Como ajudar os pais a serem encarregados de educação

Comecem a levar às escolas pessoas experientes, de preferência também Pais, pessoas corajosas, criativas, com conhecimentos técnicos (psicólogos, sociólogos, professores,…), para dizer aos Pais o que eles precisam ouvir, mas sobretudo, de uma forma que eles escutem.

Levem convidados que não se preocupem com a “avaliação” que vai ser feita num questionário final. Convidados independentes para ajudarem a responsabilizar os Pais.

Levem convidados que ajudem com técnicas para os Pais enfrentarem os seus problemas, a sua falta de tempo e as suas dúvidas. Ninguém nasce sabendo como se vive.

No século XXI, a informação está aí.

Qualquer Pai, se quiser, faz uma pesquisa e sabe tudo sobre a importância das regras, sobre o valor do “não”, sobre a necessidade de haver afeto e disciplina…até há essas modas da “Parentalidade Positiva”, por exemplo. Só que isso NÃO chega. Atingir o coração e o cérebro dos Pais exige experiência, criatividade e coragem.

No Agrupamento de Escolas Cego do Maio, fizemos uma das centenas de Palestras que já dinamizámos de norte a sul do país. Mas fizemos como se fosse a primeira. Porque esta é a nossa paixão. Os ecos que nos chegam, os ecos que nos emocionam, as avaliações informais de muitos Pais, dizem : “Falámos de temas importantes, de forma leve. Obrigado! Estava a precisar!”.

Comecem a levar às escolas pessoas que responsabilizam os Pais. Todos ficamos com pena porque eram “só 60”, mas ontem seriam 20, e manhã serão mais. Ou não. Temos é que tentar. Responsabilizar os Pais é fundamental. E tem tanto de ciência, como de arte. Eu próprio, no meu papel de pai, também preciso de melhorar, claro.

Todos precisamos.

O mundo precisa conhecer os bons exemplos…A Associação de Pais, nesta Palestra, brilhava com entusiasmo pela sua reeleição, o que nos dá esperança para o futuro. Os diretores dos Agrupamentos têm missões complexas, dada a heterogeneidade do docentes ( e não docentes ) com quem trabalham. Eles motivam, sim, mas também precisam de ajuda. Nomeadamente dos Pais. Precisam de Pais envolvidos pela positiva. O diretor fez o seu papel. Muitos professores, também fizeram, porque vieram à sessão, como de Pais.

Parem de organizar sessões de xaxa, onde os Pais sentem que foram perder tempo, agravando a sua ausência de participação, porque as pessoas convidadas não estavam de corpo, alma, coração,suor, lágrimas, sangue e não apresentaram exemplos concretos com frontalidade, sem se esquecerem de referir que há problemas que necessitam de terapia.

Não fomos para agradar, ou para fazer amigos. Quando pararmos de suar, quando pararmos de ficar emocionados, quando pararmos de escutar com o corpo e de estar em relação com as pessoas, procuraremos outra ocupação.

Mas organizar sessões de xaxa, já é melhor do que nada! Porque o ditado está certo…Santos da casa, não fazem milagres…a vinda de pessoas de fora, pode ajudar. Mesmo uma sessão de xaxa tem pontos positivos. Nem que seja o convite que se manda. O repto lançado aos Pais, já é pedagógico, ficando na sua consciência quando não vão.

Felizmente, há cada vez mais e melhores psicólogos nas escolas. E, felizmente, estão concentrados na sua missão. Não é fácil “ser juiz em causa própria”. Por isso, acreditamos que chamar pessoas de fora, pode ser uma lufada de ar fresco.

Movidos pelo sucesso da sessão no Agrupamento de Escolas Cego do Maio, sentimos que contribuímos para agitar os Pais. Os Pais, os Assistentes Operacionais (e docentes que também são Pais), foram excelentes. Permitiram-se crescer. A mudança de comportamento dá-se, muitas vezes, sem termos noção dela.

Sabemos que não é esta a solução de todos os males, mas sabemos que uma boa Palestra, uma boa Formação, um Colóquio, uma boa Sessão de Sensibilização, é um contributo válido para o sucesso educativo. Nem que seja pelo exemplo dado aos alunos.

Motivar e estar Motivado. É um paradoxo falarmos disto aos Pais?

Os Pais deviam estar motivados e deviam saber motivar as crianças e jovens?

Pois não estão. E, muitas vezes, não sabem.

É o tal livro de instruções que não vem com os filhos. Mas os nossos avós não precisavam de Palestras?

Pois talvez não. Mas os tempos mudaram! E muito. Só não vê, o pior cego.

Há evolução. Há a tecnologia a dar-nos cabo do cérebro das crianças (quando mal utilizada). Há depressões e suicídios. E há o politicamente correto, esse monstro.

Mas e se não há verba? E se ninguém vem? Com quem vão deixar os filhos? O cão não vai comer os arranjos de mesa? Há 18 anos que escuto desculpas. E há 18 anos que escuto pessoas que arranjam soluções. Imaginem quem é que leva o mundo para a frente? E há os que ainda não conseguiram, mas estão a tentar.

Comecemos a ter coragem de dizer aos Pais o que devem fazer, com ideias para aplicarem. Claro que há alguns Pais que simplesmente não sabem mais. E há os que (até por doença mental), não conseguem fazer melhor. Mas há muitos que podem e devem melhorar. Vamos responsabilizar e informar

esses Pais. Com profissionalismo. Com criatividade, experiência e coragem. Parabéns a todas as escolas que estão a fazer um esforço.

Nesse fim de dia, dissemos algumas verdades. E vamos continuar a dizer. Da forma mais impactante, diremos o mais importante.

As crianças e jovens merecem.

Parabéns aos que foram. Parabéns aos que organizaram. Parabéns à escola, aos políticos (estavam presentes também de corpo e alma, o que nem sempre acontece), e a todos os Auxiliares que trabalharam a mais naquele dia, porque nada (além da chuva e pouco mais), cai do céu.

Sem a dose certa de erro, idealismo e de sonho, não vamos lá. Seremos todos cúmplices da degradação de que tanto se fala em surdina, se não tentarmos nada, ou se apenas fizermos publicações indignadas com o estado das coisas.

Alfredo Leite, Um Mundo Brilhante.

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