Foram publicados ontem no site da APEVT uma série de documentos que assumem a posição dos professores de Educação Visual e Tecnológica na defesa da disciplina de EVT.
Para ler, clicar nos respetivos documentos.
Entretanto e que me perdoe a bicharada, o movimento da APEVT em defesa da EVT passou para 2º lugar em detrimento de um movimento que defende o fim das corridas de touros. É importante todos os professores apoiarem a causa da APEVT.
Porque entre a abolição das corridas de touros que acabou de ultrapassar o movimento em defesa da Educação Visual e Tecnológica sei muito bem o que escolher, que me perdoem os touros.
Um único reparo. Os números que analisei tendo por base as Estatísticas relativas ao ano letivo 2009/2010 havia 6890 docentes incluindo contratados a lecionar o grupo 240. Nesse ano ainda existia Área Projeto dada por dois docentes e na maioria das escolas com pelo menos 1 de EVT nesta área disciplinar. É possível que em exercício de funções em 2011/2012 existam pouco mais de 6000 docentes e não os 7000 que JAR fala.
Os professores de Educação Visual e Tecnológica recusam que a reforma curricular acabe com a disciplina no 2.º ciclo do Básico e afirmam que é uma medida sem justificação.
No rescaldo do encontro anual da Associação Nacional de Professores de Educação Visual e Tecnológica, que decorreu, sábado, em Aveiro, José António Rodrigues, presidente da associação, garantiu que os professores “vão continuar a defender a disciplina” e serão “pro-activos” na discussão pública da reforma.
A proposta de revisão de currículos do ensino básico e secundário lançada pelo Governo supõe o fim da disciplina no 9.º ano, que deixe de ser leccionada por dois professores e a sua divisão em duas disciplinas semestrais.
“Esta mudança não tem sentido porque não foi calculada nem justificada“, afirmou o docente, argumentando que, com as mudanças propostas, “perde-se tudo o que é a essência da disciplina, que existiu durante 20 anos“.
José António Rodrigues indicou que “não há estudo nenhum em que a disciplina não seja uma disciplina de sucesso ou que traga consigo grandes problemas de organização do sistema educativo ou no currículo do segundo ciclo do ensino básico“.
Os professores temem que aumente o desemprego uma vez que, a concretizar-se, a mudança implica a redução, em alguns casos a 50% – quando as escolas optem pelo modelo semestral -, das horas actualmente consagradas a Educação Visual e Tecnológica.
Em termos pedagógicos, “não faz sentido nenhum crianças com 9, 10 ou 11 anos estarem a frequentar disciplinas semestrais”, referiu.
Manhã
Tarde
Os 6 partidos com assento parlamentar estiveram presentes no painel da tarde, foi confrangedor ver algumas intervenções dos deputados que sustentam a maioria parlamentar. Estranha a reviravolta do PS que acabou por vir em defesa da EVT. Ele há coisas do diabo.
A esta questão que terá sido enviada por 300 pessoas num curto espaço de tempo.
“Professor Marcelo, depois de apresentada a proposta de reforma curricular, o Ministério da Educação e Ciência defende afincadamente a «redução da dispersão curricular». Se assim é, como é possível, no 5º e 6º ano, eliminar a disciplina de EVT criando duas novas (EV e ET) e ainda incluir a disciplina TIC, passando assim a existir 3 novas áreas curriculares?”
Mas como Passos Coelho diz que “cada oportunidade perdida é uma pequena tragédia” de que o país nunca recupera, e rejeitou que, em tempos de crise, a arte e a cultura devam ser subordinadas a outras prioridades, tenho confiança que Nuno Crato recúe na desvalorização da disciplina de EVT do currículo nacional, já que é “precisamente” em períodos como este que se deve “misturar ainda mais as nossas vidas com as artes e com a cultura”.
Actualmente a disciplina de EVT tem uma carga horária semanal que varia entre as 3 e as 4 horas. Em algumas escolas foi atribuída à disciplina de EVT uma carga semanal de 4 horas no 5º e no 6º ano, em alguns casos EVT ficou com 3 tempos letivos num dos anos de escolaridade e em algumas escolas os 3 tempos letivos foram atribuídas para os dois anos do 2º ciclo.
Tendo em conta que as horas são duplicadas pela existência do par-pedagógico, o número mínimo de tempos letivos que é usado pelos professores de EVT são de 6 tempos e o número máximo de 8 tempos letivos por turma.
O que esta alteração “intercalar” propõe para as novas diciplinas saídas da EVT é a redução para 3 tempos letivos por turma, distribuídos em 2 tempos para EV e 1 tempo para ET (sendo esta disciplina feita em alternância com TIC).
No caso de despedimento deste número de docentes o estado pouparia entre 59,5 e 83,3 milhões de euros anualmente. As contas têm por base um vencimento médio de 1700€ distribuídos por 14 meses.
No documento apresentado hoje à tarde ficaram algumas dúvidas que não foram esclarecidas.
Se EV fica apenas com um professor para um período de 90 minutos semanis é fácil perceber que a generalidade dos agrupamentos precisará apenas de 1 professor de EV para todo o 2º ciclo.
A dispersão curricular foi acrescida no 2º ciclo com a eliminação de uma disciplina (EVT) com a criação de 3 “novas” disciplinas (EV, ET/TIC), melhor não podia existir para quem considera um grande problema a dispersão curricular do 3º ciclo.
No documento não ficou defenido como funcionará o “Par disciplinar” ET/TIC, nos apontamentos que divulguei durante a tarde falou-se na alternância entre as duas disciplinas.
Em tempos referi que a ET poderia ser complementada com as TIC em desdobramento da turma enriquecendo assim o currículo desta nova disciplina, esta poderia ser uma boa solução, mas não me parece que o caminho a seguir seja este. há quem fale que este “par disciplinar” possa funcionar como opção e há quem ache que cada uma das diciplinas funcionará por semestre. Já li algures que os professores da “extinta” EVT lecionarão a nova TIC.
No fim desta apresentação penso que ficaram mais dúvidas no ar do que certezas. É bom que Nuno Crato mais logo no programa prós e contras sobre o ensino superior possa esclarecer estas dúvidas, caso contrário continuará a incerteza que terá de ser esclarecida numa entrevista num qualquer jornal nacional.
Tal como no início de 2011, os professores de EVT saberão dar a resposta adequada ao fim anunciado desta disciplina. Se em Março de 2011 os professores de EVT foram importantes para a decisão da suspensão do decreto Lei 18/2011, o início de 2012 irá ter novamente este grupo disciplinar a lutar pela sua existência e que terá marco importante no dia 7 de Janeiro em Aveiro no encontro nacional de professores de EVT.
O dia 7 de Janeiro será decisivo e marcará definitivamente o futuro desta disciplina. Hoje posso afirmar que lutarei com tudo o que tenha para manter a essência da disciplina de EVT no currículo nacional. Vou transmitir uma confidência de algo que se passou há cerca de um ano em conversa com um diretor regional qundo me disse que seria irreversível o fim do par-pedagógico em EVT, a resposta que dei foi: “veremos”. É certo que hoje contínuo professor de EVT e a pessoa em causa já não é Diretor Regional, apesar do grande respeito que mantenho por essa pessoa o trabalho dos professores de EVT ajudaram a essa mudança.
O que hoje também quero trasmitir é apenas isto: “VEREMOS” se isto ficará assim.
Quando vejo afirmações destas deixo de confiar em qualquer estratégia séria de alguns sindicatos para defesa dos professores junto do MEC. Para melhor se perceber o universo de docentes de EVT ver este post e analisar os seguintes quadros.
2009/2010 (página 133)
2008/2009 (página 141)
Clicar nas imagens para aceder aos documentos do GEPE sobre estatísticas em Portugal
O “TAMBOR” colocou neste post um texto que procura dar uma resposta ao anunciado fim da disciplina de EVT anunciada por Nuno Crato. Como não discordo desta ideia e porque pode ser complementada com outras propostas deixo aqui o seu texto e a minha ideia complementar a esta proposta.
A defesa da disciplina de EVT passa sobretudo por defender ET. A produtividade a capacidade técnica/produtora. O estímulo de competências empreendedoras de produção/criação de objectos utilitários, buscando materiais e suportes diversos, constitui um laboratório de experiências muito útil para o futuro no mercado de trabalho da grande maioria dos alunos. É nesta base pragmática, que deve assentar Revisão Curricular no que respeita a EVT. Políticos e economistas tem vindo, nos últimos anos, a alertar para a falta de qualificação técnica dos portugueses e as consequências que dai advém para a economia. Esta é uma das razões mais apontadas para o enfraquecimento da competitividade das nossas empresas relativamente às da Europa de leste ou às potências económicas emergentes.
A perigosidade do uso dos instrumentos e dos materiais na faixa etária com a qual trabalhamos, só por si, já justificam a manutenção do par pedagógico em ET, que aliás sempre existiu, mesmo antes do 25 de Abril. Basta imaginar turmas de entre 25 e 30 alunos, com idades a rondar os 10,12 anos, de ferramentas na mão, a cortar martelar e furar madeira ou metais em simultâneo com a supervisão de apenas um docente na sala! É quase uma caricatura à segurança no trabalho, que é curiosamente um dos conteúdos fundamentais do programa da disciplina no quadro da ET. Defendamos o que é justo, imprescindível e por isso mesmo defensável. Temos toda a legitimidade na defesa do par em ET.
Neste contexto considerem o seguinte:
– Colocação de professores de EVT no grupo 140 – Expressão Plástica do 1º Ciclo.
– No 2ºCiclo dividir a disciplina em duas, Educação Tecnológica e Educação Visual. Em que ET continuaria com par pedagógico e E.V com apenas 1 professor. Ambas com 90 minutos, ou seja 2 tempos lectivos cada. Ambas com 90 minutos, ou seja 2 tempos lectivos cada (actualmente EVT tem 180min correspondente a 4 tempos lectivos com 2 professores em permanência).
Estando a existência do par-pedagógico condenada à partida pela pressão externa na redução de despesa deixaria aberta a possibilidade da disciplina de ET ser feita em desdobramento de turma (Anual) com uma disciplina complementar para esse desdobramento na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (45 minutos) e na parte experimental das ciências nos restantes 45 minutos. Ganhava assim o currículo do 2º ciclo e a disciplina de ET.
Apesar de gostar de trabalhar em par-pedagógico, não coloco de parte a sua eliminação, desde que seja possível trabalhar com uma turma reduzida.
Hoje de tarde no FB da APEVT foi dado a conhecer que o grupo parlamentar do CDS-PP agendou para dia 7 de Novembro uma audiência com esta Associação Profissional. Conhecendo a posição assumida em pré-campanha eleitoral pelo CDS-PP espera-se que as posições deste partido, agora no governo, não sejam diferentes do que foram há meia dúzia de meses atrás.
Aprofundar a luta de EVT. Não Podemos barricar-nos. Ir à luta exige hoje: Vontade de lutar e uma visão estratégica de futuro
1 – A situação actual não pode apenas centrar-se e, muito menos esgotar-se, numa posição de resistência, mas antes, integrar a luta que temos de desenvolver hoje, numa perspectiva estratégica que passará pelos seguintes eixos:
– Defesa intransigente dos direitos socioprofissionais dos professores de EVT;
– Defesa e promoção do papel insubstituível das artes e das tecnologias na educação e no ensino básico;
– Intervir de forma proactiva no processo de reorganização curricular, não nos centrando numa posição de defesa e atrás da barricada, mas antes numa posição de intervenção exigente e de participação construtiva na política educativa.
2 – Assim, recusamos as decisões de qualquer política curricular intempestiva e de curto prazo, com origem num discurso demagógico, populista e oportunista que cavalgando a “crise” procure abrir caminho a decisões socialmente inaceitáveis.
Os efeitos das políticas curriculares sobre a sociedade só se conhecem verdadeiramente a médio e longo prazo, por isso, as alterações curriculares não podem conformar-se nos limites da conjuntura da “crise” financeira, económica e social.
Por outro lado, as políticas curriculares devem trazer estabilidade ao sistema, às famílias, às escolas, aos professores e aos alunos, as gerações do nosso futuro.
3 – Relativamente à reorganização dos ensinos básico e secundário, integramos o amplo movimento social e educativo que afirma a sua necessidade. Mas a revisão curricular é a principal âncora do sistema de ensino. Assim exige-se um forte acordo político e social de natureza estratégica, pois aquela requer estabilidade e continuidade nas políticas. A reforma curricular não pode estar ao sabor das mudanças políticas conjunturais resultantes dos ciclos políticos eleitorais.
Por isso defendemos e lutamos por um movimento social amplo – movimento sindical docente; associações científicas de professores; cientistas da educação e movimento associativo de pais e encarregados de educação, entre outros – que exija uma ampla participação social nas alterações e organização do currículo escolar.
A luta de EVT tem de desenhar-se neste quadro, de modo a garantir que a reorganização curricular integre e respeite as aquisições civilizacionais no ensino que fizeram da artes e das tecnologias dois pilares da educação da modernidade.
Consideramos que a problemática da defesa dos direitos profissionais dos professores deve por isso equacionar-se também nesta amplitude de modo a garantir uma mobilidade de docência nas áreas das artes e tecnologias em todos os ciclos do ensino básico. O que fazer neste contexto? Propostas para a acção: 1. A nível dos professores e escola: Desenvolvimento de iniciativas promotoras de uma ampla visibilidade educativa e social do papel da EVT / da Artes e das Tecnologias na formação das crianças e jovens … 2. A nível da APEVT Articulação com as associações científicas e socioprofissionais de professores Articulação com o Movimento Sindical Docente Organização, em curto prazo, de um Encontro Nacional dos professores de EVT
Se a intenção de acabar com o par-pedagógico na disciplina de EVT é pura e simplesmente reduzir para metade o número de professores da disciplina importa saber quantos contratados estão colocados neste grupo e quantos professores dos quadros existem em EVT.
Não tenho o número de docentes deste grupo em funções no entanto diz-se que existem 7 mil docentes dos quadros. O número de contratados até ao dia de hoje neste grupo são de 994 docentes, sendo que apenas 353 estão colocados em horários anuais e completos.
Destes 353 docentes, 286 foram reconduzidos de 2010/2011 para 2011/2012.
Se porventura o interesse do MEC for a redução aritmética para metade das necessidades para este grupo, poderão ficar numa situação muito complicada cerca de 4000 professores do grupo 240.
Existindo um compromisso de Nunco Crato de que nenhum docente do quadro será afectado então a alteração da disciplina de EVT não pode ser feita com um corte desta natureza.
Os professores de Educação Visual e Tecnológica vão insistir no pedido de audiência que fizeram em junho ao ministro da Educação e pedir o apoio dos grupos parlamentares para tentar salvar os postos de trabalho associados à disciplina.
Foi com preocupação, mas sem surpresa que os docentes hoje receberam a notícia de que o Governo PSD-CDS tenciona alterar a forma como é ministrada a disciplina – com dois professores por turma, num contexto de reorganização curricular e de contenção de custos.
Em entrevista ao jornal Público, o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, diz que compreende as vantagens de ter dois professores na sala, mas argumenta que o país não está em condições de suportar os custos associados a esta metodologia.
“Estamos em época de pensar se não se deverá separar curricularmente a Educação Visual e a Educação Tecnológica e os professores alternarem a docência”, admite Nuno Crato ao jornal.
Contactado pela agência Lusa, o presidente da Associação dos Professores de Educação Visual e Tecnológica (APEVT), José Alberto Rodrigues, considerou “uma manifesta incongruência do ministro” tais palavras e lamentou que a equipa do ministério ainda não tenha recebido a associação.
“Se o ministro diz que há uma dispersão curricular, como é que acaba com uma disciplina e cria duas?“, questiona o professor.
Os professores de EVT manifestaram-se na anterior legislatura frente à Assembleia da República (durante uma audição da então titular da pasta da Educação, Isabel Alçada) contra a intenção do executivo de acabar com o par pedagógico.
A medida foi na altura travada por toda a oposição.
José Rodrigues estima que haja atualmente 10.000 a 12.000 professores de EVT, dos quais apenas 400 contratados, pelo que a medida teria um impacto “muito significativo” se metade dos docentes deixasse de ter trabalho.
Apesar de não saber como tenciona o ministro operacionalizar a mudança agora admitida, o professor defende que não faria sentido uma divisão semestral, “tendo em conta as idades” em causa (crianças do 2.º ciclo).
Os professores de EVT reúnem-se a 15 de janeiro, num encontro nacional, em Aveiro, onde a questão estará em discussão.
Entretanto, vão sendo as redes sociais o palco para um debate que a mudança de Governo apenas deixou adiado.
Algumas correções à notícia foram feitas no FB da APEVT que passo a trancrever:
1. A audiência foi pedida em Julho;
2. O número de 400 foi avançado não em relação ao que citam mas sim em relação aos docentes a menos contratados este ano lectivo. Fazemos notar que o número de contratados que existe atualmente em EVT é bastante reduzido. Basta analisar a lista de reconduções e contratados;
3. O Encontro da APEVT não será a 15 de Janeiro. Foi informado que tinha sido realizado a 15 de Janeiro de 2011 e em breve seria realizado novo encontro em data a designar.
Não deixa de ser curioso que em final de Outubro tudo isto faça parte ainda de um pensamento. Não se muda uma disciplina de um dia para o outro e é preciso muito mais do que um pensamento para fazer uma reformulação curricular com este alcance.
Ao que parece estas duas disciplinas em 2012/2013 poderão desaparecer. A primeira poderá ser dividida em duas componentes e a segunda eliminada de vez do currículo.
Não deixando de ter uma posição corporativa (sou de EVT, embora tenha sido dos último a obter a minha certificação para Educação Visual) a única solução para terminar com o par-pedagógico é acabar com a disciplina conforme ela existe, foi este o parecer do Conselho Nacional de Educação e uma das exigências da APEVT quando da defesa do par-pedagógico.
Não acho que a solução seja distribuir os 180 minutos da EVT por 90 minutos de EV e outros 90 para TM. A exigência do trabalho na disciplina com uma vertente mais técnica não pode ser feita com grupos de alunos que podem mais cedo ou mais tarde atingir os 30 por turma. Se é possível, embora difícil, trabalhar a parte visual com uma turma inteira já o mesmo não acontecerá na área tecnológica. Neste caso seria aconselhável efectuar o desdobramento das turmas de forma a ser possível nesta área trabalhar com um grupo mais reduzido.
Penso que a TIC neste caso pode ser um importante apoio na nova disciplina a criar. Se a área tecnológica deve ter um predominante trabalho manual penso que nos dias actuais pode ser usada a tecnologia de informação e comunicação em desdobramento com a área tecnológica da EVT.
Não me parecia mal que o novo currículo do 2º ciclo tivesse uma educação visual com 3 tempos lectivos e uma educação tecnológica com outros 3 tempos lectivos sendo que esses tempos pudessem ser feitos em desdobramento entre o trabalho manual/artesanal e a tecnologia da informação e comunicação.
Esta solução permitia uma melhoria na distribuição do currículo com algum ganho orçamental eliminando a disciplina de TIC no 9º ano e trazendo-a para um espaço mais adequado do currículo nacional.
Nuno Crato, revela que as duas medidas principais que estão a ser estudadas, no âmbito da reforma curricular do ensino básico e secundário, são a supressão da disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no 9.º ano e a divisão de Educação Visual e Tecnológica em duas componentes separadas no 2.º ciclo.
Tenho bastante curiosidade em ler a entrevista de Nuno Crato ao Jornal Público no dia de amanhã. Se o caminho para a eliminação do par-pedagógico no 2º ciclo for o de separar as duas componentes com disciplinas próprias (como funcionava a Educação Visual e os Trabalhos Manuais) até pode vir a ser aceitável mas desde que a componente tecnológica seja trabalhada em desdobramento de turmas.
“não estamos em época de ter dois professores em sala de aula” e que se deve antes pensar em “separar curricularmente a Educação Visual e a Educação Tecnológica e os professores alternarem a docência”.
Considerando a possibilidade da leccionação da disciplina de Educação Visual e Tecnológica vir a ser ministrada apenas por um professor. Considerando ainda que esta medida trará menor qualidade no ensino/aprendizagem relativamente aos conteúdos a leccionar nesta área curricular. Venho solicitar ao governo em particular à Senhora Ministra da Educação e ao Senhor Primeiro Ministro, que reconsiderem a entrada em vigor desta medida, porque resultará da sua aplicação menor qualidade no ensino da disciplina, por um lado, e muitos professores desempregados por outro, o que se lamenta.
Os signatários
De há algum tempo a esta parte é costume os interessados serem os últimos a saber das propostas do governo e a não terem conhecimento formal, mas neste caso parece que também informal, das materias negociais que lhe digam respeito. A Associação de Professores de EVT (APEVT) foi surpreendida com a vontade do Ministério da Educação em eliminar o par-pedagógico da disciplina de EVT tendo obtido conhecimento através da Internet e redes sociais.
Espero que a defesa da eliminação do par-pedagógico não se centre pela APEVT na questão da perda de postos de trabalho e com a denuncia economicista ao governo em reduzir os custos na educação como parece estar a ser seguido pela Fenprof. A APEVT deve procurar o seu caminho, justificando-se na especificadade do grupo disciplinar e fazendo uma abordagem histórica das várias transformações a que foi sujeita esta disciplina.
Enquanto professor de EVT estou certo que essas são as respostas necessárias de forma a desmontar esta vontade do governo que não deve ter muitos adeptos dentro do Conselho Nacional de Educação.