Directores contra “cedência” aos sindicatos

Tutela quer que os docentes participem na nomeação da equipa mais próxima da direcção. Directores não querem abdicar deste poder

O director de uma escola ou de um agrupamento escolhe os professores que quer ter na sua equipa. Até agora tem sido assim, mas se a proposta do governo sobre o regime de autonomia e gestão escolar avançar, os docentes ganham mais poder para eleger os coordenadores dos seus departamentos. O Ministério da Educação quer que o director apresente uma lista com três nomes e que sejam os professores a ter uma decisão final sobre quem vai desempenhar esse cargo.

É uma repartição de competências que só satisfaz em parte as reivindicações dos sindicatos, mas que não agrada aos directores.

Manuel Esperança, do Conselho das Escolas, critica a tutela por ter “cedido aos sindicatos” e Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que equipa de Nuno Crato “tentou fazer como Salomão”, esquecendo-se que as “leis não podem ser feitas para agradar a todos”. Mas se a intensão da tutela foi satisfazer os dois lados, o objectivo falhou já que o presidente da ANDAEP assegura que os “directores rejeitam esta mudança por não fazer sentido: “Se um director é eleito mediante um projecto que é seu, do qual é responsável pela sua execução e resultados, não faz sentido que não tenha competência para nomear a sua equipa mais próxima.”

Manuel Esperança esclarece que ainda não analisou a fundo a proposta do governo, mas já está descontente com o facto de a tutela retirar aos directores o poder de eleger os seus coordenadores: “À partida não gostei desta cedência que a tutela fez aos sindicatos. Até porque nenhum director com bom senso vai designar docentes que não são bem aceites pelos seus pares.”

O presidente do Conselho das Escolas diz não perceber os receios dos sindicalistas, ao temerem a falta de democracia, perante um modelo que actualmente entrega aos directores o poder de nomear as chefias das estruturas intermédias: “Os sindicalistas têm esta mania que nós só queremos yes boys a trabalhar connosco. É uma ideia profundamente errada, mas também não podemos nomear docentes que estão, por exemplo, contra a visão que temos sobre o projecto educativo da escola ou do agrupamento do qual somos responsáveis.”

Esta não é a única mudança que a tutela propõe. Ter pelo menos cinco anos de experiência num cargo de direcção já não basta para chegar a director.

O candidato tem agora de ter formação específica na área da gestão e administração escolar. E para eleger um director já não é suficiente a maioria por um voto, terá de ter pelo menos um quarto dos votos do conselho geral das escolas.

O conselho geral, que já tinha o poder para destituir o director, passa igualmente a ter competência para o avaliar. Uma proposta que até faz sentido para Adalmiro da Fonseca.

Antes eram os máximos responsáveis das direcções regionais de educação que assumiam essa função: “Os conselhos gerais estão mais envolvidos com o trabalho dos directores”, diz Adalmiro da Fonseca.

Se o Adalmiro e o Esperança não gostam das mudanças é porque o projeto vai no bom caminho. Temos pena!
Mas acredito que a maioria dos “representados” não se reveja nesta posição.

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6 comentários

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    • Sara on 14 de Fevereiro de 2012 at 9:18
    • Responder

    Pode ser que alguns dos diretores saiam do poleiro e voltem à sala de aula!

    • 430 on 14 de Fevereiro de 2012 at 9:25
    • Responder

    Concordo….

    • Diana Barroca on 14 de Fevereiro de 2012 at 13:07
    • Responder

    O grande problema é que, como temos visto com os critérios adoptados para selecção dos professores, bom senso é coisa que falta a muitos directores!!

    • Margarida420 on 15 de Fevereiro de 2012 at 2:20
    • Responder

    Possivelmente, terão o que mereçem os Directores que se esquecem que um DIA já foram Professores, que tb andaram kms para levar o ordenado para casa, que aturaram meninos menos respeitosos, que foram pressionados a fechar os olhos a determinadas avaliações de alunos (por causa dos pais), … esses mereçem … não esquecendo os critérios que alguns escolhem que demonstra uma absoluta estupidez disfarçada de incompetência e falta de DIGNIDADE. Já agora uma questão: será que alguns destes senhores têm filhos??? pois mas são do sr. Ex Director. Na minha terra diz-se “quanto maior a altura maior é a queda”.

    • LE on 15 de Fevereiro de 2012 at 19:36
    • Responder

    Pois..pois e nessas listas que o Sr. Diretor irá dar irão três dos seus “capachos”, dos seus “lambe botas”….
    Já há muiiiiiito tempo que deixou de existir democracia nas escolas…ainda não repararam????

    Mas ainda existem pessoas que acreditam que os sr. Diretores algum dia irão dar aulas? se é que se lembram do que isso é!!!!???? São lapas agarradas ao poder…e não o largam …de certeza e aqui está alguém a falar que já tem quase 30 anos a “leccionar” e a observar estes absurdos contínuos…sem esperança que alguma vez melhore tb….

    • LE on 15 de Fevereiro de 2012 at 19:40
    • Responder

    Rectifico: o sr. Diretor irá dar uma lista com 3 nomes dos seus capachos ou lambe botas como preferirem…
    e depois os grupos ou departamentos terão de escolher entre três dos piores se calhar o menos “pior” ou neste caso o menos “melhor” lambe botas…..

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