…fazerem o concurso extraordinário.
Governo estuda integração dos professores contratados
O secretário regional da Educação garantiu esta quarta-feira que será cumprida nas ilhas a diretiva comunitária sobre a integração dos professores contratados há vários anos, alegando que a matéria está a ser estudada e a solução será “oportunamente” anunciada.




4 comentários
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Meu programa de educação – E que tal dar o poder total às escolas?
Olá
Depois do Paulo Portas demorar tanto tempo a apresentar o guião da reforma do estado, cheguei à conclusão que nunca é tarde para expormos publicamente as nossas ideias mesmo que a maioria ache que já ouviu falar nisto muita vez.
Então tive a ideia de vir a apresentar a “meu programa para a educação”. Por não ser jornalista não vou vender tanto como o José Gomes Ferreira. Mas pode ser que me aconteça o mesmo que a ele e ao Paulo Portas, que toda a gente ouve e discute mas a cujas ideias, ninguém liga.
Baseei-me numa conversa inspiradora.
Dei por mim a ouvir, atrás da porta do diretor de uma escola, aqui das redondezas da capital, uma conversa entre ele e um senhor que se dizia ministro da educação.
O diretor da escola, Prof. José das Dúzias ouvia o homem.
– Sabe professor José das Dúzias vim aqui para falar consigo
porque disseram-me “competente é mesmo o prof. José das Dúzias”. Disseram ainda “sabes, chamam-lhe assim não é pelo que tu pensas, que os diretores são uns sem ninguém, que só obedecem e não têm pensamento próprio. Chamam-lhe assim porque é da velha guarda, daqueles que aprendiam muito bem a contar desde a 1ª classe”. Sendo um grande defensor daqueles que sabem ler, escrever e contar desde pequeninos, sempre os achei mais competentes que os outros, pelo que achei por bem ter um interlocutor assim.
Mas primeiro deixe apresentar-me. Eu sou o Cravo, ministro. Há quem me chame também Cravo e Ferradura, sim porque normalmente dou uma nele e outra na cuja.
Mas como lhe ia dizendo e como deve saber no meu tempo toda a gente sabia ler, escrever e contar desde a 1ª classe. Embora para a maioria, isso lhe valesse de pouco, a qualidade no meu tempo, era superior. Faziam exames da 4ª classe e não “morriam” por isso. Não acha que é melhor para o aluno? Sabe professor, eu também fiz esse exame do 4º ano e até admissão ao liceu. Dava-me nervos que ainda hoje se manifestam quando tenho jornalistas à frente. Ah! Mas era amenizado pelo chá de laranjeira que a minha mãe me dava para os nervos! Ainda hoje estou para saber porque é que esse chá “tira” os nervos! Ou não? O que acha professor? Já disse à minha secretaria que tem de arranjar chá da dita árvore lá no palácio de sete rios.
Oh professor, sou ministro, mas não sou tolo.
Sabe quem foi o primeiro licenciado lá do sítio? Fui eu. Sabe porquê?
Não, não obrigado, não é isso, não era o melhor. É que fui o único que fui pró liceu. Na altura os rapazes começavam logo a trabalhar no campo para ajudar os pais e as meninas esperavam até ter idade para ir servir as famílias bem aqui da zona da capital. Aquilo não era trabalho infantil à fartazana, era a verdadeira educação dual. Aquela que se faz na Alemanha sabe? Dizem que só 15% é que iam para o ensino médio. E então, o ensino dual? Aprendiam muito cedo «a cavar» ou a cozer sapatos.
Aquilo é que era. Até um conhecido comentador da nossa praça, que aliás gosta muito dos professores, invocou a D. Constança, sua professora do 1º ano. Ele diz que nas margens do douro, a dita professora tinha 80 alunos do 1º ao 4º ano. Bem aqui para nós, ele não diz o resultado desse trabalho. Pelo que percebi, os pais não descobriram as virtudes da D. Constança e lá o retiraram para não ser ela a dar-lhe a quarta classe. Podia ficar a saber demais!
Sabe, vêm para aí uns daqueles da opinião publicada dizer que a geração mais bem preparada de sempre deste país é esta. Falso. No meu tempo é que era bom! Aliás, embora abundante a emigração era menor que agora.
Até que, depois de tanto ouvir, o diretor virou-se para o homem e perguntou?
– Mas afinal porque é que o Sr Ministro Cravo e Ferradura veio aqui? Para me falar nos méritos dos exames do 4º ano e das virtudes da D. Constança?
– Não professor José das Dúzias, é que tenho uma proposta para lhe fazer. Tem a ver com a implementação de uma nova gestão na sua escola. Como sabe não arranjei dinamite para fazer implodir lá o meu edifício da 5 de outubro. Então quero propor-lhe tirar a pata ou o peso se quiser daquele edifício de cima da sua escola.
– Venha lá a proposta sr. ministro ….
– Sabe professor eu sou acusado por senhores de esquerda, direita, centro e afins, de estar a elitizar o ensino com o contrato de associação. Mas sabe que muitos desses que se dizem preocupados com o contrato de associação, têm os seus filhos nos particulares sem contrato e pagam?
– Oh Sr. ministro agora digo eu, eles são comentadores que lutam pela vida, mas não são tolos. E podem pagar….
– Mas sabe que eu já dei uma no cravo, agora queria dar outra na cuja…. Pensei, pensei e cheguei à seguinte conclusão e por exemplo se eu chegasse à escola do Prof. José e dissesse: você agora vai receber por aluno e para além da inspeção de finanças com quem se deverá preocupar porque vai controlar onde gasta, não se preocupa com mais nada a não ser com o projeto educativo que escolher para a sua escola…
– Então sr. ministro quer dizer que é como se fosse dono da escola..
– Não exatamente. Repare, o dono tira lucros para comprar uma posiçãozita no offshore, mas você não ia longe com o ordenado que fixasse…Para governar toda a escola só lhe ia dar 3.500€ anuais por cada aluno e ficaria mais barato que os 4.500 que gasto agora.
– Mas diga-me lá, você tem a certeza que gasta 4500 € por aluno?
– Quer dizer, certeza, certeza, não tenho, mas deve lá andar perto e assim ficava mais barato. Lá no edifício que ia implodir, há uns senhores que não sabem fazer contas, ou não querem, e então nunca sei quanto gasto…
– Mas então não entendo. Você deu uma no cravo que foi anunciar o aumento dos contratos de associação e agora quer dar outra na cuja que é entregar a escola aos professores que lá estão.
– Sim veja lá o que pensei! Não consegui implodir nenhum dos edifícios, nem o da 5 de outubro, nem o da 24 de julho. Ainda fugi para as Laranjeiras com a esperança de o conseguir fazer, mas as táticas subversivas aprendidas antigamente nas militâncias da extrema esquerda, só deu para mudar as moscas.
Acontece que durante estes anos todos aqueles edifícios era muito “abertos”, ao dito dialogo, dos chamados atores da educação. Entrava a companhia das associações dos diretores, a companhia das associações sindicais, a companhia das associações do ensino particular, a companhia das associações partidárias, as associações dos amigos das associações partidárias, etc. Aquilo era só atores a entrar por ali dentro. E sabe que, escandalosamente, a maior parte deixava lá tendas montadas. Aquilo parecia a praça Tahrir no Cairo lembra-se?
Pois é, retomando o fio à meada, eu comecei a pensar que todos estes atores estão muito incomodados por deixarem de ter lá as tendas montadas na 5 de outubro. Então tocam logo o hino nacional dos comentadores. Aí vem o papão do privado! Mas como estão sempre a pregar autonomia, eu finto isto. O Sr. Professor Zé passava a gerir a escola como se fosse privada, a amanhar-se com o preço por aluno que o estado dará a uma privada e se você não fosse competente fazia como o comandante do Costa Concordia. Afundava tudo e ia preso. Não acha que esta é digna de ser dada na dita cuja?
(continua)
JS
Nas ilhas? Então e no continente?
Então e no continente?
António Ribeiro
Sou professor contratado há mais de 10 anos.
Na eventualidade de ser necessário intentar uma ação em tribunal contra o estado português para que este seja obrigado a cumprir a diretiva comunitária de integração nos quadros de professores com mais de 4 contratos anuais consecutivos, estou indeciso se deverei recorrer aos serviços jurídicos da Fenprof ou á Associação Nacional dos Professores Contratados.
Agradecia que algum colega que se encontra na mesma situação me ajudasse a decidir e já agora qual o custo estimado dessa ação no tribunal.