Rui Cardoso

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Eu quero ser estónio – José Afonso Baptista

 

Confesso: esta manhã acordei com um desejo inusitado. Não era café. Nem um aumento nas pensões. Era… ser estónio. Ideia maluca, ou sonho tonto, com a leitura do The Guardian de 26 de maio passado.
Sim, estónio. Esse pequeno país do Báltico que cabe inteiro no Alentejo mas aparece gigante nos relatórios internacionais de educação. No último PISA, a Estónia foi o país europeu mais bem classificado em literacia, matemática e ciências. Os alunos estónios não só lêem melhor como resolvem problemas com mais lógica, e fazem tudo isso com naturalidade digital, sem medo dos ecrãs nem dos algoritmos. E para cúmulo, gastam menos por aluno do que nós. Uma afronta!
O The Guardian contou que a Estónia recusou a moda de banir os telemóveis nas escolas. Em vez de panos quentes ou interditos cegos, apostou naquilo que por cá se considera perigoso: inteligência (natural e artificial). Desenvolveram uma estratégia nacional de digitalização, criaram plataformas públicas interoperáveis (como a eKool), formaram professores, envolveram os pais e colocaram a tecnologia ao serviço da pedagogia, e não o contrário. Os telemóveis não foram proibidos: foram integrados, com regras e propósitos.
Na prática, isso significa que há escolas onde a IA já ajuda a detetar dificuldades precocemente, recomenda percursos personalizados, e apoia a avaliação formativa. Professores recebem alertas, não só circulares. E os alunos aprendem desde cedo a programar, a pesquisar com sentido crítico e a compreender o impacto social da tecnologia. Uma literacia digital real.
E nós? Bem, por cá estamos em modo fado: ora se proíbe tudo, ora se impõe tudo. A ideia de dar autonomia às escolas parece radical. Debater com pais e professores? Uma ameaça. Confiar nos profissionais? Um risco. Adotar uma abordagem experimental por territórios? Utopia. A solução mais confortável é nacionalizar o medo e regulamentar o pânico. E depois queixamo-nos que os alunos estão distraídos com os telemóveis, como se o problema estivesse nos aparelhos e não na pedagogia.
Por isso, digo-vos com convicção: quero ser estónio. Quero viver num país onde a escola é levada a sério, não como tema de campanha mas como política de Estado. Onde a tecnologia é uma aliada da equidade e não uma desculpa para a desigualdade. Onde os professores são formados e ouvidos, e não apenas “implementadores” de decisões superiores. Onde os alunos não são “vítimas do digital”, mas cidadãos do século XXI.
Descansem, não vou emigrar, mas, teimoso como sou, deixo, com algum realismo, uma sugestão final: não proíbam nem imponham. Deixem que as escolas, com os seus professores e pais, assumam as suas responsabilidades. Experimentem durante três anos, com liberdade e acompanhamento sério. Depois, ausculte-se o universo das escolas e veja-se onde é que os resultados foram melhores. Talvez se descubra que temos estónios entre nós, à espera apenas de confiança e meios para mostrar o que valem.
José Afonso Baptista | Ciências da Educação |

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A escola ou a fábrica do caos?

Quando abrimos os jornais ou espreitamos as redes sociais, somos confrontados com a enxurrada de vídeos de miúdos – chamemos-lhes assim, na falta de melhor palavra – a esmurrar colegas, a insultar professores, a transformar os corredores das escolas em ringues com inspiração “gameistica”. E a resposta é sempre a mesma? Uma salada de lugares-comuns: “São casos pontuais”, “Faltam recursos”, “Precisamos de mais psicólogos nas escolas”.

Vamos ser honestos. Não é um caso pontual quando, de norte a sul, se acumulam relatos de violência física e psicológica, com professores a meter baixas médicas por exaustão e alunos a saírem da escola como se tivessem sobrevivido a uma travessia de Gaza. Não é falta de recursos quando as escolas estão armadilhadas de projetos “inovadores” que têm tanto de modernidade como de vazio prático. Não é só de psicólogos que precisamos; é de um pacto social para resgatar o que a escola deveria ser.

E não venham com a conversa  que “os jovens estão revoltados porque têm vidas difíceis”. O mundo sempre foi difícil e não há vidas fáceis. A diferença é que antigamente havia a noção, ainda que incipiente, de que o respeito pelos outros – colegas, professores e funcionários – era um pré-requisito para qualquer aprendizagem e relação. Agora, a pedagogia do “coitadinho” venceu. O miúdo insulta o professor? Pobre menino, deve estar frustrado com a vida ou tem um qualquer problema que justifique o ato. O aluno parte o nariz a um colega? Uma vítima da sociedade que não sabe gerir as emoções ou sofre de espasmos musculares. O próximo passo? Professores a darem aulas envergando coletes à prova de bala e capacetes? Funcionários fardados com fatos anti bomba?

Vamos ser claros: não estamos a falar de crianças esfomeadas que recorrem à violência como instinto de sobrevivência. Estamos a falar, na esmagadora maioria dos casos, de jovens que vivem imersos em confortos materiais, com smartphones de última geração, zero responsabilidades em casa e um discurso parental de permissividade total: “O meu filho nunca mente”, “Ele é tão sensível”, “A culpa é do sistema”. Mas a frase que mais se ouve é: “Já não sei o que lhe hei de fazer”. E para continuar, a minha preferida no momento: “ele só roubou 5€… não era preciso suspende-lo…”.

A escola é apenas o palco onde se representa a tragicomédia da nossa abdicação como sociedade. Pais que tratam os professores e funcionários como empregados subalternos, direções escolares paralisadas pela burocracia, tutelas políticas que confundem inclusão com indulgência. E no meio disto tudo, os professores – os últimos resistentes – são despojados de autoridade, transformados em animadores culturais de alunos.

É preciso dizê-lo sem rodeios: a violência nas escolas não é apenas um problema da escola. É um problema da sociedade. Uma sociedade que, a cada eleição, discute superficialidades enquanto as escolas se transformam em zonas de guerra. Uma sociedade que tem pavor de impor limites porque tem medo de ser impopular. Uma sociedade que idolatra o discurso da “liberdade” sem perceber que liberdade sem responsabilidade é apenas um convite ao caos. Para ser livre tem que se saber ser, e aprender que a liberdade, também, tem limites.

Enquanto continuarmos a relativizar agressões, a desculpabilizar miúdos violentos e a engavetar relatórios, estamos a cavar a sepultura do conceito de escola como espaço de formação de crianças e jovens. E não, não são só “casos pontuais”. É uma epidemia lenta, tão perigosa quanto invisível.

Porque, convenhamos, uma escola que tem medo dos seus próprios alunos não é uma escola. É apenas um espaço onde o futuro do país se esvai em cada punho cerrado e em cada adulto que vira a cara para o lado.

Se ainda restassem dúvidas sobre a gravidade da situação nas escolas portuguesas, os dados mais recentes dissipam qualquer ilusão. No ano letivo de 2023/2024, a PSP registou 3.441 crimes em contexto escolar, um aumento de 10,6% face ao ano anterior. As ofensas corporais subiram 8,8%, totalizando 1.346 casos, enquanto as injúrias e ameaças aumentaram 14,7%, atingindo 946 ocorrências .

Em paralelo, a GNR registou 103 crimes de bullying, dos quais 12 de cyberbullying, no mesmo período . Estes números são apenas a ponta do icebergue, considerando que a maioria dos casos permanece oculta, vítimas do silêncio e do medo.

O impacto desta violência vai além das estatísticas. As vítimas enfrentam traumas que podem perdurar por toda a vida, incluindo ansiedade, depressão e, em casos extremos, automutilação ou suicídio . A escola, que deveria ser um espaço seguro e de crescimento, transforma-se num ambiente hostil, onde o medo e a insegurança imperam impostos por uma minoria.

Perante este cenário, é imperativo questionar: que medidas concretas estão a ser tomadas para inverter esta tendência? Não basta reconhecer o problema; é necessário agir com determinação e responsabilidade. A escola não pode continuar a ser o espelho da indiferença social, mas deve tornar-se o reflexo de um compromisso com a educação, o respeito e a dignidade humana.

Porque, no final, a violência nas escolas não é apenas um problema educativo; é um sintoma alarmante de uma sociedade que precisa urgentemente de se reencontrar com os seus valores fundamentais para que possa, verdadeiramente, prosperar.

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Receita para um algoritmo – o algoritmo da canja – José Afonso Baptista

 

Afonso. Avô, a minha Professora disse que um algoritmo é uma receita. É disparate?

Avô. O que é que tu achas?

Afonso. Não sei, Avô, mas ela já está velhota, já tem 32 anos… se calhar já não regula bem.

Avô. Se a tua Professora está velhota com 32 anos, o que é que tu achas do teu Avô, que podia ser também avô dela?

Afonso. Mas tu és meu avô, não és avô dela.

Avô. Voltemos ao algoritmo. O que é que tu achas que é?

Afonso. Não sei, Avô, mas não acho que seja a explicar como é que se faz uma canja de galinha!

Avô. Então explica-me lá como é que tu fazes uma canja de galinha. Pões a galinha viva numa panela a ferver?

Afonso. Oh Avô, já pareces a Professora, só fazes perguntas e não explicas.

Avô. Mas como é que fazes?

Afonso. Então, primeiro vou ao galinheiro e apanho uma galinha. Não, eu não sou capaz. Peço à minha Mãe para ser ela a escolher.

Avô. Porquê? Não sabes escolher?

Afonso. Não, Avô, faz-me pena.

Avô. Pronto, é a Mãe que escolhe. E depois, és tu que matas a galinha?

Afonso. Não, Avô, faz-me impressão, não sou capaz. Quem lhe corta o pescoço é a Mãe.

Avô. Então, já tens uma galinha morta, sem pescoço. O que é que vem a seguir? Metes na panela?

Afonso. Acho que a Mãe a mete primeiro numa panela a ferver para se depenar melhor. Depois, depena, corta-lhe o bico e as patas, tira-lhe as tripas, corta-a aos bocados e só depois é que a põe a cozer.

Avô. Então e coze na mesma água onde esteve com as penas e as patas?

Afonso. Não, Avô, a Mãe já tem um tacho grande a ferver com água limpa e mete lá a galinha. Mas mete outras coisas: cebola, alho, louro, sal, hortelã… e só no fim é que põe arroz. Outras vezes põe massa.

Avô. Ainda preciso de te explicar o que é um algoritmo?

Afonso. Ah… algoritmo é tudo o que se mete na panela!

Avô. Não, Afonso. O algoritmo é o caminho — são todos os passos que tens de dar, todas as operações para realizar uma obra. Pode ser uma canja, uma operação de cirurgia, descobrir a vacina certa contra a Covid ou mesmo construir a bomba atómica. Um algoritmo é um método, uma disciplina.

Afonso. Agora percebi, Avô. Amanhã já vou explicar tudo direitinho à Professora.

Avô. Ela vai agradecer e ficar contente — não por lhe ensinares, mas por teres aprendido com gosto.

 

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Idade legal da reforma vai chegar, no próximo ano, aos 66 anos e 9 meses.

Com o anúncio feito, esta sexta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou-se que vem aí uma subida no corte nas pensões antecipadas. Isto porquê? Porque o aumento da esperança média de vida fará, consequentemente, aumentar a idade legal da reforma.

“A esperança de vida aos 65 anos, no período 2022-2024, foi estimada em 20,02 anos para o total da população. Aos 65 anos, os homens podiam esperar viver 18,30 anos e as mulheres 21,35 anos, o que corresponde a um aumento de 0,30 anos para os homens e de 0,24 anos para as mulheres relativamente a 2021-2023”, lê-se no boletim do INE.

Destaque ainda para o facto de, no próximo ano, a idade legal da reforma alcançar o valor mais elevado de sempre: 66 anos e 9 meses.

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Candidaturas ilegais de 2300 professores mas apenas seis são punidos

Milhares de candidatos a Educação Especial não cumprem requisito legal.

Candidaturas ilegais de 2300 professores mas apenas seis são punidos

Há cerca de 2300 professores (1500 no concurso externo e 800 no concurso interno) que concorreram ao grupo de Educação Especial, mas não cumpriram o requisito legal de ter cinco anos de serviço quando realizaram a especialização que habilita profissionalmente para lecionar neste grupo de recrutamento.

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Reserva de Recrutamento (RR35/RRCEE22) – PEDIDOS DE HORÁRIOS APENAS DISPONÍVEIS PARA OS GR 100 E 110

 

 

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Reserva de Recrutamento 34 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 34.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 21.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 2, até às 23:59 horas de terça-feira dia 3 de junho de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 34 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 34 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 21 – 2024/2025

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Uma data de razões para se “revisitar” o Estatuto do Aluno…

Cerca de dois mil docentes de mais de 300 escolas do ensino básico e secundário de todo o país responderam este ano a um inquérito que revela, entre outros aspetos, as principais dificuldades que enfrentavam

Metade dos professores tem alunos que faltam frequentemente às aulas

Metade dos professores tem nas suas turmas alunos do ensino básico e secundário que faltam frequentemente às aulas e um em cada três docentes conhece casos de violência entre os estudantes, segundo dados preliminares de um estudo nacional divulgado esta sexta-feira.

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Aluno de 13 anos agredido com mata-leão volta a ser atacado por colega no espaço de duas semanas

Jovem que ficou inconsciente durante visita de estudo agredido agora com muleta dentro da escola em Salvaterra de Magos.

Aluno de 13 anos agredido com mata-leão volta a ser atacado por colega no espaço de duas semanas

 

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Nota Informativa N.º 11/2025 – CONCESSÃO DE EQUIPARAÇÃO A BOLSEIRO – Ano Escolar 2025/2026

A concessão da equiparação a bolseiro ao pessoal docente está prevista no art.º 110.º do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nota Informativa N.º 11/2025 – CONCESSÃO DE EQUIPARAÇÃO A BOLSEIRO – Ano Escolar 2025/2026

 

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Nota Informativa N.º 12/2025 – LICENÇA SABÁTICA – Ano Escolar 2025/2026

A concessão de licença sabática está prevista no n.º 1 do artigo 108.º do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nota Informativa N.º 12/2025 – LICENÇA SABÁTICA – Ano Escolar 2025/2026

 

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A quem interessa um estudo da Nova SBE com flagrantes erros?

Uma estimativa realista colocaria o custo total da reposição do tempo de serviço dos professores entre 2500 e 3300 milhões de euros – e não 11.540 – ao longo de três décadas – e não cinco.

A quem interessa um estudo da Nova SBE com flagrantes erros?

 

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Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP – Caracterização de vagas

 

Encontra-se disponível até às 18 horas de dia 30 de maio de 2025 (hora de Portugal continental), para preenchimento pelos responsáveis das EPERP, a aplicação eletrónica “Caracterização de vagas”.

Manual de Instruções – Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP 2025/2026 – Caracterização das Vagas

 

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Calendarização – Mobilidade de docentes por motivo de doença – 2025/2026

 

 

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Mobilidade de docentes por motivo de doença – 2025/2026

Aplicação eletrónica disponível entre o entre o dia 26 de maio e as 18:00 horas de 16 de junho de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar o preenchimento  e a extração do Relatório Médico.

Decreto-Lei n.º 43/2025
Decreto-Lei n.º 41/2022
Aviso de Abertura MPD 2025/2026
Despacho n.º 5868-B/2025
Manual de Instruções – Regime de Mobilidade de Docentes por Motivo de Doença – Relatório Médico
SIGRHE – Relatório Médico

 

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A ansiedade antes da ansiedade dos exames

 

A ansiedade antes da ansiedade antes da ansiedade, a mãe da ansiedade e a avó da ansiedade, gerações inteiras de angústia debaixo da pele e a pele uma casa velha a ranger, a tremer, a ameaçar cair e cair de verdade, e a alma lá dentro a olhar pelas janelas como se alguém viesse salvar, alguém, quem, ninguém.

Antes do exame: os olhos em ti, os olhos dos outros em ti, os teus olhos em ti, os olhos no chão, a tropeçar no chão, a enrolarem-se no chão e o chão uma cama e tu um corpo sem força, sem chão. O corpo derrotado antes de lutar. A cabeça rendida antes da guerra. A vontade como um balão furado, a esvaziar-se devagar e sem barulho e desistir é tão natural como respirar.

E se estudámos. Dias, noites, horas coladas umas às outras como as peças de um puzzle por acabar, e a memória um espelho embaciado a repetir, a repetir, a repetir, como um papagaio a imitar sem saber quanto diz, sem saber porquê e a papaguear se fez o ensino Secundário.

Então porquê o medo, porquê a taquicardia nos corredores gelados da escola, porquê o suor nas palmas das mãos, porquê os dedos crispados e na verdade cada exame é uma guerra e cada pergunta uma bala.

Porque falhar é cair. Porque cair é desiludir. Porque desiludir é deixar de merecer amor.

E tudo isto antes dos dezoito anos. Ainda criança e já culpado, curvado e empurrado para uma glória sem glória. Os pais, coitados, a exigirem sem saber. A amar com culpa. A pressionar com medo. A quererem para nós quanto não tiveram. Uma vida melhor, dizem. E esta vida melhor é esta? Esta prisão de papel? Este campo de batalha de silêncio e dor e cotovelos apertados contra o peito para não chorar?

Brincar quando se cresce foi sempre uma perda de tempo e a felicidade é para os ignorantes e pobres de espírito se o principal objetivo é vencer e ser alguém.

Mas nós já somos alguém, repetimos entre clamores e apelos em vão e as mochilas pesam mais para além dos corpos e os corações cansam-se de arrastar as pernas. Fomos crianças com olheiras de adulto e rugas no pensamento. E a ansiedade a crescer como um fungo, invisível, pegajosa, mortal.

E antes de cada exame morremos um bocadinho, enterrados no medo e o epitáfio escrito a caneta azul no canto do caderno.

E ninguém fala disto. Só se fala do resultado, do número, da média, da nota, da estatística e nunca da dor, nunca da solidão, nunca da vergonha de não ser perfeito mais a raiva de quem tenta e falha. E a vontade de fugir para sempre.

E se crescemos entre promessas de nunca mais, nunca mais exames, nunca mais testes, nunca mais aquela humilhação, depois e uma vez adultos, repetimos, fazemos igual, exigimos igual.

O ensino é uma máquina e cada um de nós parte da engrenagem e para quê se não se derrubam governos e formas de pensar para a melhoria do bem-estar geral?

E de caminho admoestamos com a mesma régua e castigamos na mesma medida ou não continuassem os exames inamovíveis, seculares, desta feita não para nós mas para os outros num altar pagão onde se sacrificam os mais novos, os mais frágeis, os Zé-ninguém cheios de esperança, a mesma esperança, a nossa esperança apesar das eras passadas.

E eu, um dos sacrificados, fiquei pelo caminho, ainda a tremer com o cheiro do papel do exame enquanto olho para trás e não me lembro de quanto aprendi, só a dor, só o peso, só a ansiedade e eu não quero isto para os meus nem quero ser o carrasco de ninguém.

E se os exames medem alguma coisa, não é o saber, é a capacidade de sofrer para sempre e em silêncio.

João André Costa

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Provas MoDA no corredor por falta de rede

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FUNCIONÁRIA AGREDIDA POR ALUNO NA ESCOLA DE ARAZEDE

Aluno da EB2/3 agrediu funcionária que foi transportada ao hospital. Diretor do Agrupamento lamenta falta de decisão do Ministério Público

FUNCIONÁRIA AGREDIDA POR ALUNO NA ESCOLA DE ARAZEDE

Uma auxiliar de educação na Escola EB2/3 de Arazede, no concelho de Montemor-o-Velho foi na manhã de hoje agredida por um aluno e teve de ser transportada à unidade hospitalar com diversos ferimentos. O aluno em causa será reincidente.

Contactado pelo Diário de Coimbra, o diretor do Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Velho confirmou a agressão por parte do aluno, garantindo que a escola tem feito tudo que é possível para controlar a situação que, admitiu, tem sido recorrente.

A vítima, confirmou José Charro, foi a auxiliar que diariamente acompanha o aluno em causa, um jovem de 13 anos, com diversos problemas do foro psiquiátrico. A auxiliar foi transportada «consciente», mas com algumas contusões na cabeça, braços e pernas, ao Hospital Distrital da Figueira da Foz.
No local esteve a GNR, que confirmou a ocorrência, bem como o INEM.

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Regulamento do procedimento da mobilidade de docentes por motivo de doença

Regulamenta o procedimento da mobilidade de docentes por motivo de doença, nos termos do Decreto-Lei n.º 41/2022, de 17 de junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 43/2025, de 26 de março.

Despacho n.º 5868-B/2025

 

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Dotação das vagas dos quadros das escolas portuguesas no estrangeiro

Fixa a dotação das vagas dos quadros das escolas portuguesas no estrangeiro da rede pública do Ministério da Educação, Ciência e Inovação e dos respetivos polos, para o efeito dos concursos interno e externo de seleção e de recrutamento do pessoal docente, para o ano escolar de 2025-2026.

Portaria n.º 361-A/2025/2, de 23 de maio

 

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Reserva de Recrutamento 33 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 20 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 33.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 20.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 26 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira dia 27 de maio de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 33 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 20 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 33 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 20 – 2024/2025

 

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Está para publicação em D.R. a Portaria da MPD

Diplomas para Publicação em Diário da República

Gabinete do Ministro de Estado e das Finanças e Gabinete do Ministro da Educação, Ciência e Inovação
– Portaria – Regulamenta o procedimento da mobilidade de docentes por motivo de doença, nos termos do Decreto-Lei n.º 41/2022, de 17 de junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 43/2025, de 26 de março.

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Quem estará, vivo, a usufruir do RITS em 2077

Desculpem lá! Mas vão encher os olhos de areia a outro…

Devolução do tempo de serviço aos professores custa €11,5 mil milhões até 2077

 

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“Quando for governo”, Chega quer que “educação seja diferente” para que crianças não sejam “marteladas com ideias de esquerda”

” Já quanto à saúde, garante que “não defendem[os] o fim do Ministério da Educação”, mas sim a mudança para “Ministério do Ensino”, pois o partido entende que não cabe ao Estado educar as crianças. ”

“Quando for governo”, Chega quer “alguns hospitais com gestão privada” e que “educação seja diferente” para que crianças não sejam “marteladas com ideias de esquerda”

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Diretores escolares pedem reforço do Ensino Profissional

Portugal está abaixo da média da UE no número de alunos em cursos profissionais. Responsáveis pelas escolas querem inverter esta realidade e afirmam que esta via de formação está ajustada ao mercado

Diretores escolares pedem reforço do Ensino Profissional

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SEM EDUCAÇÃO, AS PALAVRAS DEIXARAM DE TER SIGNIFICADO

 

Não é só nos regimes ditatoriais que se está a apagar a história e a tentar reescrevê-la. Um pouco por toda a parte isto está a acontecer quando se oculta ou desvalorizam partes da nossa história.

E isto já acontece com os jovens que desconhecem o que significou a ditadura em Portugal, porque nos programas de História pouco se aprofunda esta matéria e se perde demasiado tempo com história antiga.

Quando, para os nossos jovens, o significado de uma palavra se resume a um conjunto de outras palavras descritas na wikipedia à distância de um clique que se pode copiar e colar sem trabalho a ler e, muito menos, a analisar e a interpretar, algo vai muito mal.

As novas gerações desconhecem por completo programas eleitorais, ideologias, o impacto que as propostas eleitorais podem ter nas suas vidas, não assistem a um debate ou a um programa sobre política, não veem/ouvem/leem notícias e limitam-se a determinar a sua escolha partidária pelo show-off que aparece nos média e na internet onde se distribuem gostos de forma irrefletida e infantil.

Como resultado de toda a nossa distração foi que, passados poucos anos, os adolescentes inconscientes (e cada vez mais infantis) de «ontem» tornaram-se votantes de hoje, sem que lhes fosse dada uma preparação e contextualização histórica. A sua falta de consciência sobre a importância do voto tornou-se num dos maiores perigos para a democracia. Os seus pais passaram por algumas dificuldades e iam dando valor aos direitos que tinham e na melhoria da sua qualidade de vida. Os seus avós passaram por muitas dificuldades na vida, sentiram o que é viver com privação de quase tudo, desde bens materiais à alimentação, do direito à educação, ao acesso à saúde, a um trabalho e a uma aposentação digna e, sobretudo, a falta da liberdade, tendo sido perseguidos, presos e torturados por defenderem tudo aquilo que esta juventude inconsciente está hoje a usufruir, tomando isso por garantido e desconhecendo o seu valor.

Enquanto as gerações anteriores nem sequer tinham direito ao acesso ao ensino e viam-se obrigadas a percorrer quilómetros a pé para poderem chegar à escola, estes principezinhos são levados até ao portão da escola por «pais-helicóptero» que não deixam que os filhos passem por nenhuma dificuldade, não conheçam o valor das coisas, nem sejam privados de nada.

Uma geração mimada e superprotegida que não dá valor a nada e desconhece o valor de tudo quanto existe. Uma geração que cresceu agarrada a um telemóvel a brincar e a jogar, que nunca viu um noticiário, nunca se interessou nem se preocupou com problemas de privação seja do que for, porque uma geração de pais irresponsáveis fez questão de responder no imediato aos seus desejos, presenteando-os com tudo sem lhes explicar a importância das coisas, sobretudo da liberdade. Uma geração que, de repente, se viu no direito a votar, a maioria sem nunca ter percebido o que significa a liberdade ou o valor do voto e o que ele representa na vida das pessoas, incluindo na sua e na daqueles que lhes pagam as contas. Limitam-se a fazer o que sempre fizeram durante toda a vida – vão a correr para o telemóvel e deixam-se condicionar pelos «bonecos» mais engraçados que lhes «vendem» e que recolhem mais gostos. Nem que sejam mentiras, pouco lhes importa, porque o que interessa é embarcar na corrente populista, como se a própria vida se transformasse num simples jogo virtual à distância de um clique para se entreterem, respondendo a uma indústria do entretenimento que, desde o berço, fez questão de viciar as novas gerações com o único fim mercantilista do aumento do lucro.

Enquanto os menos jovens se voltam para a comunicação social, para as análises e debates, para as ideias programáticas e ideológicas para se decidirem quanto ao voto, os jovens vão em direção ao telemóvel para saberem o que deverão fazer. Se, no futuro, ambas as opões terão de conviver, a redução do voto às tendências das redes sociais, repletas de fake news e altamente manipuladas por grupos de interesse, torna-se muito perigosa por colocar em causa a verdade dos factos e a própria democracia.

Sabendo disso, grupos políticos organizados conseguiram manipular facilmente votantes «virgens» de ideologias, que facilmente se deixam influenciar por propaganda.

A juventude, que nada entende do que é a privação, dificuldades ou do simples significado de «democracia» e «ditadura», votam inconscientemente por modas e slogans de apreensão fácil. Esta é a decadência total de uma estrutura social que falhou em toda a linha na formação da próxima geração à qual, pensavam, bastava-lhe dar um telemóvel para as mãos e distribuírem computadores, numa cegueira pomposa denominada transição digital, para se formar a melhor geração de sempre. E o resultado está aí à vista e, agora, estamos a colher aquilo que semeámos.

Só posso mesmo dizer que, de tanto pouparmos em educação, ficámos ricos em ignorância!

Carlos Santos

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Na RAA – Sindicato denuncia “redução ilegal” de salários de professsores contratados, Governo rejeita

Docentes contratados tiveram cortes salariais e devem devolver, “num curto espaço de tempo”, até 3.000 euros, após mudança na interpretação da lei. O sindicato contesta e pode recorrer à Justiça.

Sindicato denuncia “redução ilegal” de salários de professsores contratados, Governo rejeita

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) denunciou nesta segunda-feira uma “redução ilegal” dos salários de docentes contratados a termo, mas a Secretaria Regional da Educação rejeitou que estejam em causa “motivos economicistas” e garante “cumprir a lei”.

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𝐄𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮𝐞̂𝐬 𝐧𝐨 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐚𝐧𝐠𝐞𝐢𝐫𝐨 – 𝐀𝐛𝐞𝐫𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐜𝐞𝐝𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐚𝐥

 

𝐀𝐛𝐞𝐫𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐜𝐞𝐝𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐚𝐥 comum para constituição de reserva de recrutamento interna de pessoal docente do 𝐄𝐧𝐬𝐢𝐧𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐮𝐞̂𝐬 𝐧𝐨 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐚𝐧𝐠𝐞𝐢𝐫𝐨 para os cargos de professor e de leitor.

O período para apresentação de candidaturas é de 𝟏𝟎 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐮́𝐭𝐞𝐢𝐬 e decorrerá entre as 0h00m de 19 de maio e as 24h00 de dia 30 de maio de 2025.

Aviso abertura: https://files.diariodarepublica.pt/2s/2025/05/094000000/0008400095.pdf

+info

https://www.instituto-camoes.pt/activity/o-que-fazemos/ensinar-portugues/processos-de-recrutamento/procedimentos-concursais-epe

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Na escola do Luís

 

Na escola do Luís os alunos nem sequer alunos são, crianças por certo, mas alunos não até porque um aluno para o ser tem de querer aprender, almejar aprender, no mínimo uma centelha de aprendizagem e na escola do Luís aprender é, e será sempre, a última das prioridades.
A escola do Luís é o coito, é onde os meninos perdidos encontram abrigo, roupa, alimentação e onde dormir.
Uma casa portanto e com a casa uma família para os aceitar ao invés de açoitar, pode parecer o mesmo verbo mas não é nem podia ser, é apenas coincidência, uma paranomásia e na casa do Luís a porta está sempre aberta.
Por haver sempre mais uma criança e à mesa espaço para mais um e mais um e mais um e basta abrir a porta caso a mesma já não esteja aberta (às vezes está fechada “derivado” do mau tempo e “neste aspecto tem destas coisas” e “nestas coisas” estamos todos de acordo, é compreensível e não queremos ninguém doente) para encontrar mais um rebento, um petiz de olhar desconfiado e desafiador, inseguro, incerto, com vida a mais para tão poucos anos, hesitante, renitente, à defesa.
E as necessidades básicas por suprir, a segurança, uma fome e uma sede de meter dó e a total ausência de calor, uma mão, um abraço, um toque e vá alguém explicar o porquê de trazer alguém ao mundo se o mundo é isto e tantas vezes nem isto e quem dera a muitos isto.
Crianças com os bolsos, quando os têm e se os têm, cheios de paus e pedras ou não fosse uma questão de tempo até ao próximo ataque, o próximo insulto, a próxima agressão tão natural como a sua sede, sede essa já aqui mencionada e com muito pouco de natural.
Não será por conseguinte de estranhar as mil e uma tentativas dos petizes para voltarem ao seio das ruas tão familiares, as ruas a verdadeira casa onde os outros fazem as vezes das paredes e do tecto a troco de nada, a troco de tudo, e por aqui se explicam os insultos diários acompanhados de um coice, dois coices, três e quatro e outros tantos insultos, palavrões em vez de um bom-dia ou boa-tarde enquanto testam um adulto a seguir ao outro à procura de quem finalmente os rejeite e afinal eles tinham razão e aos professores nunca se estende a mão.
Na escola do Luís precisam de meses para ver os miúdos baixar a guarda, meses para as crianças convencerem-se de como estes pais e estas mães não só não vão a lado nenhum como vieram para ficar.
E às vezes, às vezes não, muitas vezes o Luís esquece-se do porquê de ir para a escola todos os dias e onde mora a motivação para acordar todas as manhãs tal é a malcriação diária, consecutiva e recorrente e uma pessoa às tantas e inevitavelmente anda com a cabeça sempre à roda.
Não é fácil.
Até ao dia ao fim do dia no qual os miúdos em peso voltaram para a escola cinco minutos depois da costumeira saída da escola mais todas as promessas de não mais voltar com o dedo do meio no ar.
E, no entanto, aqui estão eles a pedir ajuda pois a Sylvie caiu redonda no chão e agarrada à barriga junto à paragem do autocarro e aqui vamos todos e a correr mesmo a tempo de encontrar a Sylvie em posição lateral de segurança graças à intervenção imediata da Sophie mais as aprendizagens em contexto escolar e falando em aprendizagens também houve quem entre os alunos chamasse de imediato uma ambulância e falando em alunos aqui estão todos eles pespegados ao solo e estarrecidos como qualquer criança ficaria estarrecida quando se gosta de alguém e se está genuína e verdadeiramente preocupado.
O Luís e os colegas ainda tentaram demovê-los mas em vão e nenhum, mas mesmo nenhum, com o telemóvel na mão.
Nunca lhes ocorreu e acontecesse outra vez não lhes ocorreria.
Por compaixão, por consideração, porque o sofrimento da Sylvie é o seu sofrimento e entretanto já chegou a ambulância mais a respectiva mãe a agradecer a pronta intervenção dos petizes.
E os petizes não são mais petizes, são homens e mulheres cara a cara com a vida e as suas agruras e prontos para uma verdadeira pega com a ajuda de todos.
Sim, às vezes o Luís esquece-se do porquê da Terra girar e a razão das manhãs mas desta o Luís não se esquece nem tampouco os seus alunos, agora sim alunos, e os mais velhos já se preparam para os exames ao virar do mês.
E se a Sylvie já recupera em casa depois de uma apendicectomia, os mais novos, e nem tudo é perfeito, continuam a correr ao redor da escola, ainda agora vi o Luís passar atrás deles e esta é a nossa vida enquanto raia mais um dia nesta pequena aldeia gaulesa.

João André Costa

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Adeus Mário. Goza bem a tua aposentação.

A nova direção da Federação Nacional dos

Nem sempre, ou quase nunca concordei com as tuas posições, mas respeito a tua resistência, resiliência e objetivo final.

É tempo de descansar…

 

Professores (Fenprof), o Conselho Nacional, foi hoje eleita com 96,6% dos votos, num universo de 597 votantes, disse à agência Lusa o secretário-geral cessante, Mário Nogueira.

Registaram-se nove votos em branco e 11 nulos, segundo a mesma fonte.

Nova direção da Fenprof eleita com 96,6% dos votos

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Partiram maxilar a professor que travou agressões de grupo a um jovem no Porto

Um professor queixa-se de ter sido agredido, esta sexta-feira de manhã, quando tentava pôr fim a uma rixa entre jovens junto ao Parque Oriental do Porto, na freguesia de Campanhã. No mesmo local decorria um encontro anual de alunos de Educação Moral e Religiosa Católica.

Partiram maxilar a professor que travou agressões de grupo a um jovem no Porto

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Reserva de Recrutamento 32 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 19 – 2024/2025

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação, retirados e Listas de colocação administrativa da 32.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025 e as Listas definitivas de colocação, não colocação e colocações administrativas da 19.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 19 de maio, até às 23:59 horas de terça-feira dia 20 de maio de 2025 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota Informativa – Reserva de Recrutamento 32 e Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 19 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento 32 – 2024/2025

Listas – Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 19 – 2024/2025

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Acabou a novela (do plágio) da abelheira

Os órgãos de gestão do AE da Abelheira foram dissolvidos hoje pelo ministro da educação.

Demitidos Diretor e equipa, CP e CG. A demissão resulta de sindicância espoletada por queixa de plágio por parte do diretor e episódios seguintes.

O antigo diretor do AE de Vale do Tamel nomeado presidente da CAP. Inicia funções amanhã.

Processos disciplinares ao Professor Luís Sottomaior Braga, arquivados.

 

 

 

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Porquê votar, mesmo que no mal menor? – Fernando Figueiredo

No domingo, votemos. Mesmo que com raiva. Mesmo que com desalento. Mesmo que no mal menor, mas com a consciência de que ficar em casa nunca será um ato neutro.

Porquê votar, mesmo que no mal menor?

Em vez de um confronto sério de ideias sobre Economia, Defesa, Saúde, Educação ou Justiça, assistimos a um desfile de slogans, ataques ad hominem e estratégias de marketing esvaziadas de substância. Substitui-se o conteúdo pela performance, e evita-se o erro com tanto zelo que se abdica da proposta.

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Eleições sem educação – Paulo Prudêncio

 

A educação está há muito excluída dos debates eleitorais. É indisfarçável. É um tema secundário ou incómodo para a generalidade dos partidos e fracturante nos que têm suportado os governos. Há choques de tendências e de interesses. Os grupos descomprometidos com as políticas educativas das duas últimas décadas exigem mudanças, mas prevalece a força dos aparelhos.

Eleições sem educação

Por outro lado, é um facto que as escolas abrem todas no início do ano lectivo. Por cá e em todo o mundo; incluindo nos países pobres. Basta que haja horários de turmas, de professores e de salas de aula. Se houver um adulto em cada sala de aula, até num apagão eléctrico se impõe a sensatez.

Além disso, nas escolas a vida da maioria recebe um selo de longo prazo. Não há urgências hospitalares e ninguém morre por falta de cuidados. As insuficiências salariais ou habitacionais só se evidenciam nos resultados escolares a médio e longo prazos. Ciclicamente, organismos internacionais recordam-no com dois países – a Finlândia e as Filipinas – consecutivamente dos extremos do PISA da OCDE. A escolarização com qualidade dos filipinos só se elevará quando viverem décadas com políticas inclusivas como na Finlândia, e associadas à educação a tempo inteiro (e não a uma escola a tempo inteiro que acomode insanos horários de trabalho) e à melhoria da qualidade das escolas e do ensino e da carreira dos professores.

Mas o que mais impressiona em Portugal no que levamos de milénio, é a desvalorização da educação na orgânica dos governos. Os governantes da educação “são” sub-secretários adjuntos das finanças. Só emergem quando cortam a eito ou anestesiam a contestação de rua em concertação com os “seus” sindicatos. Os barómetros de popularidade dos governantes espelham o fenómeno e esvaziam as oposições.

E nunca é excessivo repetir que entrámos no século XXI com 6,7% do PIB para a educação (6,9% em 2009) e que já vamos em 3%. Leu bem: 3%. O tema foi talvez o único que mereceu o teste de um polígrafo para as legislativas de 18 de Maio de 2025 (e, sublinhe-se, por causa da defesa): “se Portugal passasse a destinar oito mil milhões de euros à defesa (3% do PIB) – valor aproximado do que o país pagaria se duplicasse os custos neste âmbito (1,5%) – isso seria o equivalente a um Orçamento da Educação.” Com efeito, a redução da massa salarial dos professores – que será significativa até 2030 – tornou ainda mais escandalosa a não vinculação de professores contratados e “permitiu”, desde 2022, milhares de vinculações e pequenos ajustes em salários ou suplementos.

Mas o mais crítico – que é invisível para as bolhas política e mediática e que se acentuará no médio prazo -, é a desvalorização das aprendizagens e da escola democrática que respeita o ensino, os professores e os seus alunos. Fatalmente, uma generalizada imaturidade pedagógica colocou professores e encarregados de educação no mesmo patamar de decisão de alunos e educandos e no mesmo nível de deliberação no poder escolar. Foi mais um marco da crise do capitalismo democrático e, como se disse, da própria democracia.

Aliás, até o leitor menos versado com estes temas perceberá que tudo isso criou jovens (já eleitores) egoístas, invencíveis e ressentidos, e com baixa valoração da razão, da responsabilidade e da justiça. O efeito na sociedade foi equivalente ao que esteve na origem do nazismo (leia-se Hannah Arendt).

É uma crise também explicada pela mediatização de outra componente crítica: a falta estrutural de professores. Para além do interminável caos no tratamento de dados da educação, nem se mediatizou o que se sabe: quantos professores são necessários a cada momento (bastaria somar três variáveis: horários que ficam por preencher, horários preenchidos por quem adia a reforma – para elevar o seu parco valor – e horas extraordinárias em catadupa – note-se: desde 1998 que o sistema escolar tinha eliminado as horas extraordinárias -).

Mas não. O sistema da criança-rei viciou-se no número de alunos sem aulas e o caos dos dados acomoda a inacção de governos e oposições.

Em síntese, proclame-se que os professores são as traves mestras da consolidação da democracia e que as gerações mais escolarizadas de sempre (por cá e no resto do Ocidente) têm as suas elites alienadas por um triângulo perverso que responsabiliza incompetências governamentais: aplicações financeiras, aplicações aditivas para relações sociais e exacerbado individualismo monetarista. O grande desafio das democracias é recuperá-las para uma aspiração política que faça dos deveres cívico e ético os eixos de eleições com educação.

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Aluno asfixiado com golpe de mata-leão

Menor hospitalizado em Santarém depois de sofrer golpe mata-leão. Escola de Salvaterra de Magos já abriu investigação.

Aluno asfixiado com golpe de mata-leão já teve alta hospitalar

O aluno do 7º ano na Escola Básica e Secundária de Salvaterra de Magos que terá sido asfixiado com um golpe “mata-leão” por um colega, durante uma visita de estudo a Santarém, teve alta hospitalar durante a manhã desta terça-feira, 13 de maio.

“Confirmamos a entrada da criança na Urgência Pediátrica, onde permaneceu em observação durante a noite, tendo recebido alta esta manhã”, disse ao CMfonte oficial da Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria, que gere o Hospital de Santarém.

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Alunos sem professor. ​Ministério da Educação pede esclarecimentos adicionais

 

A primeira parte do relatório já chegou ao gabinete de Fernando Alexandre, mas suscitou dúvidas que o ministro quer ver esclarecidas antes da divulgação das conclusões.

Alunos sem professor. ​Ministério da Educação pede esclarecimentos adicionais

Em resposta à Renascença, o gabinete do ministro da Educação disse que “após uma primeira análise foram pedidos esclarecimentos adicionais à auditora”, a KPMG, acrescentando que “só após estes esclarecimentos serão divulgadas as conclusões”.

Já esta terça-feira, o ministro Fernando Alexandre admitiu que não sabe se será possível ter um número exato de alunos sem aulas, porque o sistema de informação tem muitas falhas.

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Não, o Ministério da Educação não é (nem nunca foi) um “Ministério dos Professores”! – Pedro Barreiros

 

Ciclicamente, surgem discursos que ganham força não pela precisão, mas pela simplicidade com que distorcem realidades complexas. Um desses discursos afirma que “há 50 anos temos um Ministério dos Professores, mas nunca tivemos um Ministro dos Alunos”. À primeira vista, a frase pode parecer provocadora; no entanto, esconde uma visão redutora do papel do Ministério da Educação e encobre os verdadeiros motivos e interesses de quem a profere.

Antes de mais, importa esclarecer o óbvio: o Ministério da Educação deve ser uma estrutura orientada para o desenvolvimento de políticas públicas dirigidas a todos os intervenientes no sistema educativo: professores, dirigentes, famílias e, sobretudo, alunos. O seu objetivo central é assegurar o direito à educação, o que implica desde a valorização dos profissionais até à promoção do acesso, permanência e sucesso dos estudantes. Reduzir o Ministério a uma suposta “estrutura sindical dos docentes” é um erro, tanto conceptual como factual.

A valorização dos professores, frequentemente apresentada como um privilégio corporativo, está longe de ser um favor. Trata-se, na verdade, de uma condição essencial para o bom funcionamento do sistema educativo. Nenhum país no mundo alcançou bons resultados sem investir seriamente na formação, nas condições de trabalho e na remuneração dos seus docentes. Fortalecer os professores é fortalecer os alunos, porque uns não existem sem os outros.

Não, o Ministério da Educação não é (nem nunca foi) um “Ministério dos Professores”!

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Alargamento do âmbito subjetivo de aplicação de garantias aos docentes que se desloquem de Portugal para o exercício nas EPE

 

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Calendário de ações do concurso nacional de acesso e ingresso no ensino superior e de ações dos regimes especiais

 

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