O Balanço Anual da Educação 2025, elaborado pelo EDULOG, soou como um alarme que grita por socorro. Se continuarmos a este ritmo, a renovação geracional nas escolas será uma miragem e o risco de falta estrutural de pessoal docente deixará de ser um problema para ser umacatástrofe.
Vinte Anos a Enterrar o Futuro e a Desbaratar a Renovação Docente”
O diagnóstico é atroz. Desde 2014, o número de professores diminuiu abruptamente, de 185 000 para pouco mais de 147 000 em 2023. Até 2028, um em cada cinco docentes aposentar-se-á, e 58 % dos docentes estará aposentado até 2031. E não estamos a falar de números teóricos. Em 2021 já se sentia a falta de professores, com cerca de 3 000 vagas por ocupar. A perspetiva é devastadora. 8 700 vagas permanentes sem professor e 15 700 professores para substituição dos atuais em falta até 2031 .
Pergunto: onde estiveram nos últimos 20 anos os sucessivos governos que prometeram valorizar a profissão docente? Fizeram da carreira de professor uma miragem salarial. O salário real dos professores, caiu 1 % entre 2015 e 2021, enquanto a maioria dos países da OCDE subiu 6%. Fizeram dos concursos de docentes uma burocracia letal, obrigando professores a deslocar-serepetidamente pelo país.
E desde então, promessas vão, promessas vêm, nada mudou. As medidas adotadas foram de efeito “conjuntural”, insuficientes para pôr travão ao envelhecimento acelerado da classe docente. E agora somos confrontados com a crua realidade de que estamos a caminho de um colapso educativo.
A situação agrava-se com uma rede escolar mal dimensionada: 40 % das escolas têm menos de 15 alunos, e no terceiro ciclo e secundário a percentagem sobe para50 % em cursos profissionais. Continuar a manter turmas pequenas e docentes alocados sem sentido estratégico é o retrato de uma gestão ineficiente, que agrava a escassez, onde se deveria gerir os recursos de forma a acentuar a equidade e igualdade de oportunidades.
A projeção é clara, sem uma política de centrada na atractividade da profissão, em 2030 teremos menos professores e mais turmas sem docentes. E como resultado, dias letivos sem aulas, regressão pedagógica, desigualdades crescentes, com especial incidência em Português, Matemática, Biologia, Física, Geografia, História e, claro, TIC.
O que causa tudo isto? Três décadas de políticas em constante alteração, desencanto salarial, sistemas de entrada autistas, ausência de gestão estratégica. A tantas mãos que ocupam lugares governativos faltou-lhes visão: em vez de uma estratégia nacional séria para gestão de reservas, incentivos territoriais, formação e progressão docente, dedicaram-se a legislar pequenos ajustes superficiais.
Portugal precisa de uma reforma profunda na educação, que inclua:
Não há amanhã. Cada ano que passa sem atuação é uma perda irreversível de capital humano. E se Portugal quiser continuar a chamar-se “civilizado”, terá de começar por tratar os professores como cidadãos, não como números descartáveis.
Ao ritmo atual, em 2031, o silêncio nas salas de aula será ensurdecedor e a culpa será dos governantes que deixaram, por conveniência eleitoral, o sistema educativo cair.




12 comentários
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Ser Professor em Portugal :
1. Ordenado de Miséria
– Receber menos que um técnico de call center
– Anos de estudo deitados fora
2. Diretores: Pequenos Ditadores Escolares
– Poder absoluto sem qualquer fiscalização
– Mandatos que se eternizam década após década
– Decisões arbitrárias como lei inquestionável
– Perseguições a docentes que os contrariam
– Jogos de poder dentro da escola como tabuleiro de xadrez
– Amiguismos e cunhas
– Avaliações de desempenho manipuladas conforme interesses pessoais
3. Encarregados de Educação: O Pesadelo Vivo
– Pais que despejam os filhos na escola como bagagem
– Questionam tudo, mas não educam nada
– Sempre prontos para reclamar, nunca para colaborar
– Telemóvel como babysitter permanente
– Filhos entretidos com ecrãs, pais de consciência tranquila
4. Sala de Aula: Missão Quase Impossível
– Alunos que fazem o que lhes apetece
– Professores tratados como “controladores de danos”
– Disciplina? Palavra riscada do dicionário
5. Burocracia Assassina
– Mais papéis que uma repartição pública
– Menos tempo para lecionar, mais tempo a preencher formulários
6. Viagens do Inferno
– Quilómetros e mais quilómetros todos os dias
– Carro como segunda casa
– Combustível mais caro que o ordenado
7. Aprovação Automática
– Transitar de ano é mais fácil que respirar
– Esforço? Palavra desconhecida
– Conhecimento? Opcional
8. Ideologia Sufocante
– Modas pedagógicas que ninguém percebe
– Reuniões intermináveis sobre teorias abstratas
– Educação como campo de experimentação
Excelente análise: clara, real e objetiva. Parabéns.
Deviam enviar para o Ministro da Educação. O texto é a verdade dura e crua …
É, mas o ministro quer éé ser candidato autárquico em Braga e ministro da educação! Como tem tempo, quando estuda os dossiers porque se rodeia de gente má que lhe vende falsas ideias do estado em que estamos. Vejo-o com maldicentes de pasquins, pilintos oportunistas e eternos, marianas nabas pagas e sarro velho colocado pelo anterior governo. Nada quer fazer. É para dar continuidade à destruição da escola. Não acaba com a municipalização, nem com a totalitária gestão escolar, nem as modas pedagógicas, não valoriza salários, nem com a Cidadania acabou. É mais do mesmo e tendencialmente para pior porque é um neoliberal da economia. É mais um provinciano armado ao caracol da corrida local, tal como o outro se armava em grande cosmopolita e não passava de um quadrado escuteirote!
Que vá mas é estudar os dossiers em vez de ir na carreira para Braga pelejar comícios!
Esta cambada toda não tem mesmo qualquer sentido de estado. É só a vidinha, o carreirismo, as conexões e as palas!
Calma … Daqui a uns anos já teremos os “Roboprofs” – robôs humanoides equipados com AI capazes de fazer (quase) tudo o que um professor faz … sem reclamar.
Esses roboprofs que não reclamam também não ensinam pois duvido muito que consigam controlar o comportamento dos alunos em contexto de sala de aula. Se acham que ensinar fosse só despejar a matéria e os alunos, sedentos de conhecimento, ouvem atentamente tudo o que lhes é dito e mostrado , aí os roboprofs tinham hipótese. Agora nos dias que correm??? Até me davam pena….
Peço desculpas mas faltaram coisas muito importantes, quer queiramos quer não.
1. Ultrapassagens na carreira, por causa do DR 119/2018, que fez com que milhares de professores fossem ultrapassados por aquelas que entraram na carreira em 2018 e tinham menos tempo de serviço. Há ações em tribunal mas que não estão a ir a lado nenhum porque há quem realmente não queira e empatam.
2. Necessidade de ter determinado tipo de avaliação para passar para escalões seguintes na carreira.
3. Necessidade de haver cotas para que se passe para escalões seguintes na carreira.
4. Antes de se entrar no 7.º ou no 8.º escalão, viver com o ordenado de professor é viver mal. É não ter dinheiro para poder sustentar a família e andar a fazer biscates a torto e a direito, ou, não podendo porque não se consegue ter tempo (é o que acontece à maioria), é viver na miséria.
5. Perspetiva de ter uma reforma de miséria ou de nem a ter, cheio de doenças psicológicas ou fisiológicas.
Alguém, sabendo isto, quer ser professor? Tenham juízo!
Ser Professor em Portugal:
1. Ordenado de Miséria
– Receber menos que um técnico de call center
– Anos de estudo deitados fora
2. Diretores: Pequenos Ditadores Escolares
– Poder absoluto sem qualquer fiscalização
– Mandatos que se eternizam década após década
– Decisões arbitrárias como lei inquestionável
– Perseguições a docentes que os contrariam
– Jogos de poder dentro da escola como tabuleiro de xadrez
– Amiguismos e cunhas
– Avaliações de desempenho manipuladas conforme interesses pessoais
3. Encarregados de Educação: O Pesadelo Vivo
– Pais que despejam os filhos na escola como bagagem
– Questionam tudo, mas não educam nada
– Sempre prontos para reclamar, nunca para colaborar
– Telemóvel como babysitter permanente
– Filhos entretidos com ecrãs, pais de consciência tranquila
4. Sala de Aula: Missão Quase Impossível
– Alunos que fazem o que lhes apetece
– Professores tratados como “controladores de danos”
– Disciplina? Palavra riscada do dicionário
5. Burocracia Assassina
– Mais papéis que uma repartição pública
– Menos tempo para lecionar, mais tempo a preencher formulários
6. Viagens do Inferno
– Quilómetros e mais quilómetros todos os dias
– Carro como segunda casa
– Combustível mais caro que o ordenado
7. Aprovação Automática
– Transitar de ano é mais fácil que respirar
– Esforço? Palavra desconhecida
– Conhecimento? Opcional
8. Ideologia Sufocante
– Modas pedagógicas que ninguém percebe
– Reuniões intermináveis sobre teorias abstratas
– Educação como campo de experimentação
9. Saúde Mental: Burnout Absoluto
– Stress como companheiro diário
– Esgotamento profissional total
– Medicação como muleta
– Alma consumida antes do corpo
10. Formação Contínua: Farsa Institucional
– Cursos sem sentido
– Horas obrigatórias como punição
– Conhecimento nulo
– Certificados de papel
11. Tecnologia: Ilusão Pedagógica
– Equipamentos fantasmas
– Internet intermitente
– Professores transformados em técnicos
– Modernidade inexistente
12. Sindicatos: Teatro Corporativo
– Lutas de mentira
– Negociações encenadas
– Classe docente abandonada
– Dirigentes acomodados
13. Recrutamento: Roleta Russa
– Colocações aleatórias
– Professores descartáveis
– Mobilidade como tortura
– Famílias destroçadas
14. Futuro: Desistência Programada
– Jovens sem horizontes
– Fuga como única saída
– Vocação em extinção
– Profissão sem atrativo
15. Sociedade: Descrédito Total
– Professor: Profissão desprezada
– Respeito zero
– Missão educativa ridicularizada
– Culpados de todos os males
16. Carreira Docente: Labirinto Burocrático
– Decreto 119/2018: Golpe contra a antiguidade
– Professores experientes ultrapassados por novatos
– Injustiça institucionalizada
– Tempo de serviço: papel higiénico administrativo
17. Avaliação: Roleta Russa Profissional
– Progressão condicionada a avaliações arbitrárias
– Critérios opacos e manipuláveis
– Mérito transformado em burocracia
– Justiça? Palavra riscada do dicionário
18. Cotas: Limitação Sistemática
– Escalões como território de guerra
– Vagas controladas artificialmente
– Professores competindo entre si
– Meritocracia: conceito extinto
Vai acontecer com as escolas o que está a acontecer com os hospitais e médicos.
Penúria.
Escolas fechadas.Rotatividade de docentes . Pois não existirão a muito curto prazo .
Miséria de governantes e planeamento que tivemos.
Deviam ser empurrados contra uma parede e baterem com a cabeça um número infinito de vezes
Com tanto filtro na emigração também muitos sectores do comércio, turismo, agricultura, manutenção de jardins
Acresce que, sem imigração, não há alunos para as escolas. 1/3 dos alunos são filhos de imigrantes. Sem eles fecham as escolas.
Precisamos de bons imigrantes! Não qualquer um! Para meus temos já para dar e vender!
Corrijo, imigração. Com a pressa saiu com e.
Concluindo. Portugal fechará como país.