Professores esquecidos: justiça, sim; valorização, nem vê-la! – Manuel Alho

Professores esquecidos: justiça, sim; valorização, nem vê-la!

Recuperação do tempo de serviço não basta

Já abordei este assunto AQUI pelo que volto a alertar que a devolução (muito) faseada  do tempo de serviço (1 de setembro de 2024: 599 dias. 1 de julho de 2025: 598 dias. 1 de julho de 2026: 598 dias. 1 de julho de 2027: 598 dias.) apenas devolve um direito roubado, mas não resolve o essencial. É um importante ato de justiça, não de valorização. A carreira docente está estagnada há mais de 15 anos (!),sem atualização dos valores dos escalões. Enquanto outras carreiras da função pública viram os seus salários revistos e ajustados, os professores continuam com índices que não refletem nem a inflação acumulada, nem a exigência crescente da profissão. Esta ausência de revisão tem um efeito duplo: empurra docentes experientes para a desmotivação e falha em atrair jovens para uma carreira que já nem prestígio social consegue oferecer.

Todos os escalões contam, todos os professores contam

É urgente recordar que a valorização salarial não pode centrar-se apenas nos primeiros escalões, como se bastasse atrair novos professores, nem apenas no topo, como se a experiência não fosse já um bem escasso. Todos os níveis da carreira carecem de atualização, sob pena de se perpetuar uma classe desmoralizada e sobrecarregada, incapaz de dar resposta aos desafios da Escola Pública. E, enquanto isto se arrasta, os sindicatos pouco pressionam nesta frente. Este silêncio é perigoso, pois a opinião pública pode assumir que, com o tempo de serviço devolvido, tudo ficou resolvido. Não ficou. Sem um plano sério de valorização dos escalões, a Escola Pública continuará a perder forças, qualidade e profissionais. A Educação não pode ser o parente pobre da função pública.

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6 comentários

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  1. Para já não falar dos retroativos perdidos de anos e anos de trabalho…

    • Lina on 20 de Julho de 2025 at 11:45
    • Responder

    Estou inteiramente de acordo. De facto, parece ser essa a ideia instalada: os professores já resolveram todos os seus problemas! Aproveito ainda para relembrar que o acréscimo remuneratório “oferecido” pela tutela aos docentes que prolongaram a sua carreira está, em alguns casos, a ser ignorado por diretores, mesmo quando se verificam as condições necessárias para a sua atribuição.

    • Anónimo on 20 de Julho de 2025 at 14:47
    • Responder

    Meus caros,
    Centenas e centenas (senão alguns milhares) de professores que entraram entre 2005 e 2011 foram ultrapassados na carreira por quem tinha menos tempo de serviço.

    Eu sou só um exemplo. Em 2018, graças ao DR 119/2018, feito por Alexandra Leitão e os comparsas costistas do PS, permitiu que fossemos ultrapassados por quem tinha menos tempo de serviço. Como resultado, eu estou dois escalões abaixo em relação a colegas com menos tempo.

    A maior parte dos casos que conheço está um ou dois escalões abaixo do que deveria.

    A juntar a isto, graças a Maria de Lurdes Rodrigues, todos os que estavam no índice 151 em 2007 tiveram de esperar até 2011 para serem posicionados corretamente no índice 167 que ela mesma criou em 2007.

    Foram só 3 anos a ganhar menos 140 euros mensais brutos.

    A juntar a isto congelamentos, desvalorizações e tudo o que é trabalho a mais nas escolas.

    Para quando a resolução de TODOS estes casos? Mesmo TODOS!!

  2. Justiça? Onde?
    Aqueles que aguentaram os congelamentos e no fim de vida no 8 e 9 escalões não viram um tostão e a reforma leva um corte de humilhações ainda maiores@

    • O Madeirense on 20 de Julho de 2025 at 22:33
    • Responder

    Na região autónoma da Madeira, hoje, ainda nem sequer se aplica o Decreto-Lei n.º 48-B/2024, de 25 de julho, a única região onde isso acontece, num país que se diz uno e indivisível! Viva a Constituição da República… da banana!

    • Profs on 21 de Julho de 2025 at 9:48
    • Responder

    Ainda falta recuperar as parcelas de tempo perdido nas listas de acesso ao 5 e 7 escalões inferiores a 365, dias, pois o conhecido acelerador apenas recuperou anos completos.

    É urgente o reposicionamento de todos os que haviam vinculado antes de 2011.

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