Category: Rui Cardoso

A falta de professores com habilitação profissional irá acentuar-se já em 2026

O mais recente estudo do EDULOG , o think tank para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo , faz uma análise detalhada sobre a necessidade emergente dos professores em Portugal, e alerta para os desafios estruturais que o sistema educativo enfrentará até 2031.

 

A falta de professores com habilitação profissional irá acentuar-se já em 2026

 

 

O estudo “Reservas de Professores sob a lupa: antevisão de professores necessários e disponíveis” identifica os desequilíbrios entre o número de professores disponíveis e com formação adequada e aqueles que o sistema educativo português necessita. Neste estudo foram feitas estimativas das necessidades de professores a curto prazo e conclui-se que, sem a suposição de que as condições atuais não se alterem, Portugal terá falta de professores com habilitação profissional a praticamente todas as disciplinas em 2031.

A deficiência de professores irá acentuar-se entre 2026 e 2030, período em que as reservas de professores, cruciais para substituir as ausências temporárias e preencher vagas privilegiadas por profissionais que passam para a reforma, ficam em risco de se esgotar. Em 2026, alguns grupos de recrutamento entrarão em déficit estrutural, sendo que em 2031 serão praticamente todos nesta circunstância, à exceção dos professores de Educação Física. Mesmo tendo um incremento na formação de mais professores, e tendo em consideração o tempo para a sua formação, só teremos resultados em 2029.

Em 2021, a falta de professores que já se fazia sentir decorria da dificuldade de substituir ausências de professores permanentes, ausências por licença ou por baixa médica. Em 2031, este problema ganhará escala e será assinalável pelas falhas estruturais – resultado de um aceleramento do número de reformas por idade – quer pela incapacidade quase total de fazer substituições ao longo do ano.

Outra das conclusões do estudo é o fato de se estimar que, em 2031, o número de dias sem aulas por falta de professores subirá exponencialmente. Em 2031, assistiremos a 8.700 professores por colocação em vagas permanentes e à falta de 15.700 professores para substituir colegas ausentes. Esta realidade será sentida essencialmente no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, em praticamente todas as disciplinas.

O estudo estima em 20% o número de professores necessários para as substituições temporárias: 10% por via de faltas de longa duração (baixas médicas) e 10% por via de faltas entre os 12 e os 30 dias. Em 2023 já não foi possível substituir grande parte destes professores, com quase todos os grupos do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário abaixo da linha dos 20%.

Comparando o conjunto dos pedidos de professores por parte dos agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas com as colocações que foram efetivamente realizadas ao longo do ano, verificou-se uma taxa de sucesso de substituição de 68%. Os grupos com mais professores disponíveis para substituição temporária foram os de Educação Pré-Escolar, o do 1.º Ciclo do Ensino Básico e os de Educação Física (do Ensino Básico e do Ensino Secundário).

Na Educação Pré-Escolar e no 1º Ciclo do Ensino Básico a taxa de sucesso de substituição de professores pedidos pelos agrupamentos de escolas / escolas não agrupadas foi de 83% e de 88%, respetivamente. No 2º Ciclo do Ensino Básico esta taxa foi de 67%, com o grupo de Português e Inglês a só conseguir assegurar a substituição de 37% dos pedidos. O 3º Ciclo do Ensino Básico e o Ensino Secundário são os que apresentam maiores dificuldades de substituição de professores, com a área das línguas a só assegurar a substituição de 54% das necessidades, as humanidades 49%, com grandes dificuldades nas disciplinas de Geografia e Economia, e a área da Matemática e Ciências com taxa de sucesso de substituição na ordem dos 55%, sendo a Física e Química e a Matemática as disciplinas mais deficitárias.

Registam-se, também, grandes assimetrias regionais. A maior dificuldade de substituição educadores do Pré-Escolar situa-se no Baixo Alentejo, com uma taxa de substituição de 65%. No caso do 1º Ciclo do Ensino Básico, as regiões mais deficitárias foram o litoral, a Área Metropolitana de Lisboa e o sul do país, com as taxas de substituição a variar entre os 70% e os 80%. O 2º Ciclo do Ensino Básico tem taxas de substituição nas línguas e humanidades muito reduzidas, com o sul do país a apresentar carências superiores a 60%. Ao nível do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, o sul do país apresenta sérias carências de professores de línguas, situando-se as taxas de substituição entre os 20 e os 30%. O grupo de Informática está em carência em praticamente todo o país, com a região sul a substituir abaixo de 10% destes professores.

Foram, também, analisadas as distribuições etárias dos candidatos à colocação inicial em 2023. Os grupos da Educação Pré-Escolar, do 1º e do 2º Ciclo do Ensino Básico apresentam uma pirâmide de base frágil, com poucos professores abaixo dos 30 anos de idade. Existe, contudo, uma base dupla forte nos dois escalões etários seguintes (31-40 anos e 41-50 anos), o que permitirá assegurar substituições a curto prazo, mas a necessidade de substituição será crescente. A análise da estrutura etária dos professores do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário revela que, na maior parte dos grupos de recrutamento, a classe dos mais jovens (até 30 anos) encontra-se vazia. O grupo de recrutamento que a curto prazo apresenta uma situação de maior carência é o de Economia, com duas classes vazias (até 30 anos e 31-40 anos). Os grupos de recrutamento de Português, Francês e Inglês, Filosofia e todas as ciências exatas, naturais e biológicas (Matemática, Física e Química e Biologia e Geologia) têm a classe dos professores até 30 anos praticamente vazia, sendo que o grosso dos professores que ainda estão em espera de colocação têm entre 41 e 50 anos.

Os dados mostram que, a manterem-se as condições atuais, a falta de professores com habilitação profissional continuará a agravar-se a curto prazo. A quebra verificada na formação de professores nos últimos anos foi significativa, particularmente no 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário.

Estudo apresenta um conjunto de soluções para combater a falta de professores

Para que se possa enfrentar os desafios identificados, e face à análise realizada, o estudo propõe um conjunto de recomendações que passam por aumentar o número de vagas nos cursos de formação de professores, especialmente em áreas críticas (como História, Matemática e Informática). É, ainda, importante a implementação de políticas públicas que tornem a profissão de professor mais atrativa e que integrem, por exemplo, incentivos financeiros, melhorias nas suas condições de trabalho e oportunidades de progressão na carreira que poderão ajudar a reverter o desinteresse pela profissão e o eventual regresso daqueles que, entretanto, abandonaram a profissão.

O estudo recomenda, também, a criação de uma estratégia nacional para a gestão das reservas de recrutamento dos professores que considere as especificidades regionais e a necessidade de flexibilidade nas substituições temporárias. Para isso, é fundamental que as autoridades educativas desenvolvam um plano estratégico, de longo prazo, que antecipe as necessidades futuras e implementem ações preventivas de monitorização contínua das reservas de professores, adaptando as políticas educativas conforme as mudanças demográficas e sociais, essenciais para se evitar um potencial colapso no sistema educativo em Portugal.

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Contratados 3500 professores sem formação em ensino e há mais a caminho das escolas

Em pouco mais de um mês de aulas, o número de contratados só com habilitação própria aproxima-se do valor que foi atingido em seis meses do ano letivo passado.

Já foram contratados 3500 professores sem formação em ensino e há mais a caminho das escolas

 

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Aceitação da colocação dos Concursos Interno e Externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança e Recurso Hierárquico

Encontra-se disponível a aplicação que permite ao candidato efetuar a aceitação da colocação dos Concursos Interno e externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança, das 10:00h do dia 28 de outubro até às 23:59h de Portugal continental do dia 29 de outubro de 2024.

Caso pretenda interpor recurso hierárquico, a aplicação encontra-se disponível das 10:00h do dia 28 de outubro até às 18 horas de Portugal continental do dia 4 de novembro de 2024.

SIGRHE – Aceitação da colocação dos Concursos Interno e Externo de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança e Recurso Hierárquico

 

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Descentralização da Educação: “Xaque-mate” à Escola Pública?

O actual Governo parece estar particularmente empenhado em avaliar a descentralização que, nos últimos anos, tem vindo a ser operada na Área da Educação, muito provavelmente disposto a dar continuidade à sua implementação…

Entre reuniões com a Associação Nacional de Municípios Portugueses e a pretensão de realizar um Estudo sobre o processo de descentralização (Jornal Diário do Minho, em 24 de Outubro de 2024) parece que, em matéria de Educação, existirá um notório interesse em persistir e avançar com o processo de transferência de competências para as Autarquias…

Neste ponto, e ao que tudo indica, não parece que existam grandes divergências com o Partido Socialista que, de resto, à frente de sucessivos Governos, defendeu e concretizou parte significativa dessa transferência de competências…

Mas quando se fala em descentralizar a Educação é praticamente impossível não falar de municipalização e de politização/partidarização da Escola Pública…

Mas quando se fala em descentralizar a Educação é praticamente impossível que não se levantem dúvidas e suspeitas quanto à integridade e idoneidade de muitos Autarcas que têm a seu cargo a gestão de quantias avultadas de dinheiro público, tantas vezes, alegadamente, desbaratadas em contratos celebrados com entidades “iminentemente pardas” ou na aquisição de serviços de duvidosa utilidade, transparência ou eficiência, entre outros…

Indubitavelmente, a descentralização/municipalização da Educação, tão apregoada e defendida por sucessivos Governos, tem submetido a Escola Pública a interesses sombrios, muitas vezes, tornando-a refém da politização/partidarização e de teias de relações duvidosas, obscuras e perigosas…

Os “elevados padrões deontológicos”, explicitados ao longo de setenta e oito páginas do documento “Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024”, pretensamente exigíveis a todos os que desempenham funções na Administração Pública, nem sempre têm norteado determinadas condutas, levando ao conflito de interesses e a incompatibilidades legais de diversa ordem…

Como frequentemente acontece em Portugal, aquilo que se advoga em termos teóricos, nem sempre tem correspondência com a prática observada… A teoria é muito bonita, já a prática, às vezes, pode ser mesmo muito feia, como a seguir se comprova:

– O sector da Administração Local concentrou em 2023 mais de metade das suspeitas de criminalidade económico-financeira investigadas em Portugal que chegaram à agência responsável pelo estudo do fenómeno, o Menac – Mecanismo Nacional Anti-Corrupção (Jornal Público, em 2 de Maio de 2024)…

– Há dezenas de autarcas e ex-autarcas a ser investigados e julgados. A mancha de casos dos últimos anos envolve os partidos com mais autarquias, PS e PSD, e atinge praticamente todos os distritos do país neste levantamento que peca por defeito. Estes casos referem-se apenas a presidentes de câmara, sem contar com vereadores ou presidentes de junta de freguesia e envolvem corrupção, além de outros crimes. Por exemplo, abuso de poder, branqueamento, tráfico de influência, prevaricação, peculato, que na maior parte das vezes surgem interligados. (SIC Notícias, em 15 de Fevereiro de 2023)…

– O Relatório do Conselho de Prevenção da Corrupção, relativo aos dados reportados em 2020, “enfatiza que a área da Administração Local é, uma vez mais, a que surge mais representada, estando associada a mais de metade (51,8%) dos reportes judiciais.” (Jornal Expresso em 16 de Março de 2021)…

– O Conselho de Prevenção da Corrupção analisou em 2018 um total de 604 casos relacionados com corrupção: 48% ocorreram em autarquias, o que representava a maior percentagem de sempre, constatando-se também que os casos reportados relacionados com os municípios tinham vindo a subir: 32.9% em 2015, 35% em 2016, 44.6% em 2017 e 48% em 2018 (Jornal Diário de Notícias, em 9 de Junho de 2019)…

– “48% (num total de 288) estão relacionados com autarquias, a maioria provenientes de câmaras municipais (223), seguidos de juntas de freguesia (56) e de empresas municipais (9)”. (Jornal Diário de Notícias, em 9 de Junho de 2019)…

Pela amostra que os dados anteriores proporcionam, parece, assim, legítimo inferir que, ao longo dos últimos anos, uma parte significativa dos Autarcas tem demonstrado que a sua acção não é confiável, nem idónea; que muitos não têm tido qualquer pejo em utilizar os respectivos cargos para finalidades ilícitas; e que, em termos éticos e morais, a acção de muitos tem sido uma potencial nulidade…

Independentemente da “cor partidária” dominante em cada autarquia, e decorrente dos dados anteriores, pergunta-se:

– É possível ignorar ou escamotear as muitas suspeitas de corrupção, peculato, participação económica em negócio ou abuso de autoridade/poder, que recorrentemente são dadas a conhecer pelos meios de comunicação social e pelas entidades que têm por missão o combate à corrupção, envolvendo titulares de cargos autárquicos?

– Os Profissionais de Educação, docentes e não docentes, vêem o Poder Autárquico como credível e confiável?

Os cargos autárquicos parecem ser muito tentadores, mas nem sempre pelos melhores motivos ou pelos motivos certos… O estabelecimento de cumplicidades obscuras e perigosas, alimentadas por interesses clientelistas e por lobbies de natureza económica, quase sempre camuflados, parece ser uma prática frequente ao nível do Poder Local…

Por outro lado, após as Eleições Autárquicas, por este país fora, conhecem-se bem os saneamentos e as promoções/nomeações que, em simultâneo, se operam nas Autarquias, sobretudo quando aí se verifica uma mudança na “cor partidária” dominante…

Também a apresentação de certos “cartões partidários” parece ser uma garantia de emprego público…

Demasiadas vezes, as afinidades e as lealdades partidárias se sobrepõem às competências técnicas e profissionais exigíveis ao exercício de determinados cargos autárquicos, em particular os de Chefia…

– É a esse Poder Autárquico, muitas vezes sob suspeita da prática de crimes económico-financeiros e plausivelmente dominado por interesses partidários, que se pretende entregar a gestão da Escola Pública?

O derradeiro “xaque-mate” à Escola Pública será continuar a descentralizá-la, recorrendo à respectiva municipalização…

Mas a defesa e a credibilização da Escola Pública muito dificilmente se farão por essa via…

A Escola Pública não resistirá a mais um vitupério que ameaça, de forma irremediável, a sua identidade e a sua independência… E o pior é que nenhum Partido Político parece genuinamente interessado na defesa e na credibilização da Escola Pública…

A esse propósito, veja-se, por exemplo, a lastimável prestação dos Partidos Políticos que, tanto à Direita como à Esquerda, tentam instrumentalizar a Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento…

Resumindo, a normalidade está cada vez mais absurda, a Ética parece andar muito longe e a Justiça tarda… Mantêm-se e proliferam, assim, os mais variados saques ao erário público, muitos deles, alegadamente, com origem no Poder Local…

Repito a pergunta:

– É a esse Poder Autárquico, muitas vezes sob suspeita da prática de crimes económico-financeiros e plausivelmente dominado por interesses partidários, que se pretende entregar a gestão da Escola Pública?

O actual Governo conseguirá renunciar a essa insensatez?

Nota: Haverá, com certeza, muitos titulares de cargos autárquicos com uma acção pautada pela Ética, integridade, honestidade e transparência. Esses, obviamente, nunca poderão ser visados por este texto.

Paula Dias

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Parlamento aprova reingresso à CGA alargado a mais trabalhadores

A proposta que clarifica o reingresso de funcionários públicos na Caixa Geral de Aposentações (CGA) foi hoje aprovada no parlamento, depois de ter sofrido alterações na especialidade para incluir mais trabalhadores.

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Ministro da Educação pede consensos sobre estatutos da carreira de investigação e docente

Apelo a um compromisso político foi transmitido por Fernando Alexandre a meio do debate setorial sobre educação, depois de deputado do PSD acusar PS e Chega de quererem desvirtuar OE.

Ministro da Educação pede consensos sobre estatutos da carreira de investigação e docente

O ministro da Educação pediu esta sexta-feira aos diferentes partidos um amplo consenso no parlamento sobre os processos de revisão dos estatutos da carreira de investigação e docente, e do regime jurídico das instituições do Ensino Superior.
Este apelo a um compromisso político foi transmitido por Fernando Alexandre a meio do debate setorial sobre educação,depois de uma intervenção do deputado social-democrata Pedro Alves em que acusou o PS e Chega de se prepararem para desvirtuar a proposta de Orçamento do Estado para 2025.

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23 357 alunos sem aulas a uma disciplina durante o primeiro mês do ano letivo

23 357 alunos sem aulas a uma disciplina durante o primeiro mês do ano letivo

Um mês depois do arranque do ano letivo, há 720 horários por preencher nas escolas públicas, o que resulta em 54 060 alunos que ficaram sem aulas a uma disciplina em algum momento durante este período, dos quais há 23 357 alunos que estão sem aulas desde o início do ano letivo a uma disciplina.
Concluído o concurso interno e externo, após a realização de 8 reservas de recrutamento de professores e da contratação de escola, estão por preencher 720 horários, sendo que destes há 357 horários que estão por preencher desde o início das aulas. Até ao dia 16 de setembro, último dia do período para o arranque do ano letivo, as escolas tinham pedido 11 583 horários tendo ficado, nessa altura, 4 065 horários por preencher.
Esta redução de horários por preencher reflete já as várias medidas desenhadas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) para cumprir o objetivo de reduzir em 90%, no final do 1.º período, o número de alunos sem aulas desde o início do ano letivo em relação a 2023/2024.
Terminado o prazo, para já, 79 docentes aposentados manifestaram disponibilidade para voltar a dar aulas, passando a integrar uma bolsa de contratação, ao dispor dos diretores das escolas.
Somam-se ainda 567 professores que tinham abandonado a profissão e que decidiram este ano letivo regressar à docência.
Foram ainda solicitadas por 179 agrupamentos escolares e escolas não agrupadas 2 016 horas extraordinárias com implicações em 16 912 alunos que frequentam 801 turmas.
Além das 15 medidas previstas no plano + Aulas + Sucesso, o MECI tomou ainda duas iniciativas adicionais para atrair professores para as zonas do país mais carenciadas: um concurso de vinculação extraordinária e o apoio à deslocação.
O número de horários por preencher deverá reduzir ainda mais com o resultado do concurso externo extraordinário, ao qual 5 675 professores apresentaram candidatura para as 2 309 vagas nos Quadros de Zona Pedagógica das áreas de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, onde estão localizados a maioria dos 234 agrupamentos e escolas não agrupadas com maior carência de docentes.
Relativamente ao incentivo à deslocação, 2 234 docentes colocados naqueles estabelecimentos de ensino já solicitaram este apoio, dos quais, quase metade, 1 033 são professores que estão colocados a mais de 300 quilómetros da residência fiscal e que, por isso, vão receber o valor máximo do apoio, 450 euros mensais.
Este apoio será pago durante 11 meses e abrange todos os professores colocados naquelas escolas, independentemente do seu vínculo e do seu grupo de recrutamento.
No atual ano letivo, o Governo já alcançou a meta de reduzir em 25% (25,76%) o número de mobilidades de docentes nos grupos de recrutamento deficitários, em comparação com 2023/24.
A redução significativa do número de alunos sem aulas foi definida como uma prioridade para o atual Governo, tendo sido adotadas medidas que permitem às escolas, no âmbito da sua autonomia, definirem a melhor forma de responderem às exigências e desafios deste problema.
Alunos sem aulas por períodos prolongados é um flagelo que lesa os interesses dos alunos e da Escola Pública, compromete o percurso escolar de milhares de crianças e jovens e prejudica o desenvolvimento do seu potencial.
A Educação é um processo contínuo e a interrupção prolongada da aprendizagem provoca danos profundos, pondo em causa o futuro dos jovens, as expetativas das famílias e o investimento do Estado numa Educação geradora de igualdade de oportunidades. As medidas do Governo visam resolver desafios estruturais que ainda prejudicam os alunos.

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Concurso de docentes do ensino artístico especializado da música e da dança – Listas definitivas

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de ordenação, colocação, não colocação, exclusão e desistência dos Concursos Interno e Externo do ensino artístico especializado da música e da dança.

Listas definitivas

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Reserva de recrutamento 2024/2025 n.º 09

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 9.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 28 de outubro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 29 de outubro de 2024 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 09

Listas – Reserva de recrutamento n.º 09

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Parlamento chumba proibição de telemóveis nas escolas

Projeto de lei do BE propunha proibição de uso de telemóvel nos espaços de recreio das escolas dos 1.º e 2.º ciclos.

Parlamento chumba proibição de telemóveis nas escolas

 

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Só “avaliação surpreendente” fará com que disciplina de Cidadania deixe de ser obrigatória

O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, disse hoje que é preciso que a avaliação dos resultados à disciplina de Cidadania e Desenvolvimento o surpreenda muito para que deixe de ser obrigatória.

Só “avaliação surpreendente” fará com que disciplina de Cidadania deixe de ser obrigatória

 

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Revista Brincar a Escrever – Divulgação às Escolas

 

Contos e poemas infantis e juvenis.

Artigos de interesse a pais, educadores e professores.

Revista Brincar a Escrever

Revista da Brincar a Escrever, uma revista infantil e juvenil, direcionada também para pais, educadores e professores.

Vem inserida no projecto com o mesmo nome (Brincar a Escrever), que desenvolvo no meu espaço, em Viseu.

É a concretização de um sonho, mas acima de tudo uma forma de divulgação e incentivo à escrita e leitura, desde tenra idade.

Muito obrigado a todos os que participaram.

Desfrutem e sejam felizes.

Raquel M. Lopes

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Nota Informativa – Medicina do trabalho

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Reclamação da Candidatura Eletrónica – Concurso Externo Extraordinário 2024-2025

 

Aplicação eletrónica disponível entre as 10:00 horas do dia 22 e as 18:00 horas do dia 28 de outubro de 2024 (hora de Portugal continental), para efetuar a Reclamação das candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário 2024-2025.

Consulte o Manual de utilizador.

SIGRHE – Reclamação da candidatura eletrónica

Manual de utilizador –  Reclamação da candidatura eletrónica

 

 

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Requalificação de escolas… será que contaram com a minha?

Quem percorre os corredores da Escola Secundária Arco Íris depara-se com problemas nas salas de aula, nas casas de banho e nos serviços administrativos. No exterior, a situação é igual e coloca em causa a segurança da comunidade escolar.

Das 450 escolas portuguesas que precisam de obras, apenas 75 serão requalificadas até junho

 

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Ainda há 24 mil alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina desde o início do ano letivo

Atribuição de horas extraordinárias e apoios à deslocação ajudam a resolver falta de professores. Mas só 79 reformados disseram estar disponíveis para voltar a dar aulas. Ministério contava com pelo menos 200

Ainda há 24 mil alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina desde o início do ano letivo

 

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Balança da reunião técnica sobre a RTS, de ontem

Houve sindicatos que tiraram dúvidas e propuseram melhorias.

Outros houve que foram discutir o seu caso em particular e tiveram de ser mandados calar.

Estamos assim…

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A RTS ainda vai dar que falar…

Vem aí uma nova plataforma “Esucação”. Vai agregar todos os dados sobre os professores.

 

https://www.facebook.com/share/r/nx1tvbuu7rbe3F5Y/?mibextid=UalRPS

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Procedimento de atribuição de serviço docente aos aposentados e reformados – Aperfeiçoamento

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 21 de outubro e as 18:00 horas de dia 22 de outubro de 2024 (hora de Portugal continental), para efetuar o aperfeiçoamento da  candidatura ao procedimento de atribuição de serviço docente aos educadores de infância e aos professores dos ensinos básico e secundário aposentados e reformados nos agrupamentos de escolas e nas escolas não agrupadas (Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto e Despacho n.º 10982-A/2024, de 18 de setembro).

Manual de Instruções –  Procedimento de atribuição de serviço docente aos aposentados e reformados – Aperfeiçoamento

Nota Informativa – Procedimento de atribuição de serviço docente aos aposentados e reformados – Aperfeiçoamento

SIGRHE

 

 

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Para que serve o Período Probatório?

Para encher os professores de trabalho burocrático?

Para descredibilizar as instituições de Ensino Superior ?

É que não vejo outra utilidade…

Será que existe outra?

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Cheira-me que o número de baixas pala CGA vai diminuir

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Matérias em negociação a partir de 21 de outubro

📢 No dia 21 out, inicia-se a negociação de temas importantes para a Educação:

👉 Estatuto da Carreira Docente
👉 Autonomia e Gestão das Escolas
👉 Habilitações Próprias para a Docência
👉 Estatuto de Formação Contínua
👉 Mobilidade Por Doença (MPD)
👉 Intercomunicabilidade entre carreiras da Administração Pública.

Esperamos que a maioria dos processos esteja concluído antes do próximo ano letivo.

💥 Lutaremos por uma carreira verdadeiramente digna e atrativa.💥

Consulte o comunicado
https://spzc.pt/Content/3695#top

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Encerramento da aplicação Certificação de Tempo de Serviço – EPC, tendo em vista o Concurso 2025 – 2026

No âmbito da certificação de tempo de serviço para efeitos do concurso nacional para 2025-2026, a DGAE divulga a Nota Informativa, com informação quanto ao período de fecho da aplicação Certificação de Tempo de Serviço – EPC a novos requerimentos de certificação para efeitos de concurso, na página eletrónica da Direção-Geral da Administração Escolar.

Com os melhores cumprimentos,

A Diretora-Geral da Administração Escolar

Maria Luísa Oliveira

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Reserva de recrutamento 2024/2025 n.º 07

 

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 7.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 14 de outubro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 15 de outubro de 2024 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 07

Listas – Reserva de recrutamento n.º 07

 

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Apreciação da Petição n.º 219/XV/2ª – “Solicitam medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança” na AR

 

Cumpre-me comunicar que foi deliberado agendar a apreciação da Petição n.º 219/XV/2ª – “Solicitam medidas contra a violência na Escola e reforço da Paz e Segurança” na Reunião Plenária do dia 24 de outubro de 2024, a partir das 15 horas (link para as ordens de trabalho das reuniões plenárias – http://app.parlamento.pt/BI2/).

Informa-se que o debate pode ser seguido através do Canal Parlamento, disponível na TDT, nos canais por cabo, no sítio da internet da Assembleia da República (www.parlamento.pt), na área do Canal Parlamento ou no Facebook do Canal Parlamento.

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187 milhões de euros para devolver tempo aos professores

 

A Educação vai receber mais 477,3 milhões de euros em 2025. Uma das prioridades é a valorização da carreira docente. A despesa com o pessoal vai ter um acréscimo de 186,8 milhões nomeadamente para pagar a recuperação do tempo de serviço.

Mais 187 milhões de euros para devolver tempo aos professores

 

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Acréscimo de 6,8% para a Educação no OE2025

O Programa Orçamental da Educação evidencia, no orçamento para 2025, uma despesa
total consolidada de 7470,6 milhões de euros, o que traduz um acréscimo de 6,8% (477,3
milhões de euros) face à execução estimada até final de 2024.

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Medidas emblemáticas de emergência na Educação constantes no OE2025

 

 

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O valor da descentralização para a Educação

O Fundo de Financiamento da Descentralização (FFD), gerido pela DGAL, é dotado
das verbas necessárias ao financiamento das competências descentralizadas para os
municípios do território continental, nos termos dos Decretos-Leis n.ºs 21/2019, de 30
de janeiro, na sua redação atual, do Decreto-Lei n.º 22/2019, de 30 de janeiro, alterado
pelos Decretos-Leis n.ºs 84/2019, de 28 de junho, e 4/2022, de 4 de janeiro, do Decreto-
Lei n.º 23/2019, de 30 de janeiro, alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 84/2019, de 28 de
junho, 56/2020, de 12 de agosto, 84-E/2022, de 14 de dezembro, e 102/2023, de 7 de
novembro, e 55/2020, de 12 de agosto, alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 23/2022, de
14 de dezembro, e 87-B/2022, de 29 de dezembro, até ao valor total de €
1 405 374 345,00, constante do mapa 12 anexo à presente lei, asseguradas as condições
legalmente previstas, com a seguinte distribuição:
a) Saúde, até ao valor de € 139 694 808,00;
b) Educação, até ao valor de € 1 170 160 332,00;

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Orçamento do Estado para 2025

 

​​​A Proposta de Lei n.º 26/XVI/1​ – Aprova o Orçamento do Estado para 2025 foi entregue pelo Ministro das Finanças ao Presidente da Assembleia da República, no dia 10 de outubro, ato que marca o início do processo orçamental no Parlamento.

 

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Formulário eletrónico: Período Probatório 2024/2025

 

Encontra-se disponível o formulário eletrónico que permite às escolas indicar os requisitos para a dispensa ou realização do Período Probatório 2024/2025.

Consulte as perguntas frequentes e Nota Informativa:

Perguntas Frequentes 

Nota Informativa 

 

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Concurso Externo Extraordinário 2024/2025 – 2.ª Validação

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 9 de outubro e as 18:00 horas de 10 de outubro de 2024 (hora de Portugal continental) para efetuar a Validação do Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2024/2025, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Nota Informativa – Validação do Aperfeiçoamento das candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

SIGRHE – Validação do Aperfeiçoamento

 

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Os dinossauros fazem este ano 200 anos. ou 16 se for o ano letivo…

 

Mini ensaio que explica o que têm dinossauros a ver com fraldas e diretores.

Esperemos que o MECI não queira comemorar a efeméride, impedindo a extinção de alguns, com uma nova lei de gestão das escolas, que não tenha a necessária abstração e generalidade.

Mas, a possibilidade de estarmos distraídos e isso se estar a fazer é preocupante.

O megalossauro, foi o primeiro dinossauro a ser descrito num trabalho publicado por William Buckland em 1824. Portanto, há 200 anos.

Mas quero falar-vos, não desse 1º dinossauro publicado, mas do Lurdossaurus ininterruptus, do Agrupossaurus continuus e do Diretorossaurus reconductus costensis (há uma subespécie ameaçada chamada maiensis).

E a ideia é falar das aparentes movimentações ou, pelo menos, risco de estarem a tentar não se deixar extinguir, como devia ser….

Tais espécies existem em alguns casos desde os anos 90. É o dirigente escolar português, contínuo, há pelo menos 4 mandatos de diretor. Alguns tiveram mais uns quantos, antes, de Presidente de Conselho Executivo.

 

Professores só foram há muitos anos, tantos que não se lembram que essa é a profissão.

 

Eu podia ser já fóssil de saurípede….

Fui presidente de Conselho Executivo de uma TEIP, entre 2007 e a entrada da nova lei dos diretores, da nefanda Lurdes (daí o nome de uma das espécies do “lagarto terrível” acima).

 

Fui um dos PCE que publicamente se opôs à uniformização dos diretores como modelo. Fui então a um debate da Fenprof, representar os PCE do Norte e alinhar com o Mário Nogueira contra a lei (logo eu…vejam como acho o tema importante).

Parece que tentaram convidar uns 6 antes e ninguém alinhou, tal era o medinho da Lurdes…E ficou o parolo de Viana que foi o que se conseguiu arranjar.

E muita gente, na altura, não percebeu a importância dessa luta, mas hoje percebe-se melhor, vividos anos seguidos de ADD, burocracia e os maias das curvas da estrada.

 

Reformar a gestão escolar é voltar atrás e acabar com lurdices

 

Ainda hoje defendo o regresso à lei de 1998, que nunca foi avaliada como devia (foi, mas o resultado foi ignorado e a Lurdita deitou fora, por conta dos seus preconceitos ignorantes).

 

Escrevi isso no Observador, há uns anos, curiosamente a convite do mesmo Homem Cristo que hoje é Secretário de Estado, https://observador.pt/opiniao/repristinar-os-conselhos-executivos-e-revogar-os-diretores/

A nova lei fez-me perder o mandato de PCE, para que fui eleito, nos termos da lei de 1998, e, só depois de um plenário na escola, aceitei não resistir à norma, que considerei ilegal, que me obrigava a ser diretor para continuar.

Quem foi para tribunal ganhou na ideia de que os mandatos de PCE deviam ir até ao fim e não ser interrompidos, mas, na minha escola, os meus colegas pediram para não ir frente a um juiz discutir.

Assim, iniciei um mandato novo como diretor, que cessou quando vieram os mega agrupamentos, quando recusei ir para uma CAP, recusa mal-entendida, mas em nome da defesa dos interesses da minha terra, cilindrada nas jogadas da pequenina politica vianense, num Mega agrupamento que se impunha, mesmo sendo TEIP.

Assim, tenho ao todo 8 anos de experiência de PCE, diretor e subdiretor (as duas

primeiras de 22.06.2007 a 24.05.2013 e a terceira de 07.2021 a 05.2023)

Se viessem os gestores, tenho uns 5 cursos para me qualificar como tal. Em escolas e universidades em condições, não nos “cursos- online-de-6-meses-menos-uns-dias-de Carregadinhas-de-Cima” que andam na moda.

 

Mas, se há conclusão, que tenho para mim da experiência de gestão (em escolas e noutros sítios) e da formação (para gerir escolas e outras coisas) é que um gestor, dirigente, eleito ou nomeado, deve ter prática operativa (além de formação) do que gere e deve ter um período de gestão limitado no tempo.

Não defendo que os diretores devam ser obrigados a dar aulas, enquanto gerem, mas que devem ter a perspetiva, bem delimitada no tempo, de a elas voltar.

 

Eu dei aulas quando diretor (a um PIEF) mas obrigar todos é coisa excessiva. É o mesmo que fez a Lurditas ao obrigar toda a gente a ter diretores (quando antes a maioria das escolas tinha Conselhos e só uma tinha diretor).

Para poderem dizer que são efetivamente professores devem voltar às aulas como horizonte definido. E quem gere escolas deve ser professor e ter sempre isso no horizonte.

O caso mais patológico de permanência no poder que conheci foi o de um diretor de escola que esteve uns 28 anos em funções e, num dos últimos mandatos, deixou inaugurar um busto seu no recreio e que dizia nada ter a ver com isso. “Foi a população que quis…” Há tantas vocações perdidas de Kim-IL-Sung…

Coisas dessas são a total falta de vergonha e de noção do que é viver numa República e o feudalismo, instalado em tantos sítios, só pode ser mitigado se houver regras de limitação do tempo em funções e regras de competências mais precisas (nomeadamente, além de mudar o modo de eleição, assegurar mais checks and balances ao poder executivo).

Há uns anos, fui ao parlamento com uma petição, a que poucos ligaram, pedir limitação de mandatos para diretores igual à dos autarcas (que, mesmo assim, têm mais tempo que o Presidente da República).

Fica o link para os argumentos e debate. Detalhe de Audição (parlamento.pt)

O governo quer mudar a lei de gestão das escolas.

Há muito que discutir no modelo. E calculo que, com o meu interesse académico na coisa, vou maçar-vos muito com textos sobre isto.

Mas há um limiar básico da discussão, que como o sulco do arado de Rómulo, não pode ser ultrapassado.

 

O atual limite de 16 anos em funções, seguidos, tem de ser mantido como limite para os que o atingem em 2025, ou, então, a lei vai parecer uma batota para o expediente de uns boys (que, se não o forem, vão ficar a parecer)  continuarem em funções, sem dar aulas, e para lá de limites de mandato claros (e tendo tido alguns a vantagem de serem reconduzidos sem oposição 2 vezes, graças a uma norma inconstitucional cuja declaração ninguém pediu, mas devia).

Deve haver um novo limite para futuro (calculo que passarão os 12 anos, por similitude aos autarcas) mas deve haver uma regra na nova lei que proíba um diretor de escola, que já esteja há 16 anos de continuar em qualquer função futura de gestão executiva.

Ou a lei vai mesmo parecer um expediente torto contra a limitação de mandatos.
Afinal, no que diz respeito ao exercício de funções executivas (mesmo que lhes mudem o nome) já tiveram 16 anos. Mesmo que os nomes dos cargos mudem, não mudam as funções que é o que está a ser limitado.

 

Se não for assim é uma batota. Um truque baixo à expetativa de muitos professores de que muitas moscas mudem, depois de 16 ou mais anos de voo rasteiro.

Se, em 2013, não tivesse escolhido sair e voltar à escola e às aulas, hoje, se fosse um Lurdossaurus ininterruptus, teria 16 anos de funções e estaria a um ano de atingir o limite. Se ainda durasse em funções era uma mosca a mudar…

Duvido que lá chegasse (nunca exerci nenhum cargo mais de 6 anos, por opção).

A minha vida não se define em cargos, embora não faça o teatro cínico de dizer que nunca quis tê-los.

E se a limitação de mandatos é boa para a comunidade, também é boa para as pessoas limitadas e para mim (embora não seja como muitos, em muitos cargos, que precisam de um empurrão para vidas mais plenas…)

E de insubstituíveis estão os cemitérios cheios.

Era natural sair antes. Não me ia meter em esquemas turvos de fazer batotas legiferantes para tornear o que já sabia há 16 anos.

Portanto, diga a lei nova o que disser noutras coisas, deve procurar gerar consenso num ponto que, sem dúvida, agradará aos professores.

 

A norma deverá dizer algo do tipo: “ninguém que tenha sido diretor, que tenha sido eleito ou reconduzido para um 4º mandato sucessivo e iniciado o seu exercício nesse mandato, vigente à data de entrada em vigor desta lei, pode ser eleito ou nomeado para dirigente executivo máximo de um agrupamento ou escola não agrupada até decorrer o tempo correspondente à duração normal do 1º mandato dos órgãos previstos neste (novo) regime”.

A ideia da norma proposta é os diretores irem dar aulas, uns anos que seja, depois do 4º mandato desde 2009.

 

Parafraseando Benjamin Franklin (ou seja quem for, que há quem diga que foi o Eça que disse): os diretores de escola são como as fraldas, se não forem mudados com regularidade podem começar a feder…..

 

Luís Sottomaior Braga, professor do Grupo 200 (História e Geografia de Portugal)

 

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Aumento de alunos com necessidades pressiona recursos

Exigida revisão de rácios dos funcionários. ANMP propõe colocação adicional até dez assistentes por agrupamento.

Aumento de alunos com necessidades pressiona recursos

O número de funcionários nas escolas, definido por lei, tem de ser revisto. A reivindicação da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e dos Autarcas Sociais-Democratas dá eco à insuficiência manifestada pela generalidade das câmaras, que alertam para a necessidade urgente de revisão dos rácios do pessoal não docente, em particular os assistentes operacionais.

 

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Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença (art.º 9 do Decreto-Lei n.º 41/2022)

 

Informamos que se encontra disponível na página eletrónica da Direção-Geral da Administração Escolar a aplicação eletrónica para Extração do Relatório Médico  DGAE ( art.º 9 do Decreto-Lei n.º 41/2022) – Ano letivo 2024/2025. Esclarecemos que, nesta fase, em conformidade com o art.º 9.º do referido diploma legal, apenas podem requerer esta mobilidade, os docentes cuja situação de doença tenha ocorrido após o dia 18 de julho de 2024, último dia para a submissão do relatório médico, disponibilizado na primeira fase do procedimento.

Junto enviamos nota informativa.

Com os melhores cumprimentos,

A Diretora-Geral da Administração Escolar

Maria Luísa Oliveira

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Aprovado o plano «AprenderMais Agora»

 

Comunicado do Conselho de Ministros de 4 de outubro de 2024

7. Uma Resolução do Conselho de Ministros que define o plano «AprenderMais  Agora», que prevê um conjunto de medidas destinadas a melhorar a aprendizagem, alinhadas com o plano «+Aulas +Sucesso» (para assegurar alunos com aulas) e com o novo modelo de Avaliação Externa (para maior fiabilidade e comparabilidade na monitorização da aprendizagem). As medidas, e as prioridades nelas refletidas, assentam na melhor evidência da política pública de Educação do XXIV Governo Constitucional, nomeadamente sobre a importância de investir no desenvolvimento das crianças desde a creche, de introduzir intervenções pedagógicas preventivas (antes de haver insucesso escolar) e de reforçar o foco do trabalho escolar na aprendizagem. O objetivo de melhorar a aprendizagem assenta também no reconhecimento de rápidas mudanças demográficas e sociais na população residente em Portugal;

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Dois camaleões indecisos em frente ao arco-íris…

 

O prazo de entrega da proposta do Orçamento de Estado para 2025 termina no próximo dia 10 de Outubro…

A respeito do anterior, o Presidente da República já anunciou que se esse Orçamento não for viabilizado haverá uma crise política e económica…

Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, líderes dos dois maiores Partidos Políticos com assento na Assembleia da República, têm sido, nas últimas semanas, protagonistas de uma espécie de folhetim, tendo como guião o Orçamento de Estado para 2025…

Entre propostas e contrapropostas apresentadas por ambos, pretensamente recusáveis ou irrecusáveis conforme os pontos de vista, entre avanços e recuos, entre cedências e intransigências, esses dois líderes partidários têm agido como se fossem putativos camaleões em frente ao arco-íris…

Metaforicamente, e parodiando um pouco a situação, mais parecem dois camaleões em frente ao arco-íris, indecisos quanto à cor que melhor lhes serve para se camuflarem:

“Escolho amarelo ou ficaria melhor com azul”? “Acho que escolho amarelo, mas talvez numa tonalidade mais vibrante”… “Ou, então, escolho o azul, mas numa tonalidade menos intensa”… “Pensando melhor, acho que, afinal, escolho o anil, é isso, escolho o anil”… “Mas também me agrada muito o verde”… “Como posso não escolher o verde?” “E quase que me esquecia do vermelho”… “Gosto tanto de vermelho, mas com vermelho não consigo ficar incógnito!”…

E, pronto, parece que andamos nisto há várias semanas…

Parece que andamos nisto há várias semanas, como se não existissem fundos europeus que necessitam de estabilidade governativa para serem (bem) aplicados; como se o Mundo não estivesse envolto na insegurança, na incerteza e na propensão para o conflito entre vários países; ou como se, a vários níveis, Portugal não dependesse dos mercados externos, também eles, por vezes, muito periclitantes…

Enquanto tudo isso, o Orçamento para 2025 bem poderá esperar, que o país há-de governar-se sozinho e sobreviver aos “acotovelamentos” entre os dois maiores Partidos Políticos, bem patente na forma como consecutivamente se têm empurrado responsabilidades de um lado para o outro…

Em resumo, a actual conjectura internacional, assim como a própria situação do país, nomeadamente no que se refere à Educação, desaconselham veemente qualquer irresponsabilidade ou veleidade em termos governativos…

Talvez não se deva ignorar que os acordos já firmados entre o actual Governo e algumas estruturas sindicais da área da Educação, nomeadamente o que respeita à recuperação faseada do tempo de serviço dos Professores, carecem de cabimentos previstos no Orçamento de Estado, destinados à respectiva consecução…

O tacticismo inerente aos jogos políticos parece que tem dominado nas últimas semanas, deixando o país em suspenso, sem que se vislumbre uma inequívoca solução que permita um acordo de proposta para o próximo Orçamento…

Assistindo a este “jogo do empurra”, e para agravar ainda mais o problema, encontra-se obviamente à espreita de uma oportunidade de entendimento com qualquer Governo que o aceite, um grupo de indivíduos defensor de uma matriz ideológica inspirada no Estado Novo, muito saudosa do salazarismo e com uma identidade política muito próxima do fascismo e do nacionalismo…

Com franqueza, depois do que se viveu durante quarenta e oito anos, sob o jugo de uma Ditadura fascista, talvez se possa aceitar (quase) tudo menos o anterior…

Portanto, a mensagem, dirigida ao PSD e ao PS, não poderá deixar de ser esta:

– Deixem-se de “fitas” e de jogos iminentemente pueris: se é para acordar uma proposta de Orçamento para 2025, façam-no de vez; se é para inviabilizar qualquer acordo, assumam-no sem rodeios… Em ambos os casos, que o decidam e clarifiquem o mais rapidamente possível, sem hipótese de equívocos em termos de interpretação…

O interesse do País e dos respectivos cidadãos não pode ficar refém de “guerrilhas” partidárias, nem de qualquer vaidade ou capricho partidário…

Continuar a arrastar pretensas negociações, tendo como pano de fundo sistemáticas conferências de imprensa, alimentando todo um frenesim mediático e centenas de possíveis interpretações, muitas delas opostas entre si, ameaça tornar-se num lastimável espectáculo decadente…

Parte significativa dos cidadãos portugueses esperará, certamente, que os dois maiores Partidos Políticos com assento na Assembleia da República consigam demonstrar a responsabilidade, a elevação e o sentido de estado necessários para tornar o país governável e, em simultâneo, anular a sede de protagonismo evidenciado por quem nutre certas simpatias por regimes ditatoriais…

Neste momento, será sensato sujeitar o país a novas eleições legislativas?

Paula Dias

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Houve qualquer coisa de Ensaio sobre a cegueira no processo dos professores – Paulo Prudêncio

Houve qualquer coisa de Ensaio sobre a cegueira no processo dos professores

Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”, escreveu José Saramago na última página do Ensaio sobre a Cegueira. Pois bem, o longo processo que nos levou à falta estrutural de professores deu sinais de cegueira, de uma cegueira que, vendo, teimava em não querer ver. Agora, o grande desafio é ver o passado, reverter as mudanças que nos empurraram até aqui e seguir pelo universo das incertezas.

E se na Cegueira das bolhas política e mediática já ninguém vê como alarmista o discurso que via, há quase duas décadas, as consequências da desvalorização do estatuto socioeconómico dos professores e da desautorização do seu exercício, também ninguém se pode queixar de falta de tempo e de espaço legislativos. Nesse período, Portugal viveu com governos de maioria parlamentar.

Se os governos de José Sócrates (2005 e 2009) aplicaram “cegamente” os quatro eixos da “batalha entre todos” que adoeceu milhares de professores (carreira, farsa avaliativa, gestão autocrática e burocracia como inferno de desconfiança), o de Passos Coelho (2011) cortou “cegamente” (horários dos professores ao minuto e com mais turmas, mega-agrupamentos de escolas, cortes curriculares e mais alunos por turma) e provocou o maior “despedimento” colectivo em Portugal: 27.941 professores (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência: de 141.452 em 2010/2011 para 113.511 em 2015/2016). Os governos de António Costa (2015, 2019 e 2022), os dois primeiros com o ministro da educação com mais anos na pasta nos 50 anos de democracia, nada viam das mudanças fatais, mas viam a não recuperação do tempo de serviço e “cegavam” com inutilidades informacionais e curriculares.

Mas, questionará o leitor, não houve diferenças nesse pacto “cego” de regime para a proletarização dos professores? Houve diferenças, claro que houve. Mas em indicadores tecnocráticos menos determinantes para a crise vigente: avaliação externa das aprendizagens, rankings de escolas e duas exorbitâncias curriculares com tiques dos totalitarismos do século XX: à direita o “ler, escrever e contar” e à esquerda os inúmeros projectos político-ideológicos não disciplinares mais reconhecidos do que o exercício lectivo.

Aliás, inscrever proletarização e século XX requer que se repita o óbvio: não se proletariza grupos numerosos sem a cumplicidade de nomenclaturas. E a cegueira na educação portuguesa ancorou-se numa casta subserviente com os superiores hierárquicos e, em regra, distante da sala de aula. Instalada no ministério e nas escolas, criou o infernal clima escolar enquanto anunciava excesso de trabalho e insubstitualidade. Essa tragédia atemorizou governantes menos preparados, com um lado cómico retratado na célebre sitcom britânica “Yes Minister” emitida também na RTP1.

Sair daqui, num tempo de aumento brutal das desigualdades educativas, é um gigantesco desafio para a sociedade. O imperativo constitucional do acesso ao ensino pressupõe a existência de professores e sabe-se que nesta década já não se formarão os necessários. Na verdade, haverá o risco de queda em visões simplistas que não distingam o intemporal do circunstancial.

É, por isso, fundamental que se conheçam os desesperos em debate no Ocidente: menos dias de aulas por semana, menos horas diárias na escola, turmas para 60 alunos, eliminação de disciplinas, certificação acelerada de professores, mono-docência (modelo do 1º ciclo) para a totalidade do ensino não superior coadjuvada por máquinas e conteúdos digitais e, em negócios mais radicais, substituição literal de professores por máquinas.

Além disso, e para além de se apelar a professores com mais de 65 anos de idade ou a bolseiros de investigação, o caminho será cativar os que estão em funções, tentar recuperar os milhares de desistentes e concretizar programas de atractividade do exercício.

Mas não chega. É crucial oxigenar o clima escolar, mas sem as habituais alterações que deixam imutável o essencial que se identificou. Para que dentro de uns anos se vejam resultados positivos, exige-se que se reconheça a escola, essa notável invenção, como uma realidade social. A sua intemporalidade assenta num somatório de triângulos com dificuldades e complexidades crescentes: que cooperam, que nunca contendem entre si e que têm como vértices o professor, os seus alunos e os mediadores da relação: conhecimentos, destrezas, valores, atitudes e tecnologias. Assumi-lo é a melhor forma de enfrentar incertezas e nomenclaturas.

Acima de tudo, conclua-se que a cegueira abriu as portas à prevalência dos agentes do mal. Não há muitas formas mais óbvias para o descrever. Reverta-se com humildade. É um tempo grave e complexo, que convoca uma visão para além dos muros das escolas. Martin Wolf (2023:XIV), em a “A Crise do Capitalismo Democrático”, ilumina o cenário: “Os seres humanos separam naturalmente as pessoas entre aquelas que pertencem à “sua” tribo e as de fora. Massacram alegremente estas últimas. Sempre fizeram isso. Nunca tomei a paz, a estabilidade ou a liberdade como garantidas, e considero insensatos os que assim o fazem.” Aliás, o recente relatório Draghi eleva dois vocábulos essenciais à humanidade, à escola e ao futuro da Europa: comum e partilha.

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A hora do jantar: o ritual esquecido na educação das crianças

 

Já é noite, e lá fora a trémula luz dos candeeiros preenche as ruas vazias. Dentro de casa, um cenário repetido em tantos lares portugueses: pais exauridos a tentar coordenar a rotina do jantar com um olho no fogão e outro no telemóvel, o maldito telemóvel.
As crianças, dispersas, dividem a atenção entre o tablet, o telemóvel, o outro telemóvel, o computador e a televisão mais as diatribes entre irmãos.
O jantar, pronto, rápido e prático, é para deglutir, nem por isso para saborear e tantas vezes sem alimentar, apenas encher e em seguida desfalecer.
Ao menos mastiga.
Na corrida desenfreada desta vida, o momento da refeição foi transformado num mero requisito, um ritual banal a fazer as vezes do espaço de encontro, equilíbrio e construção de identidade tão importante para a criança defronte de nós, não só à mesa mas do lado de lá do espelho.
Ou já se esqueceram?
Já se esqueceram.
E ao olvidar adicionar a pressa diária do “Come e está calado” mais o “Come e não me chateies” ou então “Come e vai para a cama” ou então “toma lá o telemóvel e não me chateies” entre a negligência e o abuso emocional, aliás o prato diário de tantos sentados à mesa e por isso sentados no sofá e já agora a comer com as mãos.
Já não sei qual o sentido de um garfo e alguém explique às crianças o porquê de uma faca ou colher e a façanha de saber usar talheres.
Diante deste cenário é de surpreender a surpresa dos pais mais o impacto no comportamento e saúde das crianças.
Não se trata apenas de nutrientes ou calorias. Um jantar equilibrado é, antes de mais, uma oportunidade para ensinar, para educar, para criar rituais de presença e comer não é somente a ingestão e por favor mastiga mas o convívio e o relacionamento aos quais se junta a experiência e a destrinça dos sabores e da variedade de alimentos, a partilha, a escuta e aprende a esperar, a esperar a tua vez e ninguém te disse para saíres da mesa e “Ó Alberto diz alguma coisa ao teu filho” mas o Alberto já não diz nada, o Alberto desistiu há muitos anos e o filho faz quanto quer.
O filho tem 10 anos e pesa 50 quilos.
E não, não está na escola mas nas famílias a reaprendizagem de um momento, e dos momentos, em família, muito depois de a escola fechar as portas.
É verdade, estamos exaustos, o ritmo de trabalho é avassalador, os horários imprevisíveis, as exigências de produtividade sem fim e o tempo de estar à mesa não é a soma dos alimentos no prato mas a qualidade dos diálogos, as perguntas e as respostas e o tempo de dizer aos pais para dizerem aos filhos “Estou aqui e tu és importante”.
Um jantar equilibrado não precisa de ser uma epopeia gastronómica de pratos exóticos ou desafios culinários e o suficiente é o básico bem feito: legumes frescos, carne ou peixe, hidratos capazes de sustentar e de preferência integrais sem esquecer o mais importante e o mais importante é a companhia e a companhia não está do lado de lá de um telemóvel enquanto se partilham as peripécias do dia.
A alimentação nutre a relação familiar, molda a forma como encaramos o dia-a-dia e ensina-nos a parar.
Quantas memórias da infância se prendem a sabores e cheiros os quais, na simplicidade dos ingredientes, carregam a riqueza dos afectos?
Este é o legado perdido e sem querer roubado às crianças a troco de nada, a troco da distância, da ausência e solidão das vidas por preencher na pressa de cumprir horários em nome da eficiência.
Assim, o desafio é este: resgatar o jantar do automatismo. Transformá-lo num momento de pausa e de cuidado, sem desculpas nem pretensões.
Em nome de uma refeição para além da pirâmide alimentar num acto de resistência ao caos e à pressa, na certeza de estarmos presentes, à mesa e na vida.

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Ministério da Educação surpreende sindicatos com novo modelo de gestão das escolas. Negociações começam já nas próximas semanas

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) surpreendeu os sindicatos de professores com o anúncio de uma revisão do modelo de gestão das escolas, a ser discutido e negociado já nas próximas semanas. Esta notícia foi revelada na última quinta-feira, durante uma reunião entre o MECI e representantes dos sindicatos, marcando o início de uma nova fase de negociações que deverá culminar no primeiro trimestre de 2025.

Ministério da Educação surpreende sindicatos com novo modelo de gestão das escolas. Negociações começam já nas próximas semanas

Manuel Teodósio, vice-secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), em declarações ao Correio da Manhã, confirmou o início desta negociação: “A novidade é que vamos rapidamente iniciar a negociação do modelo de gestão no dia 21, para estar concluída no primeiro trimestre de 2025.” Segundo Teodósio, o debate incluirá a forma de eleição dos diretores, o grau de autonomia das escolas e outros temas relevantes para a organização e funcionamento das instituições de ensino. “A FNE está a auscultar os professores sobre estas matérias”, acrescentou, indicando que os sindicatos estão a recolher contributos da classe docente para levar às mesas de negociações.

Mudanças na eleição dos diretores
Entre as questões que serão discutidas, destaca-se a eleição dos diretores das escolas, um tema que há muito gera descontentamento entre os professores. Atualmente, os diretores são eleitos por um conselho geral, que inclui não só professores, mas também representantes da comunidade escolar, pais, autarquias e elementos externos à escola. No entanto, muitos professores preferem que o processo de eleição seja restrito ao corpo docente.

Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Escolas de Viso, em Viseu, expressa esta preocupação: “Os professores querem que o diretor volte a ser eleito apenas pelos professores, mas o Governo deverá manter o conselho geral.” Cardoso acredita que, mesmo que o modelo de eleição por conselho geral seja mantido, poderão surgir mudanças na constituição da equipa de gestão. “Penso que a mudança poderá passar pela eleição de uma equipa de quatro elementos, e não apenas do diretor”, acrescentou.

Outros temas em negociação
Além do modelo de gestão escolar, estão previstas revisões ao Estatuto da Carreira Docente e à Mobilidade por Doença, matérias que também deverão ser discutidas nos próximos meses. O MECI comprometeu-se a apresentar uma proposta de diploma sobre o regime de habilitação para a docência, onde se deverá incluir o valor dos subsídios a pagar aos estagiários que lecionem. Esta é uma questão sensível para os sindicatos, que defendem uma remuneração adequada para os futuros docentes.

Os diretores das escolas recebem atualmente um subsídio, que pode ir até 750€, dependendo da dimensão da instituição que lideram. Este valor, no entanto, não é atualizado desde 2008, o que tem suscitado críticas de que não reflete as responsabilidades e desafios inerentes à função.

Rui Cardoso acredita que, para tornar o cargo de diretor mais atrativo e aumentar o número de candidatos qualificados, o Governo deverá equiparar os diretores das escolas aos dirigentes da função pública, que auferem salários mais elevados. “Se o objetivo é atrair mais candidatos à liderança das escolas, é necessário melhorar as condições remuneratórias e o reconhecimento do cargo”, defende Cardoso.

A reunião entre o MECI e os sindicatos foi conduzida por Pedro Dantas da Cunha, secretário de Estado da Administração e Inovação Educativa. O encontro marcou o início de um processo de negociação que poderá trazer mudanças significativas ao panorama da gestão escolar em Portugal. Os próximos meses serão decisivos para determinar o futuro das escolas e dos profissionais que nelas atuam, com foco na melhoria das condições de trabalho e na adaptação dos modelos de gestão às realidades atuais.

 

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