Antes do mais, não é por as crianças e adolescentes passarem horas nas redes sociais, ou em jogos digitais, que desenvolvem competências informáticas que não sejam da óptica do utilizador (que também têm alguma importância no âmbito da vida moderna, obviamente) e do consumidor que interessa às gigantes tecnológicas. E neste debate não se pode esquecer os efeitos negativos para a saúde, nem a exposição ao ciberbullying, aos conteúdos de ódio, racismo e misoginia e à pornografia online.
As crianças e adolescentes podem até teclar, ou fazer scroll, a uma velocidade impressionante num smartphone ou num tablet, mas as competências informáticas de análise e programação exigem anos de estudo, conhecimentos sólidos das áreas a que se destinam e maturidade.
Foi, portanto, com estupefacção que se percebeu que há uma deputada da IL que quer um Big Brother a nomear os professores grevistas (deve ser em tempo real, porque a falta por greve é, desde sempre e como todas as outras, registada pelos serviços) e que acha inglório restringir o acesso das crianças e dos adolescentes às redes sociais. Considera-os, nomeadamente os “filhos e sobrinhos dos deputados”, uns génios da informática logo aos 10 anos – “e de olhos fechados”, diz a senhora deputada. Diz que contornarão com toda a facilidade as restrições ou optarão pela dark web.
Ou seja, fez a pergunta que pode ler na seguinte passagem do meu último texto no Público:
E fez as seguintes declarações, na sessão parlamentar sobre as restrições no acesso às redes sociais por menores de 16 anos – em que a IL e o Chega foram, naturalmente, os únicos que votaram contra, o PSD, PS, PAN e JPP votaram a favor e o PCP, Bloco, Livre e CDS abstiveram-se (é uma peça do DN):




5 comentários
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A malfadada deputada de nome chique não percebe rigorosamente nada sobre a realidade das nossas escolas.
Nem se esperava que percebesse, dadas as suas declarações.
A parola neoliberal está muito chateada porque a sua agremiação de betos malfeitores endromina a canalha iletrada através das redes sociais. Estão aflitos, pois, tal como o Chunga, têm medo de perder a influência que têm sobre os miúdos sem pais a sério (que são a grande maioria, infelizmente)
Concordo plenamente!
os meus alunos de informática cada vez menos sabem trabalhar com software de produtividade
cada vez pensam e raciocinam menos
clicar no telemovel , jogar uns jogos e ativar uma vpn nao é saber informatica nem ser literado na mesma
Eu concordo com a ideia de proibir o acesso dos menores á internet.
Acedem a muita pornografia violenta e a muito ódio. Isto não deve fazer bem a mentes imaturas.
Penso no entanto que controlar este acesso é dificil, senão impossível.
Aceder ás plataformas com a chave móvel digital, como está previsto, é outra maneira de ter um PIDE em cada computador.