De facto, o 1º ciclo parece que anda na “berra”!
Tenho assistido a um interesse crescente pelo 1º ciclo, até já se fazem convenções e tertúlias. Fala-se sobre o número de alunos por turma, dos programas, das reformas… Até os Srs. ex-ministros, que na sua altura foram parte do problema, agora surgem com “ideias”… Ele é um corre, corre… Mas para que é que tudo isto servirá? Para onde levará o 1º ciclo?
Enquanto os senhores das “ideias” não se levantarem de detrás das suas secretárias, ricamente ornamentadas por estudos e mais estudos encomendados não se sabe muito bem a quem, não chegaremos a lado nenhum. Enquanto os profissionais, aqueles que todos os dias trabalham em sala de aula, não forem tidos nem achados sobre as reformas, vamos continuar a assistir a uma distorção do 1º ciclo, e não só.
O 1º ciclo necessita de uma reforma de fundo, nas suas bases. Mas essa reforma não pode sair de um qualquer gabinete, tem de sair de uma discussão entre os verdadeiros profissionais, aqueles que todos os dias entram nas salas de aula. São eles que sabem o que está bem e o que está menos bem, são eles que reconhecem as vantagens e as desvantagens da aplicação desta e de outra medida, eles são os especialistas. São reconhecidos por isso? Não. Mas são-no.
São esses profissionais que devem ter um papel ativo na discussão que, agora, parece estar na moda. Cabe-lhes a eles a responsabilidade de trazer a público as alternativas, credíveis, para que se execute uma reforma que, de uma vez por todas, assente nas necessidades que as crianças, a escola e até os governos (pelo menos dizem que sim) precisam para alcançar aquilo que todos querem, o sucesso das nossas crianças. Mas são esses profissionais, que não são ouvidos, que não têm palavra, que se resumem a aplicar aquilo que outros, sem qualquer experiência ou conhecimento real do que se passa nas escolas, têm decidido, que se põem de parte dessa discussão.
Até quando?
Até quando nos vamos manter como meros executores? Até quando o futuro do 1º ciclo vai estar nas mãos e na ponta da caneta de um qualquer burocrata? Porque é que ainda não foi constituída a Associação de Professores do 1º Ciclo? Porque é que têm de sair dos sindicatos as “ideias” de como realizar essa reforma? Porque é que têm de ser ou outros a falar por nós? Porque é que estamos calados?…
Isto não se aplica apenas ao 1º ciclo, há muitos outros grupos que sofrem do mesmo mal…
![Professor-aluno-cordas-bambas_03[1]](https://www.arlindovsky.net/wp-content/uploads/2015/05/Professor-aluno-cordas-bambas_031.jpg)




9 comentários
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PORQUÊ????
Porque não têm tempo para fazer barulho, estão completamente absorvidos, não pelos alunos, mas por tudo aquilo que lhes é pedido e que não contribui em nada para a sua valorização…
https://oduilio.wordpress.com/2015/05/20/a-questao-17-1-de-matematica-tem-nostalgia-das-escolas-de-aldeia/#respond
Concordo com a reflexão! A muita gente interessa o silêncio dos professores do 1º ciclo.
perguntem ás escolas superiores de educação privadas…
O silêncio e a cobardia coabitam na mesma casa, mas para mim o problema está centrado na falta de ideias e de vontades num ambiente de crispação constante e de corrupção politica.
No primeiro ciclo os professores ainda os aguentam.É praticamente o mesmo professor que os acompanha do 1º ao 4º ano. O pior é quando chegam ao 2º ciclo. Parece a música do Quim Barreiros “mete o carro, tira o carro…”. Entra na sala, sai da sala, entra noutra, o professor nem o conhece, é mais um número. É onde o caldo se entorna. Alguém ouve os professores no 2º ou no 3º ou ???…
Em 1988 já existia a Associação Nacional de Professores do Ensino Básico (com Lemos Damião/Deputado PSD). Posteriormente deixou cair “do Ensino Básico”…
Já há uma Associação Nacional de Professores do Primeiro Ciclo do Ensino Básico – associação profissional sem fins lucrativo.
E o que têm feito entretanto? Quando são as associações de professores de Português e Matemática a ser consultadas pelos media sobre os exames do 1º ciclo, está tudo dito…
Os professores, sejam de que ciclo forem, não interessam para além do votozinho em dias de eleições e dos impostos (que como qualquer outro cidadão) devem pagar… – ou já esqueceram os “professorzecos”???
Os supostos entendidos e doutores, dos gabinete/ dos cadeirões e dos estudos, repetem-se uns aos outros, citam-se uns aos outros, fundamentam-se uns com os outros e assim perpetuam-se uns aos outros como se, algures no tempo e no espaço, tivessem, efectivamente, desenvolvido ou trazido algo reconhecido e comprovadamente benéfico e contributivo para a melhora do sistema.
Quando andam “em baixa” ou quando se preparam armas para bater, mais uma vez, na Escola, reaparecem (que nem tordos) com aqueles ares de sabedoria, experiência e paternalismos para mais do mesmo, que é sempre o mesmo, tem sido e será sempre o mesmo e só não muda porque eles são sempre os mesmos.
Quanto aos professores… sem convicções, sem luta e no seus pequenos mundinhos… diria como a outra “são como o esparguete”.