… num dia em que o debate na educação se centrou na prova de avaliação.
Depois da suspensão dos procedimentos pela aceitação de algumas providências cautelares e no dia que praticamente fica oficializada a greve para o dia 18 de Dezembro, resta agora aguardar que exista a coragem para os professores corretores não aceitarem fazer parte deste processo.
Como digo na entrevista ao DN, é mais fácil haver uma manifestação pública para a recusa da correção da prova do que essa manifestação pela aceitação da correção. Na próxima segunda-feira, último dia para os professores manifestarem a vontade de corrigir a questão “extensa”, será também decisivo para sabermos até que ponto o MEC vai avançar com procedimentos para o dia 18 ou não.
O ping pong das providências cautelares já beneficiou o MEC no concurso extraordinário, apesar do TC mais tarde ter declarado algumas normas desse concurso inconstitucionais. Tenho receio que o mesmo aconteça agora e que só depois da prova ser realizada o mesmo tribunal constitucional venha anular os efeitos da prova de dia 18.
Se há dúvidas que isso aconteça? Eu não tenho muitas. E mais uma vez o MEC vai provar que foi incompetente a conduzir este processo.





6 comentários
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A PROVA ESTÁ SUSPENSA?
A FENPROF NÃO COLOCOU ISSO COMO MANCHETE NO SITE…
Veja-se o seguinte, a respeito do concurso extraordinário:
Nos termos do Código do Processo dos Tribunais Administrativos (CPTA), a recepção da citação respeitante a uma providência cautelar obriga à suspensão do acto contestado, no caso o concurso extraordinário. O MEC garante que tal não acontecerá, uma vez que “enviará ainda hoje [quarta-feira]” para o tribunal a resolução fundamentada prevista no artigo 128.º do CPTA. Esta resolução, acrescenta, “suspende os efeitos da citação desde o momento em que o MEC foi citado”.
Segundo o CPTA, a partir do momento da citação a entidade visada “não pode iniciar ou prosseguir a execução” do acto administrativo contestado. Mas esta imposição, acrescenta, poderá ser levantada através de uma resolução fundamentada onde demonstre que a suspensão “seria gravemente prejudicial para o interesse público”.
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/mec-ja-foi-notificado-pelo-tribunal-do-funchal-mas-naoi-suspende-concurso-1583558
Como professora de Português há quase 30 anos, conheço muitos colegas espalhados pelo país. Entre eles (entre nós), por correio eletrónico, tem sido partilhada a indignação com o serviço para que foram convidados, a maioria por discordar da existência da prova, uma vez que se destina a colegas licenciados e profissionalizados já com anos de serviço, devendo o MEC agir a montante e não a jusante, se desconfia da qualidade dos cursos ministrados.
Não nego que há muita desconfiança sobre a qualidade de licenciaturas ministradas, em algumas ESE’s por exemplo, mas devia incidir aí a atuação do MEC, o que parece enjeitar, com certeza para proteger o “tacho” de muitos professores do Ensino Superior, alguns com ligações diretas ao poder e à política. Essa atuação desejável, a existir, só poderá ter efeitos para o futuro, visando os novos licenciados, pois muitos dos que se formaram nesses estabelecimentos de ensino superior conhecidos por inflacionarem classificações até já entraram nos quadros, porventura com menos tempo de serviço do que alguns colegas contratados.
De entre os professores de Português que vão partilhando a sua recusa em participar no processo de correção também há os que se indignam com o montante pago, infelizmente, não porque não seja um montante ridículo, mas porque se depreende que, se o montante fosse aliciante, até participariam. E ainda há os que se insurgem com o calendário previsto, ou seja, período de reuniões de avaliação de final de período e correção das provas agendada para a interrupção das atividades letivas por época natalícia.
Logo, duvido muitíssimo que o MEC arranje 500 corretores/classificadores no seio dos professores do 3ºciclo/secundário.
Quero acrescentar ainda que, malogradamente, não me parece que seja por falta de corretores/classificadores que se consiga abortar este plano do MEC, pois acredito que haja professores do Ensino Superior, uns Ramiro’s por exemplo, na lista de espera para dar asas ao devaneio do MEC. A ser verdade, será o cúmulo da farsa, havendo corretores/classificadores como juízes em causa própria.
Já fiz formação (sobre a TLEBS) com professores da ESE onde o tal Ramiro leciona, por exemplo, que, informalmente, lamentaram estar a lecionar o último ano de uma licenciatura para professor do 1º Ciclo do Ensino Básico a alunos que persistiam em confundir a forma verbal do verbo haver “há” com a preposição contraída “à” e que não sabiam como agir, pois se classificassem a sua impreparação como a verificavam, cair-lhes-ia o carmo e a trindade em cima.
Ana, tem toda a razão. Até que enfim alguém põe o dedo na ferida. ESEs e Piagets e afins. A formação que se ministra nestas escolas é fraquíssima em muitas disciplinas. Já tive acesso a trabalhos finais que não correspondiam, em qualidade e correção, a trabalhos que alguns dos meus alunos já fizeram no 11.º ano. 😐
Não basta lutar contra esta prova. É preciso reivindicar a integração dos professores contratados nos quadros, pois há falta de docentes nas escolas. Centrar a questão apenas na prova é desviar a atenção do verdadeiro problema. Os professores dos quadros estão neste momento com excesso de turmas, aumento monstruoso do horário de trabalho, turmas enormes. E perderam as reduções lectivas. É preciso dar trabalho a todos: reduzir o horário de trabalho, reduzir o número de alunos por turma e atribuir as reduções lectivas de acordo com o que existia no ECD de 1998. Tal como a actual ADD, esta questão da prova é uma farsa, a qual só serve para fomentar o mau ambiente, ambiente de guerrilha, que se vive actualmente nas escolas junto dos docentes.
BASTA DE ALIBIS! REGRESSO AO ESTATUTO DE 98. INTEGRAÇÃO DOS PROFESSORES NOS QUADROS. ISTO É QUE É DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA. Tudo o resto é conversa. Os professores estão fartos de conversa… actualmente já estão todos muitos velhos para irem em conversas! BASTA!
Os professores dos colégios tenho sinceras dúvidas, que não aceitem ser corretores…..