A luta morreu?

Neste momento, que balanço se poderá fazer do movimento de contestação às políticas educativas, iniciado em Dezembro de 2022?

Que ganhos foram obtidos por essa contestação?

Em termos objectivos, nada de relevante foi ganho. Nenhuma das principais reivindicações foi atendida pelo Ministério da Educação que, passados sete meses desde o início da pretensa luta, parece continuar a fazer “gato-sapato” da Classe Docente…

Continuam vigentes a injustiça, a iniquidade e as atitudes, cada vez mais, revanchistas por parte da Tutela…

Apelos ou incentivos a formas de luta efectivamente desobedientes e concludentes? De nada adiantaram, raramente se concretizaram, muito poucos aderiram às mesmas…

Como compreender que 171.528 docentes em exercício de funções no Ensino Público (DGEEC, dados relativos ao ano de 2021/2022) não se consigam unir e opor a tantas maldades engendradas pela Tutela?

Como compreender que 171.528 docentes continuem reféns da má-fé e da discricionariedade da Tutela?

Como compreender que 171.528 docentes estejam, neste momento, dependentes de um eventual veto presidencial?

Como compreender que 171.528 docentes continuem a ser vilipendiados e desrespeitados por uma Tutela que não se tem mostrado merecedora de confiança?

Como compreender a ineficácia e a incompetência dos Sindicatos que supostamente representam 171.528 docentes?

A luta morreu?

E o Ministro da Educação bem poderá continuar a gabar-se de, logo a seguir a uma Manifestação, ter confraternizado com Professores, passando a ideia de que é um tipo porreiro, com quem até se pode beber umas cervejas…

Na realidade, nada parece ter mudado em cada escola…

Venceu o Ministro da Educação? Venceu o conformismo?

E, já agora, detesto cerveja…

(Paula Dias)

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12 comentários

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  1. Morreu?
    Colega, em muitas escolas, nem começou…
    Porque há professores que se ganharem mais em estar quietos e caladinhos, preferem ficar assim.
    Afinal, enquanto se aguentarem, há vida… quando não houver, não faltam cemitérios, agora já nem precisamos dos 7 palmos de terra, um palmito chega…

    • XX≠XY on 6 de Julho de 2023 at 19:53
    • Responder

    A revolta contida aumentou e isso é mesmo muito mau!

    • Luís Miguel Cravo on 6 de Julho de 2023 at 20:49
    • Responder

    Cara Paula! Num país de Brutos e onde a educação passou a ser um elevador para a brutalização (mais: o ministro da educação descobriu aqui, ele e a nova ordem instalada desde o famigerado covid, o verdadeiro elevador para um melhor embrutecimento da nação! Maravilha….), são os mesmos professores ( a esmagadora maioria dos que passam o tempo em manifestações) que, dentro das escolas, são os melhores cordeiros do Costa (entenda-se, o João). O professor apenas faz o que lhe mandam e mais nada! Aliás, ainda tenho que ouvir, há anos, necedades dos meus colegas como “É a lei! Tem de ser! Não vale a pena chatear – me! Para estes miúdos, isto chega (quando toca a manuais e/ou instrumentos de avaliação…), i.e., damos ração de segunda que já chega! Passo-lhes uma coisa da escola virtual e já está a matéria dada! Temos de fazer o que a Direcção manda! “….. É penoso observar, há anos, no que o professor se transformou. Que somos muito bons (desde já me excluo!) a meter posts nos Facebooks todos felizes nas manifestações, isso somos! Valham – nos colegas, como aquela mulher que, estoicamente, na Manuel da Maia/ Bairro Padre Cruz (se não estou em erro), em Lisboa, colocou fita adesiva na boca e se colocou, por diversas vezes, em frente a um quadro, colocando o dedo nos consecutivos ataques anti democráticos que este ministro tem feito à classe docente, denunciando um autoritarismo digno da extrema direita. Não há luta possível de ganhar quando os que combatem, após o recolher das armas, fazem o jogo todo que o inimigo mais deseja!

    • Frustração on 6 de Julho de 2023 at 21:19
    • Responder

    A luta nem começou. Eu não chamo “luta” a irem rua fora de apito na bocarra, com bombos e pandeiretas, a “protestar muito” e no outro dia a estarem nas Escolas a obedecer a tudo, sempre a dizer “sim sr. diretor”. Isso dá muitas selfies para as redes sociais mas satisfação das reivindicações é que não dá. Nem isso, nem “caravanas de professores pela EN 2”, nem “acampamentos” nem outras m&rdas que os sindicatos inventaram para esconder o fracasso, em que tiveram nas mãos o apoio de 120 000 docentes e desbarataram esse apoio. Então perdemos? Sim e de maneira catastrófica. Temendo uma debandada de associados, os sindicatos derrotados já andam a iludir-nos começando a falar em “Setembro”… Ora, ora. Se no auge da ilusão só fizeram porcaria, porque fariam alguma coisa de jeito em Setembro?

    • Paulo Anjo Santos on 6 de Julho de 2023 at 21:22
    • Responder

    Não me parece que tenha morrido, acho que está apenas suspesa para férias… sinceramente acho que teria sido uma jogada de mestre os sindicatos terem anunciado que não se fariam greves às avaliações porque o maior propósito desta luta é a defesa de uma escola pública de qualidade. Sempre disse, desde o início, que para mim o objetivo deveria ser o de provocar o maior impacto possível, prejudicando o mínimo possível as aprendizagens dos alunos. Daí que me parece que neste momento fará mais sentido parar, refletir, e continuar em força desde o início do próximo ano letivo. Nessa altura teremos muito tempo para recuperar o que os alunos eventualmente forem perdendo, será a altura indicada para fechar escolas e demonstrar o máximo possível o que nos move. Mas seria importante os sindicatos estarem alinhados, e assinarem as falhas concretas do governo, as mentiras, as «verdades criativas» e a demagogia. Nos últimos tempos tenho visto muito discurso pouco claro, muito bater nas mesmas ideias gastas, aquilo que toda a gente sabe mas que o governo já respondeu, desta ou daquela forma. É preciso que os sindicatos saibam onde «bater», saber desmascarar as ideias chaves do governo, e não andar a bater no mesmo, naquilo que já todos sabem…

    A forma como se comunica também é importante, uma coisa dita de uma forma, é muito diferente de dita de outra, e dita num determinado contexto, também é diferente de dito noutro, isto tudo é importante. Já pensei escrever algo sobre isto, um texto longo onde enuncio aquilo que devíamos realmente salientar, vou deixar apenas um exemplo: O PM e ME andaram semanas a dizer que estavam a estudar respostas à questão da recuperação do tempo de serviço, salientando que os que estão mais atrasados na carreira foram mais prejudicados. Apresentaram as medidas para corrigir as assimetrias… tanto tempo a estudar o assunto e ninguém fez a pergunta que se impunha, nem ao ME nem ao PM. Qual é essa pergunta muito simples? SR. PM, NOS 3 PRIMEIROS ESCALÕES ESTARÃO CERCA DE 30 MIL PROFESSORES (estou a presumir, serão certamente na casa das dezenas), DIGA-ME O NOME DE UM PROFESSOR QUE ESTEJA NESTES 3 ESCALÕES QUE SEJA BENEFICIADO COM ESTAS MEDIDAS QUE APRESENTARAM? E podia responder logo a seguir, não tem nenhum!! Semanas e semanas a estudar o assunto, com a premissa de que o objetivo era beneficiar mais os que estavam mais atrasados na carreira e afinal o que apresentam dá umas migalhas aos que estão mais à frente na carreira e dá um redondo ZERO aos que estão no inicio, é maldade, incompetência, ou as duas juntas? Era simples fazer isso, colocaríamos os OCS a verificar isso e a perguntá-lo aos governtantes… alguém se lembra de terem colocado isto em cima da mesa? e eu pergunto aos sindicatos o mesmo que perguntaria ao PM, NÃO PERGUNTARAM POR MALDADE, INCOMPETÊNCIA OU AS DUAS COISAS JUNTAS?

    Fica a reflexão

    • Os vencidos do sindicalismo amorfo on 8 de Julho de 2023 at 10:51
    • Responder

    Uma demissão generalizada das direções dos Sindicatos, a começar no STOP e a acabar na plataforma Fenprof, precisa-se com urgência. Os que agora lá estão, são os que falharam, mais uma vez, e com eles não vamos a lugar nenhum. Continuar com eles, mais vale poupar o dinheiro das quotas.

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