Comunicado dos Diretores dos AE/ENA

Os Diretores de Lisboa manifestam a sua estranheza e profundo descontentamento relativamente ao comunicado divulgado pelo Júri Nacional de Exames/EduQA sobre o processo de classificação das provas dos exames nacionais.
Importa recordar que os problemas agora verificados não surgem sem antecedentes. Já nas provas-piloto de ensaio à classificação digital, e de forma ainda mais evidente no exame nacional de Filosofia do ano anterior, foram identificadas fragilidades graves na plataforma, provas que simplesmente não apareciam disponíveis para os professores classificadores, atrasos na sincronização de dados e falhas no acesso ao sistema. Esses episódios constituíram avisos claros de que a infraestrutura tecnológica não estava preparada para uma implementação em larga escala.
Depois de o próprio JNE/EduQA ter reconhecido os constrangimentos técnicos que marcaram o arranque do processo de classificação digital das provas e que determinaram atrasos na disponibilização das respostas aos professores classificadores, causa-nos perplexidade que uma parte significativa do comunicado hoje divulgado seja dedicada a enfatizar as responsabilidades das escolas na atualização da informação relativa aos docentes.
O problema central é inequívoco. A plataforma de classificação digital falhou. As provas não aparecem. Os professores classificadores ficam à espera, sem conseguir aceder ao trabalho que lhes compete realizar. Esta é a questão que deve estar no centro de qualquer comunicação institucional, não o trabalho administrativo das escolas, que foi, como sempre, cumprido.
As direções dos agrupamentos de escolas cumprem, todos os anos, com rigor e elevado sentido de responsabilidade os procedimentos que lhes são solicitados no âmbito do programa ENES, ENEB e MODEB, assegurando a atualização da informação relativa aos docentes, a comunicação das situações de impedimento e a permanente articulação com os agrupamentos do Júri Nacional de Exames.
Por esse motivo, consideramos desadequado que, num momento em que os constrangimentos reconhecidos resultam de dificuldades técnicas e operacionais do novo modelo de classificação digital, o comunicado possa ser interpretado como estabelecendo uma relação entre esses problemas e o trabalho desenvolvido pelas escolas.
As escolas não estiveram na origem dos atrasos verificados. Pelo contrário, têm demonstrado, uma vez mais, uma enorme capacidade de adaptação, reorganizando procedimentos, apoiando os professores classificadores e assegurando, em simultâneo, o encerramento do ano letivo e a preparação do próximo, apesar das sucessivas alterações introduzidas neste processo.
Os Diretores dos Agrupamentos de Escolas de Lisboa defendem que cada instituição deve assumir, com transparência e sentido de responsabilidade, as competências que lhe cabem, preservando uma relação de confiança e de respeito institucional entre todos os intervenientes.
Reiteramos a total disponibilidade das escolas para continuar a colaborar com o Júri Nacional de Exames e com o EduQA, mas entendemos que essa colaboração deve assentar no reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas direções escolares e pelos seus profissionais, evitando comunicações que possam suscitar interpretações injustas quanto ao papel das escolas neste processo.
Num momento particularmente exigente para toda a comunidade educativa, apelamos a que a comunicação institucional seja clara, equilibrada e contribua para reforçar a confiança no sistema de avaliação externa, valorizando o empenho e o profissionalismo de todos aqueles que, diariamente, asseguram o seu funcionamento. Esse reforço de confiança passa, necessariamente, por assumir com clareza onde residem as responsabilidades e, neste caso, residem na plataforma que falhou, não nas escolas que a tentaram utilizar.
Os subscritores,
Adriana Guerreiro, Alberto Veronesi, Amílcar Albuquerque, Ana Lisa Vaz, Ana Noronha, Ana Noronha, Anelia Gurova, Artur Ferreira, Belandina Vaz, Carla Baptista, Carla Monereo, Cristina Maurício, Cristina Sério, Dina Paulino, Fátima Cardoso, João Lourenço, João Paulo Leonardo, José Robalo, José Sendão, Lília Aguiar, Luís Mocho, Maria Caldeira, Nuno Baião, Ricardo Frias, Rosária Alves, Susana Santos, Vasco Gonçalves.

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2 comentários

    • Dejá vu on 29 de Junho de 2026 at 11:12
    • Responder

    Oh lecas, assim é que é falar! Os diretores não são ratos perante o poder. Se todos fossem assim havia mais justiça na educação.
    Ponham os olhinhos em Lisboa senhores diretores do resto do país. Sobretudo o de vila nova de Gaia que está sempre pronto para colaborar.

      • Zeco on 29 de Junho de 2026 at 11:27
      • Responder

      DEMITAM-SE !!!
      Isso nunca farão. Não abdicam dos incomensuráveis privilégios.
      Preferirão sempre o papel ratos lacaios do MECI e algozes dos zecos.

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