Opinião – Se houvesse ministro da Educação… – Santana Castilho

 

 Se houvesse ministro da Educação…

Houvesse ministro da Educação e isto nunca teria acontecido.

1. Em 25 de Agosto passado, muitos professores do quadro foram colocados a centenas de quilómetros da residência. A 6 de Setembro, outros menos graduados profissionalmente ficaram com os lugares dos primeiros. Seguiram-se acções em tribunal, declarações e manobras políticas e pronunciaram-se os importantes: Presidente da República, primeiro-ministro e provedor de Justiça. Foram sensibilizados todos os grupos parlamentares e fizeram-se eficazes manifestações de rua. Quase quatro meses volvidos, os ludibriados são apenas candidatos ao novo ludíbrio de um ilegítimo e inútil concurso extraordinário. Houvesse ministro da Educação e isto nunca teria acontecido.

2. Os professores do ensino artístico especializado foram sempre objecto de tratamento segregador em sede de contratação e carreiras. Em vez de lhes aplicar a legislação que regula o exercício profissional dos outros professores, a tutela considera-os como técnicos especializados.

Lendo o actual projecto de decreto-lei para regular a contratação dos professores do ensino artístico, parecem claras duas intenções: institucionalizar a desigualdade entre estes docentes e os das outras áreas e conferir aos directores das respectivas escolas um poder discricionário e não sindicável para decidirem quem contratam. Trata-se de retomar, em permanência, uma espécie de bolsa de contratação de escola, que legitime a falta de habilitação exigível para se ser professor. Houvesse ministro da Educação e não seria assim.

3. Os direitos a licença sabática e a equiparação a bolseiro desapareceram. Cada vez mais, o Ministério da Educação conta menos na definição das políticas que influenciam a carreira dos docentes. Neste momento, está à margem dos critérios que estabelecerão o nível de estrangulamento à progressão aos 5.º e 7.º escalões. Ano a ano, com todo o poder discricionário à mão, é o Ministério das Finanças que quer decidir. Nem percentagens mínimas aceita fixar. Houvesse ministro da Educação e o estatuto da carreira docente não se teria transformado em estatuto de deveres, apenas.

4. Para o secretário de Estado João Costa, a descida dos resultados no PIRLS é da responsabilidade das políticas de Nuno Crato. Para Nuno Crato, as políticas facilitistas de João Costa não serão alheias ao facto.

Nesta polémica, Nuno Crato e João Costa convergem na asneira e divergem na fé. Um pontificou entregue às metas. O outro comunga no altar das competências. Ambos se têm por sacerdotes pedagógicos de um só dogma. Um já passou e o outro vai passar sem perceberem para que servem os professores. Sem perceberem que não se reforma sem implicar os professores. Sem perceberem que não se melhora o desempenho dos alunos piorando as condições de trabalho dos professores. Houvesse ministro da Educação e esta guerra de alecrim e manjerona teria sido substituída pela análise, possível e séria, dos resultados do PIRLS.

5. O país não tem dúvidas sobre a qualidade inaceitável da alimentação que muitas escolas servem às crianças. Pais, professores e muitos directores desejam que as escolas voltem a ter serviços autónomos para confeccionarem as refeições. O Bloco de Esquerda apresentou na AR um projecto de resolução para o permitir. O PS aliou-se ao PSD e ao CDS para o impedir. Argumento maior? O custo da rescisão dos contratos com as respectivas empresas. Houvesse ministro da Educação e não teríamos lagartas passeantes e frango cru chinês nos pratos das nossas crianças.

 

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4 comentários

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    • Agnelo Figueiredo on 13 de Dezembro de 2017 at 22:52
    • Responder

    Alguém vai ter de lançar uma petição ao Costa, para que nomeie este senhor para o lugar do ministro Tiago. Até o ser, continuará a viver amargurado.

      • CJ on 14 de Dezembro de 2017 at 16:56
      • Responder

      Sabemos que o diretor Agnelo vive feliz. Não dá aulas há décadas, foi aumentando pela famigerada mlr, em escandalosos 100%, e tem toda a autonomia do mundo para infernizar a vida aos ex-colegas (os Zecos).
      Tem ainda, patrocinada pela geringonça, a garantia de que até à reforma não terá de trabalhar (leia -se lecionar, naturalmente) nem sujeitar-se a eleições.
      Nota: …mas agnelos há muitos por este país… a esmo.

        • Agnelo Figueiredo on 14 de Dezembro de 2017 at 19:52
        • Responder

        Anda a Mangualde ver como infernizo a vida dos zecos, meu filho da puta.
        Se, ao menos, tivesses tomates para sair do anonimato…

          • Virgulino Cangaceiro Lampião on 16 de Dezembro de 2017 at 1:12

          É diretor de uma escola? Quem assim fala, nem porteiro de casas de alterne deveria ser.

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