O secretismo imposto pela Tutela na realização das provas finais do Ensino Básico, exclusivamente em suporte digital, “deu raia”, que é como quem diz resultou em asneira, descambou para o desastre e para a barafunda:
– Alguém conseguiu, de alguma forma, aceder às questões presentes na prova final de Matemática relativa ao 9º Ano de escolaridade, realizada no passado dia 20 de Junho, procedendo à sua divulgação…
– O enunciado da prova de Matemática acabou, assim, divulgado publicamente e profusamente difundido, contra as expectativas do Ministério da Educação que, alegadamente, pretenderia utilizar o mesmo conjunto de questões no próximo ano lectivo…
– Com forte probabilidade, os alunos do segundo turno poderão ter sido beneficiados face aos seus pares do primeiro, tendo em consideração a expectável transmissão de informações, como habitualmente acontece em situações semelhantes…
– Também terão existido os mais variados constrangimentos de ordem técnica em muitas escolas do país, que conduziram a um certo caos e à atrapalhação de alunos e professores, impotentes para resolver tais limitações informáticas…
À luz do que já se tinha verificado aquando da realização das Provas ModA, avisos não faltaram quanto às previsíveis limitações técnicas, que poderiam vir a repetir-se nas provas finais do Ensino Básico…
E parece que em muitas escolas acabaram mesmo por se repetir, a acreditar nos relatos dos directamente envolvidos na realização das referidas Provas Finais, naturalmente alunos e professores vigilantes…
O Ministério da Educação preferiu não valorizar os muitos avisos que foram sendo feitos, acabando por persistir num erro que teria sido evitável se tivessem sido levados em consideração os muitos alertas para a existência de problemas e acauteladas as falhas técnicas e de equipamentos que foram sendo reportadas…
Quanto ao secretismo exigido, e tratando-se de Provas em suporte digital, onde alegadamente são possíveis certos expedientes técnicos, apenas se pergunta:
Ingenuidade? Incompetência? Amadorismo? Displicência?
Ingenuidade, incompetência, amadorismo e/ou displicência de uma Tutela que não foi capaz de antecipar a ocorrência de possíveis problemas?
Torna-se difícil qualificar a decisão da Tutela em persistir numa situação que, à partida, tinha tudo para correr mal… E efectivamente correu mal, culminando num desastre anunciado há muito…
Escusam de vir agora apontar “bodes expiatórios”, eleger “profetas da desgraça” ou continuar na tentativa de branquear algo que, pelas suas dimensões, se torna impossível de ignorar ou de escamotear…
Neste caso, secretismo rima com amadorismo? Talvez…
Mas claro está que a culpa será sempre atribuída a terceiros…
Ao que tudo indica, estaremos perante mais uma manifestação de imaturidade crónica que tem assolado o Ministério da Educação ao longo dos últimos anos, quase sempre incapaz de assumir os próprios erros…
Ao longo dos anos, tem-se repetido, e repetido, fatidicamente, essa incapacidade, assim como a negação constante dos muitos problemas que assolam a Educação, em particular a Escola Pública…
Definitivamente, assim não iremos a lado nenhum que seja bom…
Se o objectivo é credibilizar a avaliação externa pela realização de provas finais/exames, dir-se-á que esta é a pior maneira de o conseguir alcançar…
A continuar a ser da forma já conhecida, torna-se praticamente impossível reconhecer às provas finais do Ensino Básico o desejável rigor, a imprescindível imparcialidade e a obrigatória equidade ao nível da sua realização…
Não é, de todo, aceitável que a realização de tais provas se transforme numa espécie de “lotaria” ou “jogo de sorte ou de azar”…
Num regime democrático, também não é, de todo, aceitável que a Tutela imponha um tal secretismo, que chegue a raiar a discricionariedade…
Não é assim que se ajuda os alunos a interiorizar e a praticar os Valores inerentes a uma Democracia, desde logo o da transparência e o da justiça…
Até porque a aprendizagem desses Valores se faz, sobretudo, pelo exemplo…
Paula Dias




22 comentários
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Só não percebo é como acreditam que depois disto, que agora se sabe e que foi publicado em todos os jornais, que durante a prova não terá havido também quem tivesse copiado e tivesse enviado as questões sabe-se lá a quem, para que lhe desse as respostas. A prova a ser feita numa plataforma que não bloqueia de vez o enunciado quando se abre outra janela da internet está tudo dito.
E com este texto temos uma professora a dizer que professores violaram todos os seus deveres de vigilantes, ou os seus deveres como elementos do secretariado de exames ou como elementos da direção.
Os professores são mesmo o seus piores inimigos!!!!
Se for verdade não é de denunciar?
Prefere pactuar com aldrabices?
Ética, meu caro!
“– Alguém conseguiu, de alguma forma, aceder às questões presentes na prova final de Matemática relativa ao 9º Ano de escolaridade, realizada no passado dia 20 de Junho, procedendo à sua divulgação…”
E atenção aos OU no meu comentário.
E tem razão se for verdade deve ser denunciado. Viu alguma denuncia?
Pergunta extra. Sabe que a aplicação usada nestes exames possui mecanismos de segurança que estão ativos enquanto a aplicação está aberta durante a realização das provas, mecanismos esses que desativam algumas funções dos computadores?
Mas também não sei de onde tira que Paula Dias disse que os professores violaram os seus deveres de vigilantes.
“… com este texto temos uma professora a dizer que professores violaram todos os seus deveres de vigilantes, ou os seus deveres como elementos do secretariado de exames ou como elementos da direção.”
Em primeiro lugar, a sua afirmação carece de prova e de fundamentos… A favor da honestidade intelectual, demonstre, por favor, que no presente texto existe alguma suspeita ou imputação de responsabilidade a algum professor, em alguma escola (a repetição da expressão alguma/algum é propositada)…
Quando não se consegue ler, compreender e interpretar correctamente um texto, costuma resultar em figuras tristes, de que @ Amigos parece ser signatário…
Em segundo lugar, Paula Dias não é professora, pelo que a afirmação: “Os professores são mesmo o seus piores inimigos!!!!” não é válida no presente contexto, ainda que se admita que, em muitas circunstâncias, possa ser verdadeira…
Paula Dias
👌
Mecanismos de segurança? Ah ah ah.
A aplicação e a infraestrutura (servidores/rede) que a suporta é uma desgraça.
Não é aceitável este secretismo num regime democrático? A dona Paula confunde democracia com rebaldaria. Era o que faltava não poder existir secretismo em certas situações e face a determinados conteúdos. Vamos divulgar tudo o que sejam segredos de estado, documentos do sis, etc, porque vivemos em democracia. O que vale é que o disparate não paga imposto.
Oh santa, santíssima, imbecilidade! As afirmações de V. Exa. são o exemplo mais paradigmático do disparate e do espalhanço ao comprido: comparar o secretismo destas provas com “segredos de estado” é deveras inteligente! Se o disparate pagasse imposto, não haveria dinheiro que chegasse ao João para saldar essa dívida. Ser apoiante do Chega deve estar a provocar-lhe alguns sintomas graves como confusão mental e um pensamento truncado e limitado. Veja lá isso, olhe que as consequências poderão ser irreparáveis e irreversíveis.
Bronco, é evidente que há diferentes graus de secretismo, mas o princípio é válido para todos. E quando a dona Paula se indigna com o suposto conhecimento de elementos da prova está a reconhecer a necessidade da existência de secretismo. Mas alguém que assina mustang horse deve ter dificuldades em perceber conceitos básicos. Agore volte lá para junto dos amigos do Livre e debatam como é que vão salvar o país da “extrema direita”, e o mundo dos EUA.
Já V. Exa., pela qualidade dos seus comentários, sempre impregnados de “lógica da batata”, e que assina como “João”, estará a prestar um péssimo serviço a todos os “Joões” deste país. Quanto à “extrema direita”, sim, é mesmo preciso salvar o mundo dessas garras, assim como também o é quando se trata de “extrema esquerda”. Os extremos nunca são bons e só alguém muito tontinho não o conseguirá reconhecer. Suspeito que o João seja um crente acrítico da “extrema direita”, pelo que será, assim, mais um tontinho. E para que não reste qualquer dúvida, também o seria se fosse fervoroso crente na “extrema esquerda”. Por último, não tenho amigos no Livre, nem em qualquer outro partido político, mas felizmente consigo pensar por mim. Coisa que parece impossível para algumas criaturas.
É de elementar justiça que os alunos tenham acesso à prova, aos critérios da correção da mesma, possam solicitar a sua prova para verificar se foi devidamente corrigida. Tudo isto não está a ser cumprido nestas provas e com isto não está a ser cumprido o CPA. Se fosse Encarregado de Educação sei o que faria.
👍🏻
Em todo este processo não compreendo a realização de provas em sala a parte por alunos que usufruiram de medidas universais.
Afinal , estes não são exames nacionais? Qual a intenção? Intervir nos resultados?
A função do professor não será antes de intervir.nos processos?
Quase passou a ser uma excepção os alunos que realizarm a prova do IAVe!
Tirem-se conclusões fos alunos que temos e da conivência do Ministério
Esses alunos, caso não saiba, fazem prova a nível de escola. Não fazem a prova a nível nacional.
Em todo este processo não compreendo a realização de provas em sala a parte por alunos que usufruiram de medidas universais.
Afinal , estes não são exames nacionais? Qual a intenção? Intervir nos resultados?
A função do professor não será antes de intervir.nos processos?
Quase passou a ser uma excepção os alunos que realizarm a prova do IAVe!
Tirem-se conclusões fos alunos que temos e da conivência do Ministério
É professor e não sabe em que a realização da prova da sala a parte é uma medida aplicável em situações especificas? Não sabe quais são essas situações?
Não sabe que quem propõem essa medida são os professores do CT desse aluno?
Por exemplo, para si, todos os alunos com PHDA ou com dislexia precisam de ter medidas seletivas para realizarem aprova em sala a parte?
Os casos que surgiram foram marginais, nomeadamente relacionados com falhas de internet ou da prova em si, que os professores conseguiram resolver. Muitos agrupamentos, após a realização das provas do 1º turno, encaminharam os alunos para espaços na escola (pavilhão por exemplo) sem os telemóveis, não havendo contacto com os alunos do 2º turno. É tudo uma questão de organização. No entanto, apesar de ter havido alguns problemas, é lamentável que só se critique e se deite abaixo e não se contribua para a melhoria do procedimento.
Em suma, “vai ficar tudo bem”, como, aliás, sempre, sempre, esteve. O Mundo é maravilhoso e tudo corre pelo melhor, como, aliás, sempre, sempre, tem corrido. O que são pequeníssimos, ínfimos, inconseguimentos, quando comparados com a grandiosidade da perfeição reinante nas escolas? Raios partam a realidade, que só atrapalha, que só bota-abaixo, que só serve para chatear. Adoro o cheiro a fantasia logo pela manhã. Agora vou ali socializar com uns unicórnios, muito engraçados e felizes, que ultimamente teimam em não me querer largar.
A culpa agora é dos professores vigilantes?
Nem professores nem alunos levam telemóvel para dentro da sala onde decorre exame.
Os meus miúdos das explicações disseram-me o exame todo de matemática.
Todos os alunos do pais disseram o exame aos seus professores, explicadores e facilmente se souberam as perguntas.
E querem usar o exame no próximo ano?????
Mas isso tem alguma lógica????
Os alunos são diferentes, a amostra é diferente.
Mas estamos bem da cabeça????
A culpa agora é dos professores vigilantes?
Nem professores nem alunos levam telemóvel para dentro da sala onde decorre exame.
Os meus miúdos das explicações disseram-me o exame todo de matemática.
Todos os alunos do pais disseram o exame aos seus professores, explicadores e facilmente se souberam as perguntas.
E querem usar o exame no próximo ano?????
Mas isso tem alguma lógica????
Os alunos são diferentes, a amostra é diferente.
Mas estamos bem da cabeça????