Opinião – O Cão Danado

Por que eu não faço a prova

 

Lista de Razões:

 

1.ª: Possuo habilitação profissional para a docência, com provas dadas e em vias de completar mestrado em ensino. Então por que razão hei-de pagar vinte euros para obter uma condição que eu já possuo?

 

2.ª: Tenho anos de experiência docente [os que me deixaram ter] com as respectivas avaliações de desempenho;

 

3.ª: Encontro-me desempregado, dependo do ensino para subsistir e, mesmo assim, não estou disponível para ser mais humilhado;

 

4.ª: Se eu aceitar esta prova que considero imoral, como poderei um dia transmitir aos meus alunos que devem lutar pela justiça, se eu próprio não lutar pelo que acredito?

 

5.ª: Isto não passa de um teste à moralidade e à integridade de cada pessoa. Quem aceitar não pode em consciência ser docente;

 

6.ª: Se a prova é ilógica e ilegal à vista de todos, por que hão-de os mesmos aceitar uma coisa que consideram injusta?

 

7.ª: Aceitando esta prova, o que será considerado o limite quando este já foi claramente ultrapassado para além do razoável? Se aceitarmos isto o que virá a seguir?

 

Assim, apelo para que não se inscrevam na prova e repudiem esta medida do governo. Aguentem TODOS até dia 27 de Novembro e aguardem as resoluções que possam emanar dos tribunais.

 

Obviamente não será necessário dizer que no fundo a verdade é esta:

 

Se ninguém se inscrever, não existe prova. Esta é a realidade. Metam isso na cabeça.

 

Então para quê o medo?

 

 

 

(Bansky)

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18 comentários

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    • Miguel Castro on 21 de Novembro de 2013 at 14:58
    • Responder

    Excelente. Para todos os borrados dos meus colegas que se vao inscrever, lerem, meditarem e terem VERGONHA na cara.
    Pena que num universo de 50 mil, nem 10% lê.

    • Domingos Fontoura Fernandes on 21 de Novembro de 2013 at 15:06
    • Responder

    A propósito disso, que já não sei mais que diga, peço encarecidamente que partilhem aqui o link com a nossa entrevista à RTP Açores
    http://floresonline.blogs.sapo.pt/51889.html
    e a nossa página de Facebook onde damos voz à nossa indignação: https://www.facebook.com/pages/Contra-a-PROVA-h%25C3%25A1-argumentos/

    • Susana Carvalho on 21 de Novembro de 2013 at 15:09
    • Responder

    Caro Cão Danado,

    concordo com tudo o que diz no seu comentário e faço minhas as suas palavras… até certo ponto! Ainda não me inscrevi na prova… também estou a fazer tempo, para ver se algo acontece. Infelizmente, quando chegar o dia 27 terei de me inscrever, se não houver nada em contrário… O que acontece é que tenho 3 filhos para criar, que dependem de mim, e não posso arriscar! Já ouvi colegas a dizerem que já se inscreveram. Já aprendi que na nossa classe não há lutas sérias, é cada um por si, e às vezes até compreendo as situações e o desespero de alguns…

  1. O problema na nossa classe é mesmo sobrar muito juízo crítico. Os médicos fazem greve e ficam sem vencimentos, dizem que não trabalham e não voltam atrás. Se todos os contratados se negassem a fazer a prova, ela não existiria. Fala-se de utopia quanto ao boicote da prova, mas no passado, classes sociais com menos poder e mais reprimidas foram capazes de feitos bem mais inimagináveis… porque não tinham nada a perder. A cisão entre os que podem ser colocados e os que já não têm nada provoca este paradoxo. O medo a que nos acometeram, o de amanhã não termos emprego, o de amanhã não termos dinheiro, foi propositado, é o doce com que nos chantageiam que e que, no final, acabará para todos. O TC inevitavelmente irá votar contra esta palhaçada, mas nunca antes de 18 de Dezembro. A prova irá realizar-se e será feita de forma a reprovar muitos. Essa carta, essa estatística, que não será mais do que isso após se apurar a criminalidade subjacente a todo este processo, será propaganda para extermínio do ensino público. “Esta é a classe docente das escolas públicas”, “uma classe de incompetentes” (custa-me a crer que as pessoas ainda sejam ingénuas ao ponto de pensarem que isto se trata de uma perseguição ou de um desejo de humilhar os professores, quer queiramos quer não, esta gente não quer saber de nenhum de nós e já se está a marimbar há muito, esta gente precisa é de se livrar de uma das máquinas que mais despesa e menos lucro traz ao estado). E de repente, os cheques-ensino passarão a fazer todo o sentido (e jeito) e aí, até os que fizeram a prova perderão o emprego. Não quero muito dar numa de Maia, mas parece-me que isto é mais uma manobra de diversão e um caminho subversivo para chegar a fins que nem mesmo nós julgamos serem os verdadeiros.

    • crio on 21 de Novembro de 2013 at 17:43
    • Responder

    Consigo entender os argumentos que explanou, no entanto, não concordo quando diz que quem se inscreve determina a situação de consciência ou moralidade pelas quais um professor se deve reger ou não. Estas determinam-se, essencialmente (e infelizmente diria também), pelos princípios que cada um considera e não pelos que o “Cão Danado” refere e entende que por pensá-los assim são universais, não são! Independentemente de concordar quando diz que não se deve fazer a prova (já decidi que não me inscreverei), não concordo com os argumentos que usou em 3, 4, 5 e 6. Cumprimentos.

    • PL on 21 de Novembro de 2013 at 18:05
    • Responder

    2013 D.C

    SONDAGEM (exclusiva para professores com habilitação para a docência):

    □ “O MEDO É UMA CENA QUE… A MIM ME ASSITE”

    □ “O MEDO É UMA CENA QUE… A MIM NÃO ME ASSITE”

    :)

    • Broom on 21 de Novembro de 2013 at 18:10
    • Responder

    Ora mais uma ajuda para a abertura de olhos fechados!! parece que anda aí muita toupeira!! É melhor…. eu sei lá o quê ( digno , claro), do que – nós os profissionalizados- permitir que nos tratem como os chifrudos e aperreados!!! Valha-nos Deus!!!

  2. Esta prova é mais uma estratégia para virar professores contra professores!

    • ginbras on 21 de Novembro de 2013 at 19:38
    • Responder

    Eu também não me inscrevo

  3. Caro Colega não tenho palavras pois utilizou todas as que eu utilizaria. Estou consigo 😀

    • maria on 21 de Novembro de 2013 at 23:51
    • Responder

    O meu testemunho. Infelizmente, quando chegar o dia 27 terei de me inscrever, se não houver nada em contrário… A luta é nos tribunais, na rua, com greves, em tribunal europeu. Eu discordo dos colegas: eu não me inscrevo. Isso é o que o Ministério quer, torna-se mais fácil, ficam eliminados logo. Não vamos cair nessa, vamos à luta. TODOS NA RUA, vamos pedir ao provedor de justiça a constitucionalidade da prova, vamos apoiar as manifestações de rua….

      • Feliz on 22 de Novembro de 2013 at 10:33
      • Responder

      Maria, isso é como quem paga uma multa. Se vai lá é porque concorda!

        • crio on 23 de Novembro de 2013 at 15:52
        • Responder

        concordamos em discordar

    • Hugo on 22 de Novembro de 2013 at 10:02
    • Responder

    Estou a pensar seriamente ir lá assinar o teste. E vir embora passados 2 min.

    • JA on 22 de Novembro de 2013 at 12:02
    • Responder

    Tal como o colega, eu também recuso-me a fazer qualquer prova!

    • Verónica Bastos on 22 de Novembro de 2013 at 12:21
    • Responder

    Eu bem sei como é difícil resistir… Mas temos que ser fortes. Por nós, pela nossa dignidade, pela nossa formação, pelas nossas famílias e até pelos nossos alunos. EU NÃO VOU INSCREVER-ME e lutarei até que as minhas forças acabem contra esta prova ridícula e desprestigiante.

    • Maria Clara Gonçalves on 22 de Novembro de 2013 at 12:24
    • Responder

    Obrigada pela coragem de dizer o que muitos pensam e não dizem. Obrigada, Cão Danado.

    • maria on 28 de Novembro de 2013 at 22:54
    • Responder

    30 mil inscritos,vergonhoso,afinal o que andam aqui a fazer…

  1. […] Percebo a ideia dos contratados que não se querem inscrever, mas a história (entregar dos objectivos e listas para os conselhos gerais) mostra que não há lutas verdadeiramente globais, logo, isto só lá vai com guerrilha. E até vai ser fácil porque o MEC ajudou. A prova não se vai realizar em todo o lado – há um conjunto de concelhos identificados pelo Governo para a sua concretização. No grande Porto só os Professores de Gaia e do Porto é que precisarão de estar em Greve, por exemplo. Os outros podem contribuir, não? É uma ideia parva? Talvez… […]

  2. I liked your blog very much.

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