Mas eu não me acredito que o objetivo seja transferir os alunos do 2.º para o 1.º ciclo.
O que acho que pode vir a acontecer é apenas uma mudança curricular que possa eliminar a obrigação da monodocência no 1.º ciclo, não transferindo os alunos de estabelecimentos de ensino por causa dessa fusão entre 1.º e 2.º ciclo. E que seja dada alguma, ou bastante liberdade para que as escolas escolham uma gestão dos alunos em função da sua realidade escolar.
Edifícios escolares não estão prontos para fusão no Básico
O ministro da Educação anunciou que a fusão do 1.° e do 2.° ciclo entra em vigor no ano letivo 2027-2028. Professores, diretores, sindicatos e escolas superiores de Educação querem conhecer o modelo escolhido por Fernando Alexandre. A mudança representa uma reforma profunda do sistema de ensino que pode implicar, inclusivamente, a reorganização dos espaços escolares em pouco mais de um ano.
“As escolas, os próprios edifícios, não estão preparados porque foram criados para outro modelo. Por isso, qual será a reorganização?”, questiona Luísa Brandão, professora de 1.º ciclo e dirigente do Movimento de Professores em Monodocência. “A fusão pode ser muito boa ou muito má”, aponta, referindo: em escolas mais pequenas, com seis salas, por exemplo, os atuais professores titulares podem continuar a dar as áreas nucleares de Português, Matemática e Estudo do Meio e os alunos terem outros docentes a Inglês, Música ou Educação Física, com horários desfasados para acesso ao recreio e cantina. Em estabelecimentos maiores, essa organização é mais difícil, o que significa a junção de crianças dos seis aos 12 anos. E isso já “pode ser um foco de novos conflitos”, alerta. Há muitas dúvidas que têm de ser esclarecidas, reclama.





6 comentários
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Sem estabelecer considerações ou preconceções se a ideia é boa ou má, uma coisa parece certa esta medida é mais uma medida que surge para remendar um problema há muito anunciado. Esqueçam o alinhamento com a Europa ou as 22h para todos, a monodocencia ou a pluridocencia, isso não passam de cortinas de fumo. A verdade nua e crua é que faltam professores e há que descobrir formas de esticar a curta manta que agasalha o sistema. Esta medida entra no mesmo lote da desqualificação dos novos docentes e terá efeitos nefastos para todos.
Só faltam porque se aposta nos salários de miséria, na gestão ditatorial e na indisciplina e ingerência dos pais!
Também não acredito que seja essa a ideia em cima da mesa, mas sim terminar com a monodocência no 1°ciclo, passando ao novo modelo de ensino. A seguir será toda a rede Pré-Escolar, à semelhança da RA da Madeira. Já se fala e até foi notícia há alguns anos, de que até 2029/2030 isto teria de avançar.
Alguém que pergunte ao MECI como está neste momento o projeto piloto de três anos, iniciado em 2023/2024, findos os quais, vai fazer com que todas as creches municipais (antigas e as novas que estão a ser abertas desde o ano letivo passado) sejam absorvidas pelos AE mas cujos docentes (educadores) terão regalias idênticas (carga horária letiva, vencimento, ADSE) aos colegas da rede pública, à exceção dos contratos de trabalho, que serão camarários. Consultem a APEI, ficarão a saber das “movidas” nos bastidores.
Ou acharam mesmo que tinha sido pelos bonitos olhos dos educadores de infância que o tempo de serviço em creche passou a ser reconhecido para efeitos de concurso, mas não para progressão na carreira? E as recentes “Orientações Curriculares” para a creche, fazem sentido? Só fazem porque vai ser tudo uniformizado ao mesmo modelo de ensino. Só não deu por conta até agora quem tem estado distraído nos ultimos seis anos.
Quanto a nós passaremos também a contratados pelas CM, pelo andar da carruagem desta proposta do novo ECD.
Se voltarem ao ECD anterior a 2005 (Sócrates Ludrinhas) não faltarão professores e educadores!
Nem mais!
Ora até que enfim que alguém põe o dedo na ferida!
Isso acabaria de vez com as loucuras a que temos assistidos nos últimos 20 anos na Educação e chamaria muito mais gente.
O fim da ADD, o fim dos diretores, dos CG e de muita porcaria que foi colocada no sistema educativo só para o rebentar!
Saltou-me à vista a ideia de que a junção de crianças dos seis aos doze anos pode ser vista como um problema. Então e a situação atual, com as eb2,3+secundário, que juntam crianças e jovens dos 10 aos 18 faz mais sentido?…