Que até as “mães” do ensino doméstico pretendem fazer uso desse campo de treino.
É ver os alunos do 4º ano em roda viva com simulações práticas para a realização dos exames e da matéria que fica suspensa apenas para rever provas e exames de anos anteriores.
Mas não são apenas os alunos do 4º ano que já estão sujeitos a estes níveis de stress. Também muitos alunos do 2º ano estão a preparar as provas intermédias da mesma forma.
“ESCOLAS TRANSFORMAM-SE EM CAMPOS DE TREINO PARA EXAMES”
Mais de 200 mil alunos realizam, a partir de amanhã, os exames de Português e Matemática do 4º e 6º ano, que contam 30% da nota final do aluno.
Integradas num sistema de ensino assente em provas nacionais que avaliam várias centenas de metas curriculares, “as escolas transformaram-se em campos de treino para exames”, criticam professores, diretores, pedagogos e psicólogos. Segundo Manuel Pereira, presidente da associação de dirigentes escolares (Ande), as escolas “deviam preparar para a vida. Não se pode ensinar apenas o que vai ser avaliado nos exames”.
As críticas recaem, não só sobre a aplicação dos exames, mas também sobre a valorização social excessiva que lhes é cedida, insistem, mais uma vez em uníssono. “Valem 30% da nota final. É mais um teste”, explicam.
Dirigentes das associações de diretores, das associações de professores de Português (APP) e de Matemática (APM), o coordenador do grupo de psicólogos escolares e o pedagogo Renato Paiva, pensam que as metas são desadequadas para a faixa etária destes alunos e tornaram, ainda, os programas demasiado extensos. Consequentemente, este modelo de ensino que valoriza a memorização, mas desvaloriza a capacidade de raciocínio e de compreensão, desvalorizando a aprendizagem, defendem.
Segundo Renato Paiva “há pouca consistência nesta numerologia estatística. Ainda que atinjam as metas, não quer dizer que alcancem automatização. Por exemplo, podem ler as 95 palavras num minuto, o não quer dizer que as compreendam”.
Por sua vez, Filomena Viegas, da APP, julga assustador o facto de as metas insistirem em verbos como “identificar, classificar e reconhecer em vez de sistematizar, aprofundar, aplicar e justificar”.
Os responsáveis acham, ainda, que os programas, especialmente o do 1º ciclo, são demasiado extensos. “Não há tempo para consolidar as matérias”, frisa Filinto Lima, vice-presidente da associação de diretores de agrupamentos e escolas públicas (Andaep).
Em relação à pressão psicológica, Jorge Humberto Costa, do grupo de psicólogos escolares (Psiscolas) alerta que com estas metas e programas é inevitável que professores e alunos se sintam pressionados e sofram de ansiedade.
Renato Paiva afirma que cada vez mais cedo, os alunos sentem-se desmotivados por não conseguirem acompanhar o ritmo imposto. “Como se todos os meninos fossem iguais”, insurge-se Filomena Viegas.
Os exames vão ser realizados entre amanhã e quinta-feira. Será mais uma pausa letiva para milhares de alunos, já que centenas de escolas básicas têm de encerrar para receber a realização de exames.





3 comentários
Autêntico campo de treino. Crianças de 11 anos a chorar porque receiam não atingir resultados no que alguns colegas nossos lhes dizem ser o ponto mais importante da vida de um estudante: os exames, 3 horas de treino diário na escola mais duas horas de provas-modelo para resolver em casa. Isto é alguma coisa de jeito?
Os senhores dirigentes da associação de dirigentes escolares (Ande) e seus associados e/ou parceiros (que, por lei, o são em nome da defesa de um projecto educativo, da escola e da promoção da qualidade das aprendizagens) já se organizaram e exigiram, por escrito, ao MEC e suas estruturas, com conhecimento público, que se articulem e organizem, pelo menos, um calendário escolar lógico, coerente e que, no mínimo, não perturbe o desenvolvimento normal das actividades lectivas e escolares?
… pois… só “fala de boca” não leva a lado nenhum mas dá sempre jeito estar bem com deus e o diabo…
Tadinhos dos canitos.
Daqui a 15 ou 20 anos quando entrarem em competição a sério com suíços, alemães, chineses e japoneses, o que será deles?
Morrem à fome!…