Há uma coisa extraordinária na administração educativa portuguesa: as escolas conseguem perceber, em tempo útil, onde estão os alunos, quantos são e o que precisam. A AGSE, aparentemente, precisa de um pouco mais de tempo para perceber o que as escolas já sabem.
O pedido é simples. Depois de terminadas as matrículas, uma determinada procura tornou necessária a autonomização de uma turma e a anulação de outra. Nada de extraordinário. A rede é, ou deveria ser, dinâmica e ajustável à realidade. O problema é que, quando a realidade muda, há sempre um qualquer sistema, procedimento ou circuito administrativo que parece ficar parado à porta.
E depois há a famosa previsão da rede. Foi introduzido um número que não correspondia ao universo que deveria ter sido considerado e a escola, naturalmente, pede orientação para corrigir o erro. Até aqui, tudo normal. O que já não é tão normal é quando estas questões ficam penduradas, sem resposta, enquanto as escolas têm de organizar horários, turmas, professores, alunos e toda a logística de um novo ano letivo.
É aqui que a AGSE merecia uma pequena chamada de atenção.
Não se trata de pedir um favor às escolas. Trata-se de permitir que as escolas funcionem.
A rede educativa não é uma folha de Excel que possa ficar à espera que alguém carregue no botão certo. Tem alunos lá dentro. Tem professores. Tem turmas. Tem famílias. E tem datas.
Se a AGSE foi criada para agilizar, apoiar e desburocratizar, talvez seja altura de começar por resolver aquilo que as escolas lhe colocam em cima da mesa. Porque se uma escola identifica um problema, apresenta a solução e pede apenas que o sistema seja atualizado, mas semanas depois continua à espera de resposta, então a pergunta deixa de ser “qual é o procedimento?” e passa a ser outra: para que serve uma estrutura de gestão se, quando chega a hora de decidir, ninguém decide?
E convém não esquecer: setembro chega sempre. A burocracia, pelos vistos, nem sempre.





5 comentários
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O ministro teve muita vontade de fazer a revolução de uma penada. Está visto que se trata de um contrassenso.
O sistema educativo português tem pelas minhas contas pelo menos 5 concursos diferentes para a colocação/mobilização de professores… não existe sistema nenhum no mundo que consiga alcançar a estabilidade quando existe tantas possibilidades de instabilidade… é por isso que os sindicatos gozam o prato sobre os números da falta de docentes.
queres melhor? – faz tu!
Não sejas parvo, fanboy. Quer no caso dos exames, quer no da reestruturação e downsizing dos organismos do MECI, o ministro foi com demasiada sede ao pote. Ora bem, não é preciso ser um génio para se saber de antemão que isso tem tudo para dar mau resultado. E deu. E está a dar. Eu não tenho nada contra este ministro (apesar de não transmitir publicamente agradecimentos aos professores, responsáveis máximos por o descalabro não ser maior, e de ter dito que houve escolas que não enviaram osvexames a tempo, o que é um absoluto disparate, e de atirar a história dos agrafes para o JNE, outro perfeito disparate), mas as coisas têm que ser chamadas pelos nomes. Quando alguém não é chamado à atenção quando erra, a tendência é para o erro se perpetuar. Espero que avalies os teus alunos melhor do que isso…
Uma vez que se fala de horários, um docente de QZP colocado na MI com horário C/ completo, N /composto, CL 22 h em determinado GR, pode o Agrupamento atribuir um horário com horas de 2 GR?
O horário C/22h não tinha sido já validado, daí ter saído nas listas de colocações?