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Cada Português deu Hoje 100€ à TAP

Levem o senhor de Murça a falar com o António Costa e com os dois da imagem de baixo.

 

 

Governo aprova injeção de mais 980 milhões na TAP

 

Aumento de capital conclui programa de recapitalização da companhia área aprovado pela Comissão Europeia há um ano. Total: 3,2 mil milhões de euros.

 

O governo acaba de aprovar mais um aumento de capital da TAP. São mais 980 milhões de euros que entram no balanço da companhia aérea portuguesa. O movimento já estava previsto para este final de ano, tendo a CNN Portugal confirmado junto de fontes próximas do processo que o despacho foi assinado ontem, segunda-feira, pelo ministro das Finanças, Fernando Medina.

A assinatura não é irrelevante: num momento em que se discutem possíveis incompatibilidades da secretária de Estado Alexandra Reis, que saiu da administração da TAP no início deste ano, a autorização da despesa pública é assinada diretamente pelo ministro.

A companhia aérea termina assim o ano não só envolta na polémica da indemnização da ex-administradora Alexandra Reis e sob ameaças de greve, mas também com as contas mais equilibradas, em função da sucessão de injeções do Estado que serviram para resgatar a empresa da falência, depois do impacto da pandemia da Covid-19.

Estes 980 milhões de euros estavam previstos tanto no Orçamento do Estado deste ano como no acordo fechado com a Comissão Europeia há um ano. Trata-se da última tranche de um total de 3,2 mil milhões de euros que foram aprovados por Bruxelas no programa de reestruturação da companhia.

Embora o acordo com Bruxelas não seja público, foi assumido publicamente que, depois destas injeções, não poderá haver mais aumentos de capital na TAP nos próximos dez anos. O governo está entretanto a preparar a privatização da empresa, que pode avançar já em 2023.

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Uma Autêntica Quadrilha

…no assalto aos cofres do estado.

Se calhar ainda vamos descobrir que a mulher de Medina quando deixou a TAP também recebeu uma choruda indemnização. Porque prémios chorudos já os recebeu em 2019.

Para além dos 500 mil euros que Alexandra Reis recebeu em 2022, também recebeu um chorudo prémio em 2019 (42 mil euros), ano de largos prejuízos da TAP.

 

 

Alexandra Reis saiu da TAP depois de se incompatibilizar com a CEO da companhia aérea. O trabalho que fez na transportadora levou Pedro Nuno Santos a chamá-la para a NAV. A amizade com a mulher de Fernando Medina ajudou a aproximá-la do ministro das Finanças, que a convidou para a sua equipa.

 

 

Mas como disse o Primeiro Ministro, “Habituem-se”, porque vão ser mais 4 anos disto.

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STOP, o grito dos professores que ameaça parar o ensino público

STOP, o grito dos professores que ameaça parar o ensino público

 

Paulo Baldaia conversa com Isabel Leiria, jornalista do Expresso que acompanha as questões de Educação.

Os sindicatos dos professores ameaçam endurecer as formas de protesto no próximo ano e, nesta luta, destaca-se o Sindicato de Todos Os Profissionais de Educação que tem estado a ganhar protagonismo. As greves vão multiplicar-se já em Janeiro e os sindicatos prometem realizar uma grande manifestação em Lisboa já no mês de Fevereiro. Neste episódio, conversamos com Isabel Leiria, jornalista do Expresso que acompanha as questões de Educação.

 

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Vencimentos – Carreira Docente 2023

 

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Títulos do Público para Assinantes

Para os professores, “este ministro deixou de existir”

Participaram nas greves e manifestação convocadas este mês. Dizem-se fartos de serem “enxovalhados” e não perdoam ao ministro a tentativa de reduzir as razões do protesto a uma “campanha de mentiras”.

 

Stop, um sindicato que conseguiu capitalizar o descontentamento dos professores

 

Estratégia seguida pelo Sindicato de Todos os Professores é típica dos “populismos”, adverte investigador de Coimbra.

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A Notícia do Público Sobre a ADSE

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vêm aí greves “inovadoras/fortes” de professores, “sem esgotar os salários” e que podem durar “até ao fim do ano letivo

Até prometem acampar se for preciso: vêm aí greves “inovadoras/fortes” de professores, “sem esgotar os salários” e que podem durar “até ao fim do ano letivo”

 

Apesar de o primeiro-ministro ter feito uma mensagem de Natal para dizer que está tudo bem no país, há pelo menos um sector que vai sair à rua em discordância com isso mesmo – eis o que é esperado

 

O Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) realiza esta terça-feira em Coimbra um “grande encontro nacional de comissões de greve” e representantes de professores, para decidir “novas formas de luta” já para o mês de janeiro, confirma à CNN Portugal o coordenador do movimento, André Pestana.

No site do S.T.O.P apela-se às escolas ou agrupamentos que enviem “um ou dois representantes, seja das comissões de greve existentes ou colegas em que os outros reconhecem a energia para representar” a escola, porque o sindicato tem “formas de luta ainda mais inovadoras/fortes para apresentar e sem esgotar os nossos salários”.

O S.T.O.P. decretou greve para todo o mês de janeiro de 2023, como forma de protesto pelas últimas decisões do Governo, nomeadamente a transferência da Educação para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

Já a Fenprof, a maior e mais representativa organização sindical de professores em Portugal, tem mesmo um contador visível no site com os dias que faltam até 10 de janeiro, data limite que o sindicato dá ao ministro da Educação para “abandonar as suas graves propostas para o regime de concursos” de docentes e para “calendarizar a negociação de soluções para os problemas existentes”, nomeadamente a contagem integral do tempo de serviço, a revisão do regime de avaliação de desempenho ou o novo regime de mobilidade por doença.

A organização liderada por Mário Nogueira vai ainda realizar um plenário nacional de dirigentes, delegados e ativistas a 29 de dezembro, “com vista a preparar a luta que recomeçará em 3 de janeiro”, prometendo manter a greve ao sobretrabalho e horas extraordinárias até ao final do ano letivo “caso o Ministério não resolva os problemas que levaram à sua convocação”.

A Fenprof convocou ainda uma concentração de professores junto ao Ministério da Educação, a 3 de janeiro, para entregar um abaixo-assinado que rejeita a colocação de professores “por diretores ou outras entidades locais”. E promete mesmo acampar junto do Ministério caso o ministro não responda “entre 10 e 13 de janeiro” às questões colocadas pela organização sindical.

A Fenprof avançará ainda com greve nacional, distrito a distrito, entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro, prevendo para 11 de fevereiro a realização de uma manifestação nacional de professores e educadores.

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Agenda para Amanhã

Encontro Nacional: 27 de dezembro 2022

 

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Um Longo Texto de Mário Nogueira no Observador

Sobre a luta dos professores: o que há a dizer sob a forma de FAQ

 

A FENPROF tem estado em convergência e unidade com outras organizações sindicais e tudo tem feito para manter essa união. Há quem caricature essa unidade, mas não a conseguiu destruir.

 

Os professores estão descontentes. Há razões para se sentirem assim. Estão disponíveis para lutar contra as causas do descontentamento e a prova disso é a luta em curso desde o início do ano letivo. Sobre a luta dos professores, contudo, é necessário esclarecer equívocos. Tentarei, sob a forma de FAQ, de novo em moda, responder a dúvidas que têm sido levantadas. Este texto só responsabiliza o autor. É que, por vezes, a caixa enche, a tampa salta e não é possível conter por mais tempo o acumulado.

É justa a luta dos professores?

Justíssima. Os professores são desrespeitados pelo poder político, os velhos problemas arrastam-se e surgem novos; a profissão tem-se desvalorizado e, de um momento para o outro, passou-se de um alegado excesso para a falta de professores em muitas escolas.

Quais são os principais problemas que afetam os professores?

Carreira: não contagem de todo o tempo de serviço cumprido, vagas na progressão, quotas na avaliação e o próprio modelo de avaliação; precariedade: quase 20% de vínculos precários, sendo necessários, em média, 16 anos de serviço para vincular; condições de trabalho: sobrecarga de trabalho, elevado número de alunos/turma, burocracia e abusos e ilegalidades nos horários; envelhecimento: falta um regime específico de aposentação respeitador do desgaste e que abra lugares aos jovens. Há outros problemas relacionados com quem é afetado por doença incapacitante, com quem trabalha em monodocência, com os docentes das escolas artísticas, com os que são tratados como técnicos especializados e um mar de outros.

A FENPROF tem apresentado propostas para resolver os problemas e lutado por elas?

Não há reunião no ME em que não sejam colocados todos os problemas, mesmo sem constarem da agenda. Até em tempo de bloqueio negocial, a FENPROF pressionou o ministério e esperou o ministro e o Primeiro-ministro em espaços públicos questionando-os. A contagem integral do tempo de serviço esteve em vias de ser obtida e só a ameaça de demissão de António Costa levou os partidos à sua direita a darem o dito por não dito no Parlamento.

Da luta que a FENPROF tem organizado há resultados?

Entre os mais recentes, temos: fim da divisão da carreira em categorias, revogação da requalificação para a qual estavam a ser empurrados milhares de docentes, fim das BCE, revogação da PACC que chegou a afastar mais de 5000 dos concursos, realização de concursos de vinculação extraordinários, eliminação dos cortes salariais e reposição integral do vencimento, descongelamento das progressões ou o início da recuperação de tempo de serviço que, segundo o governo, era para esquecer. A luta foi particularmente forte em momentos de maioria absoluta, quer PS, quer PSD/CDS. Os resultados obtiveram-se logo a seguir, quando perderam essa maioria.

Este ano a luta começou apenas em dezembro?

A primeira de maior visibilidade foi em 4 de outubro, com centenas de professores junto à Assembleia da República. Passou por inúmeras reuniões em escolas, plenários, vigílias, duas greves em novembro, em 2 e 18, nova concentração junto ao Parlamento na primeira greve, muitas iniciativas em escolas por iniciativa dos professores, presença de muitos docentes em Lisboa em 17 de dezembro, assinatura de abaixo-assinados como há muito não acontecia ou tomada de posição em reuniões dos órgãos das escolas.

A FENPROF não declarou greve por tempo indeterminado porquê?

Porque os professores não podem prescindir do salário por tempo indeterminado. Uma greve por tempo indeterminado não é intermitente, nem apenas simbólica. É parar sem se saber quando se regressa ao trabalho. Não sendo assim, seria o mesmo que estar em greve da fome e interromper para comer. Além disso, com o adiamento das negociações para janeiro, entendeu-se que as ações mais fortes deveriam ser guardadas para esse momento.

Há muitos docentes em greve por tempo indeterminado?

Desconhece-se. São visíveis formas diversificadas de luta, muitas promovidas pela FENPROF e também por outros sindicatos, mas ninguém, até hoje, revelou dados de adesão a essa greve.

Os professores têm desenvolvido formas de luta autónomas nas escolas?

Em algumas escolas sim, dando expressão pública ao descontentamento e contribuindo para a luta em curso, reforçando-a. Por vezes, a ação passa por contactar os pais antes de as aulas se iniciarem. A FENPROF tem um texto que tem sido distribuído aos encarregados de educação desde 2 de novembro.

A FENPROF não se tem unido a outras organizações sindicais?

A FENPROF tem estado em convergência e unidade com outras organizações sindicais e tudo tem feito para manter essa união. Há quem caricature essa unidade, mas não a conseguiu destruir.

A FENPROF recusa a união com algumas organizações sindicais?

A FENPROF privilegia a unidade, desde logo nas escolas, mas também entre as organizações. Mas é difícil unir-se a quem a convida e, simultaneamente, promove campanhas de descredibilização da FENPROF e dos seus dirigentes. Campanhas com acusações sobre inexistentes acordos por debaixo da mesa, alegadas traições aos professores, insinuações de os seus dirigentes beneficiarem de privilégios, apelos à dessindicalização dos sindicatos da FENPROF. Quem age desta forma não quer união e só usa essa alegada pretensão como forma de propaganda enganosa.

A FENPROF é um sindicato do sistema?

Se o sistema é a ordem democrática, a FENPROF respeita-a; se é protestar, mas também ter propostas com soluções, a FENPROF é assim que age; se é reunir com os professores e ter em conta a opinião da maioria, em relação à luta não substitui o contacto direto por inquéritos online; se é dizer à saída das reuniões no ministério o que disse lá dentro, a FENPROF não fala grosso à porta e fininho na reunião. A acusação populista que a extrema-direita alimenta no seu discurso de raiva e ódio, acusando os outros de serem do sistema, onde vingou deu maus resultados.

Há interesses escondidos por detrás das mais recentes movimentações dos professores?

No que respeita aos professores, o interesse é só um: defender os seus legítimos direitos, reclamar os seus justos anseios e valorizar a profissão. Se outros se querem aproveitar do seu descontentamento, isso cabe a cada um inferir. Por exemplo, há quem interprete o silêncio do ME e do PS como interesse em elevar o protesto dos pais para mexer na lei da greve ou para esgotar os professores agora, dificultando a sua mobilização quando for necessária; há quem ache nada inocente a colagem de Moedas ao protesto, as simpáticas palavras de comentadores da direita ou o artigo da autarca do PPD/PSD (partido anti-sistema?) advogando o princípio do fim dos sindicatos do sistema; há quem tenha reparado nas imagens da atual líder do MAS à frente de escolas… também não é despiciendo o envolvimento de pessoas tocadas por ressabiamentos passados ou por ofícios presentes. Portanto, não são os professores que se movem por interesses alheios aos seus, quando muito são esses que cavalgam os dos professores.

O Ministério divulgou umas FAQ sobre as suas intenções para os concursos, estão corretas?

Essas FAQ, enviadas a cada docente pelas direções das escolas, são enganadoras, pois não respondem às perguntas que suscitam mais contestação e às que respondem são equívocas e omissas no mais negativo. Se sobrepusermos essas respostas ao teor dos documentos apresentados nas reuniões com os sindicatos, vê-se que o objetivo não é esclarecer.

A luta dos professores deve continuar?

Sim, é essencial. É necessário que os professores lutem. Nas escolas, organizando-se, mas também participando nas ações que resultam da convergência das organizações sindicais. As lutas tornam-se importantes não pela sua duração, mas pelo nível de adesão, pois é esse que demonstra a insatisfação de quem luta. Como tal, o apelo é que os professores se unam e façam uma grande greve quando chegar a vez do seu distrito, participem no dia D e em concentrações previstas e que, em 11 de fevereiro, ninguém fique em casa e o protesto volte a encher a Avenida da Liberdade.

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Em janeiro poderemos ter uma luta como este país nunca viu

“Em janeiro poderemos ter uma luta como este país nunca viu”: professores endurecem discurso e prometem multiplicar greves e ações na rua

 

Fenprof admite 18 dias de greve. Sindicato STOP garante “luta” nunca antes vista

 

A convicção é animada pelo crescente mal-estar que se sente entre os professores e que teve no último sábado mais uma manifestação de descontentamento, com milhares de docentes nas ruas de Lisboa a desfilar até à Assembleia da República: “Em janeiro poderemos ter uma luta como este país nunca viu”, antecipa André Pestana, líder do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (STOP), criado há apenas quatro anos e que tem entregue, desde 9 de dezembro, pré-avisos de greve semanais consecutivos.

Ninguém sabe a adesão que estas paralisações têm tido e o próprio dirigente sindical admite-o. “Não vou estar a inventar números. Mas neste período houve centenas de escolas fechadas ou a meio gás, com milhares de professores a aderirem a este protesto, a concentrarem-se em frente às escolas, debaixo de chuva e a explicar aos pais porque ali estavam. É inequívoco que há um novo despertar da classe”, descreve André Pestana, ex-sindicalizado na Fenprof e colega do ex-ministro Tiago Brandão Rodrigues no curso de Bioquímica em Coimbra.

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O Sindicalismo ou é democrático ou perecerá

O Sindicalismo ou é democrático ou perecerá

Numa das maiores greves de sempre na educação nos EUA os professores de Chicago, 2018-2019, na Escola pública, dividida em comunidades, muitas segregadas e pobres, ganharam: aumentos de salários, contratação de mais professores, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, habitação social para alunos, turmas reduzidas. Como? Durante 1 ano organizaram em cada escola um comité de greve, eleito, esse comité esteve 1 ano a realizar encontros com as comunidades locais, de pais, desporto, cultura, assistência, explicando quais as razões de luta dos professores. Quando rebentou a greve toda a imprensa os acusava de destruir a vida dos alunos, sem aulas. Mas a cidade de Chicago apoiou-os em massa. As famílias sentiram-se parte do processo. O governo perdeu. E – incrível – os comités de greve exigiram que as negociações com o Governo fossem feitas em plenário aberto aos professores e aos membros da comunidade. Sim, não houve negociações à porta fechada.
Os professores em Portugal mobilizaram-se numa greve com uma manifestação que foi uma surpresa. O PS, que navega a ilusão do super poder da maioria absoluta, teve a primeira oposição real deste mandato. O Sindicato que a convocou trouxe algumas novidades ao panorama sindical – o STOP apresenta-se como um sindicato de mandatos finitos, os dirigentes são professores que ciclicamente estão nas escolas, os cargos de dirigente sindical são rotativos. Todos os que participaram na manifestação puderem ter acesso ao microfone. A greve parte de uma organização escola a escola, que elege um comité de greve. Os estatutos do STOP não são blindados, o que torna muito mais fácil e democrático apresentar listas alternativas à direção. Os acordos com o Governo não são assinados sem ouvir todos os membros.
Estes factos são conhecidos pelos historiadores sociais. Eram o padrão no século XIX, quando nasceu o sindicalismo. A ideia de que dirigentes não exercem a profissão, eternizam-se nos cargos, fazem plebiscitos (em vez de debates prévios e plenários para aprovar ou chumbar acordos), ou que as greves se decretam à sexta (em vez de se organizarem com tempo e fundos de greve) é uma ideia estranha ao movimento sindical até praticamente à II Guerra Mundial. O desafio está aí: que sindicalismo para o século XXI?

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Representantes dos beneficiários na ADSE prometem ser voz “alternativa”

Representantes dos beneficiários na ADSE prometem ser voz “alternativa”

 

Pela primeira vez, listas independentes elegem representantes para o Conselho Geral e de Supervisão da ADSE. Menos descontos, melhores serviços e entrada de novos beneficiários são as prioridades.

 

 

Menos descontos, entrada de novos beneficiários e melhores serviços. Estas são as causas que os dois novos representantes no Conselho Geral e de Supervisão (CGS) da ADSE, indicados pelas listas “independentes”, prometem defender naquele órgão consultivo. Contrariando o que classificam como a “estagnação” do sistema de protecção na saúde dos funcionários públicos nos últimos cinco anos, prometem ser uma voz “alternativa” à dos sindicatos.

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Sou professora e todos os fins de semana, todos mesmo, percorro 560 quilómetros

Carla Bastidas é professora do ensino básico, tem 46 anos, mora em Viseu e dá aulas no Algarve. Tem feito greve juntamente com os colegas na luta por melhores condições de trabalho. Este é o seu testemunho

Comecei a dar aulas em 2000/2001, tenho formação base de ensino básico com a variante de educação física. Nesse ano apresentei um projeto, junto com outros colegas, a um agrupamento de escolas na minha área de residência e lecionámos as nossas disciplinas em todas as escolas do primeiro ciclo e pré-escolar, mas a ideia não teve continuidade. Nos anos seguintes, fiz pequenas substituições por doença ou licença de maternidade, de um mês e/ou quatro meses, pelo Algarve e em Lisboa, e nunca consegui trabalhar um ano letivo completo.

Em 2008/2009, fui colocada por três meses no Algarve, na EB 1 de Silves, e, entretanto, engravidei. Por sorte, nesse mesmo ano, em fevereiro, fui colocada a 40 quilómetros de casa, em Oliveira de Frades. No ano letivo seguinte fui colocada pela primeira vez para o ano inteiro, mas no Alentejo, em Aljustrel. Como estava em final de gravidez, não me apresentei logo ao serviço e foi aí começou o meu dilema.

Ao fim de cinco meses do nascimento do Diego, quando me ia apresentar ao serviço, não consegui creche para o meu filho e fui alertada de que poderia tirar licença alargada de oito meses. Não hesitei. Apresentei-me a 1 de junho de 2010 e, como não conseguia creche em Aljustrel, fiquei alojada em Armação de Pêra, em casa de familiares. Fazia 135 quilómetros diariamente para ir trabalhar.

No ano seguinte, fui colocada novamente no Algarve, em Ferreiras, Albufeira. Levei o meu filho comigo pois sabia que tinha vaga na mesma creche onde havia estado no ano letivo anterior. No entanto, com esta decisão para trabalhar na área/profissão para a qual me formei, privei o meu marido Marcos de acompanhar o crescimento do nosso filho.

Durante estes dois anos ia a casa de carro apenas uma vez por mês e na companhia dos meus pais ou da minha sogra, que se deslocavam desde Viseu e do Porto respetivamente, de autocarro, para me fazerem companhia nas viagens, de forma a que eu não viajasse sozinha com o bebé.

Entretanto fiquei desempregada e decidi abandonar o ensino pois com as despesas, o filho em crescimento, o crédito de casa… era necessário trabalhar. Encontrei emprego numa empresa privada, embora ligada ao ensino, no Grupo Porto Editora. Era consultora pedagógica em várias escolas na periferia de Viseu e dormia em casa todos os dias. Não havia dinheiro nenhum no mundo que pagasse o facto de eu poder dormir todos os dias na minha cama e estar junto da minha família. Entrei nos quadros da empresa e pensei que já não voltaria mais a lecionar, mas a vida prega-nos partidas.

“Tive uma baixa psiquiátrica”

Em 2018, com a gratuitidade dos manuais escolares e a baixa taxa de natalidade, fui dispensada das minhas funções. Voltei ao ensino, mas como já não tinha um ano de serviço, nos últimos seis anos [requisito para estar na 2.ª prioridade dos concursos de professores] fui inserida na 3.ª prioridade. Tive de alargar o concurso para Lisboa e Algarve, perto das zonas onde tinha estadia em casa de familiares, para que as despesas não aumentassem e fossem suportadas. Estive três meses numa escola no Montijo e não trabalhei mais nesse primeiro ano de regresso ao ativo.

No ano letivo seguinte (2019/2020) enganei-me a concorrer e fui trabalhar dois meses para Vila Real de Santo António, onde tive de procurar alojamento. E em janeiro já estava colocada em Alfornelos, Amadora. Fui sozinha, deixando o meu filho, então com 10 anos, só com o pai, tendo de se deslocar para a escola com boleias porque o horário de trabalho do meu marido não era compatível com o horário escolar do nosso filho.

Entretanto veio a pandemia e, no meu caso, ficar em ensino à distância foi bom, pois embora fosse muito mais trabalhoso do que estar no ensino presencial, conseguia estar junto da minha família e principalmente do meu filho.

No ano seguinte (2020/2021), fui colocada em Lisboa, nas Olaias. Lá voltei eu a andar com a “casa às costas” para casa da minha tia, abandonando o meu lar e a minha família mais uma vez. A experiência não correu bem, entrei em baixa psiquiátrica e fui seguida em psiquiatria e psicologia. Tive de tomar medicação e não regressei a essa escola.

Dizem que, depois da tempestade, vem sempre uma bonança. Em 2021 /2022 consegui voltar nos concursos à 2.ª prioridade e fui logo colocada para iniciar funções a 1 de setembro no Agrupamento de Escolas Silves Sul, na EB1 de Alcantarilha, onde fui muito bem acolhida por colegas, funcionários e direção da escola. No presente ano letivo estou com o meu contrato reconduzido no mesmo agrupamento.

“Estar longe é uma enorme dor”

Embora tenha um ambiente de trabalho espetacular, todos, mas mesmo todos os fins de semana, desde o ano letivo 2018/2019, vou a casa de autocarro para conseguir estar um pouco com a minha família. São 560 quilómetros de distância. Faço 16 horas de autocarro – viajo das 16h20 às 00h25 à sexta-feira e das 16h00 às 23h30 ao domingo – para conseguir exercer a profissão de que tanto gosto e tentar aproveitar estar o mais possível com a minha família.

Tenho uma casa de familiares à disposição no Algarve e pago as despesas do dia-a-dia, mas não tenho de suportar uma renda. Ainda assim, com o atual nível de vida e os gastos que temos, continua a ser incomportável. Por esse motivo, o meu marido e o meu filho passaram a viver com os meus pais em Viseu, pois decidimos vender a nossa casa.

Consigo poupar dinheiro no almoço, pois levo uma marmita todos os dias e só me desloco para o Algarve na minha viatura no começo e no fim do ano letivo porque não é possível suportar o preço do combustível e das portagens.

Neste momento, o bilhete de ida e volta de autocarro tem o custo 66 euros por fim de semana, o que totaliza cerca de 250 euros por mês. Entre portagens e combustível, se eu levasse carro, aquilo que gasto mensalmente com as viagens de autocarro era o que iria gastar por fim de semana. O meu marido é administrativo, ganha o ordenado mínimo e é ele quem está com o meu filho e tem aguentado emocionalmente toda esta situação. Os dois continuam a ser o meu grande suporte.

Acabo por conseguir recuperar um pouco o sono durante a semana porque estou sozinha e deito-me mais cedo. De igual modo, o trabalho que tenho de fazer extra-aulas (preparação de aulas e correção de testes, por exemplo) fica circunscrito aos dias úteis porque não levo trabalho para casa ao fim de semana. Gostava que as pessoas percebessem que os professores têm muito trabalho invisível e que não termina nas horas em que damos aulas.

Vivemos numa constante adaptação. Estar longe de casa já levou o meu filho a verbalizar que quer que eu deixe o ensino. Ele diz-me: “Vem para Viseu e vai trabalhar para um supermercado”. Eu respondo-lhe que não é fácil arranjar um novo trabalho com a minha idade.

Não consigo deixar de me emocionar quando penso numa certa madrugada de novembro quando recebi uma mensagem do meu filho às 3h30. Dizia: “Mãe, não me sinto bem”. O Diego estava doente e mesmo sabendo que ele está muito bem com o pai, em momentos de aflição recorre à mãe. Não descansei até chegar a sexta-feirapara ir para casa. Estar longe nestes momentos é uma enorme dor.

Porque faço greve

Enquanto contratados, o nosso primeiro foco é entrar nos quadros. Este ano consegui renovar contrato na mesma escola para onde entrei no ano passado, mas nos moldes em que atualmente estão os concursos, o ano letivo de 2023/2024 seria o meu terceiro contrato e entraria em quadro de zona, neste caso no Algarve, mas poderia pedir destacamento por aproximação à residência. Com esta nova modalidade que o Ministério da Educação (ME) quer impor aos concursos, isso está fora de questão. O ME quer criar o que se intitula de mapas de pessoal, em que depois é impossível aproximarmo-nos à zona de residência porque os mesmos estão agregados a um município.

Defendemos que deve ser mantida a modalidade de concurso e não passar para a municipalização. Na proposta do Ministério, os municípios passam a ter autonomia para a colocação dos professores e os critérios deixam de ser a nossa graduação de lista e a nossa classificação profissional.

O dia 9 de dezembro foi o primeiro dia de greve e desde dia 12 que a mesma tem funcionado por tempos letivos. Neste momento, a greve continua por tempo indeterminado. Obviamente, temos muitas penalizações a nível salarial porque os tempos em que fazemos greve são descontados no nosso vencimento.

Ser professor nestas condições é ser resiliente, contra tudo e contra todos. A vida de professor não é fácil em muitos aspetos e é preciso gostar muito do que se faz. Os risos e os abraços que recebo dos meus 24 alunos todas as segundas-feiras ajudam-me a ganhar novo fôlego e a suportar um pouco melhor a dor que sinto por estar longe da família.

 

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O porquê do vandalismo na escola de Carnaxide

 

Ensinar implica obrigatoriamente versar sobre o desenvolvimento humano, o mesmo desenvolvimento responsável pela produção das crianças e adolescentes com as quais o professor trabalha todos os dias. Todos os dias. Mesmo quando não trabalha. Já o disse, por fascínio, pela bandeira, pela tomada de consciência deste papel na sociedade. Um sentido para a vida. O tal espírito de missão. O mesmo espírito passível de compreender, ou pelo menos tentar compreender, o porquê de determinados comportamentos, mesmo se extremos e especialmente se extremos, antes de apontar o dedo ou sequer pensar em apontar. Quer queiramos ou não, e muitos não querem, fruto das frustrações impostas por um mundo cada vez mais desigual e onde dois adolescentes são facilmente o pão e o circo onde se descarrega toda uma bílis, estamos a falar de crianças entre os 14 e 15 anos de idade. Impulsivas, ou não estivesse o seu aparelho cognitivo ainda por formar e assim é o cérebro adolescente onde a imaturidade dos córtices frontal e pré-frontal levam este cérebro a recorrer à amígdala para a tomada de decisões, amígdala essa directamente associada às emoções, ao comportamento agressivo e aos instintos.

Why Do Adolescent Males Demonstrate Impulsive Behavior? (stonewaterrecovery.com) Ergo, um cérebro mais primitivo dentro do qual as emoções, para não dizer o conflito, as paixões, os sentimentos, o altruísmo, as causas, os traumas, as vitórias e conquistas vivem fora de limites e não há limites, tudo é possível e somos invencíveis, imortais e inférteis. Todos os adolescentes sabem-no. Os adultos é que não. Os adultos resignados, os adultos conformados para não dizer vencidos e aborrecidos, tementes e para quem escorregar na banheira equivale a um dia inteiro de emoções.

Conclusão imediata: os adolescentes responsáveis pelo vandalismo na escola de Carnaxide agiram por impulso. Agora resta saber a origem deste impulso. E aqui abrimos outra janela, mas uma janela para um universo inteiro. Se as consequências jurídicas e legais prestam-se céleres, como garantir que tal não aconteça com estes ou outros adolescentes? Qual o contexto familiar e socioeconómico destas crianças? Qual o historial familiar? Porquê esta necessidade de destruir, esta vontade de destruir? Se o Director da escola se mostra surpreso diante dos repórteres, estarão outros elementos da comunidade escolar igualmente surpresos ou teriam estas crianças dado a entender alguma inquietação para não dizer revolta? Chegam estas crianças tarde a casa? E porquê? Com quem se relacionam dentro e fora da escola? Estarão estes jovens na periferia ou já parte de um gangue? E quanto a avaliações psicológicas e neurológicas? Estarão as mesmas disponíveis? Tendo em conta a sua presença junto das autoridades na companhia dos pais, tal denota laços familiares ainda presentes, um sinal de esperança na resolução de conflitos, sinal esse cada vez mais raro nos dias que correm. Porque por maior que seja esta vontade, sem o apoio da família a reinserção social é quase uma impossibilidade quando a família é a própria sociedade para a qual se quer, ou não, voltar. As perguntas supracitadas, muitas, são prementes e necessárias e as respostas, nem por isso imediatas mas antes atempadas, ainda mais necessárias se queremos evitar o sofrimento destas e tantas outras crianças.

Se o seu sofrimento traz consequências, visíveis nos recentes acontecimentos na escola de Carnaxide, a sua responsabilidade última é e será sempre dos adultos ao redor, os adultos que formaram, ou não, as crianças agora presentes às autoridades, e repito, felizmente na companhia dos pais.

 

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A caminho da “digitalização da ignorância”…

A caminho da “digitalização da ignorância”…

 

O Ministério da Educação parece, cada vez mais, comprometido com a “digitalização da ignorância”…

De forma assumida, o IAVE tem procedido à “regulação” da dificuldade dos Exames, conforme declarações do seu Presidente em 26 de Dezembro de 2020, relativas ao modelo de Exames aplicado em 2020 e ao que se preconizava, nessa data, para o ano de 2021:

“O presidente do Instituto de Avaliação Educativa (Iave), Luís Pereira dos Santos, reconhece que o modelo usado nos exames nacionais do ensino secundário no último ano lectivo contribuiu para que fossem dadas notas demasiado elevadas” (Jornal Público em 26 de Dezembro de 2020)…

Referindo, ainda, na mesma publicação que: “As provas do 9º, 11º e 12º anos vão manter perguntas opcionais, como no ano passado, mas o nível de dificuldade das alternativas será semelhante para evitar classificações acima do normal”.

Como se não bastasse a existência de uma “regulação” que, pelas alegações anteriores, não pode deixar de se considerar como forçada e artificial, realizada anualmente pelo IAVE, relativa ao grau de dificuldade dos Exames e aos respectivos critérios de correcção, parece que teremos também o reforço de um modelo de Exames/Provas centrado em “cruzinhas”…

Comprovando o anterior, em 17 de Novembro de 2022, o Jornal Público noticiou que: “O Ministério da Educação confirmou esta semana que as provas de aferição do 2º, 5º e 8º anos de escolaridade obrigatória vão ser realizadas por todos os alunos em suporte electrónico”…

Ou seja, prevalecerão as Provas inteiramente digitais, ou se se preferir “de cruzinhas”, em que não será exigida aos alunos qualquer produção escrita…

Os Exames Nacionais e Provas de Aferição compostos apenas por questões de escolha múltipla, vulgarmente designados por Testes “de cruzinhas” ou “à americana”, não serão, com certeza, o mais adequado para os alunos, em particular para aqueles que se encontrem abrangidos pela Escolaridade Obrigatória…

Desde logo porque, em termos gerais, esse modelo de avaliação não parece estimular nem incentivar, e muito menos valorizar, o espírito crítico com recurso à capacidade de argumentação escrita…

A argumentação, oral ou escrita, pressupõe a exercitação do pensamento lógico e da capacidade reflexiva. No caso presente, se a argumentação for escrita, tal implicará que esse pensamento seja organizado num discurso coerente, o menos ambíguo possível e linguisticamente correcto…

Consequência do anterior, os Exames e Provas que apenas exijam respostas “de cruzinhas”, permitirão, com maior facilidade, escamotear e dissimular a eventual ausência de conhecimentos dos alunos sobre determinados temas ou a respectiva dificuldade em expor certos pontos de vista, contribuindo assim para a obtenção de resultados potencialmente enganosos e ilusórios…

Mas, e na verdade, talvez seja esse o derradeiro objectivo do Ministério da Educação:

– Pouco importará se os alunos sabem ou não escrever e falar correctamente ou se conseguem ou não reflectir e defender ou contestar determinados argumentos, o que efectivamente parece relevar será a obtenção de elevadas taxas de “sucesso”, ludibriando os próprios alunos, assim como os respectivos pais/encarregados de educação…

Face ao anterior, relativamente aos pais/encarregados de educação, também não pode deixar de se estranhar e de lamentar o silêncio e a inacção das Associações que supostamente os representam…

Incompreensível esse assentimento e essa conivência, perante o facilitismo que tem vindo a ser difundido pelo Ministério da Educação e pelo decorrente incentivo à ablação do pensamento crítico, que previsivelmente tornará os actuais jovens mais permeáveis e susceptíveis à manipulação por terceiros e à crença em falsas proposições…

O Ministério da Educação/DGE (Aprendizagens Essenciais/Cidadania e Desenvolvimento), espera que a escola prepare “os alunos para a vida, para serem cidadãos democráticos, participativos e humanistas”…

Mas, e de forma paradoxal e inconcebível, tudo isso poderá, afinal, resumir-se a um conjunto de “cruzinhas” que, no limite, até poderá corresponder a um número indeterminado de respostas dadas ao acaso ou de forma aleatória…

A facilidade com que a actual Tutela “diz e se desdiz” começa a ser verdadeiramente surreal e confrangedora…

Os Exames Nacionais/Provas de Aferição até poderiam contemplar perguntas de escolha múltipla, mas não deveriam abdicar de também considerar perguntas cujas respostas requeressem a elaboração de um discurso escrito coerente e lógico, idealmente sem vícios do ponto de vista linguístico…

A maior parte dos jovens que “consome” diariamente conteúdos propalados pelas redes de comunicação virtual como o Facebook, o Instagram, o WhatsApp, o Twitter, o TikTok ou o Youtube adopta, frequentemente, uma espécie de “linguagem alternativa”, marcada por um jargão próprio, onde abundam, por exemplo, abreviaturas, estrangeirismos e expressões idiomáticas…

Sem defender a ortodoxia da Língua Portuguesa e sem querer concebê-la como uma realidade rígida e imutável, se o contexto académico não prezar o domínio da mesma, falada e escrita, a interiorização dessa “linguagem alternativa” acabará por conduzir a uma amálgama linguística, sem regras e sem identidade…

Por outro lado, não poderá ignorar-se o número significativo de jovens universitários que apresenta dificuldades notórias, por exemplo, na redacção de documentos, nomeadamente ao nível da correcção ortográfica, o que denota um frágil domínio da Língua Portuguesa…

E nem o facto da Língua Portuguesa ser “muito traiçoeira” (Herman José em “Casino Royal”) poderá servir como justificação de tais dificuldades…

Se os Exames Nacionais/Provas de Aferição servirem apenas para “branquear” um Sistema Educativo obscuro e à deriva, à custa de um “sucesso contrafeito”, ficarão essas avaliações irremediavelmente desvirtuadas e vazias de qualquer sentido ou significado…

A ser dessa forma, restarão à Escola duas funções: por um lado, entreter e, por outro, legitimar a “digitalização da ignorância”…

A “doutrinação”, sob a forma de propaganda, de muitas “Formações Holísticas, Metafísicas e Transcendentais” e de profusos discursos “lírico-melosos”, costumeiramente hipócritas e patéticos, a fazerem lembrar a sensação de ter uma pastilha elástica colada ao sapato num dia tórrido de Verão, vão servindo para ludibriar e mascarar a realidade da maior parte das Escolas Públicas…

Mas dentro dessas escolas há crianças e jovens em processo de desenvolvimento e de formação…

Que modelos de aprendizagem psicossocial são disponibilizados a esses jovens por uma Educação Formal que, ao mascarar a realidade, dificilmente os preparará para a enfrentar?

Será legítimo exigir a esses jovens a responsabilidade e a maturidade esperadas em função da sua idade, quando os exemplos e referências que lhes são apresentados costumam ser maus e vir “de cima”?

“Eu sempre pensei que o objectivo da Educação era aprender a pensar por si mesmo”…

(John Keating, personagem interpretada por Robin Williams, no Filme “O Clube dos Poetas Mortos”)…

O actual Ministério da Educação faz de conta que esse também é um objectivo da Escola que dirige, mas na prática renega aos alunos a capacidade de “pensar por si mesmos”, em particular através da reflexão escrita, que tem vindo a ser desvalorizada e preterida pela própria Tutela…

Os absurdos e as contradições made in Ministério da Educação sucedem-se…

Os resultados obtidos pelos alunos nos Exames Nacionais/Provas de Aferição que ignorem a produção escrita e a reflexão crítica poderão ser considerados como dados significativos e fidedignos na avaliação do próprio Sistema Educativo?

Que valor terão dados estatísticos potencialmente obtidos de forma artificial, duvidosa e enviesada?

E a Escola lá continua a escamotear a realidade e a enganar os jovens, com toda a desfaçatez…

Dando azo ao sarcasmo, também continua o inestimável contributo do Projecto MAIA que, em vez de simplificar a avaliação dos alunos, veio adensar ainda mais algumas trapalhadas e contribuir para a fantasia reinante, fundamentando-se em pressupostos teóricos inconcretizáveis em termos práticos e ignorando as condições humanas e materiais existentes na maioria das escolas…

Dando azo ao sarcasmo, o conforto proporcionado por alguns Gabinetes e a distância que os separa de qualquer escola e, em particular, das salas de aula, poderão ser verdadeiramente enganadores, na medida em que costumam ser péssimos “conselheiros”…

Dando azo ao sarcasmo, a visão “holística, inclusiva, integradora e auto-reflexiva”, defendida pelo Projeto MAIA (Folha 14), o que quer que isso seja, será sempre muito fácil de concretizar quando se está longe de uma sala de aula e se desconhece o funcionamento diário de uma escola…

Dando azo ao sarcasmo, por último, uma pequena referência aos Sindicatos da Educação que recentemente “acordaram para a vida”, depois de terem sido apanhados desprevenidos por uma Manifestação:

“Se não puderem ajudar, atrapalhem. Afinal, o mais importante é participar”…

(Roubado da Internet, de autor desconhecido).

(Paula Dias)

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Cuidem-se os Professores

…com esta nova ferramenta capaz de elaborar trabalhos fazendo uso de alguma inteligência artificial.

 

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Já Estamos Habituados – 2

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Professor! Professor!! Professor!!!

“Dignificação e valorização da carreira docente” é um slogan que se circunscreve diretamente aos professores e que falta concretizar com medidas palpáveis e exequíveis. É urgente dar-se um sinal que aponte no sentido pretendido há alguns anos. Ignorar factos mais que evidentes, até para o comum dos mortais, é continuar a desacreditar uma classe profissional merecedora dos mais rasgados elogios, sedenta de ações promissoras de estabilidade e motivação.

Professor! Professor!! Professor!!!

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Professores endurecem discurso e prometem LUTA

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Quem teve uma semana NÃO?

 

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A aprendizagem da democracia Diário As Beiras 23 de dezembro de 2022 – José Afonso Baptista

 

Não posso afirmar que o governo prepara consciente e metodicamente a exclusão dos alunos pobres e diferentes do sistema educativo. Mas na prática é isso que acontece. De todas as aprendizagens do ser humano, na sua vida coletiva, a mais fácil de entender e a mais difícil de levar à prática é a democracia. Para uns é uma ambição e uma esperança bem vivas, para outros é uma terrível ameaça. Quem tem tudo, não quer ceder nem um milímetro do que tem.

Quando observamos a organização da vida social ao longo da história, o que vemos não são relações harmoniosas e pacíficas de amor entre as pessoas. O que ressalta são guerras e lutas sem fim, é a dominação e mesmo apropriação de seres humanos por outros seres humanos. Onde há vencedores e vencidos, os vencedores dominam e muitas vezes apropriam os vencidos. A sociedade em que vivemos não se libertou desta mentalidade perversa.

Esta bipolarização classista foi sendo configurada ao longo de milénios. A primeira Revolução Agrícola, com a apropriação da terra e de quem a trabalha, o Feudalismo com os seus Suseranos e Vassalos, o colonialismo e o abjeto comércio de escravos, o capitalismo, opondo empresários e proletários, são modalidades de aprofundamento das desigualdades, opondo quem tem os bens e quem não tem mais que os braços para trabalhar. Esta mentalidade, ancorada nos três vértices do triângulo – racismo, machismo, elitismo -, permanece no inconsciente ou mesmo na consciência criminosa dos opressores.

As organizações mais participadas na sociedade contemporânea mantêm as rivalidades e ódios de primitivas sociedades tribais: clubes desportivos, partidos políticos e mesmo religiões, com milhares e milhões de adeptos, de militantes e de crentes, envolvem-se com regularidade em agressões e lutas de morte impensáveis entre humanos. A irascibilidade humana destrói a razão e o discernimento. O sectarismo (do Latim secta, origem da palavra seita) militante é a marca destas organizações. Os partidos são seitas intolerantes com os outros partidos ou até mesmo com quem não tem partido.

Ainda não aprendemos um modelo de organização sem partidos, mas os partidos são cada vez mais o veneno da democracia.

Os governos são feitos desta massa. Os partidos continuam a proclamar na propaganda eleitoral que vão governar para o povo, mas os governos são formados exclusiva e escandalosamente no âmbito do clã partidário e familiar. A fidelidade é critério único e a competência pode ser incómoda. A verdadeira democracia, subordinada ao tríptico da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade, Fraternidade, esbarra nos interesses de classe, nos conluios partidários e nas ambições criminosas de políticos e governantes corruptos que não hesitam em tirar o pão da boca dos
pobres para alimentar a sua flatulência.

A nossa frágil “democracia formal” é um bom exemplo: governantes de topo, ministros, governadores de bancos, administradores, autarcas, políticos sem conto, envolvidos em escândalos de todo o tipo, em corrupções sem fim, permitindo que poucos tenham tudo e uma população crescente sofra o frio, a fome e a pobreza em limites extremos. Continuamos a ter muita gente sem direito ao pão, à saúde, à educação.

Não posso afirmar que o governo prepara consciente e metodicamente a exclusão dos alunos pobres e diferentes do sistema educativo. Mas na prática é isso que acontece. Em teoria não há exclusão, nenhum aluno fica para trás. Mas na prática somos um dos países que mais exclui na escolaridade obrigatória e que impede a formação ao mais alto nível, deixando anualmente milhares de alunos sem meios para frequentar o ensino superior.

Dois pontos são particularmente chocantes: antes de mais é o desperdício de impedir a educação e formação de tão elevado número de crianças e jovens; em segundo lugar é o facto de “selecionar” os pobres e os diferentes para imolar na roda dos incapazes. O agricultor que tenha mil hectares de terra fértil sem semear nada, não cria valor. O semeador não pode colher sem semear. E depois, senhor, não bastava terem nascido pobres ou diferentes, é preciso que sejam condenados a ficar pobres e diferentes para toda a vida! Parece que estamos num governo classista obstinado em perseguir os pobres, como se fossem a causa e não a consequência das políticas de empobrecimento.

Sem uma educação saudável, nunca teremos uma economia saudável. O segredo está na educação e na formação. Cada aluno que se perde é uma árvore que não dá frutos. Cada jovem que parte é um golpe fundo na nossa “democracia”. E na nossa economia. Quando será que podemos sair à rua, olhar de frente os nossos concidadãos e “ver em cada rosto igualdade”?

Os professores saíram à rua em protesto pelos ultrajes de décadas. O meu aplauso por reclamarem os seus direitos, o que só contribui para melhorar a qualidade da educação e da formação. Mas atenção: A União Faz a Força. Se continuarem as divisões partidárias e cada sindicato aparecer com propostas e reivindicações diferentes, o insucesso estará garantido. A democracia começa na escola. Se os professores não conseguirem democraticamente consensualizar uma carta de reivindicações comuns e se deixarem acorrentar por diferentes visões partidárias, entregarão todas as cartas ao ME e ao Governo. Uma escola democrática e autónoma terá todas as condições para se responsabilizar pela sua eficácia. Por enquanto essa responsabilidade cabe toda ao Governo e a quem defende e apoia o centralismo burocrático. Uma escola oprimida não pode formar para a Liberdade e para a Igualdade.

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Um Feliz Natal

A equipa do Blog DeAr Lindo deseja a todos os seus leitores um Feliz Natal.

Já se comemoram 15 “Natais” na vossa presença.

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«Basta pum basta!» Porque lutam os professores?

«Basta pum basta!» Porque lutam os professores?

 

«Costa escuta, os professores retomaram a luta!» O velho lema reivindicativo agora atualizado transporta-nos para um tempo pretérito em que os professores foram trucidados por uma antiga ministra da educação, tecnocrata e “socratina”, que, agora, afirma, despudoradamente: «Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber!» («É ou não é», RTP1, 19-04-2022).

Pois nós, professores, conhecemos bem todas as tramas desta tragicomédia que atingiu, aqui e agora, o seu clímax.

A escola pública é um lugar que nos causa sentimentos paradoxais de felicidade, resistência e melancolia. Sempre foi assim.

A felicidade de sociabilizarmos com «muitas e desvairadas gentes»; de ensinarmos e aprendermos; de colaborarmos no complexo processo de modelação das mentes; de contribuirmos para resgatar meninas e meninos da pobreza económica e cultural; de nos construirmos como cidadãos e participarmos na construção de novos cidadãos; de vermos os nossos alunos crescerem e recebermos a sua gratidão.

A resistência para cumprirmos a inalienável missão formativa, educativa e cívica nas conjunturas e nos locais menos e mais hostis — em tempos de crise ou de pandemia, nos «bidonvilles» contemporâneos das grandes cidades do Portugal de hoje, na «Província» despovoada, proletarizada e ostracizada pelos poderes centrais de Lisboa, nas escolas governadas por diretores tiranos (neste caso, a minha e outras escolas ainda vão sendo raros oásis que resistem à prepotência de reitores salazarentos, que vivem atormentados com a possibilidade de um dia serem preteridos e terem de voltar a pisar os soalhos das salas de aula, como “simples” professores operários).

A melancolia de por vezes nos sentirmos impotentes perante tamanhos desafios ou diante do medo de a nossa saúde física e mental não resistir às adversidades da profissão. A frustração de errarmos, ainda que errar seja próprio de todos os homens e mulheres.

Mas, aqui e agora, a melancolia agravou-se. Transformou-se numa angústia ainda mais inquieta, por nos sentirmos traídos e menorizados por um ministro da Educação que exige o sacríficio dos professores, estrangula muitos de nós com excesso de trabalho, com trabalho precário e nómada, sem nos dispensar a necessária solidariedade. Converteu-se em tristeza persistente, por nos sentirmos manipulados por um Ministério da Educação dirigido por tecnocratas e alcateias de “apparatchiks” ou “boys” que não pisam o chão das salas de aulas, ignoram o quotidiano das escolas e desprezam os problemas reais dos alunos e dos seus professores.

Quando esta mágoa é acirrada e degenera em ressentimento, a paz rompe-se e o confronto explode.

«Basta pum basta!». Não queremos mais ser asfixiados por burocracias inúteis, controleiras e mistificadoras, que nos esgotam e roubam tempo para pensarmos, investigarmos e planificarmos aulas. Queremos que o nosso trabalho na sala de aula seja respeitado e encorajado. Não queremos ser recrutados por autarcas e diretores escolares conluiados e instigados por motivações subjetivas já tão institucionalizadas neste país de «brandos costumes» (leia-se simpatias político-partidárias, nepotismo, amiguismo…), mas sim por concursos nacionais que selecionam os professores com melhores currículos académicos e profissionais. Queremos aceder a uma formação de professores séria, que não despreze a nossa atualização científica enquanto glorifica cursos de formação, mais ou menos imprestáveis, nas áreas da capacitação digital, da avaliação pedagógica e dos mindfulness, os quais, presumo, estão a ofertar generosos proventos a muitos iluminados. Queremos uma legislação que combata a indisciplina nas escolas e proteja professores e alunos. Não queremos uma avaliação de professores assente em critérios etéreos que tendem a premiar os mais habilidosos e a penalizar os mais empenhados. Queremos a devolução dos 9 anos e 4 meses de serviço que cumprimos e que nos foi usurpado para efeitos de aposentação e de progressão na carreira.

Alguns cidadãos acham estas exigências estapafúrdias. Outros cidadãos, porém, mais conscientes da importância que a educação tem para o futuro de um país, sabem que é fundamental dignificar a profissão docente e valorizar a escola pública nacional.

Luís Filipe Torgal*

 

*Luís Filipe Leitão Rodrigues dos Reis Torgal, CC n.º 7797056, professor de História do Agrupamento de Escolas de Oliveira do Hospital. Mestre em História Económica e Social Contemporânea e doutorado em Estudos Contemporâneos pela Universidade de Coimbra. Investigador colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20). Autor dos livros O sol bailou ao meio-dia. A criação de Fátima (2015), Tomás da Fonseca. Missionário do povo (2016), Fátima. A (des)construção do mito (2017). Organizou e prefaciou a reedição do livro de Tomás da Fonseca Na Cova dos Leões. Fátima: Cartas ao cardeal Cerejeira e uma antologia da obra do mesmo autor, intitulada Religião, República, Educação. Colaborou nas obras História de Portugal em DatasHistória Comparada – Portugal, Europa e o MundoDicionário Biográfico Parlamentar (1935-74) Dicionário de História da I República e do Republicanismo. Publicou, em coautoria, os livros Machado Santos (1875-1921) – O intransigente da República e  Brandos costumes… O Estado Novo, a  PIDE e os intelectuais. É autor de diversos artigos científicos ou de intervenção cívica publicados em blogues, revistas e jornais locais, regionais, nacionais e estrangeiros   

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«Basta pum basta!» Porque lutam os professores?

 

«Costa escuta, os professores retomaram a luta!» O velho lema reivindicativo agora atualizado transporta-nos para um tempo pretérito em que os professores foram trucidados por uma antiga ministra da educação, tecnocrata e “socratina”, que, agora, afirma, despudoradamente: «Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber!» («É ou não é», RTP1, 19-04-2022).

Pois nós, professores, conhecemos bem todas as tramas desta tragicomédia que atingiu, aqui e agora, o seu clímax.

A escola pública é um lugar que nos causa sentimentos paradoxais de felicidade, resistência e melancolia. Sempre foi assim.

A felicidade de sociabilizarmos com «muitas e desvairadas gentes»; de ensinarmos e aprendermos; de colaborarmos no complexo processo de modelação das mentes; de contribuirmos para resgatar meninas e meninos da pobreza económica e cultural; de nos construirmos como cidadãos e participarmos na construção de novos cidadãos; de vermos os nossos alunos crescerem e recebermos a sua gratidão.

A resistência para cumprirmos a inalienável missão formativa, educativa e cívica nas conjunturas e nos locais menos e mais hostis — em tempos de crise ou de pandemia, nos «bidonvilles» contemporâneos das grandes cidades do Portugal de hoje, na «Província» despovoada, proletarizada e ostracizada pelos poderes centrais de Lisboa, nas escolas governadas por diretores tiranos (neste caso, a minha e outras escolas ainda vão sendo raros oásis que resistem à prepotência de reitores salazarentos, que vivem atormentados com a possibilidade de um dia serem preteridos e terem de voltar a pisar os soalhos das salas de aula, como “simples” professores operários).

A melancolia de por vezes nos sentirmos impotentes perante tamanhos desafios ou diante do medo de a nossa saúde física e mental não resistir às adversidades da profissão. A frustração de errarmos, ainda que errar seja próprio de todos os homens e mulheres.  

Mas, aqui e agora, a melancolia agravou-se. Transformou-se numa angústia ainda mais inquieta, por nos sentirmos traídos e menorizados por um ministro da Educação que exige o sacrífico dos professores, estrangula muitos de nós com excesso de trabalho, com trabalho precário e nómada, sem nos dispensar a necessária solidariedade. Converteu-se em tristeza persistente, por nos sentirmos manipulados por um Ministério da Educação dirigido por tecnocratas e alcateias de “apparatchiks” ou “boys que não pisam o chão das salas de aulas, ignoram o quotidiano das escolas e desprezam os problemas reais dos alunos e dos seus professores.      

Quando esta mágoa é acirrada e degenera em ressentimento, a paz rompe-se e o confronto explode.

«Basta pum basta!». Não queremos mais ser asfixiados por burocracias inúteis, controleiras e mistificadoras, que nos esgotam e roubam tempo para pensarmos, investigarmos e planificarmos aulas. Queremos que o nosso trabalho na sala de aula seja respeitado e encorajado. Não queremos ser recrutados por autarcas e diretores escolares conluiados e instigados por motivações subjetivas já tão institucionalizadas neste país de «brandos costumes» (leia-se simpatias político-partidárias, nepotismo, amiguismo…), mas sim por concursos nacionais que selecionam os professores com melhores currículos académicos e profissionais. Queremos aceder a uma formação de professores séria, que não despreze a nossa atualização científica enquanto glorifica cursos de formação, mais ou menos imprestáveis, nas áreas da capacitação digital, da avaliação pedagógica e dos mindfulness, os quais, presumo, estão a ofertar generosos proventos a muitos iluminados. Queremos uma legislação que combata a indisciplina nas escolas e proteja professores e alunos. Não queremos uma avaliação de professores assente em critérios etéreos que tendem a premiar os mais habilidosos e a penalizar os mais empenhados. Queremos a devolução dos 9 anos e 4 meses de serviço que cumprimos e que nos foi usurpado para efeitos de aposentação e de progressão na carreira.

Alguns cidadãos acham estas exigências estapafúrdias. Outros cidadãos, porém, mais conscientes da importância que a educação tem para o futuro de um país, sabem que é fundamental dignificar a profissão docente e valorizar a escola pública nacional.  

Luís Filipe Torgal

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É só escolher a que greve se quer aderir

Parece que os sindicatos andam a tentar correr atrás do prejuízo…

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A Reboque…

Tudo o que estava previsto para março foi antecipado pelas organizações sindicais para o início de janeiro.

 

 

O SIPE CONVOCA GREVE AO PRIMEIRO TEMPO A PARTIR DO DIA 3 DE JANEIRO

 

O SIPE é um sindicato apartidário e independente com uma identidade própria.

Neste sentido e a pedido de um elevado número de associados, antecipamos a greve ao primeiro tempo de cada docente, para o dia 3 de janeiro de 2023 e seguintes. Os pré-avisos serão diários.

Já anteriormente anunciada publicamente (decisão do Congresso a 3 de dezembro – consulta AQUI).

 

 

FENPROF converge com outras organizações a partir de 16 de janeiro e, até dia 13, promove ações específicas

 

 

– Avançar com Greve Nacional, distrito a distrito, iniciando-se em Lisboa, terminando no Porto e percorrendo o país por ordem alfabética, entre 16 de janeiro e 8 de fevereiro; janeiro: 16 – Lisboa; 17 – Aveiro; 18 – Beja;  19 – Braga; 20 – Bragança; 23 – Castelo Branco; 24 – Coimbra; 25 – Évora; 26 – Faro; 27 – Guarda; 30 – Leiria; 31 – Portalegre; fevereiro: 1 – Santarém;  2 – Setúbal; 3 – Viana do Castelo; 6 – Vila Real; 7 Viseu; 8 – Porto;

– Realizar uma Manifestação Nacional de Professores e Educadores em 11 de fevereiro, antecipando a já anunciada, na qual serão divulgadas as ações e formas de luta seguintes, aprovadas na sequência das reuniões sindicais que se realizarão nas escolas;

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Os professores estão cansados de ser maltratados

 

 

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A falta de professores e as greves terão continuidade no 2.º período

Início do ano letivo terminou com greves de docentes de norte a sul do país, numa altura em que há 20 mil alunos ainda sem professor numa ou mais disciplinas. Janeiro vai registar recorde de aposentações, com quase 300 professores a sair do ensino.

Falta de professores e contestação marcaram regresso presencial à escola. E o 2.º período começa com protestos

O1.º período do ano letivo 2022/2023 terminou envolto em contestação por parte da classe docente, com greves, concentrações à porta das escolas e uma manifestação, no passado sábado, em Lisboa, que contou com a presença de milhares de pessoas.

Os primeiros meses deste ano letivo coincidiram com o “regresso à normalidade”, após mais de dois anos de restrições provocadas pela pandemia de covid-19, contudo, os diretores de escolas não conseguem fazer um balanço positivo porque persiste aquele que é, na opinião dos responsáveis, o maior problema da escola pública: a escassez de professores. “É um problema que era crónico e está agudo e grave. Há mais de dez anos que chamamos a atenção para este problema e nada foi feito para tentar estimular ou renovar a classe docente. As universidades fecharam cursos por falta de alunos. A escola pública vai perder cerca de 30 mil docentes até 2030, e em termos de políticas e estratégias por parte do Ministério da Educação (ME), nada foi feito”, sublinha Manuel António Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE).

O responsável diz ser urgente “dar respostas a curto prazo e soluções a médio e longo prazo”. “Em janeiro vão aposentar-se quase 300 docentes e há um enorme desequilíbrio. A maior parte dos professores está a norte e é preciso encontrar uma solução para que estejam disponíveis para se deslocarem, com um salário de 1100 euros”, explica. Manuel António Pereira salienta ainda a perda de poder de compra da classe, que “baixou 25 por cento nos últimos 10 anos”. “É preciso tomar medidas, estimular os que estão no sistema, tornar a profissão mais apetecível em termos de ordenado e dar apoios a quem vai para longe dar aulas”, pede.

O presidente da ANDE alerta ainda para a existência de grupos disciplinares já sem professores disponíveis para dar aulas: Inglês, História, Geografia, Português e Informática. Segundo este responsável a revisão das habilitações para a docência feita pelo ME, uma das medidas implementadas para fazer face à escassez de professores, não resolve o problema porque “não há interessados”. “Os licenciados ficam com um ordenado na ordem dos 1000 euros e não há interessados. Até porque ainda levam trabalho para casa”, justifica. O presidente da ANDE diz estar “seriamente preocupado com o futuro da escola pública”.

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Nota Informativa – Procedimentos de Reposicionamento na Carreira 2022

 

Encontra-se republicada a Nota Informativa – Procedimentos de Reposicionamento na Carreira 2022 – com calendarização procedimental atualizada.

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Encontro de preparação da greve em 2023

Vai-se realizar um grande Encontro Nacional de comissões de greve/representantes dos professores das escolas a 27 de dezembro, em Coimbra, às 14h, para prepararmos uma luta/greve ainda mais forte desde o início de janeiro 2023.

Que cada escola/agrupamento envie um ou dois representantes, seja das comissões de greve existentes, ou colegas em que os outros reconhecem a energia para representar a vossa escola (temos formas de luta ainda mais inovadoras/fortes para apresentar e sem esgotar os nossos salários).

INSCREVAM-SE ATÉ DIA 22 DEZEMBRO (inclusive):
https://forms.gle/iSqdXj416Yjnano77

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O tipo da carreira

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E o mentiroso é André Pestana?

E o mentiroso é André Pestana?

 

Em declarações ao Público, o ministro da Educação acabou a apelidar André Pestana de “mentiroso”. Em entrevista ao programa 360 da RTP3, a que o Público igualmente se referiu, João Costa apontou como uma das razões para a manifestação de sábado passado a “campanha de mentiras” que circulou pelas redes sociais, dando conta de que os professores iriam passar a ser contratados pelas câmaras municipais, e voltou a afirmar que “o dirigente sindical que convocou esta manifestação estava determinado a mentir”. Ainda ao Público, André Pestana disse que o ministro “vai ter de responder na justiça” pelo insulto.
Senhor ministro, junto-me gostosamente aos seus leais conselheiros para ser sua testemunha desabonatória. O senhor tem razão, porque:
– Não é verdade que a mobilidade interna tenha acabado. Como o senhor sabiamente esclareceu, com a clareza que lhe conhecemos, “sempre que há lugares de quadro a concurso, qualquer professor de carreira pode concorrer”. Coisa diferente é o sítio onde vai trabalhar. Esse, são os venerandos directores que vão decidir. Imbatível a sua verdade!
– Não é verdade que desaparece a lista ordenada nacional, porque o senhor já jurou pela sua virgindade que “a ocupação de um lugar de quadro teve e terá sempre como primeiro critério a graduação profissional do professor”. Coisa diferente é o segundo critério, o dos directores, que decidirão onde cada professor vai trabalhar. Cristalina a sua maneira de colocar os pontos nos ii!
– Doeu o puxão de orelhas que nos deu quando nos disse que a “DGEstE não tem competências na área de gestão do pessoal, pelo que as não pode transferir para as CCDR”. Tem razão! Quem o disse foi a Resolução 123/2022 do Conselho de Ministros. Bem visto! Uma coisa é um lobito, outra coisa é uma alcateia!
– Tal como disse, não é verdade que a gestão dos professores passe para as câmaras municipais. Ela já passou para as comunidades municipais … que agregam as câmaras municipais. Este seu fino talento bocagiano reconduziu-me ao episódio da flatulência da cortesã, que Bocage tão sagazmente disfarçou. Até o cheiro senti!
– Já que estamos no capítulo dos “descuidos”, deixe-me dizer que apenas sujou a folha das suas verdades com a entrevista que deu à RTP3, na noite da manifestação. Aquilo não foi um “descuido”. Foi uma diarreia. Então foi proclamar, urbi et orbi, que 30 mil licenciados, mestres ou doutores, são tão desprovidos de inteligência que ficam à mercê da manipulação de um reles sindicalista? Que não passam de um bando de totós, que gastam dinheiro para vir a Lisboa dizer que o mentiroso é o senhor, incapazes de discernir entre a sua luz e as trevas dele? Já viu o tiro que deu nos seus pezinhos, quando colou um selo de mentecapto na testa de cada um dos 30 mil que protestaram no sábado? Logo o senhor, que há sete anos os louva, protege e acarinha e por cuja felicidade reza todos os dias!
– Tudo visto, o senhor é um avançado mental. Teve razão antes de tempo, quando estabeleceu uma parceria com a vetusta Gulbenkian, para ensinar emoções aos professores. Com tamanhas excitações entre a verdade e a mentira, a realidade e o imaginário, quem iria resistir, não fora a sua prognose?
Desçamos à terra.
Nas vésperas do que viria a ser uma grande manifestação de professores, já bem num final de dia, foi enviado um e-mail aos directores dos agrupamentos, para cujo conteúdo se pedia o urgente conhecimento dos professores. Tratava-se de esclarecimentos, sob forma de pergunta/resposta, já antes prestados, note-se, relativos às anunciadas mudanças no regime de concursos de recrutamento de docentes. Com o ministerial espírito em Paris, embrenhado na preparação de mais uma homilia da OCDE, o que denotava a pressa da estranha missiva, feita a “pedido do senhor ministro”? Obviamente, o nervosismo que nascia na mente capta do senhor ministro, ante o que aí vinha. E veio! Cerca de 30 mil, na rua, a acenarem-lhe com lenços brancos de despedida.
No mínimo, faça agora como o outro Costa, que não apareceu nas cheias e fez-se de morto na discussão sobre a eutanásia. Feche-se numa bolha, fazendo figas para que não rebente.
No máximo, ainda tem uma réstia de dignidade ao alcance: demita-se!

 

Santana Castilho

In “Público” de 21.12.22

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Sr. ministro, sem professores não há ministros!

Sr. ministro, sem professores não há ministros!

 

Lúcia Vaz Pedro, em artigo de opinião no Jornal Público

No dia em que já não houver professores, em que todos decidirem ir embora, talvez o sr. ministro ou os que vierem se recordem destas palavras: os professores são a base da sociedade.

 

Não há ministros, não há engenheiros, não há médicos, não há advogados, não há nada.

Não sei se sabe que os professores são a base de uma sociedade. São eles que formam os profissionais, aqueles que são tão bons que as empresas estrangeiras os vêm buscar e lhes oferecem ordenados que Portugal não lhes paga.

Sim, são os professores que os formam, sabia? Os da primária, os do segundo, do terceiro ciclos, os do secundário e os da faculdade. E se não tiverem umas boas “bases”, não irão longe… Ora, sendo assim, todos os professores são importantes!

E não só em termos de conhecimento, mas também em termos de cidadania. A educação que os professores incutem aos seus alunos também é importante, uma vez que os pais estão tão ocupados a trabalhar. Os pais têm de confiar! Se não o fizeram, os filhos também não o farão. É uma questão de princípio.

Porém, os princípios vêm de cima e têm de ser os dirigentes a dar as grandes lições. Assim sendo, têm de compreender que os professores são as canas da sociedade, aquelas que ensinam as pessoas a pescar. O que está a acontecer atualmente é uma política de baixo esforço. Embora eu seja professora de Português, tenho a clarividência, talvez herdada pelo meu pai, formado em Economia, de que não se deve dar o peixe, deve-se, sim, ensinar a pescar. Ora, ao dar-se subsídios sobre subsídios não se resolve o problema.

Apostem na formação. Levem as pessoas para as escolas. Deem aos professores bons motivos para ensinar, motivando os alunos a aprender. Quem quer ensinar e sujeitar-se a levar um pontapé, a ser insultado, a ficar longe de casa, a ganhar miseravelmente, a não progredir na carreira, a não ser reconhecido? Ninguém! Está tudo errado! O ensino precisava de uma reviravolta! Uma daquelas em que um professor seria o mestre dos anos 80, aquele com quem eu aprendi, aquele que eu respeitei e que me fez escolher ser quem eu sou hoje.

No dia em que já não houver professores, em que todos decidirem ir embora, talvez o sr. ministro ou os que vierem se recordem destas palavras: os professores são a base da sociedade. Sem eles não há ministros. Nem a sociedade fará qualquer sentido, sr. ministro. Por isso, abra bem os seus ouvidos. Há grandes lições a aprender! Ser humilde é uma grande virtude que só cabe aos grandes sábios!

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

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Andaram tão entretidos com as greves que até se esqueceram dos aumentos…

 

O diploma, promulgado pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que estabelece aumentos salariais de pelo menos 52,11 euros e a valorização de carreiras da administração pública foi publicado na sexta-feira ao final do dia, produzindo efeitos a partir de 01 de janeiro de 2023.

Na prática, os professores com salários até cerca de 2.600 euros terão um aumento da ordem dos 52 euros e, acima desse valor, a atualização salarial será de 2% (superior a 52 euros).

Proletariza-se, mais uma vez, a classe…

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Resultados Finais ao CGS da ADSE

Apenas hoje foram conhecidos os resultados finais ao Conselho Geral e de Supervisão da ADSE. Isto porque pelo meio houve quem impugnasse as eleições e apenas hoje foi conhecida a resposta final da Secretária de Estado da Administração Pública que indeferiu o pedido de impugnação.

 

Resultados das Eleições para o Conselho Geral e de Supervisão

 

Entre os dias 28 e 30 de novembro, os beneficiários titulares foram chamados a escolher os seus representantes para o Conselho Geral e de Supervisão (CGS).
Votaram 37.876 beneficiários, o equivalente a 4,07% do total, com 35.083 beneficiários a usarem o voto eletrónico.
A lista B, sob o lema “ADSE pública, solidária, com mais direitos”, liderada por Henrique Vilallonga, obteve o maior número de votos (13212), conquistando dois dos quatro lugares destinados aos representantes dos beneficiários no CGS.
A segunda lista mais votada foi a lista D (8065 votos), liderada pelo professor Arlindo Ferreira, que elege um representante. A lista A, liderada por João Neto, professor do ensino superior, foi a terceira lista mais votada (4931), conseguindo também eleger um representante.
As estatísticas sobre o perfil dos eleitores podem ser consultadas no portal da ADSE, na página das Eleições CGS 2022, em “Resultados das eleições”.

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Pedido de horários – Reserva de Recrutamento 15/Contratação de Escola (6 de Janeiro)

Exmo./a. Sr./a. Diretor/a /Presidente da CAP,

Solicitamos que desconsidere o email anteriormente enviado.

Informamos que a próxima Reserva de Recrutamento será publicada no dia 6 de janeiro de 2023, seguindo infra a nova calendarização:

  • Pedido de horários (AE/ENA) – Disponível das 10.00 horas de dia 2 de janeiro até às 10 horas de dia 4 de janeiro de 2023;
  • Validação (DGEstE) – Disponível das 10.00 horas de dia 2 de janeiro até às 12 horas de dia 4 de janeiro de 2023;
  • RR 15 – Publicação a 6 de janeiro de 2023.

Relativamente ao procedimento de contratação de escola, o pedido de horários será disponibilizado no dia 26 de dezembro, pelas 10 horas.

Mais informamos que a finalização das colocações se encontra encerrada, até às 10 horas, de dia 2 de janeiro.

Com os melhores cumprimentos,

A Diretora-Geral da Administração Escolar

Susana Castanheira Lopes

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Paciência tem limites! A corda já partiu! – Lúcia Vaz Pedro

 

 

Ser professor implica ter paciência, acima de tudo, ter paciência para ensinar.

Paciência tem limites! A corda já partiu!

Ter paciência é, na verdade, um requisito essencial, pois, nos tempos que correm, um professor tem de saber respeitar tudo e todos: respeitar o tempo de aprendizagem dos alunos, respeitar as diversidades, respeitar a pluralidade, respeitar a singularidade e até respeitar a falta de educação. Os meninos, muitas vezes, são vítimas da sociedade e os professores devem educá-los, pois os pais não têm tempo.

A paciência dos professores tem esticado e vai desde a escola à sociedade.

Na escola, a paciência dos professores é tanta que fazem de tudo. E a burocracia é tanta que se perdem em papéis e papéis, em coisas que ninguém lê, em trabalhos que têm de fazer sem utilidade nenhuma.

Na sociedade, os pais dão-se ao luxo de opinar sobre os professores, de dar ordens aos professores, de rebaixar os professores, de bater nos professores. Aqueles professores que, muitas vezes, tentam educar-lhes os filhos.

Os políticos dão ordens aos professores como se alguma vez tivessem dado aulas, como se percebessem alguma coisa do que se passa no “rés do chão” da vida. Ainda não perceberam que a educação é o melhor investimento que podem fazer na sociedade. Pobres de espírito! Nunca leram! Mas eu relembro: Por exemplo, Aristóteles diz que a educação é fundamental, uma vez que desenvolve a segurança e a saúde do Estado. É a educação que conduz a uma cidade perfeita e a um cidadão feliz. Há, pois, uma relação entre a política e a educação. Mais atual, Nelson Mandela diz que a educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. Se não sabem o que fazer, inspirem-se no que os outros dizem, meus senhores, pois a paciência tem esticado tanto que os professores veem-na a partir.

Eles levam-na para tão longe de casa que não ganham o suficiente para regressar ao fim de semana e passá-lo com a família. Estica tanto essa paciência que os professores vão trabalhar doentes.

Na verdade, essa paciência já partiu.

Partiu e não há volta a dar-lhe nem há cola que consiga segurá-la.

Agora os professores preferem morrer de vez a voltarem a ter a paciência virada do avesso, preferem abandonar-se a outra profissão a não serem respeitados, a serem desmentidos, desrespeitados, ultrajados, tratados abaixo de cão.

Parem de uma vez por todas! Pensem com consciência!

Sem educação não há futuro! Precisamos que respeitem os professores para que haja uma educação consistente, que forma cidadãos conscientes, trabalhadores, respeitadores e capazes.

Professores debilitados, esfomeados, doentes, velhos, desrespeitados! NÃO! NÃO! NÃO!

“É a Hora!”

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Paulo Prudêncio na TVI

Estive, a 19 de Dezembro de 2022, pela TVI a defender as justíssimas e antigas causas dos professores e a fazer um balanço do 1º Período

 

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Para Memória Futura

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Do estado de negação do ME à revolta dos professores – Carlos Calixto

Do estado de negação do ME à revolta dos professores

 

 

Veritas lux mea (A verdade ilumina-me). Dia 17 de dezembro de 2022, um sábado, Lisboa. Um dia histórico para a classe docente. Uma manifestação com um clix sindical, mas na essência um   movimento espontâneo que começou nas redes sociais e nos blogues e que agora já é notícia e que mostra o descontentamento docente, com os sentimentos e emoções à flor da pele de dezenas de milhares de educadores e professores. Uma manifestação do despertar de consciência de classe dos professores portugueses. Gritando as suas razões em defesa da escola pública e dos seus direitos. Uma das maiores manifestações de sempre, com a presença transversal   de colegas não sindicalizados, de associados de todos os sindicatos e federações e até de políticos. Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa está solidário com a luta dos professores. Somos vítimas resilientes e   a injustiça que sentimos foi o rastilho/gatilho que disparou o transbordar e explodir de todo um acumular de abandono, injustiças, mágoas, “trabalho escravo” nas escolas, “roubo” de tempo de serviço efectivamente trabalhado, não contabilizado e nem sequer propostas de compensação (a reforma antecipada ou a aposentação sem penalização com 36 anos de serviço), vagas/quotas na avaliação.

A  escola  ultra moderna    das pedagogias e metodologias dos projectos, “Maia”, “Ubuntu”, etc, filosofias   de escola importadas, num permanente carrossel laboratorial de experiências, escolas piloto, meditações, casos de presença excessiva, abusiva e intrusiva dos pais e encarregados de educação na escola  (com agressões aos colegas que se multiplicam), o exponenciar da indisciplina e do bullying, o sucesso  “martelado” com o argumentum ad nauseam, o E-360, sim a plataforma pesadelo que não funciona/mal. Tudo isto e muito mais está a     chocar de    frente  com  o  grande  e         experiente  professorado formatado no tempo em que se ensinava e aprendia de acordo com a Taxonomia de Bloom, com orientações para redigir competências, habilidades e atitudes/valores. A taxonomia dos objectivos educacionais, gerais e específicos, dos conteúdos e estratégias, eficaz no planeamento de situações cognitivas de aprendizagem, aquisição, compreensão e aplicação de conhecimentos, e é facto que os alunos aprendiam alguma coisa e reprovavam quando era o caso. Simples, eficaz e a verdade dos resultados escolares dos alunos. Educar por excelência é na família (axiologicamente a escola também educa e forma cidadãos para os valores e com espírito crítico). Mas é missão crítica da escola ensinar a transmissão do conhecimento e saber humano acumulado, de geração em geração. Donde, sem subterfúgios, a motivação para a aprendizagem resultar do facto de que não há nada de novo sobre a terra. É só ouvir os professores mais experientes, que não querem   o maniqueísmo de que tudo é a fartar de digital (que não funciona), afirmam que há alunos com   problemas muito sérios/graves de visão e acusam o ME de má visão, que há alunos que já não sabem escrever à mão e que a escrita cursiva já era. É o IAVE e o modelo de avaliação dos testes de “exames de cruzinhas”, em detrimento da capacidade de argumentação dos alunos, articulação e desenvolvimento das ideias. É o facilitismo que contraria o raciocínio pensante. Donde, com a inclusão não é obrigatória a mediocridade. O não rotundo ao “eduquês”. A ortografia e o português tão mal tratados. As borlas nas correções dos exames, trabalho não remunerado. São os colegas que estão nas salas de aula que têm a autoridade da palavra do que vivenciam. O “chato da coisa” é que a escola e estudar dá trabalho, o aluno pouco ou nada disponível como educando não quer nem está para aprender, e o professor em modo olímpico, in extremis lá consegue o desiderato. Extenuante! Nas reuniões sindicais nas escolas os relatos dos colegas são repetitivos.  Cabe ao ME ouvir, escutar e em filosofia Ubuntu: “Eu sou porque tu és/nós somos”. Estamos/caminhamos juntos.

O ME tem de perceber/assimilar que o trabalho docente é um trabalho intelectual. Lamentavelmente, o Ministério da Educação transformou o trabalho intelectual docente em trabalho proletário, no sentido do simples operário, do faz tudo, do trabalho indiferenciado (com todo o respeito o digo e afirmo). Donde, a negação do ME do professorado enquanto elite intelectual altamente qualificada e especializada e massa crítica pensante, resultar num terrível equívoco/engano que levou ao actual estado de coisas. Desde 2005, desde Sócrates e Maria de Lurdes, há 17 anos que o professorado tem vivido um inferno de turbulência negativa grave e “terrorismo tutelar” sem tréguas. Uma vergonha. Chega, basta, queremos trabalhar em paz. É urgente e impõe-se a construção de pontes de confiança, boa fé, equilíbrio, verdade, justiça e lato sensu (literalmente) entre o ME e os professores. Senhor ministro da Educação, V. Ex. tem a obrigação de ter consciência do mal-estar docente que levou à revolta do professorado português, que tem sido tão desautorizado, desvalorizado, negada a progressão, empobrecido, diminuído e achincalhado na sociedade portuguesa. O senhor ministro é professor. Donde, ter o privilégio de saber que os professores precisam de tempo para preparar as aulas, em vez de relatórios, “papelada digital”, burocracia insano e inutilidades que para nada servem e são perda de tempo. Os professores estão exaustos. Não têm direito ao fim de semana porque há sempre trabalho para fazer. Não ajuda nada tentar infantilizar e fazer passar a ideia ridícula para a opinião pública e para os pares, de que os professores são ingénuos, quais “mentecaptos”, “tolinhos”, não têm discernimento, se deixam manipular por mentiras e interpretações falaciosas de algum articulado, sem opinião, num desrespeito que fere, minimiza e ofende a classe. As negociações estão em curso e os sindicatos e federações não querem maus acordos, queremos acordos justos/ganhadores, que venham de encontro aos legítimos anseios de toda uma classe socioprofissional há muito castigada. Os professores observam, pensam, interpretam, analisam, avaliam, são intelectuais, sabem o que querem e qual o ponto de equilíbrio das coisas. O ME não pode estar contra os professores. Tem de apoiar e ser solidário com o professorado. Errare humanum est (errar é humano). É nobreza de carácter reconhecer os erros, emendar a mão e dizer Presente.  Alea jacta est (a sorte está lançada).

 

Carlos Calixto – Dirigente sindical e professor na Secundária de Almodôvar

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