O Martim e a Sofia existem e até têm um rosto, caso alguém o desconheça…

Não estamos a falar de pessoas em abstracto, estamos a falar de dois jovens reais, o Martim e a Sofia, com um rosto, que foram apanhados na teia da injustiça e da iniquidade, decorrente da trapalhada que envolveu a classificação digital de Exames Nacionais imposta pelo MECI…

 

Dois alunos que agora vêm as suas legítimas expectativas de prosseguimento de estudos no Ensino Superior suspensas, completamente defraudadas, por erros e por muita incompetência alheios… Dois jovens que em nada contribuíram para o caos instalado na classificação dos Exames Nacionais, mas que sofrem, e são inequivocamente prejudicados, pelas consequências do mesmo…

Comprova-se, assim, que o Ministro da Educação mentiu, quando no passado dia 20 de Julho, afirmou que “nenhum aluno será prejudicado” pelas falhas que afectam o sistema de classificação digital dos Exames Nacionais… (RTP Notícias)…

O Ministro, intencionalmente ou não, mentiu, mas ainda não teve a hombridade, nem a humildade, de vir a público emendar a anterior afirmação, mostrando-se incapaz de assumir as responsabilidades próprias do cargo que desempenha…

Acredito que existam muitos mais alunos prejudicados pelo caos suscitado pela classificação digital dos Exames Nacionais e que muitas famílias não tenham nem os conhecimentos nem a capacidade económica para contestar judicialmente tais danos…

Lamentavelmente, haverá, com certeza, alunos que ficaram irremediavelmente lesados, sem que o MECI tenha mostrado a elevação ética e moral que se impunha, no sentido de acautelar os direitos de todos os alunos, sem esquecer os mais desprotegidos em termos familiares e económicos…

Apesar do anterior, o Martim e a Sofia são, neste momento, os rostos públicos de uma gritante injustiça, duas vítimas da teimosia, da arrogância e da insensibilidade patentes num sistema que não cumpriu com a imprescindível credibilização da avaliação externa…

O Martim e a Sofia merecem muito mais e melhor do que um Ministro que não conseguiu sequer percepcionar a intranquilidade que reinou nas escolas do país durante o processo de classificação dos Exames e que não foi capaz de evidenciar uma conduta consonante com a exigível seriedade e honestidade intelectual…

Independentemente do desfecho que estas duas situações venham a ter, ninguém conseguirá anular tudo o que de mau já foi infligido a estes dois jovens…

Ainda, assim, espero, convictamente, que o Martim e a Sofia venham, de alguma forma, a ser ressarcidos pela injustiça de que foram alvo…

Como mãe, lutaria, até às últimas consequências, contra uma iniquidade e um desrespeito que não poderão ser calados, nem esquecidos, nem normalizados…

Na verdade, nada disto é normal, nem aceitável, num país que se arroga como um Estado de Direito Democrático…

O Martim e a Sofia existem e até têm um rosto, caso alguém o desconheça…

 

Paula Dias

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9 comentários

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    • Mariana on 15 de Agosto de 2026 at 14:27
    • Responder

    Criticar o processo atual sem conhecer o anterior não é rigoroso nem sério!
    Sabe quantas provas foram extraviadas no passado?
    Acha mesmo que as mais de 350.000 provas entregues aos classificadores retornavam todas aos Agrupamentos JNE?
    Sabe que o extravio de provas e outros problemas estão contemplados na legislação para proteção de qualquer aluno, sem necessidade de ir para tribunal?
    Tem conhecimento que todos os anos eram corrigidos centenas de erros antes e depois das pautas afixadas manualmente?
    …

      • Mustang Horse on 15 de Agosto de 2026 at 14:42
      • Responder

      Conseguirá, V. Exa. comprovar as suas insinuações de plausível fraude/extravio relativas a anos anteriores? Acaso denunciou, se teve/tem conhecimento das mesmas? Se for capaz, e espera-se que o seja, apresente dados concretos e objetivos: quantos exames foram extraviados? Em que anos? Em que Agrupamentos? Com que consequências? Vá lá, seja “rigorosa e séria” e apresente comprovativos acerca do que defende. Se não apresentar esses dados, já sabemos: o seu comentário tem como único objetivo tentar branquear a monumental bronca deste ano. Aguardo serenamente pelos seus fundamentos.

        • Mariana on 15 de Agosto de 2026 at 16:04
        • Responder

        Provas trocadas, danificadas, incompletas e desaparecidas sempre ocorreram, em número residual, nada de novo.
        O JNE tem os dados oficiais sobre isso.
        Mas deixo alguns exemplos de extravios: esquecimento de envelope em local público, assalto a viatura do classificador, morte do classificador…
        Num número elevado de provas houve haverá sempre problemas.

          • Mustang Horse on 15 de Agosto de 2026 at 18:04

          Registo que V. Exa. fez de conta que não leu as minhas perguntas concretas. Em que anos? Números? Nomes de Agrupamentos? Ah, pois é, talvez não tenha esses dados e limitou-se, portanto, ao branqueamento de um problema grave e sério. É escusado tentar normalizar a bronca , até porque não é possível escondê-la, dada a sua abrangência. Estamos conversados.

          • prof on 16 de Agosto de 2026 at 10:06

          Mariana ou Mariano, ou o raio que a/o parta. Querer comparar o caos provocado este ano com eventuais e residuais casos do passado, é mesmo querer esconder a realidade! Você deve ser um/uma lambe-cus desta gentalha incompetente que grassa no MECI se é que não mesmo um/uma deles! Tenha vergonha e não venha branquear a realidade factual dos acontecimentos!

      • prof on 16 de Agosto de 2026 at 10:05
      • Responder

      Mariana ou Mariano, ou o raio que a/o parta. Querer comparar o caos provocado este ano com eventuais e residuais casos do passado, é mesmo querer esconder a realidade! Você deve ser um/uma lambe-cus desta gentalha incompetente que grassa no MECI se é que não mesmo um/uma deles! Tenha vergonha e não venha branquear a realidade factual dos acontecimentos!

    • Ochato on 17 de Agosto de 2026 at 13:36
    • Responder

    Lamento ter colegas de profissão que são tótós. Fico chateado de ter colegas de profissão que querem fazer tótós dos colegas.
    Quando o pai do aluno vem reiterar que as folhas de resposta não foram assinadas pelo filho, está muita coisa dita. Poderiam reclamar que os QR codes poderiam não ser os que correspondem às folhas de resposta do aluno, mas nem isso. São espalha-brasas, como muitos que andam neste forum, e são ignorantes que não conseguiram entrar no Big Brother de Verão.
    Cada folha de resposta tem o seu QR e foi verificada a correspondência à saída e à entrada do secretariado de exames. Não se pode por em causa o trabalho dos colegas do secretariado de exames.
    Técnicas de fraude, foram imensas e diferenciadas ao longos dos anos.
    Isto é claramente mais uma tentativa para favorecer um aluno que fez o ensino secundário numa escola profissional e que quer aceder com vantagem acrescida no ensino superior.

    • Jasão on 17 de Agosto de 2026 at 15:35
    • Responder

    Mariana, referiu alguns casos que, no passado, foram noticiados. Para os espalha brasas de ocasião, tudo o que agora é empolado pela comunicação e pelos lobistas de esquerda é válido, mas se for a Mariana a relembrar casos passados, e bem, querem provas e mais isto e mais aquilo como se o comum cidadão fosse algum banco de provas de uma força policial de investigação! Apoio a 100% o que disse e o que disse OCHATO!!

    • Luis on 19 de Agosto de 2026 at 15:59
    • Responder

    Claro que no passado também ocorreram diversas problemas relacionados com os exames.
    O contrário desafiaria a lógica.

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