Professores, renunciai à vossa aposentação!

Parece que circulam por aí algumas ladainhas, que vão sendo veiculadas pela Comunicação Social, pretensamente muito preocupadas com a Escola Pública, em particular com a falta de Professores…

Uma dessas prédicas, em forma de artigo de opinião, foi dada a conhecer pela Revista Sábado, em 2 de Janeiro de 2026…

Transcrevo aqui algumas afirmações constantes nesse artigo de opinião:

– “… não podemos condescender com a falta de compromisso com as futuras gerações dos professores que, reformando-se com o ano lectivo em andamento, condenam os alunos à lotaria das substituições centralizadas e, por maioria de razão, os entregam à sua própria sorte (ou à da carteira dos encarregados de educação).” (Octávio Lousada Oliveira).

“Em 2024, o Governo implementou um mecanismo, um suplemento salarial de 750€, destinado aos professores que, reunindo as condições para se aposentarem, continuassem a dar aulas. Ainda assim, continuam a chegar-nos relatos mais ou menos próximos e notícias, como a desta semana no Diário de Notícias, de que as centenas de reformas com o ano em curso agudizam um problema em que as soluções eficazes estarão longe de ser populares. Não sendo a bala de prata, deixo uma: que os professores só possam reformar-se no final de cada ano lectivo. Que me desculpem a franqueza, sobretudo os realmente empenhados nos respectivos projectos pedagógicos e os verdadeiramente comprometidos com o futuro dos mais novos: desta vez não é – nem pode ser, como em tantas outras ocasiões -, sobre eles próprios e sobre as reivindicações da sua poderosa classe. As reformas dos professores não dizem respeito apenas aos professores. Haja coragem.” (Octávio Lousada Oliveira).

A principal medida, pretensamente muito “corajosa”,preconizada e defendida pelo autor do referido artigo será, então, esta:

– “… que os professores só possam reformar-se no final de cada ano lectivo.”

Com toda a franqueza, vou abster-me de escalpelizar o citado argumentário, sobretudo para não incorrer no risco da rudezaAlém disso, detesto “balas”, mesmo que sejam “de prata”…

Limito-me a concluir e a inferir apenas isto, a partir das afirmações anteriormente reproduzidas:

– Os Professores, na sua maioria, cansados e esgotados, que ousem aposentar-se quando, finalmente(!), chega a sua idade de reforma são uns egoístas, insensíveis e pouco escrupulososporque “condenam os alunos à lotaria das substituições centralizadas e, por maioria de razão, os entregam à sua própria sorte (ou à da carteira dos encarregados de educação).”

– Para evitar a alegada “condenação” dos alunos, os Professores deviam ser proibidos de requerer a respectiva aposentação na data em que atingem a idade de reforma, sempre que isso não seja coincidente com o final de cada ano lectivo…

Será isto?

Desconfio que algumas castas ideológicas desejariam ir ainda um pouco mais longe do que o defendido no artigo citado e que, no fundo, no fundo, muito gostariam de ver concretizado um apelo aos Professores, imaginando-se que poderia ser algo parecido com o seguinte:

Professores, renunciai à vossa aposentação!

– Em nome do patriotismo, Professores, renunciai à vossa aposentação!

A Escola Pública precisa de vós, do vosso sacrifício, do vosso martírio e do vosso espírito de missão!

– Em nome do patriotismo, renunciai, também, ao vosso salário, pelo menos durante um ano, doando-o a certas “obras muicaridosas”, promotoras de Projectos muitíssimo inspiradores e extraordinariamente empreendedores, liderados por inquestionáveis sumidades intelectuais, com carreiras académicas ímpares e brilhantes, a nível nacional e internacional!

– Entregai o vosso salário, pelo menos durante um ano, a Projectos muitíssimo criativos, plenos de inovação tecnológica, e verão que essa doação será magnanimamente gerida por quem verdadeiramente sabe administrar e aplicar o vosso dinheiro: excelsos líderes, imensamente cativantes!

Na essência, serão líderes que, no mais íntimo se si, alimentam a esperança de ver privatizados todos os serviços públicos… Acabe-se com os serviços públicos, com os funcionários públicos, enfim, com tudo o que não seja iniciativa privada…

E mais importante: transferiram-se todas as verbas alocadas aos serviços públicos para o sector privado, incentivando o respectivo empreendedorismo e estimulando a sua iluminadameritocracia

O dinheiro público só é mau quando serve para manter serviços públicos Quando se transfere dinheiro público para a iniciativa privada, alimentando, até, muitas vezes, certos “vícios privados”, subitamente esse dinheiro costuma tornar-se muito desejável e muito bem empregue…

Da forma anterior, também se acabaria de vez com a história das Greves, o que seria muito aplaudido por certas lideranças,até porque na iniciativa privada todos os funcionários idolatram quem lhes paga o salário e ninguém tem quaisquer motivos para contestações…

Os líderes são sempre fantásticos e maravilhosos, pelo menos até se descobrir o contrário…

E parece que alguns desses líderes, se pudessem, chegariam mesmo a abolir a aposentação dos Professores…

Algaliados em rede e com andarilho? São todos para ficar na escola… Escusam de ter ilusões, só de lá saem transportados por um esquife

Perante tantos absurdos e tanta chico-espertice que saltitampor aí, a única safa possível é incorrer no sarcasmo e na ironia, tentando esboçar algum sorriso, ainda que “amarelo”, perantetemas particularmente sérios

Paula Dias 

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42 comentários

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    • PTR on 4 de Janeiro de 2026 at 11:36
    • Responder

    Com esta direita no governo tudo é possível. Já têm uma maioria parlamentar, um governo e vão ter um presidente. O sonho de 1986 está quase a concretizar em 2025. Ao fim de 39 anos, vamos ter outra Troika Nacionalista que vai mexer na Constituição. Enfim…

    1. Isso já eles têm. O Marcelo é de direita.

      Mas quem aí virá ainda será mais à direita. Ganhe quem ganhe.

      Já agora, Octávio Lousada Oliveira, vá à Nerda que é como quem diz, vá a si próprio.

      • Lenine on 4 de Janeiro de 2026 at 20:23
      • Responder

      O PS das bancarrotas, Sócrates MLR, Costas e geringonça (com a benção de toda a esquerda) e companhia é que foram boas para Portugal (particularmente para os professores).
      Estão com medo da direita porquê? Não percebo esta mentalidade tacanha em que a direita é má e a esquerda é fofinha…

      • Faltadevisao on 4 de Janeiro de 2026 at 20:57
      • Responder

      É um artigo de opinião… Parvo, mas tem esse direito. Não o consigo associar com este ou outro governo…

        • Falta de visão a sua on 4 de Janeiro de 2026 at 21:14
        • Responder

        Porque é parvo?
        Disse as verdades que deviam ser ditas e bem ditas.
        Tapar o sol com a peneira nunca levará a lado nenhum.

          • E mais não digo on 5 de Janeiro de 2026 at 10:53

          Em tempos, quando os professores eram bem considerados e não maltratados, muitos professores faziam isso de boa vontade. Atualmente, só professores poupados pelo sistema e pela vida se lançam a continuar após a reforma.

    • Ludovina Branco on 4 de Janeiro de 2026 at 11:49
    • Responder

    Muitos dos professores, os que se encontram no 10 escalão, ainda aguardam pelo tempo de serviço congelado!

      • Pcpista on 4 de Janeiro de 2026 at 20:29
      • Responder

      Deveriam estar no 12 escalão e terem uma reforma namorada em mais 25%.

    • Paula Cardoso on 4 de Janeiro de 2026 at 12:16
    • Responder

    LOL

    • ECCT on 4 de Janeiro de 2026 at 12:28
    • Responder

    👍🏻

    • F.S. on 4 de Janeiro de 2026 at 13:56
    • Responder

    Ao que isto CHEGOU! Que homenzinho tão simpático e respeitador para com os direitos consagrados na Constituição ‼️
    É dos que respeita imeeensooo o trabalho dos professores, nota-se tão bem‼️

        • Falta de visão a sua on 4 de Janeiro de 2026 at 21:16
        • Responder

        Tinha de ser um liberaloide da geração Z, que nunca fez nada de jeito a não ser publicar umas quantas atoardar em pasquins e fundar o pasquim mor.

          • Hallowinas on 4 de Janeiro de 2026 at 22:42

          Se nasceu em 1989, não da geração Z, ó iluminado!!!

    • TOP on 4 de Janeiro de 2026 at 14:09
    • Responder

    Esse caralho é um boneco!!!

    • Augusto Castro on 4 de Janeiro de 2026 at 14:46
    • Responder

    Que ideia brilhante: suspender direitos constitucionais sempre que dão jeito ao editorialista de serviço. Professores a reformarem-se na data legal? Só para “toda a gente”. Para os professores, propõe-se agora trabalho forçado até ao fim do ano letivo, em nome de uma coragem muito seletiva. Estamos cansados — exaustos, insultados durante décadas por sucessivos governos e pelos seus cães de guarda mediáticos, comentadores incluídos, sempre prontos a apontar o dedo ao “egoísmo” docente. Agora, quando a profissão sangra por abandono e reformas, fingem surpresa. Pagam, simplesmente, os tiros que deram nos pés. Chamam-lhe falta de compromisso; chama-se direito. Chamam-lhe coragem; chama-se inconstitucionalidade. Bem-vindos à pandemia que criaram: a falta de professores. Não é azar, não é lotaria — é consequência.

    • Alberto Santos on 4 de Janeiro de 2026 at 15:50
    • Responder

    Amanhã já é tarde para vir embora. Ler as pretensões destes iluminados até dá vómitos. Como é possível haver tanta gente com o intestino grosso ligado ao cérebro. Já não há paciência.

    • Ana on 4 de Janeiro de 2026 at 16:39
    • Responder

    Curiosidade: faço anos em dezembro. Então, devo esperar até julho, não é??

      • Odete on 4 de Janeiro de 2026 at 20:31
      • Responder

      “Ou seja, o melhor seria que os professores prestes a aposentar-se não fossem titulares de turma.”

        • Hallowinas on 4 de Janeiro de 2026 at 22:44
        • Responder

        Já estive num agrupamento, (não sei como) fazem isso. Tinha inclusive uma colega do mesmo grupo disciplinar que completava a idade em março e desde setembro que o horário dela era na biblioteca a encher chouriços.

          • Rita on 6 de Janeiro de 2026 at 21:32

          Que bom. E nós a pagar. 6 meses de brincadeira.
          Na minha escola isso só se faz se for 1 mês. Não 6 meses.
          Entretanto, após esses 6 meses, fica mais 3 ou 4 a receber 750 euros e a coçar a micose.

    • Zé das Couves on 4 de Janeiro de 2026 at 16:48
    • Responder

    estão em pânico com a debandada geral, nem as cartinhas do ministro surtem qualquer efeito…

      • Pcpista on 4 de Janeiro de 2026 at 20:34
      • Responder

      As cartas dos Costas e da Maria de Lurdes Rodrigues eram melhores?

        • Zé das Couves on 4 de Janeiro de 2026 at 20:54
        • Responder

        preferias que fossem do Maduro?!

        • Palhacista on 4 de Janeiro de 2026 at 21:17
        • Responder

        São todas boas … para limpar o traseiro.

  1. Será que o dito cujo (autor), se é empregado, é capaz de abdicar das férias para não prejudicar a empresa?

    • Maria Estafada on 4 de Janeiro de 2026 at 18:21
    • Responder

    Eu nem vou esperar pela idade da reforma. Vou só chegar até aos 60 e 40 de desontos e vou embora. Depois vou fazer outro trabalho que dê para comer uns ovitos. Não quero mais! BASTA!

      • Sophie on 4 de Janeiro de 2026 at 21:00
      • Responder

      Mas há quem não chegue aos 60 com os 40 anos de desconto! Qual é a penalização que se leva quando nos reformamos com os 40 anos de desconto atingidos depois dos 60 anos??

  2. Eu também vou! Estou farto de salários baixos, alunos indisciplinados, pais idiotas, diretores ditadores, funcionários sem educação, colegas fofinhos e políticas de destruição do ensino público com ministros medíocres!

      • Vasco da Gama on 4 de Janeiro de 2026 at 19:05
      • Responder

      Farto disso tudo também e acrescento: farto de atividadezinhas da treta o ano todo!

    • Maria Emanuel Almeida on 4 de Janeiro de 2026 at 20:57
    • Responder

    Nunca vi tanta aberração. Esses senhores que sabem tão bem falar no lugar dos professores, ocupem o seu lugar durante um mês. 😐 Verão como é bom ser professor nos dias de hoje. Antes de falar sobre algo que não se conhece é bom colocar-se nos seus sapatos….

    • Jorge gouveia on 4 de Janeiro de 2026 at 21:39
    • Responder

    Sou professor e concordo com o senhor Lousada. Não podemos andar a bater no peito e a defender a escola e o papel dos professores e depois arrancar para a reforma a meio do ano deixando os alunos sem aulas e, muitas vezes, como eu já assisti, sem se despedirem dos colegas com quem trabalharam durante anos.

      • ûlme on 4 de Janeiro de 2026 at 22:23
      • Responder

      tens algum bónus por isso da parte do teu patrão?
      não ? ok …

      então reformo-me no dia e hora que tiver direito

    • Ana Marques on 4 de Janeiro de 2026 at 23:26
    • Responder

    O ensino presencial vai simplesmente acabar! Com a IA para que serve a presença do professor?
    Muitos, mesmo muitos vivem alheados da realidade, pois a sociedade está em mudança e não querem aceitar!
    O ADN está em evolução, as 12 fitas estão a revelar-se! É melhor começarem a expandir os vossos conhecimentos!
    A nova geração de crianças estão muito à frente!….
    MUDANÇA…

      • Mainada on 4 de Janeiro de 2026 at 23:34
      • Responder

      Ahahah, só podes estar a brincar! Delírios…

    • Carlos Tiago on 5 de Janeiro de 2026 at 7:59
    • Responder

    O ministro roubou-me o tempo de serviço para dar a outros. A CGA acaba de me roubar mais 6 meses. Faltam-me 3 meses. Xau

    • OraBolas on 5 de Janeiro de 2026 at 9:16
    • Responder

    Não faz sentido dar serviço letivo aos professores que se vão aposentar a meio do ano letivo.
    Isto é que está errado, não é os professores se aposentarem a meio do ano letivo.
    O autor é uma autêntica besta e isto é dizer pouco.

    • António on 5 de Janeiro de 2026 at 9:23
    • Responder

    E , já agora,deveriam acabar o ano letivo sem receberem salário.
    Chamem a “Milú” ,e outros que se seguiram, para resolverem o problema que criaram.
    Neste aspeto ,já não se deve cumprir a Constituição?

    • Maria on 5 de Janeiro de 2026 at 9:48
    • Responder

    Peço a Trump que elimine esses Gajos e JÁ!!!!

  3. Boas lições já não precisam de escola. Mudaram os tempos e os ventos.
    Agora, os professores são Piutine Macrone, Truampe e a Meló nii a fazer caretas.
    Querem mais? Não precisam de imaginação para os nomear.

    • Rita on 6 de Janeiro de 2026 at 21:40
    • Responder

    Que bom. E nós a pagar. 6 meses de brincadeira.
    Na minha escola isso só se faz se for 1 mês. Não 6 meses.
    Entretanto, após esses 6 meses, fica mais 3 ou 4 a receber 750 euros e a coçar a micose.

    • Estupefato on 7 de Janeiro de 2026 at 16:32
    • Responder

    A minha medica de família aposentou- se a meio do tratamento que me estava a aplicar.
    Fiquei sem médico de família.
    Ninguém a veio substituir.

    É só isto.

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