É nessa fenda que o futuro se consome quando a luz se esgota.
Abomináveis tempos estes em que jantamos ódios e guerra, em que os nossos jovens vivem sugados pela luz de ecrãs antropófagos, se relacionam através de teclas, se ocultam atrás de imagens fictícias e desvirtuadas. Encerrados em si próprios, inundados de ruído e desesperança. Descobrimo-nos impotentes para antecipar desfechos. Queremos tê-los com futuro, contudo que futuro estamos a construir para eles?
Como uma mera notícia de jornal, há gestos que não se anunciam, apenas acontecem. Em Viseu há famílias a tentar interromper a fissura anunciada e outras a tentar respirar dentro de um buraco negro. Há uma comunidade escolar que caminha de cabeça baixa, viajando num rio de dor, compassado e incompreensível.
Cabe-nos a reflexão profunda e exigir que famílias e escolas façam um caminho conjunto, que ambas sejam afeto, segurança e antecipação. Para que, quando a estrada bifurca, possamos amparar o caminho.
É tempo de a saúde mental dos nossos jovens ser assumida como prioridade. Urge colocar psicólogos clínicos dentro da escola, caminhando lado a lado com jovens, famílias e professores. Urge dotar os alunos com compaixão, libertá-los dos grilhões tecnológicos, deixá-los esfolar joelhos e pintar o mundo do avesso.
Para que o futuro não seja apenas um homem baço, anoitecido ou a antecipação putrefacta de um fim.
O Blogue de Arlindo expressa as mais profundas condolências às famílias dos jovens que partiram e respetiva comunidade educativa.




3 comentários
Quem morreu? Quando? Onde? Porquê? Seria boa ideia começar por aí. Uma pessoa fica com dores no cérebro de ler estas saladas de palavras.
Dois jovens com 16 e 17 anos, aparentemente num pacto de morte, e mais quatro que tentaram, aparentemente no âmbito do mesmo pacto.
Obrigado. Não vejo TV há anos, porque é quase tudo lixo e propaganda, de modo que não sabia. E pela salada de lugares-comuns pomposos em eduquês-socialistês aí do rapaz do bigode à Stalin, não ia lá.
Com a teia de cumplicidades e a percepção da realidade típica destas idades, duvido que a PJ chegue a alguma conclusão. Pode ser tudo, desde sub-culturas “emo” e suas idiossincrasias, até actividade de gangue. Em todo o caso, discursos estilo letras de José Jorge Letria, em nada contribuem para coisa nenhuma.