É incontornável outra manifestação como a 08/03/08…

 

Há precisamente um ano escrevi um artigo intitulado, Teremos outro 08/03/08? (que já só é uma memória).

Com 10 anos passados sobre uma data memorável, a Luta dos professores por uma carreira digna continua ativa. As motivações são outras, mas os professores ainda se sentem um dos alvos preferenciais de qualquer governo ou solução governativa, por isso, continuam a ver-se obrigados exercer um papel cívico na sociedade, o da luta por direitos laborais.

Hoje, como há um ano, continuo a verificar, com revolta, que aquela batalha não foi mais do que isso, uma batalha. Muitas mais se perfilam nesta guerra. Na altura, a união foi a palavra de ordem, os professores uniram-se à volta de objetivos comuns. Hoje voltam a ter esses objetivos comuns, a carreira está novamente em risco. Mais de metade da classe docente arrisca-se a nunca, repito, NUNCA alcançar os escalões mais altos da carreira. Aqueles que ainda alcançarão algum desses escalões, verão a sua carreira dilatada para, ainda, o conseguirem. Os que já lá se encontram, já lá devia estar faz muito.

Por estes dias, as conversas de sala de professores têm assuntos comuns de norte a sul, o recenseamento, a eventual subida, ou não, de escalão e a possibilidade, mais do que justa, da recuperação do tempo de serviço congelado. Os sindicatos voltaram a unir-se, ou coisa que o valha, e, como na altura, falam a uma só voz. Os comunicados, embora diferentes, apontam um só caminho. Aparentemente, tudo aponta para que se possa organizar uma tomada de posição semelhante à de 2008. Para isso, as organizações sindicais terão que fazer o seu papel, como no passado, terão que convocar toda a classe docente à luta e promover a sua participação, tal como fizeram então.

Há dez anos passaram pelas avenidas de Lisboa 100.000 manifestantes. Se fosse hoje quantos estariam dispostos a ir até Lisboa demonstrar o seu descontentamento e revolta pela forma como, mais uma vez, estão a tratar os professores?

Pelo que tenho assistido, pelo que tenho ouvido, ao contrário do que os corneteiros da má ventura por aí apregoam, o número de manifestantes seria avassalador. Não digo que seria o mesmo, ou superior, mas seria mais um marco da luta docente.

 

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  1. Há um pequeno equivoco no início do texto, os professores não são o alvo preferencial de qualquer governo, eles são o alvo preferencial de um sociedade desequilibrada e egoísta. Os políticos apenas são o reflexo disso.
    Há uns meses atrás o PR disse para quem quis ouvir, que “estranhamente, os portugueses não dão primazia à educação, por isso não podem esperar que os políticos o façam”. A realidade é esta, não temos de convencer os políticos, temos é de convencer a sociedade de que o futuro do país estará muito comprometido, se não houver uma inversão das políticas educativas que têm vindo a ser seguidas pelos últimos governos. Os políticos andam sempre a reboca da opinião/pressão pública, enquanto a maioria dos portugueses vir os professores como uns tipos que trabalham poucas horas por semana, têm 3 meses de férias e faltam muito (entre outras coisas), não haverá volta a dar… e, palpita-me, que quanto mais tempo isto durar, mais perto da verdade estará essa perceção, os professores andam desgastados, ganham cada vez pior, trabalham cada vez mais, obviamente que vão faltar mais, vão estar mais tempo sem trabalhar, vão ser menos eficientes porque andam mais desmotivados, são mais velhos, os mais novos não têm lugar. E, a grande maioria dos mais novos, só vão para a via ensino os que não sabem o que seguir, cada vez entram com médias mais baixas.
    Mas, daqui a 10 ou 20 anos ninguém conseguirá dizer com certeza que o país estaria melhor ou pior do que aquilo que estará, se tivesse tratado melhor da educação dos seus jovens, se tivesse investido mais. Palpita-me que nessa altura os professores terão todos formação inferior, ganharão ainda menos, faltarão ainda mais, cada um que se safe como pode.
    Isto é um desabafo de um professor contratado há 24 anos, que provavelmente está prestes a deixar o ensino. Vejo os anos todos em que fui explorado por estado do meu país, como serviço público, são o meu contributo para um futuro melhor do meu país, mas não posso deixar que me explorem mais, não posso e, dentro do possível, não vou deixar, vou eu explorar o máximo que puder este sistema, digno de um país com regime de ditadura.
    Acho que podem calcular como se sente alguém que fará toda a carreira como contratado (independentemente dos anos que ela durar), quando vê um colega a queixar-se de que não chegará ao topo da carreira!!! Obviamente sente-se dividido, por um lado a luta é mais que justa, tanto pelos profissionais em causa, como pelo futuro do país. por outro lado, se a luta é justa, o que dizer da luta de colegas que estão numa situação vergonhosa, indigna, impensável num país da UE?!
    Não querendo eu fazer uma competição da maior ou menor importância/justeza das lutas, não acho que alguma vez a classe docente tenha estado minimamente interessada na segunda luta, simplesmente porque não dizia respeito à maioria, e foi por ai que as coisas começaram…
    No início, classifiquei de egoísta a sociedade portuguesa, mas os professores que, tal como o estado, deviam dar o exemplo, não são melhores nesse particular!

    • coeh on 10 de Março de 2018 at 21:03
    • Responder

    Concordo, Paulo A. Santos! Não basta quererem uma grande manifestação. Decorreram fraturas na classe que não possibilitarão tal. Os monodocente mais velhos viram a aposentação por um canudo tal como era antes e a aceitação dos sindicatos. Os prejudicados nos concurso a mesma conversa (exceção estratégia da SIPE) resultado; https://duilios.wordpress.com/2018/03/10/s-to-p-mais-um-sindicato-de-professores

    • liberto liberalis on 11 de Março de 2018 at 10:26
    • Responder

    A classe está dividida à custa das patranhas negociais dos representantes dos sindicatos.
    Como se apercebem, agora, da asneira, querem um grande evento para tentar salvar a face.
    Comigo não contam.

    • Carlos on 11 de Março de 2018 at 16:34
    • Responder

    Tal como já o tinha “postado” já antes,

    claro que, ao longo dos anos, tenho expressado este meu ponto de vista, quer em blogs do meio, quer a “colegas” “sindicalistas”, alguns dos quais já no topo de alguns “sindicatos”. A mudança destes “colegas” “sindicalistas” foi sempre o balbuciar algo sem sentido, acompanhado de uma notória mudança de cor do rosto… Por que seria/será?
    Penso que só uma posição deste tipo, usando o que está na Lei a nosso favor é que poderá ser o caminho…
    Claro que, por motivos bem óbvios, não serão os presentes partidos do estado a que isto chegou, nem os “sindicatos” a tomar esta posição… Afinal ser perpétuamente escravos não será a solução, nem para nós, nem para Portugal…
    Temos que deixar de ser manipulados pelos mesmos do costume e quebrar os grilhões.
    Afinal é preciso não esquecer que eles se governam pelo medo que nos incutem, mas também não deixa de ser verdade que eles também têm medo que nós não tenhamos medo…
    Basto cumprirmos o que está na própria Lei!!!!

    Isto sim seria a doer e os neo-liberais nada poderiam fazer, pois estaríamos a fazer as coisas com base na própria Lei… O Sistema de Ensino só ainda existe na forma com está porque nós estupidamente temos aceitado ter chegado e estarmos como estamos: completamente escravizados, achincalhados, humilhados, enganados, gozados, agredidos física e verbalmente, degradados, desgastados, doentes, envelhecidos, completamente empobrecidos, chegando mesmo a comprar materiais do nosso bolso para as escolas funcionarem…

    Colegas, somos a principal força pensante do país e continuamos com medo de pensar?…
    Será possível que, com tantos sindicatos na Educação, não exista um Sindicato que proponha ao Professores uma greve de zelo por tempo indeterminado?
    Serão todos cúmplices do estado a que isto chegou?!….

    1. Outra manifestação? A anterior manteve a formula que permite que professores com 19 anos de serviço efetivos desde 2001 continuem no 1º escalão, Esta greve é para resolver o que a quem? A quem entrou após 2011 nas VE e quer saltar escalões? Não contem comigo, vou ficar 9 anos sem mudar de escalão e querem que ande a perder um dia de ordenado para que os outros possam passar para o 2º escalão com 13 anos de serviço? Era só o que faltava.
      Os sindicatos não resolveram as coisas em outubro/novembro porque não quiseram, adiaram as negociações para depois do orçamento propositadamente, agora andam armados em virgens ofendidas… pelo amor de Deus.

        • Carlos on 11 de Março de 2018 at 20:03
        • Responder

        O meu texto é um pouco longo, pelo que tem um “Ver mais” no seu final. O que vem e que transcrevo é que a solução não passa por normais greves em que só perdemos dinheiro e damos primazia a quem não nos defende, caso dos “sindicatos” e partidos do mesmo…. Também já não passa por manifestações. Passa sim por uma greve de zelo por tempo indeterminado, acompanhado da utilização se relógio de ponto nas Escolas, sendo que não levávamos trabalho para casa, pois não está na Lei e só executaríamos as nossas tarefas funcionais de Lei e não de outros funcionários de outras áreas.
        O que faltou ler foi:

        Isto sim seria a doer e os neo-liberais nada poderiam fazer, pois
        estaríamos a fazer as coisas com base na própria Lei… O Sistema de
        Ensino só ainda existe na forma com está porque nós estupidamente temos
        aceitado ter chegado e estarmos como estamos: completamente
        escravizados, achincalhados, humilhados, enganados, gozados, agredidos
        física e verbalmente, degradados, desgastados, doentes, envelhecidos,
        completamente empobrecidos, chegando mesmo a comprar materiais do nosso
        bolso para as escolas funcionarem…”

        Colegas, somos a principal força pensante do país e continuamos com medo de pensar?…
        Será
        possível que, com tantos sindicatos na Educação, não exista um
        Sindicato que proponha ao Professores uma greve de zelo por tempo
        indeterminado?
        Serão todos cúmplices do estado a que isto chegou?!….

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