FNE alerta para o aumento da burocracia e para as persistentes más condições de trabalho nas escolas

A Federação Nacional da Educação (FNE) alerta, com base nos resultados do Inquérito Nacional FNE/AFIET – outubro de 2025, que as escolas portuguesas continuam a enfrentar níveis preocupantes de burocracia excessiva, condições de trabalho inadequadas e falta de meios materiais e tecnológicos.
Os dados recolhidos junto de mais de dois mil educadores e professores de todo o país revelam que 37% dos docentes afirmam que a carga burocrática aumentou e 57% consideram que se mantém elevada, confirmando que as medidas anunciadas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) ainda não tiveram efeitos concretos nas condições de trabalho dos docentes, nem no quotidiano das escolas.
Apesar das recentes indicações do MECI relativas à clarificação do que deve ser considerado trabalho letivo e trabalho não letivo, a FNE constata que continuam a verificar-se situações de desrespeito pelo Estatuto da Carreira Docente (ECD), com a imposição de tarefas que extravasam o disposto no ECD.
Para além da sobrecarga burocrática, o inquérito revela problemas graves no domínio das condições de trabalho:
- 60% dos docentes afirmam não dispor de espaços adequados para o trabalho individual ou colaborativo;
- Apenas 65% consideram as salas de aula e os espaços escolares adequados, o que demonstra que um terço das escolas apresenta deficiências estruturais;
- Apenas 30% indicam que os equipamentos tecnológicos são funcionais e em número suficiente para responder às necessidades letivas.
A FNE considera que estes dados refletem uma realidade que compromete o bom funcionamento das escolas e a qualidade das aprendizagens, exigindo intervenções urgentes na melhoria dos espaços escolares e no reforço dos meios tecnológicos.
A Federação reitera a necessidade de o MECI garantir o cumprimento integral do Estatuto da Carreira Docente, assegurar tempo efetivo para o trabalho pedagógico e colaborativo e adotar orientações vinculativas que eliminem a burocracia desnecessária.
Mais do que discursos, é preciso que os professores sintam, nas suas escolas e no seu dia a dia, que o seu tempo, o seu trabalho e o seu profissionalismo são respeitados e valorizados.




4 comentários
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Pela minha parte, confirmo!
– sinal de Internet que só se apanha, e com pouca força, nos corredores das salas;
– uma série de furos no horário à conta dos apoios ao final do dia;
– 79 transformado em apoios com mais de um aluno, facilmente chegando a 11…14… e sempre a aumentar ao longo do ano;
– atos burocráticos e papelada digital que permanece, ou aumenta (apesar dos protestos….), porque sim…, que tem que ser…, o 54 diz que…, etc!
– os ee a entrarem pela casa adentro a reivindicarem e a protestarem de tudo e mais alguma coisa… só não protestam da falta de sinal WI-FI nas aulas; das aulas e testes a que os seus educandos faltam sistematicamente; da crescente indisciplina ou das horas de estudo que estes não realizam, pois o TM é Rei e Senhor lá em casa!
Absolutamente de acordo. Infelizmente, é esta a realidade com que nos deparamos, em particular, esta eterna, crescente e kafkiana burocracia. Enfim…
A FNE queixa-se (e nada mais) do monstro que alimentou durante décadas?
E as ultrapassagens?