Acordo da FNE com a AEEP Sobre Horário de Trabalho

Há cerca de um ano a AEEP denunciou o contrato coletivo de trabalho que existia para regular o sector privado, no entanto, esta manhã a AEEP e a FNE chegaram a um acordo, em sede de comissão paritária, para desbloquear algumas questões relativas ao horário de trabalho do ensino particular.

Ficou assegurado o limite de 35 horas semanais no sector privado, bem como a redução das horas de estabelecimento quando forem utilizadas aulas de 60 minutos.

Deixa assim de ser possível que cada escola privada faça a interpretação do horário de trabalho conforme lhe convém e ficam asseguradas regras para o cumprimento desse trabalho.

Tendo em conta as diferenças que começavam a existir no sector privado, este acordo terá colocado um ponto final nessa desregulação.

FNE trava aumento do horário de trabalho no ensino privado

 

 

A Federação Nacional da Educação (FNE) e os restantes sindicatos da Educação da UGT assinaram hoje um acordo, em sede de comissão paritária, com a Associação dos Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), no sentido de se travar o aumento do tempo de trabalho dos professores deste setor e assegurar o respeito pelas 35 horas semanais.

Em causa está a interpretação que tem sido feita por algumas escolas privadas em consequência da opção pela aplicação de tempos letivos de 60 minutos. Com efeito, ao abrigo do Decreto-Lei nº 139/2012 – que reconheceu a autonomia dos estabelecimentos de ensino na organização dos tempos lectivos -, temos assistido a casos de abuso e desrespeito pelo tempo de trabalho dos docentes.

O acordo assinado esta manhã reconduz todas as situações ao estrito cumprimento do que estipula o Contrato Coletivo de Trabalho em relação ao tempo de trabalho dos docentes, o qual não pode ultrapassar, nas três componentes que o constituem, as 35h semanais.

Nestes termos, a interpretação do clausulado hoje assumida pela comissão paritária prevê a redução de 4 horas de tempo de trabalho de estabelecimento para compensação das aulas de 60 minutos. No documento fica ainda estabelecido que os colégios que não fizerem a redução do tempo de trabalho em estabelecimento, ficam obrigados a compensar os docentes através do pagamento de horas extraordinárias para que possam assegurar o tempo de serviço a mais, em termos de atividades de estabelecimento.

Com este acordo a FNE garantiu o cumprimento do horário de trabalho das 35 horas semanais e põe um ponto final na atual desregulação do horário de trabalho dos professores do ensino particular e cooperativo.

De sublinhar que da reunião de hoje ficou ainda a garantia de, até ao final do ano, serem reatadas as negociações do Contrato Coletivo de Trabalho para o ensino particular.

Lisboa, 18 de fevereiro de 2014

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2014/02/acordo-da-fne-com-a-aeep-sobre-horario-de-trabalho/

3 comentários

    • PM on 18 de Fevereiro de 2014 at 17:35
    • Responder

    e das 35h quantas são letivas? isso é que faz a diferença entre ficar empregado e desempregado…

    • JCP on 18 de Fevereiro de 2014 at 19:28
    • Responder

    Quer dizer….aposto que isso vai ser interpretado pelos PATRÔES do privado como 35 horas letivas, zero de estabelecimento e zero coiso e tal…. Perfeito! Mais uma vitória do catano.

    • zeca on 19 de Fevereiro de 2014 at 12:40
    • Responder

    No CCT ainda em vigor as horas lectivas são iguais ao público (25h-1º ciclo e 22h 2º,3º ciclo e secundário), sendo que a componente individual de trabalho de um docente (fora da escola) tem que ser no mínimo 50% do restante tempo, ou seja 35-22=13/2=6,5h.

    Se as aulas forem de 60minutos acabam por ser mais horas de leccionação, pelo que deve reduzir-se 4 horas no tempo de trabalho no estabelecimento .

    Para já é só isto. Como o CCT deve ser algo de negociação futura logo se verá se há mais alguma alteração.

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading