Criticam projetos porque “não se aprende”, mas os alunos estão verdadeiramente envolvidos. E o cérebro, quando está envolvido, aprender e deeenvolve competências.
Semana da cultura. Projetos. Atividades. Pensar, decidir, falhar, negociar, apresentar…
E há sempre os mesmos a dizer: “isso não é escola, é perda de tempo, só a matéria é que importa.”
A aprendizagem significativa acontece quando o cérebro liga emoção, ação e contexto. O conhecimento fixa-se quando é usado, não quando é decorado. Transferência de aprendizagem exige contexto real, não folhas repetidas até à exaustão…
O problema é que isto dá trabalho.
Planear, coordenar, gerir comportamento, ajustar no momento. É mais fácil mandar abrir o manual e depois criticar quem faz diferente.
E os adultos que ficam de fora? E os egos?
Os céticos são previsíveis: não organizam nada, mas têm sempre opinião sobre quem organiza.
E sim, estes projetos têm riscos.
Alunos pouco treinados para participar vão gerar conflitos, dispersão, momentos de caos. Claro que sim.
É precisamente aí que está a aprendizagem que nunca cabe numa ficha: autorregulação, comunicação, responsabilidade em tempo real.
Quem acha que isto é perda de tempo está, no fundo, a pedir uma escola silenciosa… e cognitivamente vazia, não é?
Há dias estive nA EBI Manuel da Maia e vi uma coisa que ainda parece incomodar algumas pessoas: alunos a trabalhar a sério… sem estarem sentados calados a copiar do quadro.
Vi adultos, docentes, diretores e parceiros a darem exemplo de dinamismo e até de vulnerabilidade. Que coragem!
Alguns vão pensar: “isso é giro, mas no exame ninguém avalia projetos”, “os miúdos precisam é de matéria”, “isso é brincar às escolinhas modernas”… a esses nem vale a pena responder, porque não estão interessados em crescer l, estão interessados em ter razão.
Agora, para quem está vivo: aprendizagem profunda exige envolvimento ativo, prática deliberada e contexto significativo.
Saber repetir não é saber usar.
E a escola que só treina repetição está a formar memória de curto prazo com prazo de validade ridículo.
Projetos bem feitos não substituem conteúdos, integram-nos. Obrigar um aluno a aplicar conhecimento em situações reais ativa funções executivas, consolida memória de longo prazo e desenvolve competências que nenhum teste isolado consegue medir: tomada de decisão, autorregulação, comunicação sob pressão.
E sim, dá mais trabalho. Exige professores preparados, atentos, com capacidade de ajustar em tempo real. Ou seja, exige profissionalismo a sério. Não o mínimo olímpico.
Se quer alunos calados, previsíveis e esquecidos em duas semanas, continue só com fichas.
Se quer alunos envolvidos, capazes de pensar e agir, aguente o desconforto dos projetos e aprenda a liderá-los bem.
E uma coisa que irrita muita gente admitir: a escola portuguesa tem professores com capacidade para isto. Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito.
Alfredo Leite




3 comentários
Como sempre não conta a história toda. Nessa escola, à conta dos projetos, cada professor só tem uma turma e (imagine-se!) em coadjuvãncia!
Assim, também quero projetos. Quem não quer??!!
Equilíbrio.
O fundamental é que não devemos ir de um extremo ao outro, pois o exagero (seja por excesso ou por falta) raramente é a melhor solução.
ESTÃO NISSO PELO DINHEIRO E MENOS HORÁRIO E TURMAS O RESTO É TRETA.TER 150 ALUNOS E FAZER TRABALHO ASSIM NEM UM ASCETA.
https://
Porque nas escolas, em vez de dinheiro, “traficam-se” influências com base no tempo, “mercadoria” que, numa perspectiva existencial, é capaz de ser mais valiosa do que bens materiais ou remunerações directas. Afinal, receber o mesmo por menos horas de trabalho efectivo em sala de aula, pode ser mais compensador do que algumas centenas de euros. Acreditem que sim.
Não falo de menos horas de trabalho por motivos de idade ou saúde, mas por cargos ou funções de “coordenação”. E também não falo da coordenação de departamentos ou grupos disciplinares, mas sim de múltiplas variações de “projectos” ou “equipas”.
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