14 de Setembro de 2025 archive

E Foi a Lurdinhas Que Escreveu Esta Medida?

PS quer escolas a eleger a direcção em lista e evitar “contaminação” partidária

 

Socialistas pretendem que direcções escolares deixem de ser eleitas pelo conselho geral e passem a ser um órgão colegial eleito em lista pela comunidade escolar.

 

É com vontade de acabar com eventuais “contaminações político-partidárias”, mas também de fazer evoluir o modelo de gestão das escolas, que o PS dá entrada a um conjunto de iniciativas no Parlamento que mudam as regras de eleição das direcções escolares e fomentam a participação no associativismo estudantil. Ao PÚBLICO, o deputado Porfírio Silva assegura tratar-se de uma mudança para uma “escola mais colaborativa e participativa”, rejeitando tratar-se de “descontinuidades radicais”.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/e-foi-a-lurdinhas-que-escreveu-esta-medida/

Quando a realidade obriga: o 1.º Ciclo e o fim da indiferença político-pedagógica – Manuel Alho

A Escola Pública portuguesa, especialmente no 1.º Ciclo, vive entre o discurso da estabilidade e a prática da estagnação. Já o escrevi em Sobre a organização do próximo ano letivo e o calendário escolar: estabilidade ou estagnação? : decidir o calendário escolar até 2028 é um exercício de fé às cegas, que ignora o desgaste crescente de alunos e professores. O prolongamento da carga letiva semanal e o arrastar do calendário até ao fim de junho não são apenas absurdos pedagógicos, são atentos à saúde física e mental de quem faz a escola acontecer.

Quando a realidade obriga: o 1.º Ciclo e o fim da indiferença político-pedagógica

As desigualdades apontadas, como sublinhei em Abaixo-assinado por melhores condições de trabalho , não se resolvem com discursos piedosos. A experiência dos professores, tantas vezes desvalorizada, é central, como defender em Valorizar a experiência: a importância do tempo . O envelhecimento da classe docente, aliado às comorbidades e à exaustão, não é um detalhe : é um aviso à navegação política. E se dúvidas restarem, basta reler Monodocência: pedido de fiscalização de constitucionalidade .

A verdade é que serão as estatísticas, e não a clareza dos decisores, a obrigar a corresponder desigualdades gritantes. Se nada mudar,ficaremos sem professores. A escola não é um depósito de crianças, nem os docentes são complementares.

Chegados aqui, importante, no início de mais um ano letivo, alertar para o óbvio: a Escola Pública está a aproximar-se perigosamente do seu ponto de rutura. Os decisores políticos, muitas vezes entretidos com reformas cosméticas e anúncios de calendário, parecem ignorar o essencial: sem professores motivados, saudáveis ​​e respeitados, não há futuro para o 1.º Ciclo. O envelhecimento acelerado do corpo docente e a ausência de renovação geracional são sintomas de um sistema que já não seduz, antes repele. A cada ano que passa, a exaustão acumula-se, as baixas médicas multiplicam-se e o desânimo alastra.

A ironia maior é que, enquanto se discute a inteligência artificial e a escola do futuro, se esquece o mais básico: ninguém quer ser professor nestas condições. A Escola Pública corre o risco de se tornar um deserto humano, onde as promessas políticas permanecem sem resposta. E, quando finalmente faltar quem queira ensinar, talvez então, tardiamente, se perceba que a indiferença foi o maior erro estratégico da Educação em Portugal.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/quando-a-realidade-obriga-o-1-o-ciclo-e-o-fim-da-indiferenca-politico-pedagogica-manuel-alho/

Reserva de Recrutamento 4 a 17 de Setembro

Tal como suspeitava a mudança de rostos da DGAE para a AGSE mudou procedimentos.

Deixou de haver uma Nota Informativa assinada pela Subdiretora da DGAE, Joana Gião para passar a haver um simples e-mail do novo Presidente da AGSE.

 

Exmo./a. Sr./a. Diretor/a / Presidente da CAP,

 

Informamos que em cumprimento do disposto nos artigos 37.º e 38.º do Decreto-Lei n.º 32-A/2023, de 8 de maio, na sua redação atual, encontram-se disponíveis na página eletrónica da Direção-Geral da Administração Escolar as listas de colocação da Reserva de Recrutamento 3.

Segue calendarização para a RR4:

  • Pedido de horários (AE/ENA) – Disponível após publicação da RR3
  • Validação (DGEstE) – Disponível após publicação da RR3 até às 10.00 horas de dia 17 de setembro de 2025;
  • RR 04 – 17 de setembro de 2025.

 

Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Agência para a Gestão do Sistema Educativo

Raúl Capaz Coelho

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/reserva-de-recrutamento-4-a-17-de-setembro/

Procura de cursos de professores foi três vezes superior às vagas existentes

Os cursos de formação de professores foram procurados como primeira opção por três vezes mais alunos do que as vagas disponibilizadas pelas instituições na 2.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES).

Todas as 305 vagas abertas para cursos de formação de professores, de formadores e de ciências da educação ficaram preenchidas na 2.ª fase do CNAES, cujos resultados foram divulgados este fim-de-semana pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES).

Procura de cursos de professores foi três vezes superior às vagas existentes

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/procura-de-cursos-de-professores-foi-tres-vezes-superior-as-vagas-existentes/

Os cavalos também se abatem…

No nosso país é preciso morrer para serem reconhecidas todas as virtudes de alguém… Após a morte, abrem-se quase sempre “processos de beatificação”, ainda que em vida não se tivesse, efectivamente, valorizado nenhuma das qualidades daquele que acabou de falecer

Ou seja, as pessoas só se tornam boas depois de morrerem,curiosamente quando já não precisam de qualquer reconhecimento ou empatia… E até o maior dos sacanas em vida terá forte probabilidade de lhe verem reconhecidas certas virtudes que, na realidade, não tinha…

Mas, depois de morto, ninguém precisará de “lágrimas de crocodilo”, nem de carpideiras ocasionais, sobretudo se em vida não tiver sido, como devia, respeitado e valorizado… Por onde terá andado o respeito pela dignidade em vida?

E a propósito da falta de empatia e de solidariedade que vão sendo referidas em alguns contextos escolares, entre os vivos que por lá pontuam, lembrei-me da história do livro “Os cavalos também se abatem (Horace McCoy), vá lá saber-se porquê… Na verdade, parece-me que sei porquê, mas um pouco de sarcasmo nunca fez mal a ninguém…

A referida história pode resumir-se, mais ou menos, assim:

“A narrativa gira em torno de Robert Syverten e Gloria Beatty, dois jovens desesperados que se inscrevem numa maratona de dança em Los Angeles, na esperança de ganhar um prémio monetário que poderia mudar as suas vidas ou, pelo menos, despertar a atenção de qualquer personalidade do mundo do cinema que lhe dê uma chance de entrar nesse mundo de sonho. O concurso, porém, revela-se uma metáfora viva do desespero coletivo: centenas de participantes, exaustos fisicamente e destruídos psicologicamente, dançam até ao esgotamento total, sob o olhar impiedoso de um público ávido de entretenimento e completamente alheado do sofrimento daquelas pessoas.” (in“Os Meus Nobel”)…

Metaforicamente, em contexto escolar, quantas vezes se observam também “centenas de participantes, exaustos fisicamente e destruídos psicologicamente, dançam até ao esgotamento total”?

Ao que tudo indica, a resposta à pergunta anterior não poderá deixar de ser esta: Muitas vezes…

Novamente recorrendo à metáfora, quanto a isto: sob o olhar impiedoso de um público ávido de entretenimento e completamente alheado do sofrimento daquelas pessoas.”, talvez se possam colocar algumas dúvidas:

– O “público”, caracterizado da forma descrita, também existirá dentro do próprio contexto escolar ou apenas no exterior do mesmo?

– A perspectiva “voyeurista”, típica dos que frequentemente ficam a “olhar de fora”, dominados pela atitude “pode arder, desde que não seja comigo”, prevalece ou não em contexto escolar?

– O silêncio típico dos que se abstêm, subjugando-se à cobardia da inacção e do conformismo, manifestando, muitas vezes, uma gritante ausência de solidariedade e de empatia, prevalece ou não em contexto escolar?

As escolas transformaram-se em “máquinas trituradoras de pessoas”, onde ninguém se poderá considerar como insubstituível e onde muitas vezes se observa um certo alheamento face ao sofrimento do outro…

Quando alguém morre, ou adoece física e/ou mentalmente, o “período de luto” em relação a essa perda, quer seja permanente ou transitória, costuma ser curto; rapidamente outro tomará o seu lugar, seguindo-se sempre na perspectiva do the show mustgo on

Infalíveis e imortais “Super-Mulheres” ou “Super-Homens” só existem na ficção…

A maioria dos profissionais de Educação encontra-se em “modo de sobrevivência”, sentindo-se irremediavelmente estafada, asfixiada e agoniada com tanta escola fictícia, postiça e travestida…

Não se adivinhando alterações significativas nesse estado de coisas, o que resta?

Continuar a aceitar exigências, e mais exigências, em cima de exigências?

Seremos todos “cavalos a abater”, putativos descartáveis, facilmente substituíveis?

Este tema não será propriamente o mais agradável, de resto, já o aflorei noutras ocasiões, mas no início de um novo Ano Lectivo, talvez não faça mal a ninguém reflectir um pouco sobre a desumanidade e o desrespeito pela dignidade em vida,que vão grassando um pouco por aí

Até porque de nada adianta fazer de conta que o Mundo é fantástico, maravilhoso e cheio de esperança, sobretudo quando a realidade observada nega cabalmente essa ilusão…

E, sim, sabemos bem que negar as evidências provindas da realidade também é uma forma de apelar ao conformismo e à aceitação de muitas desumanas ignomínias…

Paula Dias 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/os-cavalos-tambem-se-abatem/

Há mais 1800 professores que foram colocados nas escolas

Há mais 1800 professores que foram colocados nas escolas
Na terceira reserva de recrutamento do ano, foram colocados nas escolas mais 1452 professores contratados e mais 432 docentes de carreira. Os dados são compilados no blog sobre educação “DeArLindo”, do professor Arlindo Ferreira, que analisou as listas publicadas pela Direcção-Geral de Administração Escolar (DGAE) na sexta-feira. São menos cerca de 700 docentes do que os colocados na reserva de recrutamento da semana passada, quando 1460 professores contratados e 1122 de carreira conseguiram um lugar numa escola.

Há mais 1800 professores que foram colocados nas escolas

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/09/ha-mais-1800-professores-que-foram-colocados-nas-escolas/