No Agrupamento de Escolas de Campo em Valongo

Estão “Todos Contra a Prova”.

 

PROVA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS E CAPACIDADES (PACC)

 

ABAIXO-ASSINADO

O Governo e o Ministério da Educação e Ciência decidiram regulamentar e marcar a data da prova de avaliação de conhecimentos e competências para todos os colegas Professores que não pertencem aos quadros. Alguns docentes abrangidos por este processo possuem já vários anos de desempenho de funções docentes, durante os quais foram avaliados pelos sucessivos modelos de avaliação em vigor. Pelo nosso Agrupamento e pelas nossas Escolas passaram dezenas de Educadores e Professores que contribuíram com o seu profissionalismo para a aprendizagem dos nossos alunos. Um exame à sua competência é um atestado de incompetência.

Antes do quadro legislativo agora aplicado pelo atual Ministro da Educação e Ciência, não só a profissão de Professor exigia vários anos de formação académica superior, estágio profissional, antes da entrada na carreira, como ainda outro ano de período probatório, depois da entrada na mesma.

A prova de avaliação conhecimentos e capacidades constitui, em primeiro lugar, uma desautorização às instituições de ensino superior, promovendo um clima de desconfiança face à formação inicial por estas ministrado. Nesse caso, uma vez que o Ministério da Educação e Ciência regula todo o sistema de ensino – do pré-escolar ao ensino superior – deveria ativar os meios de monitorização à sua disposição e não recair sobre os Docentes. Estes, implicados neste processo, já percorreram e concluíram a etapa de formação inicial, durante o qual foram submetidos a processos de avaliação estabelecidos nos diferentes cursos, pelas diversas instituições de ensino superior e durante este período despenderam dos seus recursos aos vários níveis.

O que agora se preconiza é a obrigatoriedade de realização de uma prova de avaliação de conhecimentos e capacidades em duas partes, para todos os Professores que não fazem parte dos quadros do MEC, questionando objetivamente a qualidade do seu trabalho, realizado, em muitos casos, durante décadas, ao serviço da educação pública em Portugal e, assim, debilitando globalmente a imagem e o estatuto da profissão de Professor, junto dos alunos e dos cidadãos portugueses em geral.

Sob o lema “Todos Contra a Prova”, os abaixo assinados, professores dos quadros e contratados do MEC a lecionar e a frequentar formação no Agrupamento de Escolas de Campo, entenderam suspender as suas presenças na formação, até ver eliminada a referida prova, em solidariedade para com os colegas contratados, os principais visados. Consideramos esta deliberação governamental como profissionalmente inaceitável e indigna, não tendo qualquer enquadramento no Estatuto da Carreira Docente e a realização daquela em nada dignifica a escola pública e a função docente. Neste sentido entenderam estes Professores promover mais esta forma de luta, subscrevendo a classificação, proferida pela Associação Nacional dos Professores Contratados (ANVPC), de “absurda e discriminatória” com que o MEC pretende avaliar as  capacidades dos docentes. Consideram ser mais um “truque” para retirar do sistema ou “arrumar para o canto” um número considerável de Professores e amealhar uns milhares de euros.
 
O presente abaixo-assinado será enviado para os órgãos da administração educativa, da soberania nacional e comunicação social.
 

Agrupamento de Escolas de Campo, Valongo, 27 de novembro de 2013

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22 comentários

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    • ana on 29 de Novembro de 2013 at 9:52
    • Responder

    Obrigado, Valongo!Por ajudarem a não tirar o pão da boca dos meus filhos…Porque é exatamente isso que eles querem…um chumbo direto para tirar o que os nossos filhos têm de direito…direito a comida, a educação, e a serem felizes…direitos básicos!

    • ana on 29 de Novembro de 2013 at 9:57
    • Responder

    Obrigado Valongo,por, pelo menos tentarem com que os meus filhos não fiquem sem os direitos básicos a que têm direito…comida…educação e a serem felizes…porque é isso que eles querem, um chumbo direto para que os nossos filhos fiquem sem o que têm direito por natureza…estou muito triste com tudo isto!Triste…talvez seja uma palavra muito pequena…é um derrame de lágrimas constantes…

    • Vítor on 29 de Novembro de 2013 at 10:02
    • Responder

    Um abraço aqui do Alentejo para os COLEGAS de Valongo! Obrigado pela vossa tomada de posição. Fossem todos como vós!

      • cristina on 29 de Novembro de 2013 at 10:54
      • Responder

      Se todos os professores tomassem esta digna atitude, de certeza que não haveria PROVA! Obrigada

      +-

    • AGomes on 29 de Novembro de 2013 at 11:21
    • Responder

    Obrigada, Valongo!

    1. Campo, melhor dito!

    • Miguel Castro on 29 de Novembro de 2013 at 12:09
    • Responder

    Brilhante!
    OBRIGADO Colegas!
    Haja dignidade!

    • ARRE on 29 de Novembro de 2013 at 13:31
    • Responder

    Obrigada e Parabéns pela forma tão profunda e sentida com que expõem o que nos vai na Alma!! Um ataque deste calibre à nossa Dignidade é inqualificável!! Não respeitar quem é profissionalizado; quem tem sido consecutivamente avaliado em exercício das suas funções; pretender passar por cima da degradante situação de Professor desempregado e exigir o pagamento de eu nem sei o quê , é, no mínimo, o descalabro de Tudo! Tudo de Bom ao A. de E. de Campo de Valongo!!!

    • Sílvia on 29 de Novembro de 2013 at 13:32
    • Responder

    Obrigado a todos os colegas desta Escola. Grande iniciativa. Apelo a todas as escolas e colegas dos quadros que tomem a mesma decisão. Hoje por nós, amanhã por vós.

    • antonio ribeiro on 29 de Novembro de 2013 at 13:35
    • Responder

    A história está repleta de exemplos de que só se consegue vencer a prepotência e a incompetência desde que haja união dos prejudicados. Se toda a classe docente seguisse o exemplo dos colegas de Valongo o incompetente Crato e a sua corja não tratavam os professores como ralé.

    António Ribeiro

  1. Ainda há colegas que os têm no sítio e dão o exemplo de profissionalismo e seriedade, algo que anda a faltar ao MEC!

    • mpinheiro on 29 de Novembro de 2013 at 13:57
    • Responder

    Obrigada colegas de Valongo!

    • Maria martins on 29 de Novembro de 2013 at 15:08
    • Responder

    Obrigada colegas por compreenderem o que esta prova implica!!! hoje são vocês que estão connosco, amanhã seremos nós a retribuir. Bem hajam colegas de Valongo!!!!

    • eternamentecontratada on 29 de Novembro de 2013 at 15:28
    • Responder

    Grata colegas!

    • Moony on 29 de Novembro de 2013 at 15:59
    • Responder

    No meu agrupamento fizeram o mesmo. Obrigada a todos os que entendem esta situação e parabéns pela iniciativa.

  2. Tenho a certeza que ninguém do meu agrupamento vigiará o que quer que seja!

    • ester on 29 de Novembro de 2013 at 22:48
    • Responder

    Grandes profissionais, não têm medo de dizer a verdade, e de enfrentar aquilo que se avizinha, hoje são os contratados amanhã serão os restantes profissionais da classe. Ninguém se iluda.

    • Contratado on 29 de Novembro de 2013 at 22:59
    • Responder

    Bem hajam!

    • azevedo on 30 de Novembro de 2013 at 1:01
    • Responder

    Parabéns ao colegas do Agrupamento de Escolas de Campo, Valongo. Não iremos deixar este erro ir para a frente. Juntos conseguimos. Um obrigado pelo profissionalismo, honestidade e coragem de todos os colegas que assinaram esta petição.

    • ivonecontratada on 30 de Novembro de 2013 at 12:09
    • Responder

    E Valongo não foi o único. No agrupamento onde estou aconteceu o mesmo. Ng vigiará nem corrigirá.

    • Raquel on 1 de Dezembro de 2013 at 2:31
    • Responder

    Obrigada Valongo! Sinto orgulho desta escola onde estudei e onde iniciei um percurso académico que me levou com todo o orgulho a seguir a profissão de professora.

    • Maria Jose on 1 de Dezembro de 2013 at 12:11
    • Responder

    Concordo perfeitamente com o exposto, pena que não seja um apelativo a um BOICOTE geral de todos os Professores e Agrupamentos!!!JÁ!!!

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