Com um recado bastante forte para a Fenprof.
O acordo rubricado traduziu-se na salvaguarda da discricionariedade que resultaria da caducidade do anterior e consequente inexistência de regulação das relações laborais nos estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo.
Seguiu-se uma campanha de desinformação levada a cabo por outros e que um ano depois resulta com que 30 por cento dos professores deste subsistema fiquem agora desprotegidos e apenas regulados pelo Código do Trabalho.
Afinal, quem defende quem?
Reconhecendo que o novo acordo continha matérias que não correspondiam às nossas reivindicações, a verdade é que com o novo CCT os professores não ficavam à mercê das arbitrariedades patronais e ficavam salvaguardados em matérias tão relevantes como o desenvolvimento das suas carreiras, regulação de tempos de trabalho e relações laborais.
Numa manifesta campanha de desinformação, a Fenprof, sem se preocupar com as consequências que esta atitude autista determinava para os educadores e professores, incentivou os seus sócios e muitos outros professores a não aderir ao mesmo e teceu as mais duras críticas ao papel que a FNE desenvolveu em prol dos seus associados.
Volvido cerca de um ano e falhados todos os expedientes legais para adiar o inevitável, a Fenprof viu o seu CCT caducado este mês, com prejuízo irreparável para os seus associados e para muitos professores que foram atrás da ilusão vendida em campanhas insultuosas contra a FNE
Estão agora os educadores e professores não aderentes ao CCT da FNE, publicado em 15 de julho de 2014, desprotegidos e apenas abrangidos pelo Código do Trabalho com todas as consequências que isso determina. Nomeadamente a ausência de uma carreira e correspondentes remunerações, sem progressão; a não contagem do tempo de serviço para carreira; vencimentos arbitrários fixados pela entidade patronal; caminho aberto para a fixação de quarenta horas de trabalho semanal; banco de horas fixado pelo Código de Trabalho no estabelecimento e sem qualquer distinção entre componente letiva e não letiva; para além de muitos outros aspetos relativos às condições de trabalho.
A FNE não pode deixar de lamentar esta situação que conduziu os professores a um beco sem saída. Esta atitude irresponsável revela que a preocupação da Fenprof não foram os docentes, mas a contestação pela contestação.
As lutas e a contestação são importantes quando se traduzem em resultados positivos, não quando são estéreis e enclausuram os principais visados em redutos intransponíveis, como foi o caso.
E agora?
Porto, 25 de maio de 2015





3 comentários
Sim, a FNE realmente é perita nisso, basta olhar para a primeira versão da proposta da vinculação extraordinária do ano passado e para a segunda. Na primeira eram necessários para concorrer 4 anos no ensino público e na segunda 1 ano, bastou a FNE abrir a boca! Passo a passo aí estão os professores do privado a ultrapassar os do público graças à FNE! A romaria ainda não acabou, esperem pelos resultados deste concurso e vejam os que vão entrar na segunda prioridade. Força FNE, vais no bom caminho!!!
Pois, de facto, a FNE fez um bom trabalho. Eu, com 19 anos de serviço no ensino público, não efetivei nos 2 últimos concursos extraordinários POR CAUSA dos professores do privado e, este ano, vejo na lista mais uns quantos à minha frente… vou, outra vez, ficar à porta até ser definitivamente chutado do ensino.
É lamentável que, muitos destes professores, sendo já efetivos nos seus colégios ganhem quase automaticamente a vinculação no ensino público.
Quem anda ou andou anos a fio a calcorrear o país vai direitinho para o desemprego. Portanto, atrevo-me a dizer que isto é um roubo de trabalho público com a defesa dos sindicatos.
Obrigado FNE pelo bem-estar profissional que tem causado aos professores contratados há anos no ensino público português.
Aqui está a resposta: http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=327&doc=9491