíduos com responsabilidades no nosso país dizem ou insinuam com palavras mais ou menos coloridas e com maior ou menor frequência. E não entender que esse discurso manipulador e demagógico procura fazer da classe docente uma das principais culpadas pela estagnação social e pelos perigos que essa acarreta, é deixar-se enganar pelos que apenas pretendem fugir à responsabilidade das suas políticas fiscais e do desinvestimento nos sistemas de protecção ao desemprego.

As origens sócio-económicas e o capital humano das famílias – dos pais – são dos principais factores a condicionar uma carreira de sucesso aos nossos jovens, apesar de hoje em dia as habilitações académicas já não serem uma garantia para a mobilidade ascensional tal como eram há décadas atrás.

Daí a importância de compreender que os responsáveis pela proletarização da nossa sociedade são muitas vezes os mesmos que procuram responsabilizar os outros pelos seus pretensos erros, ocultando dessa forma a intencionalidade ou a ignorância das suas acções.

Ser demagogo é ser um mestre da manipulação. Resta saber quem aceita servir de fantoche.”

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5 comentários

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    • Pardal on 19 de Novembro de 2019 at 19:16
    • Responder


    “As origens sócio-económicas e o capital humano das famílias – dos pais – são dos principais factores a condicionar uma carreira de sucesso aos nossos jovens…”

    O que é isto?

    O texto é sobre o “elevador social” chamado “Escola Pública”. Face a isto justificamos a avaria no elevador com as origens sócio-económicas e o capital humano dos pais!!!!!!!….

    Não!… Nada disso… se o elevador não funciona é porque a avaria é intrínseca ao mesmo. Não procurem as causas da avaria em todos os sítios possíveis, menos no próprio elevador.

    Das duas uma ou o “elevador” está a funcionar mal porque se encontra com avarias várias e, se assim é, deve ser concertado ou o “elevador” deixou de cumprir a sua função porque sucumbiu e não é passível de voltar a desempenhar a sua função.

    Em que ficamos?

    Não procurem as causas do deficiente ou inexistente funcionamento do elevador no prédio ao lado.

      • João Manuel Sousa on 19 de Novembro de 2019 at 22:43
      • Responder

      Este Pardal causa náuseas!

      • Caça pardais on 20 de Novembro de 2019 at 16:04
      • Responder

      😅💤💤💤💤

    • Carlos Ferreira on 19 de Novembro de 2019 at 20:57
    • Responder

    É tão fácil ser demagógico!
    A educação é um direito, mas, para muitas famílias ainda é um dever aborrecido e dispensável, que só se cumpre porque é obrigatório, alunos destes contextos, têm menos vontade, motivação e interesse em “carregar nos botões do elevador”, muitos nem chegam ao andar do meio…
    Seria necessário todo um trabalho, sobretudo de intervenção social, económica, cultural, mas isso não interessa nada, é mais fácil culpar as escolas e sobretudo a incompetência dos professores que não motivam os alunos, fazendo jorrar a criatividade, o empenho e a dedicação esforçada de tão puras alminhas.
    Sim, porque dos 12 aos 16 anos, os jovens sabem muito bem o que querem, pena é que não queiram ler, escrever, estudar, pois não encontram nessas atividades nenhuma utilidade! Os políticos vão mostrando, pela sua ação/inação que, afinal, eles podem ter alguma razão!

    • Raju on 20 de Novembro de 2019 at 17:48
    • Responder

    Tenho uma dúvida. Se educamos estes adolescentes/ jovens a fazer apenas aquilo que lhes apetece, o que lhes vamos dizer quando tiverem as suas famílias para sustentar mas não lhes apetecer trabalhar? Quando precisarem de oferecer uma refeição aos seus filhos, ou aos seus pais, já idosos, e não virem interesse em cozinhar. Quando não virem interesse em fazer reciclagem, em respeitar as filas de espera em vários locais… não podemos educar a fazer apenas aquilo por que tem interesse em determinada idade. Só mais uma coisa, choca-me muito ouvir professores/diretores de escolas que muito do que se aprende na escola não tem interesse, nem utilidade. Eu sou do tempo em que o saber não ocupava lugar. Aliás a aprendizagem de muitos conteúdos que hoje alguns consideram inúteis, servem também para ser uma pessoa esclarecida e com sentido crítico. Mas isto é assustador para uns quantos e por isso estão a tentar convencer o “povo” de que a maioria dos conhecimentos são inúteis.

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