A reforma pode esperar (desde que paguem)

 

O país acordou aliviado: afinal os professores não se reformaram todos. Reformaram-se só 3611 em 2025. Um detalhe estatístico, quase uma boa notícia.

O truque é simples. Chama-se suplemento. Setecentos e cinquenta euros brutos por mês e, de repente, 1500 professores descobriram que ainda tinham vocação e força nas canetas. Que afinal dava para aguentar mais um ano. Ou dois. Ou até para além dos 70…

Sem esta epifania remunerada, teríamos passado dos cinco mil reformados. Um número feio, daqueles que não cabem num comunicado do Ministério nem num gráfico otimista. Mas o Governo foi esperto, não resolveu o problema, apenas o adiou.

Chamam-lhe “resposta positiva dos docentes”. Não chamam cansaço, nem desgaste, nem falência de uma política educativa, com já duas décadas de existência, que conseguiu a proeza de tornar a profissão pouco atrativa. É mais bonito dizer que os professores quiseram ficar. Como quem fica numa festa que já acabou, porque ainda há cerveja no barril.

A meta era mil. Conseguiram mil e quinhentos. Um sucesso. Nada como baixar a fasquia e subir o suplemento. Formar novos professores? Valorizar carreiras? Tornar a escola habitável? Isso fica para  outro milagre.

Entretanto, o sistema funciona à custa dos que já deviam estar em casa. Ensina-se com artroses, planifica-se com exaustão e avalia-se com cinismo funcional. Mas funciona. E isso é o que interessa. No meio disto ainda vêm com as plataformas e sumários digitais.

Quando estes também desistirem, logo se inventa outra coisa. Talvez um prémio de resistência. Ou um subsídio de teimosia.

A escola pública portuguesa não está a ser salva. Está a ser mantida m cuidados paliativos, à espera que ninguém repare.

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24 comentários

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    • Ultra Passado on 11 de Janeiro de 2026 at 19:24
    • Responder

    Tão lindo texto de tão feio cenário…
    Missionários ou Mercenários, é disto que o ensino irá sobreviver.
    Já não haverá os vídeos virais das despedidas dos professores na merecida reforma, reconhecimento do dever (comprido) cumprido.
    Alívio ou velório será a sina!

    • Joana Matias on 11 de Janeiro de 2026 at 19:48
    • Responder

    Estes novos mercenários que vendem a sua reforma por uma bolsa de moedas, só o fazem porque estão confortáveis na escola. A estes predestinados desta medida as direções não obrigam a fazer horas extraordinárias nem a ter direções de turma complicadas… Isso fica para os mais novos, que sem qualquer tipo de experiência devem suportar todas as medidas ditatoriais das direções. E se os mais novos estiverem mal pois bem vão se inscrever no sindicato ao qual também pertence o diretor e que assim por meio da antiguidade nada vai fazer a favor do seu novo trabalhador.
    Temos de acabar com esta medida e deixar as pessoas ter a sua reforma, isto assim não faz sentido e vai contra a ideia de renovação da classe docente.

      • Mortadela on 12 de Janeiro de 2026 at 6:43
      • Responder

      Oh colega Joana, para se ganhar experiência , tem que se começar… não é por ver os outros fazer, que se se adquire a dita!
      Os tais missionários ou mercenarios foi assim que a ganharam…

        • Joana Matias on 12 de Janeiro de 2026 at 9:06
        • Responder

        Oh colega Mortadela, essa justificação da experiência é caricata e cheia de hipocrisia… Porque lançar professores de habilitação própria para os cargos de direção que ninguém quer só prejudica o sistema de ensino, nem nas empresas em Portugal os recém licenciados assumem lugares de direção (DT) nas empresas onde fazem estágio.
        E sabe onde está ainda mais a sua hipocrisia… É que pessoas como você são as primeiras a criticar e denunciar o trabalho dos colegas mais novos nas direções de turma quando existem falhas. De boas intenções e de justificações desse tipo está o inferno cheio.
        Que os mercenário ou missionários continuem a sua missão até conseguirem sair da sala cobertos pelas madeiras da Escola.

    • Conceição Pereira on 11 de Janeiro de 2026 at 20:44
    • Responder

    O problema aqui é que os professores em idade de reforma ou pré – reforma , não atingiram o escalão máximo, na idade de sair, reduzindo substancialmente as reformas e por isso os professores vêem – se na ” obrigação” de trabalhar mais um pouco, para tentar fazer algum pé de meia, para que possam viver uma reforma digna.
    Não vejo sindicatos a tentar lutar para que os professores recebam as suas reformas com os ordenados que deveriam ter ,se os escalões não fossem congelados.

      • Mortadela on 12 de Janeiro de 2026 at 6:46
      • Responder

      Se calhar também não vê os ditos sindicatos a lutar pelos 6A6M23D, a quem estava no topo da carreira e que não viu( ainda!) a restituição desse tempo, ficando com a carreira contributiva fortemente penalizada! Talvez seja por isso que os tais missionários ou mercenarios ficam…

        • Carreiras on 12 de Janeiro de 2026 at 9:15
        • Responder

        Para que escalão vão progredir com a recuperação do tempo de serviço?
        Ou acha, estupidamente, que quem está a recuperar o tempo de serviço está a recuperar o dinheiro que perdeu enquanto esteve congelado?
        Ignora que quem está a recuperar tempo de serviço ainda está a ser penalizado na carreira contributiva e só vai deixar de ser penalizado quando a recuperação estiver concluida?

          • Joana Matias on 12 de Janeiro de 2026 at 9:30

          Os professores devem ser a única classe na função pública que conseguem progredir na carreira após a reforma, e mesmo no caixão ainda vão conseguir estar a progredir… Devem ser as aulas que deixam aqui programadas pela AI.
          Mas falando de coisas sérias, os únicos professores que aparentemente foram prejudicados com a recuperação de tempo foram os dos últimos escalões, portanto dizer que esses ficam na Escola para ganhar mais quando já estão no topo da carreira faz pouco sentido… Eles ficam da escola porque ganham e não fazem nada… Até já existem diretores a ir dar aulas a turmas só para receber o suplemento.
          Sr. Ministro crie a carreira do diretor e faça com que os professores não possam ser diretores nas escolas, existe muita promiscuidade entre colegas e pouco capacidade de aplicação da lei como deve ser.

    • MariaQueNãoVaiComAsOutras on 11 de Janeiro de 2026 at 20:47
    • Responder

    Mas isto é tudo uma palhaçada…tenho conhecimento de um casalito de reformados que regressaram à escola, ela a dar “apoio” no 1ºCiclo e ele, “apoio à direção”.

    • Corrones on 12 de Janeiro de 2026 at 1:15
    • Responder

    Qual é problema? Cada um é que sabe da sua vida. No meu caso tenho de estar mais uns anitos para além dos 40 anos de trabalho porque a lurditas f@deu-me a carreira. Só agora cheguei ao 10.°. Se me aposenta-se hoje teria uma reformasita de 2300€ ilíquido
    Tenho que amochar para aumentar um pouquinho o valor. Portanto, o sr. deveria estar quieto em vez de dizer parvoíces.

      • Carlos Tiago on 12 de Janeiro de 2026 at 7:22
      • Responder

      Errou a profissão, como eu, se tem ido para Gnr podia ter ficado no início de carreira (cabo) até à aposentação com 56 anos de idade e ficava com esse valor. Ainda existem privilegiados no sistema.

      1. Caro, se não saiu de cabo foi porque não tirou um curso superior. Não misturemos as coisas…

          • Carlos Tiago on 12 de Janeiro de 2026 at 9:53

          Pois, eu também entrei para o ensino sem curso superior e a trabalhar até tirei vários cursos com diferentes graus superiores e agora, com mais de 65 anos de idade e de 44 anos de serviços, na plataforma da Cga tenho pouco mais do que um cabo da Gnr. Vergonha de país. É assim que querem professores? Ponham Gnr’s a dar aulas.

          • BMW on 12 de Janeiro de 2026 at 12:29

          Não te preocupes. Quando chegar o teu tempo, ficas tb mais uns anos para receberes os 750 paus. O Montenegro vai prolongar o prazo para ti.

    • Manuel Guedes on 12 de Janeiro de 2026 at 11:53
    • Responder

    … e as boas notícias para o Senhor Primeiro -Ministro e Minstro da Educação é que sindicalistas da Fenprof, aderiram a esta solução, adiando a sua reforma, mas mantendo a redução sindical e projetos de escola, por outras palavras não dão aulas.

    • ANti. burrocracia on 12 de Janeiro de 2026 at 12:01
    • Responder

    Abanaram-lhes a cenourinha…..ficaram logo cheios de saúde.
    Gente sem ética, vendidos!

      • Pilas on 12 de Janeiro de 2026 at 12:23
      • Responder

      Estás com inveja. Escroque.

        • ANti. burrocracia on 12 de Janeiro de 2026 at 14:08
        • Responder

        Inveja de um vendido ?!

    • 😂😂😂 on 12 de Janeiro de 2026 at 14:30
    • Responder

    Ficam a trabalhar um mês inteiro, 4 SEMANAS, 30 DIAS, por 350€!!!!!
    Se fossem para as caixas do LIDL ganhariam o TRIPLO!!!!
    São muito “inteligentes” os que permanecem!!!😂😂😂

    • obsolescência docente on 12 de Janeiro de 2026 at 16:43
    • Responder

    Moral e ed fisica e cargos na biblioteca e apoios.

    • Maria on 12 de Janeiro de 2026 at 17:07
    • Responder

    Os colegas, na idade da reforma, deviam aproveitar para gozar a vida enquanto podem.
    Só não saio porque não é ainda possível.

    • João Carlos on 12 de Janeiro de 2026 at 19:56
    • Responder

    Professores que acham que PROFESSORES que continuam a sua missão para além da idade (da reforma) são “isto e aquilo”… não são PROFESSORES!

      • 🤬 on 12 de Janeiro de 2026 at 21:25
      • Responder

      MISSÃO????!!!!
      Vai para o Ruanda, fazes mais falta lá.

    • Mynameis on 13 de Janeiro de 2026 at 10:21
    • Responder

    Corrones, é professor do 10⁰ escalão? Aconselho-o a fazer umas formações em escrita porque dá erros de português inadmissíveis…É uma vergonha para a classe docente!

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