30 de Maio de 2015 archive

Selva ou Selvajaria???

Direitos sem deveres é uma selvajaria e é nisto que a escola e o país se está a transformar.

Como é possível continuar a ter despesas com alunos e famílias que simplesmente não aproveitam os seus apoios?

Há uns dias fui chamado por uma colega à sua aula de apoio porque um dos meus alunos com NEE estava a desestabilizar a aula e a criar o caos. Claro que como toda a estupidez é contagiosa, aquela também estava a ficar e vários outros alunos estavam a alinhar no boicote.

Quando entrei na sala perguntei-lhes.

– Por acaso sabem onde estão?

– Numa aula de apoio de matemática. – responderam os alunos.

– Exatamente. Sabem quanto é que pagariam lá fora por uma explicação de matemática? -e dei-lhes um pequeno sermão.

A questão é que a escola oferece (impõe) tudo de “mão beijada” sem negociar e sem criar um marketing para isso.

Depois deste sermão o meu aluno retirou os cadernos da pasta e disse – Então vou aproveitar.

Claro que foi “sol de pouca dura” e não é uma ação isolada que nos leva ao sucesso.

“A sociedade não se muda por decreto” (Crozier 1979) mas por vezes alguns poderiam fazer a diferença.

Claro que algumas reformas no ensino também ajudavam.

 

 

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Caros Cidadões

Esta é uma mensagem do Presidente da República.

 

O Presidente da República, Cavaco Silva, falou durante uma visita aos concelhos de Tabuaço e Moimento da Beira. O chefe de Estado esteve na cerimónia de inauguração da Escola Básica de Moimenta da Beira, onde defendeu que as câmaras municipais devem receber mais responsabilidades na área da educação e apontou o exemplo da Inglaterra, onde viveu.

 

Temos que ter a coragem de avançar mais significativamente na descentralização em matéria das decisões escolares, assumindo as câmaras municipais acrescidas responsabilidades nessa área.”

 
O chefe de Estado lembrou que sempre foi “um defensor da descentralização do país em matéria de educação”.
 

Há muitos anos, quando era estudante, passei cerca de três anos em Inglaterra, os meus filhos andaram em escolas na Inglaterra, e aí, em York, onde eu estava, nenhuma escola estava à espera da colocação dos professores que chegasse do Ministério da Educação em Londres.

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Discriminação do Género no Desporto Escolar

Será por falta de “altura” dos responsáveis do Desporto Escolar pela não inclusão do basquetebol feminino nas competições internacionais?

Ou quando não há dinheiro corta-se sempre no elo mais frágil?

 
 

Discriminação de género na Participação nos Jogos da FISEC – Fase Internacional do Desporto Escolar

 

 

  1. Segundo ano consecutivo da não inclusão do basquetebol feminino na comitiva portuguesa que irá participar os Jogos da FISEC (Fédération Internationale Sportive de l’Enseignement Catholique) – Malta 2015 – Fase Internacional do Desporto Escolar.

 

  1. Confrontados in loco durante a realização dos Campeonatos Nacionais do Desporto Escolar em Lisboa (14-17/05/2015), os responsáveis ao mais alto nível do Desporto Escolar (Paulo Gomes – Coordenador Nacional; Jorge Rafael – Equipa de Elaboradores do Programa; Pedro Umbelina – Coordenador Nacional do Basquetebol) apenas “desconversaram” sobre o assunto, não apresentando sequer uma única justificativa oficial e/ou plausível para tal decisão…

 

  1. Apesar de não ter sido respondida desde o ano passado (junho 2014), apresentamos uma nova Exposição por Ofício, apontando graves e evidentes contradições entre o discurso preconizado no Programa do Desporto Escolar 2013-17 (Direção-geral da Educação – Ministério da Educação e Ciência) e as ações ocorridas na realidade concreta. Verifica-se uma clara discriminação negativa do género feminino, uma vez que nos dois últimos anos, apenas a equipa masculina campeã nacional é contemplada com a participação internacional. Por outro lado, há também a falta da alegada discriminação positiva, tendo em conta o desempenho do Colégio de Calvão (bicampeão nacional 1014-15 e vencedor de oito das onze últimas edições).

 

  1. Vejamos alguns trechos transcritos do referido Programa:

 

Ponto 6. – (…) “B – Estimular a procura do Desporto Escolar (– aumentar o número de praticantes no ensino secundário; – aumentar o número de praticantes na atividade interna e externa; – aumentar a taxa de feminização dos praticantes); e C – Qualificar a atividade do Desporto Escolar (– melhorar o desempenho desportivo dos alunos; – reforçar a articulação entre o Desporto Escolar e o currículo, destacando o seu papel na promoção do sucesso educativo, da inclusão e do combate ao abandono escolar; – aumentar a formação e atualização de conhecimentos dos intervenientes no Desporto Escolar) ”.

Colégio de Calvão possuí Atletas em atividade em todos os escalões etários femininos, vertente escolar e federada, parceria com a Associação Amigos do Colégio de Calvão (AACC). A qualidade do trabalho realizado ao longo destes 22 anos pode ser aferida pelos resultados do Desporto Escolar, bem como pela participação no Desporto Federado, apresentando nesse percurso várias atletas nos trabalhos dos Centros Nacionais de Treino (Calvão e Jamor), Seleções Nacionais (Campeonatos da Europa S-16, S-18 e S-20), e coletivamente com a conquista do Título Nacional de Juniores (2009).

 

Ponto 3 – (…)  “a) Tempo de prática – Reduzido número de horas de treino semanal, assim como a baixa frequência de momentos de competição ao longo do ano letivo; b) Incompatibilidade das atividades curriculares com as atividades de complemento curricular – A organização dos horários escolares nem sempre contempla os espaços para a dinamização de atividades desportivas internas e externas; c) Desarticulação com o Projeto Educativo – O Desporto Escolar nem sempre se integra, de forma articulada e continuada, no conjunto dos objetivos gerais e específicos do Projeto Educativo do agrupamento de escolas ou de escolas não agrupadas; h) Indiscriminação – Não existem mecanismos de discriminação positiva dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas com projetos de Desporto Escolar consistentes e coerentes com os objetivos dos seus projetos educativos, a qualidade das suas práticas e os resultados atingidos”.

 

O Colégio de Calvão contempla, através do Núcleo de Basquetebol, inúmeras iniciativas no sentido da promoção do Desporto Escolar, contrariando assim as alíneas a), b) e c) mencionadas acima. Entre outras, destacamos: 1) treinos semanais – mínimo 3 x 2 horas; 2) participação nas atividades do Desporto Federado – competição quase todos os fins de semana e participação de atletas em seleções distritais e nacional (parceria com a AACC); 3) adequação do horário escolar, calendário de avaliações e outras situações consoante os compromissos do Desporto Escolar; 4) inclusão do “Estatuto do Desportista de Competição” no Projeto Educativo do Colégio, que prevê, estre outros aspetos, quando necessário, o apoio diferenciado para compensar o volume de horas dedicadas aos treinos e jogos.

 

Quanto à alínea h), mesmo não sendo da nossa competência, cabe-nos solicitar que não seja esquecida a alegada descriminação positiva. Para além das inúmeras conquistas ao nível local e regional nos diferentes escalões, o Colégio de Calvão nos últimos onze anos sagrou-se oito vezes Campeão Nacional de Basquetebol de Juvenis Femininos. Num desses anos (2005), chegou mesmo a ser também Campeão Nacional de Iniciados Femininos, Fase Nacional infelizmente extinta. O direito (ou dever) conquistado em representar Portugal nos Jogos da FISEC, foi sempre concretizado com participações dignas e meritórias. Vejamos por alguns indicadores objetivos: – conquista da medalha de bronze (Lisboa, Portugal 2011); – campanhas com o mínimo de duas vitórias; – classificações por nós alcançadas sempre melhores do que as verificadas no escalão masculino nas edições em que participámos; – distinção do Prémio Fair Play (para a atleta Bruna Cunha) pela participação na competição e no fórum desportivo (França 2010).

 

Não podemos, por isso consentir que se aluda a falta de qualidade competitiva do sector feminino.

Os factos é que falam!

 

 

Programa do Desporto Escolar 2013/2017

 

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