Debate em torno de EVT

O “TAMBOR” colocou neste post um texto que procura dar uma resposta ao anunciado fim da disciplina de EVT anunciada por Nuno Crato.  Como não discordo desta ideia e porque pode ser complementada com outras propostas deixo aqui o seu texto e a minha ideia complementar a esta proposta.

A defesa da disciplina de EVT passa sobretudo por defender ET. A produtividade a capacidade técnica/produtora. O estímulo de competências empreendedoras de produção/criação de objectos utilitários, buscando materiais e suportes diversos, constitui um laboratório de experiências muito útil para o futuro no mercado de trabalho da grande maioria dos alunos. É nesta base pragmática, que deve assentar Revisão Curricular no que respeita a EVT. Políticos e economistas tem vindo, nos últimos anos, a alertar para a falta de qualificação técnica dos portugueses e as consequências que dai advém para a economia. Esta é uma das razões mais apontadas para o enfraquecimento da competitividade das nossas empresas relativamente às da Europa de leste ou às potências económicas emergentes.
A perigosidade do uso dos instrumentos e dos materiais na faixa etária com a qual trabalhamos, só por si, já justificam a manutenção do par pedagógico em ET, que aliás sempre existiu, mesmo antes do 25 de Abril. Basta imaginar turmas de entre 25 e 30 alunos, com idades a rondar os 10,12 anos, de ferramentas na mão, a cortar martelar e furar madeira ou metais em simultâneo com a supervisão de apenas um docente na sala! É quase uma caricatura à segurança no trabalho, que é curiosamente um dos conteúdos fundamentais do programa da disciplina no quadro da ET. Defendamos o que é justo, imprescindível e por isso mesmo defensável. Temos toda a legitimidade na defesa do par em ET.
Neste contexto considerem o seguinte:
– Colocação de professores de EVT no grupo 140 – Expressão Plástica do 1º Ciclo.
– No 2ºCiclo dividir a disciplina em duas, Educação Tecnológica e Educação Visual. Em que ET continuaria com par pedagógico e E.V com apenas 1 professor. Ambas com 90 minutos, ou seja 2 tempos lectivos cada. Ambas com 90 minutos, ou seja 2 tempos lectivos cada (actualmente EVT tem 180min correspondente a 4 tempos lectivos com 2 professores em permanência).

Estando a existência do par-pedagógico condenada à partida pela pressão externa na redução de despesa deixaria aberta a possibilidade da disciplina de ET ser feita em desdobramento de turma (Anual) com uma disciplina complementar para esse desdobramento na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (45 minutos) e na parte experimental das ciências nos restantes 45 minutos. Ganhava assim o currículo do 2º ciclo e a disciplina de ET.

Apesar de gostar de trabalhar em par-pedagógico, não coloco de parte a sua eliminação, desde que seja possível trabalhar com uma turma reduzida.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2011/11/debate-em-torno-de-evt/

24 comentários

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    • Xana on 5 de Novembro de 2011 at 14:16
    • Responder

    São propostas que merecem consideração e análise. Embora me pareça que o exemplo das madeiras não é o mais indicado… Eu nunca conheci professores de EVT que trabalhassem com madeiras.

    • Caty on 5 de Novembro de 2011 at 14:53
    • Responder

    Xana nunca conheceu professores de EVT que trabalhassem em madeira???? Posso lhe dizer que como docente que sou desta disciplina, além de se trabalhar em madeira, trabalho com outros materiais, nomeadamente metal, barro, plástico, papel, entre outros….escusado será perguntar que professores conhesse a Xana de EVT!!!!

    • Ups!!! on 5 de Novembro de 2011 at 16:50
    • Responder

    Xana aqui vai o programa de EVT.
    http://ensinarevt.com/evt/index.html#
    Cumprimentos

    • TAMBOR on 5 de Novembro de 2011 at 18:01
    • Responder

    Penso que a tua ideia realmente enriquece aquela que subscrevo e por isso te felicito! O único problema é que estaríamos a criar 4 disciplinas para substituir 1 e isso resultaria numa dispersão curricular muito acentuada que para alunos tão novos seria um pouco complicada de gerir!

    • Xana on 5 de Novembro de 2011 at 21:52
    • Responder

    Pois não digo que não haja quem trabalhe, embora eu nunca tenha visto. Por exemplo, também não conheço quem trabalhe com barro, gesso… A minha ideia (e pelos vistos estou errada) é que as características da utilização desses materiais tinham contribuído para que fossem preteridos. Uma das características seria precisamente (no caso das madeiras) a perigosidade.

    Quanto ao programa de EVT, pelo que percebo os pares pedagógicos fazem opções, à semelhança das modalidades desportivas trabalhadas em Educação Física. Logo, nessas opções, a madeira não é das mais privilegiadas e foi isso que eu quis dizer.

      • TAMBOR on 5 de Novembro de 2011 at 23:44
      • Responder

      Sim os colegas de EVT fazem opções. E é também por isso que defendo que o programa deveria ter um carácter obrigatório e não flexível como infelizmente é. Os conteúdos a abordar e as técnica e materiais deveriam ser obrigatórios já a forma como eram tratados claro seria definida por cada professor ou par. Veria como as outras disciplinas nos olhariam de outra forma e deixaríamos de ser “pau para todo o trabalho” ( festinhas do tremoço, painéis para o dia do pinguim). Ás solicitações estapafúrdias diríamos logo – desculpe mas tenho de cumprir o programa, não tenho tempo. Acham que o currículo flexível é encarado como pelos colegas?
      Colocaram – nos esta liberdade de escolher e isso não foi mais do que uma maçã envenenada, porque se não sabe, eu vou lhe dizer – a coisa mais difícil que podemos de enfrentar é a nossa liberdade, quando a vivemos com responsabilidade. Muitos foram os colegas que ignoraram a ET durante estes anos. Porque era mais fácil trabalhar no papel e mesmo porque os currículos das ESES e Piaget pouco ou nada nos ensinaram. Estavam a formar artistas de vanguarda fantástico! Veja o resultado agora, queremos defender a disciplina (EVT) pela metade. As artes, o ensino artístico a formação integral do individuo…blá blá blá. E os Trabalhos Manuais HELLOOO. Acha que tudo isto passou ao lado dos colegas e da sociedade. Foi tempo demais e á custa disso ainda abusaram dos nossos préstimos. Agora, agora somos dispensáveis, estamos em crise é tempo de acção e de trabalho não é tempo de ornamentos e decorações.

    • on 5 de Novembro de 2011 at 21:56
    • Responder

    … e depois…docentes do 240 com habilitação pra isto tudo!!!Já pensaram nos concursos? Confuso!!!!!!

    1. Não querendo ser egoista também estou a pensar nos docentes do 550, se bem que muitos docentes do 240 já possuam formação especializada, mestrados ou doutoramentos em TIC. Só na minha escola estão 2 nesta situação.

        • profitic on 6 de Novembro de 2011 at 0:17
        • Responder

        A malta de EVT já está a ver se “afiambra” as horinhas duma possível nova disciplina de TIC é? Olhem que eu também tenho uma pós-graduação em trabalhos manuais (faço com a direita e depois com a esquerda), será que não ficam chateados se eu for tirar lugar a um licenciado da vossa área? Tenham vergonha pá.

          • TAMBOR on 6 de Novembro de 2011 at 0:34

          O povo é sereno profitic. Apenas buscamos soluções. Isto está mau para todos!

    • Ups!!! on 5 de Novembro de 2011 at 22:02
    • Responder

    A colega pelos vistos não conhece mas é a disciplina. Características, perigosidade, materiais preteridos, modalidades desportivas? Desculpe qualquer coisinha mas deve conhecer muito poucos colegas de EVT. Já agora Xana onde fez a sua formação de base?

      • Xana on 7 de Novembro de 2011 at 15:02
      • Responder

      O Tambor já me respondeu e muito bem. Ele é professor de EVT e o que disse merece toda a credibilidade. I rest my case.

    • Ups!!! on 5 de Novembro de 2011 at 22:12
    • Responder

    Zé, o que aqui se está a tentar, segundo creio, é debater soluções, concordo que possa existir alguma confusão, mas mais confusão criou o Crato com aquilo que disse. Contudo as propostas enunciadas aqui em concreto, não me parecem assim tão más, com o devido polimento chegamos lá.

    • Ups!!! on 5 de Novembro de 2011 at 22:27
    • Responder

    Arlindovsky, aquilo que referes foi o meu entendimento inicial quando propões o desdobramento com as TIC. Podes esclarecer melhor a questão da parte experimental das ciências ?

    1. Actualmente a legislação já prevê o desdobramento das turmas no 2º ciclo na disciplina de ciências para o trabalho prático e ou experimental, embora não seja comum que as escolas o façam.

      3.6 – desdobramentos:
      Quando o número de alunos for superior a 15, é autorizado o desdobramento de turmas:
      na disciplina de Ciências da Natureza do 2.º ciclo e nas disciplinas de Ciências Naturais e Físico-Química do 3.ºciclo, no tempo correspondente a um bloco de noventa minutos, exclusivamente para a realização de trabalho prático e ou experimental a desenvolver com os alunos.

      http://w3.dren.min-edu.pt/OfCirc/2011/OfCirc_05_11.pdf

        • Xana on 7 de Novembro de 2011 at 15:03
        • Responder

        Esta do trabalho prático é uma balela. Mas qual trabalho prático em Ciências Naturais? Com que materiais? Em que laboratórios?

    • Joana Silva on 6 de Novembro de 2011 at 0:42
    • Responder

    Caros “Tambor” e “Arlindovsky” deixem de dar tiros nos pés.
    No atual contexto económico e social o argumento central p a defesa de EVT, como disciplina fundamental , é:
    = A importância do desenvolvimento de processos de investigação-projeto-realização-avaliação, com recurso a materiais e suportes diversos q faça apelo da criatividade e q contribua p o empreendorismo, p o conhecimento do mundo do trabalho e p a aquisição de competências tecnológicas=.
    Se o problema é ter 2 prof na sala a solução é só uma: desdobrem a turma ao longo de todo o ano (isso da disciplina alterantiva só ia dispersar e complicar a vida dos alunos). Façam sentir q é absoluta/ necessário muita “mobilidade” na sala de aula no apoio ao desenvolvimento dos projetos dos alunos.
    Lembrem-se q muitas “vozes” entendem q EVT n faz sentido existir.
    É importante dizer a essas “vozes” q a educação tecnológica existe nos países mais avançados social e tecnologicamente.

    1. Esqueces-te de um pormenor. Quando se pensa em desdobramento tem de existir alguma outra disciplina para esse desdobramento. Ou achas que ficava metade de uma turma em EVT e a outra metade ficava a passear?

        • JOANA SILVA on 6 de Novembro de 2011 at 16:52
        • Responder

        Digo: Metade da turma c 1 prof numa sala e a outra metade c outro prof noutra sala.
        Isto sim possibilitaria o apoio ao desenvolvimento de projetos inovadores e com ligação ao mundo do trabalho.

        Tenhamos consciência de uma coisa: EVT p sobreviver tem de demonstrar q é util no atual contexto económico e social, q é um espaço de oportunidade de os alunos resolverem problemas e se confrontarem com situações do mundo real.

          • Xana on 7 de Novembro de 2011 at 15:06

          Joana, o problema é o custo de ter 2 professores em simultâneo para uma disciplina. Se eles pensassem melhor, também os têm no Estudo Acompanhado, mas não pensam nisso…

    • profitic on 6 de Novembro de 2011 at 20:09
    • Responder

    Cuidadinho. É piar fininho. Eles “andem” aí…

    http://erte.dgidc.min-edu.pt/

    • profitic on 6 de Novembro de 2011 at 20:25
    • Responder

    Por acaso não foi um dos “jeitosos” webdesigners de EVT – com pós-graduação em TIC, atenção! – que fez o site do ERTE? Se calhar na pós-graduação não lhes falaram em scripts, xss e etc.

    1. Se te preocupares demasiado que professores dos quadros de outros grupos diciplinares com habilitações (por enquanto legais) poderem dar a disciplina de informática, podes ainda correr o risco de não sobrar essa disciplina para ninguém, nem para ti.

      • Ups!!! on 7 de Novembro de 2011 at 16:27
      • Responder

      Se te preocupas com a tua disciplina dá aqui algum retorno útil não comeces a falar dos outros colegas dessa maneira, fica-te mal. Ou fica-te bem se estiveres do lado deles (Dos troikanos,cratianos e outros malfeitores que nos querem por uns contra os outros)

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